quinta-feira, 7 de abril de 2011

Tiro no escuro

Há uma grande diferença entre o júbilo pelas revoltas populares na Tunísia, Egipto ou Líbia ,e a crença de que elas significam a vitória da democracia. Rejubilo com as primeiras, continuo a ter sérias dúvidas quanto à segunda.

Acreditar que o derrube de um ditador conduz inexoravelmente à democracia, não é apenas optimismo, é desconhecimento da História recente.Daí os meus cuidados na análise dos acontecimentos que nas últimas semanas encheram as páginas dos jornais e alimentaram acesas discussões.Ninguém de bom senso defende um ditador, mas também não rejubila quando uma ditadura é substituída por outra, à custa de centenas ou milhares de mortos.

Apostar que a Tunísia, Egipto, Líbia ( e o que mais vier a seguir) se vão transformar em democracias é um tiro no escuro. São apenas desejos e a História já nos mostrou diversas vezes, ao longo dos séculos, que nem sempre os desejos se tornam realidade...

Para começar a despertar, uma alusão às sondagens sobre as eleições no Egipto, que indicam uma vitória clara da "Irmandade Muçulmana", representante do mais retrógrado fundamentalismo islâmico.

Se a vitória se confirmar, o Egipto regressar à Idade das Trevas e o mesmo acontecer na Tunísia e na Líbia, espero não ter de aturar as lágrimas de crocodilo dos que apoiaram a cruzada do ocidente contra o regime líbio, lutando ao lado dos rebeldes e armando-os.

Não se combate uma ditadura, sem ter a certeza de que está afastada a hipótese de lhe suceder outra ainda mais retrógrada e, quiçá, mais sanguinária. Muito menos se entregam armas a rebeldes que deixarm infiltrar nas suas hostes, elementos da Al-Qaeda.

A nossa comunicação social, com sede na Casa Branca, já devia ter percebido isso há muito, mas não há maneira de aprender a pensar com a própria cabeça.

5 comentários:

  1. Os Estados Unidos nunca pensam muito quando se envolvem numa guerra... os tiros no escuro acabam muitas vezes, em lançamentos de boomerang...

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  2. Carlos,

    A História mostra que quando as ditas "potências ocidentais" se envolvem para "estabelecer a democracia e as liberdades" em nações que não tem histórico de democracia e liberdade, o que se vê é o trocar seis por meia dúzia.
    Tudo desculpa esfarrapada, ótimo texto.

    Gostei muito do post da Helena que você linkou.

    Beijos

    Carla

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  3. Eu já esqueci tudo que estudei mas... ate quando vamos escutar esta confusão entre estes paises que poderiam dar um jeito de parar com tantas guerras.

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  4. Os Estados Unidos armaram os taliban contra os soviéticos. Bin Laden é uma criação artística também dos EUA. Enfim, vamos lá ver o que resulta destes tiros no escuro.

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  5. isso não é novidade nenhuma ando a dizer isso desde os tempos do Egipto ou Egito... ou lá como se escreve agora

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