segunda-feira, 30 de maio de 2011

Figura da semana

W.H.Hudson

(1841-1922)

Guillermo Enrique Hudson



WH Hudson, também baptizado Guillermo Enrique Hudson, nasceu em 1841 em Quilmes, província de Buenos Aires. Filho de emigrantes americanos que no século XIX demandaram a Argentina é um escritor pouco conhecido entre nós, mas lembrei-me dele a propósito do caso DSK, como adiante explico.

Travei conhecimento com a sua obra quandio visitava sua terra natal. Perante uma estátua que pontificava num jardim de Quilmes, com o seu nome bi-lingue, quis saber de quem se tratava. No Turismo local colhi algumas escassas informações. De regresso a Buenos Aires, mergulhei numa Biblioteca em busca de informação complementar, pois a funcionária que me atendera dera-me uma dica preciosa: Hudson escrevera um dos melhores livros de todos os tempos sobre as Pampas. Porventura entusiasmada pela atenção que eu prestava ao que me ia relatando, a senhora acrescentara que só o livro de Bruce Chatwin, sobre a Patagónia, se podia equiparar-se-lhe.

Nas minhas incursões pelas livrarias da Corrientes pude constatar que WH Hudson escrevera não um, mas sim vários livros sobre as Pampas, tendo acabado por comprar a versão espanhola de “Tales of Pampas”, a conselho de um livreiro local. Mais tarde vim a descobrir um livro dele sobre a Patagónia, que fui obrigado a comprar quando li na contracapa a seguinte frase: "A Patagónia é a cura para os males da Humanidade".

Tinha acabado de "me perder" na Patagónia durante três meses e não podia estar mais de acordo com aquela frase. Foi assim que comprei “Idle Days in Patagonia”, que li de um sopro, a que se seguiu “Far Away and Long Ago”

WH Hudson é naturalista e a sua escrita torna-se por vezes enfadonha, mas um apaixonado pela Argentina ultrapassa tudo para tentar perceber como era a Patagónia no século XIX e as descrições feitas por Hudson são uma viagem só equiparável à que nos proporcionou anos mais tarde Bruce Chatwin, o autor que me acompanhou na primeira aventura pela Patagónia.

Hudson deve ter sido um tipo peculiar. Abandonou a Argentina com 32 anos, depois da morte do pai, e foi viver para Inglaterra. Ali casou, aos 35 anos, com uma mulher de 50 e ali morreria, suspirando pela sua amada pátria argentina onde, feitas as contas, vivera menos um terço da sua vida. Desde que partiu para Inglaterra nunca mais regressou à Argentina, mas viveu o resto dos seus dias ansiando i regresso ao país que lhe marcou a vida e a obra literária.

Para além de ter vivido sempre na miséria, à custa da mulher que ia abrindo pensões à mesma velocidade com que as levava à falência, tinha umas ideias muito sui generis sobre a sexualidade. E foi por causa disso que me lembrei dele quando aconteceu o episódio de DSK em Nova Iorque.

Dizia Hudson que não haveria Paz na Terra enquanto a fúria sexual não fosse extinta. Ora esta teoria levava-o a uma outra ainda mais arrevezada , num outro livro (A Christal Age) onde discorre vastamente sobre a sexualidade e os seus "perigos". Entre várias bizarrias (incompreensíveis até para a Argentina do século XIX predominantemente composta por machos) defende que a sociedade devia adoptar o modelo da colmeia, onde uma mulher desempenharia o papel de abelha-mestra, procriando para toda a comunidade.

Se pudesse fazer uma pergunta a DSK seria, obviamente, sobre esta teoria de Hudson.

4 comentários:

  1. "a sociedade devia adoptar o modelo da colmeia, onde uma mulher desempenharia o papel de abelha-mestra, procriando para toda a comunidade."

    Valha meu Deus, Carlos!

    Ler isto numa segunda-feira é de pegar no casaco e dar um passeio pela floresta.

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  2. Já estou com um pé fora da porta, mas este cromo do século XIX merece uma resposta sobre a sexualidade feminina:

    As galinhas com susto abrem o bico
    e param daquele jeito imóvel
    — ia dizer imoral —
    as barbelas e as cristas envermelhadas,
    só as artérias palpitando no pescoço.
    Uma mulher espantada com sexo:
    mas gostando muito.

    Adélia Prado

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  3. Wilhelm Reicht também defende que a violência está directamente relacionada com a energia sexual retida. Penso é que não lhe deu para o mesmo que Hudson! Fazer de uma espécie gregária o que ele afirmou, quase de certeza que se viciou no peiote ou quem sabe no absinto.
    Quanto à Argentina deveríamos fazer como o seu Presidente Kirchner... mandar os agiotas da tróika pelo mesmo caminho que vieram!

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