quarta-feira, 20 de abril de 2011

BRICS and PIGS

Na semana passada, os BRICS ( países emergentes a que agora se juntou a África do Sul) reuniram-se para traçar uma estratégia comum que os ponha a cobro de uma nova crise global que, embora a muitos custe admitir, pode estar aí ao virar da esquina.


A voracidade dos mercados é insaciável e se os governos dos países mais poderosos não puserem um travão a esta escalada, um dia destes o mundo será totalmente dominado pelos agiotas que controlam o mercado e obrigam o poder político a ajoelhar-se perante as suas exigências.


Enquanto leio no Financial Times um artigo sobre as decisões tomadas na reunião dos BRICS, interrogo-me sobre as razões que impediram os PIGS de se unirem numa estratégia comum de combate aos especuladores que os vão derrubando sem dó. A resposta que me ocorre é perversa. Cada um esteve à espera que a queda do vizinho o livrasse de aflições. Acreditaram, ingenuamente (?), que depois de abocanharem uma ou duas vítimas, os mercados financeiros se acalmariam e cada um tratou de se colocar a salvo, à espera que a desgraça se abatesse sobre o vizinho.

Como seria de esperar, aconteceu o inverso. Por cada país subjugado às suas exigências, os agiotas vão em busca de uma nova vítima. Como o velho Pacman, só descansarão quando devorarem o mundo inteiro e subjugarem os governos às suas leis. Eles sabem que na Europa o poder político é fraco e está dominado por corruptos sem um pingo de ideologia ou de vergonha. Fingiram jogar o jogo da democracia, à espera do momento ideal para a atacarem. Aconteça o que acontecer, na próxima década, são eles os grandes vencedores. As democracia estiolaram perante a passividade dos cidadãos obnubilados com o prazer de consumir, que lhes coarctou a capacidade de pensar e agir e, agora, talvez só um poder forte seja capaz de combater os agiotas e alertar as consciências adormecidas.
O preço que os europeus terão de pagar para recuperar a sua dignidade e se libertarem do jugo dos mercados, passará pela renúncia à democracia?

6 comentários:

  1. Vira para lá essa boca!
    Seria um castigo demasiado cruel!

    ResponderEliminar
  2. Um preço demasiado alto, que me custa muito a aceitar :(
    Um texto que me pôs a reflectir sem dúvida.
    Bjos

    ResponderEliminar
  3. PIGS não só ainda não tinha visto em nenhum lado como nem me tinha dado conta. :)

    ResponderEliminar
  4. Mas ó Carlos... é isto a democracia? Somos livre de facto? É o povo que escolhe verdadeiramente o que melhor salvaguarda os interesses nacionais? Não me parece... enquanto os mercados financeiros globais não forem verdadeiramente regulamentados e limitados, não há país nenhum que viva em liberdade democrática... se teremos de tomar outros rumos? Eu acredito que sim... mas não à custa de impor aos governos, maior controle sobre os cidadãos.... mas no sentido inverso !! Ou talvez, neste meu devaneio utópico... uma reciprocidade nesse controle... maiores deveres dos cidadãos de participação e maiores deveres de transparência e de justificação pelos gastos públicos por parte dos governos... Os governos têm medo das instituições bancária das agências de rating, dos mercados ... cedem a pressões, a chantagens, pagam o que têm e o que não têm... veja-se o défice dos EUA... porque razão as instâncias mundiais que se dedicam à paz e ao desenvolvimento dos povos, não tomam uma atitude em relação a este galopar de um sistema que não serve a povo nenhum e prejudica todos eles??? Mas que andam a fazer????? Reunem-se para tratar do ambiente, do desarmamento, das guerras, da "suposta" redução" da pobreza e não tratam do essencial... alonguei-me no comentário , sorry :)

    ResponderEliminar
  5. Não tenha dúvidas, Carlos, não tenha dúvidas!!!!

    ResponderEliminar
  6. Não sou de rezas, mas espero ardentemente que a democracia não fique em causa. A que nos resta, porque esta de andarmos dominados pelos mercados financeiros e obrigados a seguir medidas do estrangeiro, já não é uma verdadeira democracia... rsrsrs

    ResponderEliminar