segunda-feira, 4 de abril de 2011

Volta, Judite, estás perdoada...


Hoje pensei assistir à entrevista de Sócrates na RTP 1. Infelizmente, o meu televisor estava avariado e, quando tentava sintonizá-lo na RTP, ele teimava em ir parar à S. Caetano, onde dois jornalistas também entrevistavam o Primeiro-Ministro.

Vítor Gonçalves, autor do livro “A Agenda de Cavaco Silva”, veio de Washington- onde foi colocado após a vitória de Cavaco em 2006. É um jornalista com tarimba parlamentar, foi editor de política da RTP, aceitou recentemente o convite de Nuno Santos para director-adjunto de informação da RTP 1 e desempenhou bem o seu papel de entrevistador.

Já Sandra Sousa, uma moderadora fraquinha do “Corredor do Poder,” revelou-se um desastre como entrevistadora. Não só interrompia constantemente o entrevistado, como atropelava Vítor Gonçalves que, diversas vezes, se viu obrigado a mandá-la calar-se.Pior ainda, revelou uma confrangedora falta de preparação que roçou a ignorância. Sócrates não perdeu a oportunidade para lho lembrar, saindo diversas vezes por cima, em questões delicadas. Deve ter terminado a entrevista corada de vergonha. Volta, Judite, estás perdoada...

A insistência dos entrevistadores em querer saber se Sócrates pensava pedir ajuda externa antes das eleições revela ignorância, ou necessidade de agradar a alguém..Alguns constitucionalistas e o próprio Paulo Rangel, já tinham esclarecido a incoerência de um pedido desses ser feito por um governo de gestão.

Foi notório o incómodo de Sócrates durante toda a entrevista. A situação é difícil, ele sabe-o e acredito, sinceramente, que tudo tentou para salvar o país do pedido de ajuda externa. Tentar assacar-lhe culpas pela recente subida das taxas de juro ou pelos cortes de rating e ilibar Passos Coelho da canalhice que fez ao país, parece-me má-fé. Tentar que Sócrates dissesse que Cavaco é o maior culpado desta crise, percebe-se, mas insistir depois de ele ter respondido afirmativamente à questão, com uma indirecta, foi perda de tempo.

O que o país precisa de saber é que a entrada do FMI será muito mais prejudicial para os portugueses, do que o PEC que a oposição rejeitou . Coisa que Passos Coelho não diz, nem os entrevistadores de serviço na S. Caetano quiseram perguntar. Pior… tentaram evitar que Sócrates explicasse algumas das medidas que foram exigidas à Grécia e Irlanda, para os portugueses ficarem a saber o que os espera.

A entrevista podia ter sido um bom momento para esclarecer os portugueses sobre os cenários alternativos que se vão colocar aos portugueses no dia 5 de Junho , mas definitivamente não era para isso que lá estavam os dois jornalistas.

Misteriosamente, quando acabou a entrevista, o meu televisor voltou a sintonizar a RTP 1. Lá estava o Malato a fingir que oferece 100 mil euros aos concorrentes.

10 comentários:

  1. Uma péssima entrevista em todos os aspectos...

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  2. Não vi, hoje estava numa de sabática à tv, nem sabia da entrevista....

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  3. Acho que no essencial estou de acordo, mas tenho um ponto de vista um pouquinho diferente quanto ao entrevistado.

    Achei o seu desempenho brilhante dentro do paradigma escolhido (por ele). Explicando melhor o meu entendimento. O paradigma actual, que para mim é um quadrado de área muito pequenas (com pouco espaço para movimentos largos) definido por 4 lados (ou não seria um quadrado), considerados por ele (e por toda a direita)inamoviveis: 1º - A pressão (especulativas) dos mercados; 2º - As regras comunitárias (ou a sua ausência) personalizadas não pela comunidade mas pelo eixo franco-alemão; 3º - O sistema politico Português em formato reduzido (PS/PSD); 4º - A sua ambição ao poder...
    Se este paradigma, igualzinho ao de Passos Coelho (pois a área do quadrado limita-lhe as alternativas) se mantiver, muito provávelmente o PS ganhará as eleições, adiando o sonho

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  4. Não vi a entrevista, mas se por acaso tivesse tido essa oportunidade, possivelmente desistia. Irritam-me entrevistadores que querem pôr palavras na boca dos entrevistados. Manias!

    Quanto ao Malato, que já só vi em fim de concurso, também não tem culpa nenhuma do concurso estar mal feito e nunca dar hipóteses dos concorrentes vencerem o prémio máximo. Menos ainda dos concorrentes serem tão fraquinhos e dizerem tantas calinadas... :)

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  5. Barbosamigo

    Pôçaras! Um texto e quatro comentários - e concordo mais ou menos com todos, como o bacalhau...

    Pelos vistos, Sócrates depois do 5 de Junho, poderá dizer como o rifão: Depois de mim virá quem bom de mim fará...

    Ele não vai ganhar as eleições após um desgaste de seis anos de Governo; mas (quem sabe?), pode ser que os cidadãos venham a lamentar-se do voto que meteram nas urnas.

    Verá-se, cumo diz o séguinho

    Abç

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  6. Já não me admiro com nada que possa acontecer, que possa ver ou ouvir...Até posso ver um elefante às riscas, a entrar ou a sair de S. Caetano que não me vou espantar...

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  7. Carlos,
    A rapariga, antes da entrevista, disse ao que ia.
    José Sócrtes é um hábil comunicador e ela não podia deixar socorrer-se dessa habilidade.
    Algo do género.
    Qual foi o critério que adoptou?
    Pelo que aqui leio (não vi a antrevista), cortava-lhe o raciocínio, não o deixava falar.
    A arma dos medíocres.

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  8. Cheguei a ter pena da menina.Chumbo certo na prova ou em alternativa um lugar de assessora de imprensa do Miguel Relvas.Isto está mesmo rasca.

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  9. Terrivelmente pobre... obscenamente partidário... e mais uma vez numa terra de cegos, que tem um olho é rei. Parabéns ao PM mas convenhamos que estava a lidar com principiantes.

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  10. Da última vez que me lembro de verificar, Carlos Barbosa Oliveira era um jornalista. Agora é alguém sem respeito por colegas de classe...

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