sábado, 30 de abril de 2011

Saturday nights (on the rock)

Asseguro-vos que na Lam Kwai Fong a música é muito melhor e o ambiente, nem se fala, mas isto foi o que consegui arranjar.

Fui! Mas, aviso à navegação: amanhã começa aqui no CR o mês do cinema. Espero que gostem...

Hunor fim de semana

Uma garotinha pergunta a sua mãe:
"Como se criou a raça humana?"
"Deus criou Adão e Eva e eles tiveram filhos e assim se formou a raça humana"- respondeu a Mãe
Dois dias depois, a garotinha faz ao pai a mesma pergunta. O pai responde:"
Há muitos anos existiram macacos que foram evoluindo até chegarem aos seres humanos que vês hoje"
A garotinha, confundida, foi ter com a mãe e perguntou-lhe:
"Mamã, Como é possível que tu digas que a raça humana foi criada por Deus e o papá diga que evolucionou do macaco?"
"Olha, querida filha, é muito simples. Eu falei-te da minha família e o teu pai falou da dele. "

Namoradinhas de Portugal (5)

Sílvia Alberto

Late night wander (94)

Agora é um bocadinho tarde para ter medo. Porque não pensou nessa possibilidade antes de fazer aquele discurso da tomada de posse que precipitou todo este imbróglio, senhor Presidente?

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Capacete meteorológico



Hoje, em Lisboa, o tempo esteve de capacete. Deve ter sido dádiva do S. Pedro para eu me ir habituando e não estranhar.

O chumbo que o PSD ansiava

O Tribunal Constitucional considerou inconstitucional o decreto aprovado na AR , por toda a oposição, que suspendia a avaliação de desempenho dos professores.

Isabel Alçada manifestou-se satisfeita com a decisão do Tribunal Constitucional, mas quem deve neste momento estar a abrir garrafas de champagne é Passos Coelho. Como só depois de ter chumbado o diploma, é que o PSD percebeu que se tinha metido num grande imbróglio, na Santana à Lapa respirou-se de alívio. E deram-se vivas porque o Tribunal Constitucional ofereceu ao PSD um trunfo para a campanha eleitoral.

Até ao dia 3 de Junho, vamos ouvir o PSD anunciar, diariamente, que quando for governo suspenderá a avaliação dos professores. É óbvio que não vai cair nesse erro limitando-se, quando muito, a uma operação de cosmética ao diploma em vigor mas, com essa falsa promessa, talvez consiga atrair alguns votos de professores.

Jaquinzinhos





Ele estava apaixonado por ela mas, cada vez que iam a um restaurante, sentia-se constrangido. Ela era vegetariana e ele um bom garfo, apreciador das coisas boas que a Mãe Natureza – alegava ele- tinha posto a circular no Universo, para gáudio dos estômagos humanos.

No início da relação ele procurara disfarçar o prazer da mesa, pedindo coisas simples e leves que sempre o deixavam com uma sensação de fome que aplacava na cama em voluptuosas noites de amor.A relação foi evoluindo, tornou-se mais aberta, até que um dia, quando celebravam um ano de namoro, apeteceu-lhe pedir uns belos rojões à minhota que o namoravam na lista cheia de iguarias tentadoras que lhe atiçavam o palato.

Prescindiu dos rojões, do arroz de pato anunciado como especialidade da casa, do polvo à lagareiro e de outros manjares igualmente apetecíveis, mas não resistiu ao apelo de uns jaquinzinhos acompanhados de um arroz de grelos malandrinho.

Estávamos em Maio, mês em que os jaquinzinhos são mais exuberantes na sua pequenez mas, antes de fazer o pedido, pediu ao empregado o certificado que justificasse o apelido dos peixinhos. Pressentiu o olhar reprovador da companheira, mas sentiu-se no direito de celebrar a data com algo que o satisfizesse mais do que uma pasta ou uns cogumelos gigantes recheados com beringelas.

Quando a travessa cheia de jaquinzinhos honrando o nome aterrou na mesa, começou a salivar. Ela olhou-o com desdém e disse:

-Pobres bichinhos! Como é possível gostares disso? Esses animais nem tiveram direito a viver…

Ele pegou-lhe na mão e respondeu:

- Minha querida! Sempre é melhor que eles acabem no meu estômago, do que intoxicados por um derrame de petróleo provocado pela BP, não achas?

Ela não achou graça. Ele olhou para a travessa e viu um jaquinzinho piscar-lhe o olho em sinal de aprovação.

Nessa noite, quando fizeram amor, ele não ouviu o estralejar de foguetes.


Seis meses depois, no mesmo restaurante, celebrava a data com outra namorada. Ele comeu rojões à minhota e ela afiambrou-se com um pernil. Acompanharam com uma garrafa de Quinta de La Rosa Depois fizeram amor de empreitada mas, passados alguns minutos, cada um dormia para seu lado.

No dia seguinte, ele telefonou à antiga namorada.

-“ Posso convidar-te para jantar? Prometo que só como um “spaguetti al vongole”

Ela aceitou. Já os primeiros raios de sol dardejavam a janela do quarto quando adormeceram. Lá fora estralejavam foguetes.

Dúvidas do Facebook

Há mais de um ano que vários amigos me tentam convencer a aderir ao Facebook.Não sou fã das redes sociais e tenho resistido. No entanto, como não quero perder amizades que valem a pena, por causa de uma birra, estou quase a ceder.

Tenho, porém, duas dúvidas. Uma prende-se com o facto de já existir um tipo com o meu nome que já me causou alguns dissabores e me fez perder alguns leitores que o confundiram comigo. Que nome vou usar? A outra é saber como devo reagir se o dr Cavaco quiser ser meu amigo. Posso recusar?

Late night wander (93)




Isto hoje vai com música, porque não é todos os dias que um Dragão afunda um Submarino Amarelo espanhol com cinco tiros certeiros...

A segunda mão não vai ser favas contadas. Os espanhóis são perigosíssimos, têm garra e vão deixar tudo em campo. A UEFA e os patrocinadores também não gostarão de uma final entre equipas portuguesas mas, se as coisas correrem dentro da normalidade, ao Dragão só falta um quase para estar em Dublin. Fica por saber quem o acompanha até lá, mas palpita-me que vai ser o Benfica.
Entretanto, mais logo, enquanto Kate e William estiverem a dar o nó, haverá por aqui uns jaquinzinhos. Mas esses fazem parte de outra história de amor...

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Portugal Tem Talento

Parece que o casal Coelho monopolizou a imprensa cor de rosa ( e não só) durante o último fim de semana. Como é óbvio, não li…mas nas minhas viagens pela blogosfera e pela imprensa on line fiquei a saber que o casal tem quatro cadelas ( porque não haverá nenhum cão?) a viver no apartamento de Massamá, o Pedro sabe fazer farófias ( além de bazófias) papos de anjo e queijadas, canta ópera e que ela disse o sim a bordo de um Panda enquanto ele lhe dava música. Fiquei ainda a saber que Laura ama Pedro, homem que dorme pouco, mas não há preocupação que lhe provoque insónia. ( Também ninguém espera que tendo entregue, com gosto, a governação ao FMI, PPC tenha razões para se preocupar quando for PM)

Segundo os amigos é parecido com Sócrates, pois é teimoso e, asseveram, “ às vezes é muito sério”.

Hoje, no “Público”, Helena Matos mostra-se descoroçoada pelo facto de o rapaz não ter qualquer ideologia – o que vindo de quem vem, não deixa de ser um sério aviso. Mas que interessa a ideologia, se a avaliar pelo que vou lendo das suas biografias cor de rosa , ele não está a pensar candidatar-se a PM, mas sim à segunda edição do “Portugal Tem Talento”?

Divórcio real



Amanhã é o casamento da Kate e do William, ou vice-versa. Parece que vai ser uma grande festa seguida com grande atenção em todo o mundo. Ora o que nós precisamos, para esquecer a crise é de festas, por isso a pergunta que se impõe é: quando é que se divorciam?

Onde está a esquerda?



Não consigo compreender a estratégia da esquerda portuguesa perante a crise e isso preocupa-me, porque me sinto um náufrago nas ondas encapeladas de uma democracia a fingir.

Depois de ter chumbado o PEC, invocando argumentos plausíveis, esperava que a esquerda me apresentasse uma alternativa credível, que me levasse a confiar-lhe o meu voto mas, em vez disso, senti-me traído com a recusa do BE e do PCP em dialogarem com o FMI.

As razões invocadas não são atendíveis. O mínimo que eu esperava, era que ambos os partidos fossem porta vozes dos eleitores que, como eu, votaram à esquerda, e transmitissem a sua indignação pelas medidas que o triunvirato de agiotas pretende impor aos trabalhadores portugueses. Ao recusarem o diálogo traíram a confiança que neles depositara, mas ainda me restava a esperança de uma saída airosa.

As últimas declarações de Louçã e Jerónimo de Sousa deixaram-me, no entanto, descoroçoado. Nem sequer põem a hipótese de o reforço da votação na esquerda ser utilizado para obrigar o PS a rever a sua política, porque recusam liminarmente um entendimento com o partido de Sócrates.

Ontem, Louçã dizia que votar no PS ou no PSD é a mesma coisa. Não é! Esta mania de meter no mesmo saco todos os partidos que se movem à sua direita é irresponsável. Apesar de tudo ( e Louçã sabe-o muito bem) votar no PS impedirá a concretização do modelo ultra-liberal e a destruição completa do Estado Social, objectivos almejados pelo PSD e CDS.

Tenho reflectido muito, nas últimas semanas, sobre o projecto da esquerda para Portugal. Sinceramente, ainda não consegui perceber qual é. Se recusam participar numa solução à esquerda, pedindo aos eleitores portugueses que lhes dêem força para obrigar o PS a negociar com eles; se os seus argumentos se limitam a criticar a política de direita; se abdicam da possibilidade de integrar um governo; se desistem de ir à luta… qual a razão para lhes dar novamente o meu voto? O grande ( e talvez único) desafio que se coloca aos portugueses, nas eleições de 5 de Junho, é evitar que uma coligação PSD/CDS assuma as rédeas do poder. Se isso acontecer, a esquerda não deixará de ser responsabilizada por ter contribuído para a vitória da direita.

Não sei se é culpa desta Primavera estival, mas sinto à minha volta um ambiente depressivo onde não há lugar à esperança. Que não haja espaço para a Utopia, ainda compreendo. Agora que seja a esquerda, com as suas atitudes erráticas, a roubar-me a esperança, é que me custa aceitar. Não vivemos um período propício à demagogia, nem ao voto de protesto. É fácil criticar, mas de nada valem as críticas, quando não se apresentam alternativas.

Temos de ser realistas e, o que pedia à esquerda, era que me apresentasse uma solução realista. Que me fizesse acreditar que votar à esquerda continua a ser um capital de esperança. Que não me deixasse órfão, obrigado a escolher entre o menos mau de dois padrastos. Em vez disso, a esquerda faz o discurso miserabilista do coitadinho e comporta-se como um qualquer outro partido que não só sabe que não será governo, como recusa sequer a colocar a hipótese de vir a ser.

Talvez por isso, enquanto reflicto sobre a actuação da esquerda, me vem constantemente à memória o conselho de Álvaro Cunhal na segunda volta das presidenciais de 1986. Não quero engolir um sapo, mas o voto no mal menor talvez seja, apesar de tudo, melhor do que entregar à direita, de mão beijada, as últimas conquistas de Abril.

Talvez os ares do Oriente me ajudem a reflectir e a tomar uma decisão.

Obrigado, RTP

A RTP proporcionou aos portugueses três serões magníficos, com a exibição de uma mini-série documental sobre Zeca Afonso. Não sei qual foi o share da RTP nessas três noites, mas presumo que tenha ficado muito aquém das telenovelas dos canais concorrentes que, à mesma hora, exibiam as habituais telenovelas,verdadeiros Lexotans do capitalismo, que adormecem as consciências e deformam as mentalidades.


Quero agradecer à RTP ter-me permitido recordar um Homem Livre que deveria servir de exemplo à geração à rasca. Talvez esta seja uma das últimas oportunidades de exprimir à RTP o meu agradecimento por tudo o que me tem proporcionado ao longo da sua existência. Séries como “Conta-me como foi”, que retratam o Estado Novo de uma forma didáctica e simultaneamente comovente e divertida, documentos sobre a História portuguesa, que nenhum canal privado está interessado em produzir ( como é o caso de “Maior que o Pensamento” , ou “Histórias da Guerra Colonial” do Joaquim Furtado) só são possíveis enquanto existir uma televisão pública.



No dia 5 de Junho, se Coelho e a sua comandita chegarem ao poder, não perderemos apenas o Estado Social. Perderemos também um pouco da nossa identidade, porque a malta laranja que se prepara para assaltar o poder quer apagar a nossa História recente e construir o futuro sobre os seus despojos. De mão beijada entregará a RTP à Cofina, ou a quem pagar melhor. Depois de vender o que ainda resta do país, venderá aos privados a possibilidade de reescreverem a nossa História. Os nossos netos talvez venham a ler , nos livros de História escritos por um qualquer Correia entronizado como novo Conde de Abranhos, que o 25 de Abril foi um golpe de comunistas prontamente rejeitado pela população portuguesa e que foi graças a um qualquer Alexandre Santos, ou Ricardo Salgado que o país se libertou do jugo dos vermelhos. Perverter a História é uma especialidade dos traidores. Cabe-nos impedir que isso aconteça.

Está tudo grosso?

O sr. presidente da república garantiu que, se fosse eleito , os juros da dívida iriam baixar. Jurou que só a sua eleição garantiria estabilidade no país. Duas semanas depois de um discurso rasteiro de ataque ao governo e apelo ao sobressalto cívico e uma semana após outro discurso em que teceu rasgados elogios à guerra colonial, os juros da dívida continuaram a aumentar, a instabilidade política acentuou-se e o governo pediu ajuda ao FMI. Perante isto, os portugueses que escrevem nos jornais pedem apenas a crucificação de Sócrates, como se ele fosse o único culpado. Há coisas que não consigo entender mas, provavelmente, o problema é meu...

Late night wander (92)

Por pensarem ansiosamente no futuro, os homens esquecem o presente. De tal forma, que acabam por não viver nem o presente, nem o futuro. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido
( Buda)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Jardim- a grande fraude



Aproveitei o fds prolongado para terminar a leitura do livro de Ribeiro Cardoso “ Jardim- a grande fraude”. Se outros méritos não tivesse, a sua leitura permitiria, pelo menos, recordar alguns episódios da saga madeirense que ao longo dos anos fomos lendo de forma avulsa. RC porém , une as pontas de cada um desses episódios e ao longo de quase 500 páginas traça-nos um retrato da Madeira que é um verdadeiro filme de terror.

As ligações de concubinato entre o PSD-M e a Igreja, a submissão de alguns agentes da justiça aos ditames de Jardim, o enriquecimento escandaloso de membros do governo ( cujo expoente máximo é Jaime Ramos, um vendedor de sifões para retretes que hoje é o braço direito de Jardim e administrador e accionista de dezenas de empresas) a constante manipulação dos media, são apenas alguns dos aspectos que põem os cabelos em pé a qualquer leitor.

Não me vou alongar na análise dos diversos aspectos que merecem destaque no livro.Apenas deixo uma pergunta: como é possível que perante tantas barbaridades, nenhum Governo tenha tentado pôr cobro a todas as irregularidades que ali se relatam, assentes em documentos e factos? Como é possível que Cavaco Silva continue a dizer que a Madeira é um exemplo de democracia e que os sucessivos líderes do PSD nacional não tenham vergonha de ir à Madeira para receber a bênção do chefe? Que razões terão levado Jaime Gama, outrora crítico feroz de AJJ- a quem chegou a chamar Bokassa- a tecer rasgados elogios ao líder madeirense, apelando-o de exemplo de democracia?

Muitas outras perguntas coloquei enquanto lia o livro, mas não vos vou maçar aqui com elas.Remato apenas com a certeza que Portugal não pode ser uma verdadeira democracia, enquanto uma parte do seu território ignora as mais elementares regras democráticas , perante a passividade de todos os poderes sedeados em Lisboa.

Imagens da nossa memória (32)





Fechou a última fábrica de máquinas de escrever. Pelo sim, pelo não, continuo a guardar dois velhos exemplares, não vá o diabo tecê-las. Uma Oliva, portátil, e uma Remington, mais pesadona.

Crianças e velhos: descubra as diferenças



Não encontro grandes diferenças entre ser velho ou ter sido criança. Quando era criança, levantava-me para dar o meu lugar aos velhos. Hoje, que sou velho, levanto-me para dar lugar às crianças porque, no Metro, os jovens que viajam sentados à minha frente, normalmente fazem de conta que não vêem quando entra alguém com uma criança ao colo, ou pela mão.

O Coelho ventríloquo





Enquanto não apresenta o seu programa, Pedro Passos Coelho fala através de organizações da sociedade civil que lhe são próximas.A última mensagem / proposta veiculada através de uma coisa que se chama “Mais Sociedade” ilustra bem o que nos espera se o PSD vencer as eleições.


Numa altura em que o governo, nas negociações com os agiotas, se esforça por minorar os sacrifícios dos portugueses, as propostas dos acólitos do PSD elucidam bem a índole da gentalha laranja.


Propor a redução das reformas para quem esteve desempregado não demonstra apenas ignorância, é esclarecedor quanto à insensibilidade social de quem se propõe governar o país nos próximos quatro anos. Afiançam os jornais que o Mais Sociedade é um grupo de reflexão. Se daquelas cabeças não sai nada melhor do que reduzir a reforma a quem foi penalizado durante a vida, o melhor é PPC começar a ouvir um grupo de reflexão de lagostas, porque conteúdo dos cérebros do "Mais Sociedade" deve ser equiparado ao dos saborosos crustáceos.

Late night wander (91)

Um quadro vibrante do maravilhoso Portugal Novo que Passos Coelho nos promete.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Da Síria aos acordos de Schengen

Não tencionava vir à net durante estes dias. Mudei de ideias, porque pouco antes de regressar a Lisboa vejo as notícias da hora do almoço e fico a par dos últimos acontecimentos na Síria. Já terão morrido mais civis naquele país do que na Líbia mas, ao que parece, ninguém está preocupado com o assunto ( pelo menos a notícia não faz qualquer referência a reacções ocidentais e jornais é coisa que não leio desde quinta-feira).



Não acredito, porém, que a indiferença dure muito mais tempo, por isso interrogo-me: será que a Europa e os Estados Unidos vão abrir mais uma frente de guerra, para evitar que o líder sírio continue a matar os civis que se manifestam contra o regime?Até quando terá a Europa capacidade para intervir nestes conflitos?



Entretanto, fico também a saber que Berlusconni e Sarkozy querem suspender os acordos de Schengen. Mais uma machadada na construção europeia, ou a confirmação de que a intervenção na Líbia foi o abrir de uma caixa de Pandora de consequências imprevisíveis?



Regresso a Lisboa (só por quatro dias) com algumas dúvidas e muita apreensão. Este ano do Coelho que os chineses prometiam ser um ano tranquilo, está a transformar-se num barril de pólvora.






Gato por lebre

Creio já vos ter dito que me irrita esta mania de o Ocidente querer exportar a democracia e impô-la a outros povos, como se o mundo globalizado tivesse de submeter-se ao pensamento único emanado da Casa Branca ( a Europa já não conta, porque é uma cópia rasca do modelo americano).


Ninguém pode ficar indiferente face às atrocidades cometidas no Irão, ao desrespeito pela liberdade de pensamento na China ou aos massacres étnicos em África. Mas a indignação dos democratas não pode circunscrever-se ao que se passa no “mundo bárbaro”. É altura de olharem também para dentro dos seus países e se indignarem com a situação a que a democracia formal, praticamente reduzida à possibilidade de votar e dizer ou escrever ( quase) tudo o que nos apetece, se reduziu.
Numa democracia sã, os cidadãos devem indignar-se contra o obsceno tráfico de influências que permite a umas famílias perpetuarem-se no poder e a outras transformar os mercados e o sistema financeiro num regabofe, explorando quem trabalha e cumulando-se mutuamente de privilégios.


Estou-me marimbando para as democracias parlamentares formais, onde um séquito de encartados com o cartão partidário se limita a aplaudir ou a apupar, a jogos de bastidores onde a manipulação anda de braço dado com a corrupção e se trocam favores entre o sistema financeiro e político.


Estou-me borrifando para uma democracia onde o sistema educativo incentiva as pessoas à péssima conduta do “salve-se quem puder” e o dinheiro, os mercados e a economia se erigiram, quais deuses pagãos da velha Grécia, a seres supremos que comandam a vida dos povos.


Estou-me nas tintas para uma democracia onde o poder político, para alimentar os seus vícios privados, vai distribundo prebendas a uns e extorquindo o dinheiro de quem trabalha, castigando-os com aumentos de impostos e redução de salários.


É-me indiferente uma democracia onde o sistema de ensino não promove a cidadania, não condena a insídia, e não incute nos cidadãos o respeito pelo direito à diferença, ao aborto, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, ou os direitos dos imigrantes e das minorias étnicas…
Quero lá saber da democracia, se a justiça que ela promove é a do favorecimento dos ricos e poderosos e a condenação do cidadão comum.


Que se dane uma democracia que se preocupa em adormecer os cidadãos com o consumismo desenfreado, condenando-os a pagar em dobro o endividamento a que foram incitados e, quando a classe dominante se vê à rasca, obriga-os a pagar novamente.


Que se lixe uma democracia onde os velhos são vistos como um fardo, os desempregados como uns malandros e os doentes um peso para o erário público.


Quero lá saber de uma democracia onde o povo adormecido pelo embalo da sereia consumista erigiu o desfrute dos bens materiais como o supremo valor da liberdade!


Que me interessa uma democracia onde os media desenham o mundo a preto e branco, dividem as pessoas entre boas e más, inventam notícias, ou criam factos políticos, para defesa dos patrões? Eu quero é que me devolvam a democracia activa e não um modelo pronto a vestir tamanho único.
Um pais que não consegue educar o seu povo nos valores democráticos e só reclama esses valores para que uma elite se mantenha no poder, apaparicando a alta finança, é um país democrata? É esta sociedade merdosa, dominada pelo capital, onde campeia o individualismo e o salve-se que puder, o consumismo se tornou num culto incensado pelo mercado e as cotações da bolsa são a nova bíblia, que define o modo de conduta de uma sociedade, que queremos exportar? A troco de quê? Da liberdade de expressão que permite a um qualquer parasita encartado envolver um primeiro –ministro num escândalo de contornos obscenos, sem que tenha de provar em tribunal as suas acusações?


O Ocidente está a querer vender gato por lebre e, por isso, acho muito bem que a China nos mande dar uma volta e que os novos líderes sul-americanos, preocupados com o bem estar do seu povo, se riam dos que os acusam de populistas e totalitários. Rigoberta, a guatemalteca galardoada com o Prémio Nobel da Paz em 1992 percebeu isso, na hora de receber o prémio.


segunda-feira, 25 de abril de 2011

Parábola da democracia

Então uns senhores vieram à varanda e anunciaram à multidão: - A partir de hoje vocês passam a ter direitos, porque vivemos em democracia. O povo ululante e feliz gritou, bailou, pulou, riu, chorou de alegria, agradeceu e cantou “agora, o Povo unido nunca mais será vencido!”.

O tempo foi passando. A euforia esmorecendo. O riso esmaecendo. As gaivotas deixaram de voar . As rosas deixaram de florir. Foi então que apareceu na Figueira da Foz um senhor com que prometia a todos frigoríficos e máquinas de lavar se votassem nele. O povo votou, sorriu feliz e agradeceu os direitos que o senhor lhes garantia: automóveis, vídeos, telemóveis, férias nas Caraíbas.

O povo andava eufórico. Empunhando uma varinha de condão corria para os bancos a pedir dinheiro . Endividava-se e consumia. Gastava o que não tinha, na ilusão de que tudo lhe era oferecido. Entretido com a Internet e o prazer de consumir, o povo adormeceu. Deixou de pensar. Deixou de agir. Ficou à espera que os senhores voltassem a assomar às janelas para lhe dar mais direitos. Esperou… Esperou… Esperou… mas os senhores nunca mais apareceram. Mandaram uns emissários a dizer que afinal o povo deixava de ter direitos e que teria de pagar a festa.

Foi então que o povo acordou. Mas era tarde. Já estava anestesiado. Então o povo lamentou-se. Da euforia passou à depressão. Já nem força teve para voltar à rua e exigir explicações. Adormecido, voltou a eleger o senhor que 25 anos antes lhes prometera frigoríficos.

Um dia percebeu que não tinha mais direitos, que não fossem o de trabalhar de sol a sol, recebendo salários de míngua, para pagar o preço da sua vaidade. No dia em que o povo morreu, ninguém teve pena dele. Era apenas uma caricatura.






Bate, bate, Coração (Especial)

Joan Baez


Hoje só me apetece perguntar como ela: para onde foram as flores de Abril?




domingo, 24 de abril de 2011

Bate, bate coração (4)

Natalie Cole



Para ser sincero, devo confessar que as primeiras vezes que o meu coração bateu ao som desta canção, era o pai dela quem a cantava num disco de vinil. No entanto, as memórias mais recentes, reportadas ao tempo em que vivi em Macau, levam-me a esta voz magnífica, presença indispensável no meu carro. Em CD, claro...


Aviso: Amanhã, 25 de Abril, haverá um BBC especial. Espero que gostem...

sábado, 23 de abril de 2011

Páscoa Feliz!!!

Como não quero que vos falte nada nesta Páscoa, aqui vos deixo estes coelhinhos que têm mais serventia do que um outro que quer ser empregado do FMI...


...podem encher os frasquinhos com estas deliciosas amêndoas e distribuir aos amigos que vos visitam nos vossos blogs ( entre os quais eu me incluo)...


... Já agora, aqui fica também o pão de ló de Margaride, o único que faz as minhas delícias. Quando começara focar seco, tostem-no um bocadinho e barrem-no com queijo da serra...





Deixo-vos ainda este folar



e estes ovinhos que não são Fabergé, são mesmo para comer.

A todos, os meus votos de uma Páscoa Feliz

e não se esqueçam que segunda-feira é 25 de Abril, uma boa altura para derreterem as calorias e gorduras em excesso, que acumularam durante a Páscoa, desfilando numa manifestação.








Namoradinhas de Portugal (4)

Soraia Chaves

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Cenouras de Páscoa







O Coelho diz que já tem o governo na cabeça. Só lhe falta saber como vai distribuir as cenouras.

Reflexão Pascal




Nas duas últimas décadas os consumidores foram incentivados a endividar-se. O recurso ao crédito permitiu a muitas pessoas terem acesso a uma vasta gama de produtos que de outro modo não teriam possibilidade de adquirir, o que foi muito positivo.

O crédito fácil e os juros baratos incitaram, porém, muitas famílias a endividarem-se para além das suas possibilidades, porque a expectativa de melhoria dos salários as levou a assumir riscos. Com o deflagrar da crise económica e financeira mundial, o crédito tornou-se mais difícil, os juros mais caros, o desemprego cresceu e muitas famílias tornaram-se insolventes, incapazes de cumprir os seus compromissos. Em período de crise financeira, a insolvência das famílias agrava a situação das instituições financeiras, com reflexos incomensuráveis na economia do país.

O sobreendividamento das famílias e das empresas contribuiu inexoravelmente para a derrapagem da dívida, com reflexos negativos na economia. A contracção do consumo ameaça gripar o motor da sociedade de consumo, o apelo à poupança, depois de um período de rédea livre, não é bem aceite pelos consumidores.

No entanto, é inexorável assumir que chegou o momento de mudar de vida e criar modelos com menos impacto negativo na economia mas também mais sustentáveis, sem pôr em causa o desenvolvimento económico.

O cartão de crédito não é propriamente uma varinha de condão capaz de transformar os nossos desejos em realidades, fazendo-nos esquecer que aquilo que adquirimos através dele ( e não com ele, sublinho) tem um preço acrescido a pagar, que se chama juros.Muitas vezes, principalmente em férias ou viagens, esquecemo-nos desse pormenor mas mais tarde, ao fazer as contas, acabamos por concluir que a compra “daquelas pechinchas” se transforma , por força dos juros a pagar, numa “pesada herança” que nos fará recordar as férias com um sabor amargo.

Deixemo-nos de falinhas mansas. A situação a que chegamos ( dívida privada superior a 220 % do PIB) é da responsabilidade de todos. Da Banca que emprestou sem critérios, do Governo que nem sempre fez o que devia para alertar os consumidores para os riscos do sobreendividamento ( embora algumas campanhas nesse sentido- algumas bem esclarecedoras - tenham sido feitas) e dos que tiveram mais olhos do que barriga e se endividaram para além das suas possibilidades.

Claro que há muitos casos de famílias que hoje têm dificuldade em pagar as suas dívidas, porque o desemprego entrou lá em casa, mas ter cinco, seis ou sete créditos pessoais, para satisfazer os apetites consumistas, nunca foi uma boa ideia. Chegou por isso o momento de parar para reflectir e, em vez de culpar apenas o governo e os políticos, assumirmos também as culpas pela quota parte de irresponsabilidade que nos compete. Ou não?

Morning call (15)

Há notícias como esta que nos enchem de satisfação. Mas quando homens que ainda têm valores e não se deixam corromper pelo dinheiro são criticados e alvo de chacota dos seus colegas de trabalho, por terem sido honrados e honestos, sinto um formigueiro de revolta percorrer-me o corpo todo.

Late night wander (90)

Marinho Pinto merece o meu maior respeito, mas fiquei bastante decepcionado com o pedido que fez aos portugueses para se absterem nas eleições de 5 de Junho. Isso é o que já andam a fazer há muitos anos.

Eu sei que as próximas eleições são um mero acto simbólico, que o futuro governo não tem espaço de manobra para se desviar das ordens de Bruxelas e de Washington, mas a sugestão do bastonário dos advogados é descabida. Se apelasse aos portugueses para votarem nos partidos de esquerda, que se opõem à entrada do FMI ( apesar de tudo terem feito para que ele viesse, chumbando o PEC) , ainda percebia, agora apelar aos portugueses para desistirem, é uma irresponsabilidade e uma punhalada na democracia.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Porquê tanto alarido?

Sinceramente, não percebo o alarido que por aí vai, por causa de o governo ter dado meio dia de tolerância de ponto a alguns funcionários públicos. Além de ser uma tradição ainda mais antiga do que a de conceder o dia 24 de Dezembro, não me parece que seja por causa de três horas e meia de trabalho que o país vá à falência.

O mais engraçado, porém, é constatar que alguns dos indignados aplaudiram o governo quando, ano passado, concedeu dois dias de tolerância, durante a visita do Papa. Aí, sim, houve um fim de semana prolongadíssimo, que muitos aproveitaram para rumar ao Algarve em vez de irem ver o Papa. Como acontece hoje, a avaliar pela taxa de ocupação dos hotéis algarvios.

A propósito… eu também vou amanhã e só volto dia 27, mas até lá ainda poderão ler alguns posts que deixo agendados. E, para quem não passar por cá no sábado para receber as amêndoas, aqui ficam os meus votos de uma Páscoa Feliz.

O silêncio é de oiro!

Otelo, porque não te calas?

Conversas de comboio

No comboio de regresso a Lisboa, viajam em frente a mim dois homens na casa dos 30.Diria que eram executivos de uma empresa com boa cotação na bolsa, não se desse o caso de no meio da conversa, que entabulavam em voz audível, terem deixado claro serem ambos dirigentes de um serviço da administração pública. Traçam um quadro negro do serviço onde trabalham e extrapolam para uma generalização da incompetência e desleixo que grassa na função pública.A determinada altura, um deles solta uma frase indignada:

- Ainda por cima, aquele aumento de 3 por cento em 2009 foi uma barbaridade. Foi só para ganharem votos e agora quem se trama somos nós.

Apeteceu-me perguntar-lhes porque é que não protestaram contra o aumento nessa altura, ou se recusaram a recebê-lo, o que seria revelador de uma consciência cívica digna de aplauso. Contenho-me e continuo a ler as crónicas de Maria Filomena Mónica “ Nós os Portugueses”. O quadro à minha frente seria, certamente, um bom tema para desenvolver.

Sondagens

As sondagens valem o que valem mas, depois de ver esta, apetece-me dizer que o PS está a fazer uma recuperação à FC do Porto.

Late night wander (89)

Talvez fosse bom reflectir, neste período pascal, na responsabilidade que cabe a cada um de nós na situação a que chegámos. Para começar, vale a pena lembrar que a dívida pública portuguesa é de 90,2 por cento do PIB, valor muito inferior ao da Bélgica (100,5%), Irlanda (107%), Grécia, (150, 2%) ou Itália (120,2%) O grande problema em Portugal é a dívida privada que atinge o valor astronómico de 220% do PIB. Como chegámos aqui? Por culpa da Banca que emprestou dinheiro sem critério e aliciou os consumidores a endividarem-se e dos consumidores portugueses que tiveram mais olhos do que barriga e se endividaram muito acima das suas possibilidades.
Amanhã desenvolverei o assunto.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Folar de Páscoa



Tenho todo o gosto em oferecer três melões a este imbecilzeco e também àqueles comentadores desportivos que só sabem escrever a vermelho e no princípio da época juravam que o Benfica ia ganhar tudo esta época, porque não havia nenhuma equipa em Portugal que lhe pudesse fazer frente.

Depois de nos terem dado banho, há duas semanas, devolvemos a gentileza.

Tão diferentes...tão iguais?







Há dias, Alexandre Soares Santos, o senhor Pingo Doce, aproveitava uma entrevista televisiva para carpir mágoas sobre o estado do país e manifestava o seu receio de eclosão de convulsões sociais em Portugal. O segundo homem mais rico do país manifestava o seu desconforto e a sua preocupação, perante a miséria que grassa entre as famílias portuguesas. Fiquei comovido e tive de arranjar uma dose suplementar de Kleenex para enxugar as lágrimas. Quando comecei a ouvir as suas receitas para combater a pobreza tive de mudar de canal .

Quando fui para a cama a sua imagem de beato voltou a povoar-me os pensamentos, provocando-me uma insónia. Foi então que me lembrei dos ditadores que chegaram ao poder com discursos semelhantes. E isso levou-me, irremediavelmente, a compará-lo com Fernando Nobre, o homem preocupado com a pobreza e as desigualdades em Portugal que está disposto a tirar-nos do Inferno se os portugueses o elegerem presidente da Assembleia da República. Não faz a coisa por menos. É pegar ou largar. Ele só está disposto a lutar pela melhoria das condições de vida dos portugueses, se nós aceitarmos perverter as regras da democracia.

Temo que os portugueses se deixem embalar pelo canto da sereia e lhe dêem o seu voto, esquecendo que estão a ceder a um chantagista que, com a cobertura de um partido, quer satisfazer, apenas, o seu desígnio pessoal.

Confesso que tenho medo. A ignorância do povo português já nos conduziu, mais do que uma vez, a o longo da nossa História, a soluções que nos coarctaram a liberdade. Fernando Nobre é apenas mais um vendedor de banha da cobra, que veste a pele de salvador da pátria. Com as falinhas mansas que foi beber a Alexandre Soares Santos e tendo como cartão de visita, em vez de dono do Pingo Doce, o de proprietário de uma organização humanitária. Que desprestigiou, por não resistir à vaidade. Espero que os portugueses tenham memória, no momento de votar.

Figura da semana

Frederico Gil


Depois de muitas promessas adiadas, no ténis português, emerge finalmente uma figura de destaque no panorama internacional. Degrau a degrau, com perseverança e sem pressas, Frederico Gil tem subido de forma segura e consistente no ranking mundial.

Depois da brilhante prestação em Monte Carlo, onde derrotou adversários muito mais cotados, está agora entre os 60 melhores tenistas mundiais e, tudo indica, pode ir ainda mais longe.

Destaco-o como figura da semana por duas razões. Por um lado, porque a sua carreira tem sido consistente, tendo já deixado de ser mais uma promessa. Por outro, porque neste período de desânimo, Frederico Gil pode ser um exemplo para muitos jovens que acreditam que a chave de sucesso se constrói com carinha larocas e bons contactos na comunicação social que se disponham a promovê-los.

Gil é um exemplo de esforço e dedicação que não se deixou deslumbrar com as primeiras páginas da imprensa desportiva que o equiparavam a outras promessas entretanto desaparecidas. Monte Carlo pode ter sido o trampolim para voos ainda mais altos. Mas se isso não vier a acontecer, ninguém lhe tira o mérito de ser já o melhor tenista português de todos os tempos.

BRICS and PIGS

Na semana passada, os BRICS ( países emergentes a que agora se juntou a África do Sul) reuniram-se para traçar uma estratégia comum que os ponha a cobro de uma nova crise global que, embora a muitos custe admitir, pode estar aí ao virar da esquina.


A voracidade dos mercados é insaciável e se os governos dos países mais poderosos não puserem um travão a esta escalada, um dia destes o mundo será totalmente dominado pelos agiotas que controlam o mercado e obrigam o poder político a ajoelhar-se perante as suas exigências.


Enquanto leio no Financial Times um artigo sobre as decisões tomadas na reunião dos BRICS, interrogo-me sobre as razões que impediram os PIGS de se unirem numa estratégia comum de combate aos especuladores que os vão derrubando sem dó. A resposta que me ocorre é perversa. Cada um esteve à espera que a queda do vizinho o livrasse de aflições. Acreditaram, ingenuamente (?), que depois de abocanharem uma ou duas vítimas, os mercados financeiros se acalmariam e cada um tratou de se colocar a salvo, à espera que a desgraça se abatesse sobre o vizinho.

Como seria de esperar, aconteceu o inverso. Por cada país subjugado às suas exigências, os agiotas vão em busca de uma nova vítima. Como o velho Pacman, só descansarão quando devorarem o mundo inteiro e subjugarem os governos às suas leis. Eles sabem que na Europa o poder político é fraco e está dominado por corruptos sem um pingo de ideologia ou de vergonha. Fingiram jogar o jogo da democracia, à espera do momento ideal para a atacarem. Aconteça o que acontecer, na próxima década, são eles os grandes vencedores. As democracia estiolaram perante a passividade dos cidadãos obnubilados com o prazer de consumir, que lhes coarctou a capacidade de pensar e agir e, agora, talvez só um poder forte seja capaz de combater os agiotas e alertar as consciências adormecidas.
O preço que os europeus terão de pagar para recuperar a sua dignidade e se libertarem do jugo dos mercados, passará pela renúncia à democracia?

Obrigado, Carvalho da Silva

PCP e BE recusaram-se a falar com a "troika". Lamento que os partidos de esquerda tenham enjeitado a oportunidade de expressar aos nossos credores o sentimento de revolta dos seus eleitores e muitos outros portugueses, em relação às medidas que pretendem impor-nos.

Agradeço por isso, a Carvalho da Silva ter sido o meu porta-voz e de milhares de portugueses.

Late night wander (88)

Alguns adeptos laranjas vieram invocar a superioridade moral dos candidatos do PSD. Invocar superioridade moral já qualifica, por si só, quem recorre a este tipo de argumentos, mas o facto de na lista de candidatos do PSD por Bragança, figurar uma senhora que foi condenada pelo rapto de um bebé, é bem esclarecedor do significado atribuído a essa superioridade.
É certo que a direcção nacional do partido já a retirou das listas, mas isso em nada altera a realidade. Ela mereceu a confiança dos seus pares no distrito e isso é suficientemente esclarecedor. Tanto, como o facto de continuarem no segredo dos deuses as medidas que o PSD irá tomar se vier a formar governo.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Reciprocidade

As vindas ao Porto com tempo primaveril devolvem-me alguns prazeres antigos. Estou , por isso, sentado numa esplanada da praça que para mim sempre será de Velásquez e aproveito para dar uma vista de olhos pela imprensa de fim de semana.No “Público” uma pergunta:

“ O Estado deve pedir desculpas à Igreja Católica pelos erros da I República?”
Devolvo a pergunta:

“ A Igreja Católica deve pedir desculpa aos portugueses pelo apoio que deu ao Estado Novo?”
Embalado, aproveito para reformular a pergunta:
“A Igreja Católica deve pedir desculpa aos cidadãos de todo o mundo pelo apoio que tem dado às ditaduras em todo o mundo, especialmente na América Latina, onde combateu as democracias?”
A resposta é inequívoca. À memória vêm-me os filmes de Costa Gravas, as recentes condenações de padres que pactuaram com a ditadura argentina e foram responsáveis por dezenas de crimes, o apoio de membros do clero a Pinochet, a cumplicidade com os voos da morte e muitos, muitos outros crimes de que a Igreja é responsável em todo o mundo.

A troika lê o CR

Alguém da troika anda a visitar o CR mas, como não querem reconhecer que andam a espiolhar os blogs portugueses, optaram por esta ideia. Menos lucrativa para as nossas contas e mais penalizadora para os portugueses do que a venda da Madeira que eu aqui propusera.
Já agora, senhores do FMI, do BCE e da UE, será desta que vão acabar com os governos civis? Era uma boa ideia, sabem?

Do Tachele a Christiana, ou o apagão da História europeia













Em apenas uma semana, duas notícias me fizeram estremecer tanto como a chegada do FMI, ou os ataques à Líbia. No entanto, ambas estão intimamente ligadas com estes factos e numa diferente perspectiva de abordagem da que os media insistem em impingir-nos, são também um sinal da decadência da Europa.
A primeira veio de Berlim. Falava-me do Tacheles, ( à esquerda) o edifício da contra –cultura europeia que vai desaparecer . Um milhão de euros foi quanto alguém (sem rosto) pagou aos okupas para abandonarem o local. Um milhão de euros foi o preço para apagar uma parte da História berlinense, mas também da História da Europa, cada vez mais despida de referências que a façam orgulhar-se do seu passado.
Um dia ainda hei-de escrever sobre este edifício que simboliza(va) a liberdade daqueles que insistiam em manter-se à margem de um modelo social que aniquila a criatividade. Hoje, porém, limito-me a fazer referência à segunda notícia que me fez eriçar os pêlos e aguar os olhos. Christiania, a cidade da Liberdade e da Utopia, às portas de Copenhaga, que simboliza(va) a revolta contra o capitalismo, paraíso de hippies , artistas e músicos, está à beira do extertor. Mais uma vez, o establishment venceu. A aldeia global dominada pela economia de mercado, onde a ideologia é o capitalismo selvagem, está a um pequeno passo de enterrar mais um pedaço da sua cultura, em nome dos sagrados direitos do dinheiro.

Sobre Christiania e a visita que lá fiz em 2009, podem ler o que então escrevi. Estive a reler e senti-me bem a recordar aqueles dias. Sobre o Tachele, escreverei noutra oportunidade .

Traições da PDI

No sábado, quando fui para o Porto, já ia atrasado para apanhar o comboio, quando saí de casa. Peguei nas coisas à pressa e lá fui apanhar o metro até à estação do Oriente. Só dentro do comboio é que percebi que ia leve demais. Levava a mala, mas esquecera-me de lhe acoplar o portátil que normalmente viaja comigo. Resultado: três dias sem internet e a escrever à mão. Quando ontem à noite regressei a casa, o portátil lá estava, em cima da secretária. Creio que ao ver-me esboçou um sorriso e murmurou:

- Deixa-me agradecer à tua PDI pelo fim de semana descansado que me proporcionou. Já tinha saudades de passar um fim de semana descansado. Espero que ela te faça esquecer-te de mim mais vezes.

Vá lá, vá lá, que sou um tipo prevenido e agendei os posts antes de partir, caso contrário ainda iam pensar que eu estava em greve.

Late night wander (87)

É bom lembrar que nos últimos anos o FMI foi obrigado a rever sistematicamente em alta as previsões negativas que fez sobre Portugal. Anunciar, na véspera da chegada a Lisboa, um cenário catastrófico para 2012, só pode ser entendido como uma forma de valorização do dinheiro que nos vai emprestar, legitimando as medidas draconianas que pretende impor como contrapartidas.


E se alguém tiver dúvidas sobre o total desconhecimento da realidade portuguesa, por parte do FMI, então o melhor é ler isto, para ficar esclarecido. Classe média forte? Devem estar a brincar connosco.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Marcas brancas

Como nas eleições de 5 de Junho não vamos eleger um governo, mas sim alguém que vai gerir as medidas impostas pelo FMI,parece-me correcto dizer que o vencedor será um PM de marca branca.

O Século Chinês- resquícios de uma viagem ao futuro

Aviso: este é um texto de ficção. O autor ainda não enlouqueceu ( mas para lá caminha…) Se lerem tudo até ao fim, não digam que não avisei!


Em 1931 foi inaugurado, com pompa e circunstância, mas também sob uma chuva de críticas, o Empire State Building, um majestoso edifício de 443 metros de altura destinado a escritórios, com 102 andares. Porém, o fausto do edifício não se coadunava com a crise que se vivia e os escritórios ficaram às moscas, o que levou os americanos a apelidá-lo de Empty (Vazio) State Building. Seria até 1972, data da inauguração do World Trade Center, o edifício mais alto do mundo. Recuperaria o seu estatuto em 2001, na sequência do atentado da Al Qaeda.Pouco depois da destruição do WTC, começou a ser planeada a construção da Freedom Tower, um edifício de 108 andares e 541metros de altura, que será inaugurado em 2011. À época pensava-se que seria o edifício mais alto do mundo quando terminasse a sua construção, mas tal não virá a acontecer . Com efeito, foi inaugurado, em Janeiro de 2010, o Burj Dubai que, com os seus 169 andares e quase 800 metros de altura, passou a ostentar esse título.

Há algumas comparações curiosas entre o Empire State e o Burj Dubai. Ambos foram considerados projectos megalómanos e foram construídos em época de grave crise económica( O Dubai ainda está ameaçado de falência). Se o ESB ficou anos às moscas, o Burj Dubai corre o mesmo risco pois, apesar de a maioria dos 900 apartamentos estarem “apalavrados”, muitos dos promitentes compradores poderão vir a desistir do negócio. Já quanto aos 37 andares destinados a escritórios é que não restam dúvidas. Não há procura, em virtude da crise financeira.

De qualquer modo, é natural que dentro de alguns anos, os 527 mil metros quadrados do edifício estejam a regurgitar de gente, discutindo animadamente as cotações da bolsa de Xangai, Hong Kong ou Singapura, o New Deal proposto pelo primeiro ministro chinês Hu-Jin- Ling, que terá acabado de suceder a Hu-Jin-Tao, ou o best-seller mundial “ A Leste Nada de Novo” da autoria de um reputado escritor norte- coreano, cujas teorias anti-belicistas suscitarão viva polémica.

Não é previsível que surja, a Oriente, uma nova Agatha Christie, nem uma Miss Marple mas, robotizadas actrizes nascidas nos estúdios da indiana Bollywood, deixarão os japoneses, reunidos na sala de espectáculos do Burj Dubai, com o coração aos pulos e os olhos em bico. Todos, sem excepção, se deslocarão nos seus monolugares telecomandados e movidos a laser, baptizados com o sugestivo nome de “ Alegria do Povo”, para assistir à estreia do filme de Ang Lee “ E Tudo o Oriente Levou” baseado no livro, de um escritor cambojano, com o mesmo título.

O objecto que faz as delícias dos consumidores de todo o mundo chama-se MP- 12. Para além das funções do MP-4, este aparelho inventado pelos japoneses traz incorporado um Karaoke, a Bimby, uma televisão digital de imagem tri-dimensional, telescópio, computador pessoal com ligação a 179 redes sociais, “scanner” com capacidade para digitalizar a biblioteca do Pacheco Pereira na Marmeleira, em apenas 39 segundos e detector de terroristas.

Todos os compradores terão direito, como brinde, a um bonsai com garantia de cinco anos e a um telemóvel, objecto que em todo o mundo oriental caiu em desuso, desde a invenção do “Telepat”, um aparelho que lê os pensamentos, evitando a troca de palavras entre as pessoas.

Entretanto, num casino recentemente inaugurado em Macau, onde o jogo da moda é um “remake” do “scrubble” que animou os anos 30 do século XX no Ocidente, actuará a mop-star virtual Sun Li.

Nos Estados Unidos, o filho de Al Gore iniciará a “Grande Marcha Verde” que irá conduzir à vitória dos ambientalistas americanos. Na chegada a Seattle prometem uma taxa de emissões Zero, perante os aplausos de uma multidão entusiasmada.

A União Europeia, presidida pela filha de Marine Le Pen, será nessa altura constituída por 39 países, que procuram há sete anos um entendimento sobre o Tratado que irá substituir o Tratado de Lisboa. A Europa tornou-se o maior exportador do mundo, mas os chineses acusam os europeus de concorrência desleal, por praticarem salários de miséria. Os europeus emigram para a Ásia e América Latina, em busca de melhores condições de vida. Mas a Europa continua a dar cartas no desporto. No futebol, por exemplo, a Suíça sagra-se campeã mundial.Na América Latina, a democracia finalmente venceu. Hugo Chavez prepara-se para cumprir o seu 10º mandato e continua a guerra surda com um filho de Uribe que vendeu aos chineses as bases dos americanos.

Na Patagónia argentina, a construção sofreu um boom espectacular, graças aos investimentos sul-coreanos. Um hotel de 7 estrelas foi construído em Península Valdez, tendo todos os quartos, equipados com piscina, vista para as baleias e restante fauna marítima, que está quase em vias de extinção. O património natural da Terra do Fogo foi devastado pela indústria farmacêutica, que aí encontrou a substância necessária para o fabrico da vacina contra o vírus da Gripe Z, com origem na Indochina. Os vestígios do Perito Moreno continuam a ser visitados anualmente por milhões de turistas orientais, enquanto os chineses acabam de estabelecer um consórcio com Angola e a África do Sul, para a exploração de minérios raros em Machu Pichu, no Peru.

O governo brasileiro, entusiasmado com o sucesso da “Grande Marcha Verde”, alia-se aos americanos e compromete-se a preservar os ainda inexplorados 500 hectares da Amazónia. Do acordo faz parte a transformação da parte brasileira das cataratas de Iguaçu ( decorrem negociações com a Argentina, que se mantém renitente) em estância termal.

África pouco mudou. Apenas as rotas da emigração, que agora apontam para o Oriente próspero e desenvolvido. Aos 96 anos, o presidente da África do Sul acaba de anunciar o seu undécimo casamento. Desta vez, a esposa escolhida é uma zulu de 15 anos. Em Angola, a filha de José Eduardo dos Santos sucede ao pai, depois de uma luta renhida com a candidata da Unita, que reclama ter havido fraude eleitoral. Moçambique conquista o título mundial de hóquei em patins.

Por cá, a Justiça anuncia finalmente a condenação de três réus do caso Casa Pia, entretanto falecidos. Os casos Freeport e Face Oculta aproximam-se das alegações finais e o Primeiro Ministro Paulo Rangel anuncia a construção da 7ª travessia sobre o Tejo, ligando a estância balnear do Bugio ao Forte de Caxias.

Há mais seis acusados na Operação Furacão. Dias Loureiro e Armando Vara reformaram-se há vários anos, mas os seus processos continuam em segredo de justiça.Na cidade do Porto, a Casa da Múscica, classificada em 2009 pelo Times como o 5º edifício mais belo da década, será visitado por milhões de turistas, maravilhados com a “loucura e perversão” da sua arquitectura basista.

O mundo parece querer voltar às construções térreas, depois de umas décadas a pensar e trabalhar a centenas de metros de altitude. Escritórios em edifícios de um único piso são agora a grande moda. Descer à terra, talvez nos safe de uma nova guerra, mas esta crónica nunca teria sido escrita, se eu não estivesse de visita ao Dubai e não me tivesse instalado numa penthouse do 167º andar do Burj Dubai. ( Texto reeditado)

É só uma sugestão...

...mas porque é que não vendemos a Madeira ao FMI, dando o Alberto João como bónus?
A ideia não é nova, como sabem, pois já foi sugerida à Grécia a venda de algumas das suas ilhas para saldar a dívida. Disse-me uma joaninha que a ideia não avançou, porque eles não tinham bónus para oferecer.

Late night wander (86)

Entrámos na Semana Santa e não se pode comer carne. Tentarei, por isso, não escrever sobre coelhos. Com excepção, claro, do Coelho de Páscoa, porque é de chocolate.

domingo, 17 de abril de 2011

Cervejarias



A seguir às cantinas escolares, as cervejarias são o pior sítio do mundo para se comer. O problema é que há quem goste e, volta meia volta, lá sou arrastado para uma refeição onde a relação qualidade preço me deixa à beira de um ataque de nervos.

Detesto aquele bife famoso daquela famosa cervejaria que todos conhecem e muitos convencionaram chamar o melhor bife de Portugal. ( Sobre bifes, já vos expliquei aqui quais são as minhas escolhas). O marisco que se vende nas cervejarias também não me tem proporcionado grandes momentos de alegria gastronómica.

As cervejarias podem ser locais excelentes para conviver,onde todos tentam falar mais alto do que a vozearia do tilintar dos copos; para assistir a conversas de bêbados; para ouvir conversas elaboradas sobre tácticas futeboleiras e discussões entre adeptos de clubes diferentes, onde sempre recebemos informação privilegiada sobre um jogador de futebol de que nunca ouvíramos falar, que marcou um golo sempre classificado como o melhor de todos os tempos; para desancar nos árbitros que roubaram o nosso clube. Para comer uma refeição é que não dá…

Humor fim de semana

Um alentejano queria livrar-se de um gato. Levou-o até uma esquina distante e voltou para a casa. Quando chegou a casa, o gato já lá estava. Levou-o novamente, agora para mais longe. No regresso, encontrou o gato novamente em casa. Fez isso mais umas três vezes e o gato voltava sempre para casa. Furioso, pensou:
'Vou lixar este gato!' Pôs-lhe uma venda nos olhos, amarrou-o, meteu-o num saco opaco e colocou-o na mala do carro. Subiu à serra mais distante, entrou e saiu de diversas estradinhas. Deu mil voltas... e acabou por soltar o gato no meio do mato. Passados umas horas, o alentejano liga para casa pelo telemóvel... - Tá, Maria, o gato já chegou? - Sim... - Ainda bem, deixa-me falar com ele porque eu estou perdido...

Bate, bate, coração (3)

Shirley Bassey

Esta mulher traz-me sempre à memória uns bailes de garagem numa casa das Antas. Esta canção nem é dela, mas foi a que escolhi, porque foi num desses bailes que percebi como às vezes temos o amor à frente dos nossos olhos, mas somos incapazes de o ver.

sábado, 16 de abril de 2011

Saturday nights ( on the rock)

Conversas com o Papalgui (55)

- Eu bem te tinha avisado que a canção dos Deolinda não era o hino da geração à rasca! - Não? Então qual é? - Não sei. Só sei que "Parva que eu fui" foi a canção adoptada pela maioria das pessoas que votaram em Nobre nas presidenciais.

Namoradinhas de Portugal (3)

Catarina Furtado

Late night wander (85)

Que me desculpem os amigos benfiquistas, mas depois de ouvir isto não consigo calar a indignação por esta escroqueria. Depois de terem desejado a morte de Pinto da Costa, esta é do mais miserável, cretino e imbecil que vi em dias da minha vida.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Um euro bem gasto

Hoje, diante do escaparate onde sempre paro para ler as gordas, deixei-me convencer pelo apelo do “i”.

Na primeira página a notícia de que as rendas de casa vão ficar mais baratas. Como não é 1 de Abril, acreditei. Ainda na capa, uma chamada de atenção para empresas portuguesas de sucesso e o convite para ser optimista. Quem resiste a um pedido da Ana Sá Lopes?

Decidi por isso desembolsar um euro e , à hora do almoço, lá fiquei a saber que a REN foi considerada a melhor empresa da década, a Sogrape, o produtor europeu do ano, a Água das Pedras ganhou prémios vários, a TAP foi considerada a melhor companhia aérea e a clínica do Paulo Malo venceu o prémio Inovador do Ano na China.A nível individual, Zeinal Bava foi eleito melhor CEO do ano e o jornalista da TSF João Francisco Guerreiro foi o vencedor do Prémio Internacional de Jornalismo Rei de Espanha. O próprio jornal recebeu dois prémios, mas isso nem é notícia, porque já se tornou um hábito.
Quando acabei de almoçar estava mais bem disposto do que habitualmente e a digestão foi mais fácil. É pena os jornais não serem assim todos os dias…

Zangam-se as comadres...

Há dias, alguém se espantava na caixa de comentários, por eu escrever que tinha sido Pedro Passos Coelho a desencadear a crise e que o fizera de uma forma que apelidei de canalha. A prova aqui está.

Quero dizer que não aprovo a forma como Pacheco Pereira denunciou o SMS e concordo com o que a Fernanda aqui escreve. Como também reprovo as críticas despeitadas de Carrilho na praça pública, ou o silêncio de Seguro quando Relvas lhe disse olho nos olhos que seria maís fácil dialogar com ele, ou Francisco Assis, do que com Sócrates.

Nunca votei em Sócrates, nem sou militante do PS, mas detesto comportamentos cobardes, de gente que procura ganhar apoios na opinião pública para atingir os seus objectivos, em vez de o fazer, cara a cara, com os seus camaradas.

E odeio "dandys" da Porcalhota, com aquele ar engomadinho de quem é um cavalheiro, que mentem ao país inteiro e acusam o adversário de mentiroso, só porque viram o seu lugar em perigo. Afinal são tão cobardes como os outros, mas dão ares de gente de bem.

Entretanto, os jornalistas disfarçados de bloggers que pastoreiam à mesa de Passos Coelho, vão fazendo o seu trabalhinho de formiguitas diligentes, em defesa do anfitrião. Mas esses nem me me merecem um link, porque a perversidade de quem se quer fazer passar por independente, sem assumir com coragem a defesa da sua dama, merece o meu maior desprezo.

Assédio(s)


Ele ainda não tinha 30 anos quando entrou para a empresa. Trabalhava a recibo verde, como a maioria dos jovens da geração global. Ao fim de seis meses, o seu chefe reformou-se e foi substituído por uma senhora. Já tinha ultrapassado há muito os 40, mas mantinha-se vistosa, provocando torcicolos aos homens com quem se cruzava nos corredores.

Ele, com casamento aprazado para o final daquele ano, também não resistia a um olhar furtivo, que a sua condição de subordinado impunha. Quando ela o chamava ao gabinete para discutir qualquer assunto de trabalho, a sua pele clara não conseguia disfarçar o rubor da face, animada pela visão daquele corpo bem torneado, aprisionado num vestido justo que deixava a descoberto uma belíssimo par de pernas.

Numa solarenga manhã de Março ela chamou-o ao gabinete. A discussão em torno de uma questão contabilística foi-se arrastando até ao princípio da tarde. Ela olhou para o relógio e propôs que continuassem a discussão ao almoço num restaurante próximo. Embaraçado, disse que combinara almoçar com a namorada, mas se fosse necessário desmarcava o almoço. Ela concordou que seria a melhor solução.

Durante o almoço não falaram de trabalho. Ela inundou-o de perguntas sobre a sua relação com a namorada, advertiu-o para o facto de ainda ser muito jovem para se comprometer e lembrou-lhe que, trabalhando a recibo verde, não tinha uma situação estável. Talvez devesse pensar melhor, sugeriu.

“ Não consigo esperar mais”- respondeu ele. “Namoramos há tempo demais, precisamos de nos casar e fazer a nossa vida. Queremos ter filhos…”

“Má ideia”- respondeu ela com um sorriso enigmático. “Vivam primeiro um tempo juntos e quando você tiver uma vida mais estável pensem nisso”.

“Isso está fora de hipótese. A família dela nunca lhe perdoaria se ela saísse de casa para ir viver comigo.”

A conversa ficou por ali. Ela pagou o almoço com o cartão da empresa e regressaram ao trabalho para terminar a discussão interrompida ao final da manhã. No dia seguinte ele pressentiu-a mal humorada e algo distante mas, dois dias depois, tudo voltara à normalidade. Na semana seguinte recusou polidamente o convite para almoçar, alegando ter de levar o pai a uma consulta. Nos dois meses que se seguiram teve que recorrer à imaginação para se furtar a novos convites. Entretanto, conseguiu apurar que ela era casada e tinha dois filhos, um dos quais da sua idade. A notícia deixou-o mais descansado. As investidas teriam tendência a diminuir.

Na véspera de partir para uma semana de férias estava em casa a ultimar os preparativos, quando o telefone tocou. Era ela. Estava ainda a trabalhar na empresa e tinham-lhe surgido umas dúvidas sobre uns papéis. Reclamava a sua presença. Contrariado, ele foi.

Ela recebeu-o com um copo de whisky na mão e ele percebeu, na sua voz arrastada, sinais de embriaguez.

“Então que se passa, doutora?”

Sem dizer uma palavra, ela pousou o copo em cima da secretária, lançou-lhe os braços em volta do pescoço e beijou-o de forma arrebatada. Ele não ofereceu resistência. Sentia-se inebriado pelo perfume que exalava do corpo dela. Começou a despi-la. Primeiro lentamente mas, à medida que o vestido lhe descobria o corpo, deixando entrever um seio nu, acelerou a tarefa ao ritmo do batimento cardíaco. Olhou para ela, completamente nua, deitada no sofá do gabinete onde costumavam trabalhar, e pensou por um momento como tinha sido parvo em resistir-lhe. Afinal ela era casada, nunca lhe iria causar problemas. Quando finalmente a tomou nos braços e começou a beijar-lhe o bico dos seios, não reparou que ela mordia os lábios de onde se escapava um breve sorriso de vitória.

Eram três da manhã quando ela o convenceu a ir para casa. Despediram-se num beijo prolongado. Ele saiu primeiro. Meteu-se no carro e acelerou em direcção a casa. Custou-lhe a adormecer. Aquele corpo magnífico não lhe saía da cabeça. No dia seguinte, no aeroporto, lê na manchete de um jornal :

“Aumenta o número de mulheres vítimas de assédio sexual.”

Sorriu e dirigiu-se para o balcão do "check-in"


( Republicação)

Estranho...

Há quase uma semana que milhares de jovens finalistas do liceu estão em Espanha e ainda não houve notícia de distúrbios! Já não há finalistas como antigamente!

Late night wander (84)

Já se sabia que em 2003 Manuela Ferreira Leite, para aldrabar o défice e evitar um procedimento da Comissão, fez uma manobra de engenharia financeira com o Citigroup, quem vendeu mais de 11 mil milhões de euros de dívidas fiscais e à segurança social, recebendo em troca 1,7 mil milhões. Ou seja, Manuela Ferreira Leite diminuiu o défice, mas arruinou a Segurança Social.


Desde sempre se soube que a operação tinha contornos muito nublosos e que MFL chegou a afirmar que não sabia se tinha de pagar juros. Nunca se soube, porém, quanto é que isso iria custar ao país. Ficou a saber-se agora. Os números são tão astronómicos ( mais de dois mil milhões de euros já pagos pelo Estado), que vos sugiro a leitura do artigo na íntegra. Onde se pode ainda ler ( mas apenas na versão em papel) que a taxa de juro paga pela operação foi de 17,5%!


Para quem andou a apregoar transparência e competência durante a campanha eleitoral de 2009 e repetidamente chamou a Sócrates mentiroso, não está mal...

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Eles comem tudo...



O animalzinho da imagem papa formigas, o Nobre papa jantares.

Cada um(a) impõe os seus argumentos


Uma vez que a campanha eleitoral se adivinha trauliteira, enfadonha e falha de ideias, talvez fosse boa ideia, há falta de outros argumentos, que algumas das candidatas, seguissem o exemplo desta deputada espanhola.
Aliás, disse-me uma joaninha, Pedro Passos Coelho, quando convidou Manuela Ferreira Leite, ter-lhe-á proposto a ideia e foi por não concordar que a ex-líder laranja recusou integrar as listas do PSD, vindo a ser substituída por Fernando Nobre.
De qualquer modo, não vai faltar animação à campanha laranja. O Quim Barreiros do PSD ( Mendes Bota) vai encabeçar a lista no Algarve. Não, não é a brincar, é mesmo verdade!

De Lampedusa ao futuro da Europa




Se a crise económica e financeira já tinha demonstrado que a União Europeia está longe do espírito dos seus fundadores, a invasão da Líbia( sim, o que se passa hoje na Líbia é uma invasão e não o cumprimento de uma Resolução da ONU, cujo âmbito já foi há muito ultrapassado) veio lançar sinais ainda mais preocupantes sobre o futuro europeu.

Confrontado com a chegada diária de milhares de emigrantes à ilha de Lampedusa, Berlusconni decidiu trazê-los para a Itália continental, na expectativa de que se disseminassem pela Europa. Como reagiu a França? Sarkozy mandou controlar as fronteiras com Itália, fazendo tábua rasa dos acordos de Schengen.

A senhora Merkel fez como Pilatos e a restante Europa, enquanto fingia criticar Sarkozy, respondeu a Berlusconni : desenrasca-te que nós não queremos cá mais emigrantes.

Este episódio é sintomático da ficção que é, hoje em dia, a União Europeia, mas é também um mau presságio para o futuro. Perante a pressão da chegada de milhares de emigrantes a Lampedusa, Berlusconni não vai ficar de braços cruzados, à espera que a Europa dê ouvidos aos seus protestos e venha em seu socorro.

Ângela Merkel e Sarkozy estão a esticar demasiado a corda da União Europeia e talvez um dia destes ela rebente. Resta saber quando e com que consequências para todos nós.

Será que o homem se mete nos copos?

Peço desculpa se vou ser um bocado grosseiro, mas há coisas que me fazem passar dos carretos. Depois de ter dito que não podiam se pedidos mais sacrifícios aos portugueses, Pedro Passos Coelho veio afirmar que chumbara o PEC IV porque não ia suficientemente longe. Agora vem dizer que espera não ser preciso pedir mais sacrifícios aos portugueses, nem mais medidas de austeridade.


Chumbou a avaliação dos professores e depois veio dizer que quer um sistema de clssificação. Sem explicar quais as diferenças porque...não sabe!


Convida um adversário do PR cuja candidatura apoiou há dois meses para ser cabeça de lista por Lisboa, prometendo-lhe o lugar de presidente da AR, ignorando que não pode prometer um lugar que será escolhido pelos deputados na AR.


Diz que está disposto a fazer uma coligação com o PS, mas não com Sócrates, como se tivesse alguma autoridade para exigir a um partido que demita o seu líder a bem do interesse de Portugal.


Diz ao país que soube do PEC através de um telefonema de Sócrates e, passado um mês, numa entrevista, confessa que mentiu, porque esteve reunido com Sócrates em S. Bento na véspera. Será que o homem se mete nos copos, ou chuta na veia?


Uma coisa é certa: Lá diz o povo "o que torto nasce, tarde ou nunca se endireita". E PPC começou mal, com todas aquelas trapalhadas sobre a proposta de revisão Constitucional. Desde aí, tem sido um suceder de trapalhadas, inconstâncias e incoerências. Tanta incoerência, ignorância e mentira, fazem-me ter medo que este homem um dia chegue a S. Bento. Mas Sócrates deve estar-lhe grato porque, cada vez que PPC abre a boca, ou anuncia uma decisão, há mais eleitores a pensar que talvez seja menos arriscado votar no PS.

Rostos de Abril ( The End)

Depois de Otelo Saraiva de Carvalho ter dito " se soubesse como o país ia ficar não teria feito a Revolução", decidi interromper a minha homenagem aos capitães de Abril. Não gosto de arrependidos e, muito menos, que dêem argumentos àqueles que continuam a afirmar despudoradamente que se vivia melhor em Portugal há 40 anos.


Sei que Otelo é um desbocado e, muitas vezes, não pensa no que diz, mas foi demais ouvir esta declaração de um dos principais obreiros do 25 de Abril. Ficarei com as memórias de Abril dentro de mim. Tentarei retirar Otelo do meu álbum de recordações desse dia magnífico.

Late night wander (83)

Pela primeira vez, na História da democracia portuguesa os portugueses vão ser chamados a eleger o presidente da AR. A particularidade é que o candidato já anunciou que, se não for eleito, se demite.
Será este o propalado "sangue novo" que Passos Coelho pretende introduzir na sociedade portuguesa?

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Pergunta do milhão

Alguém perde 275 mil euros só para agradar a um amigo?

Festejos de Santo António


O Tribunal de Contas mandou anular o concurso lançado pela empresa municipal EGEAC, destinado a escolher o logótipo das Festas de Lisboa. O pretexto invocado pelo TC é o momento de crise que Portugal atravessa. Como se pode ler no comunicado a que não tive acesso, mas que fonte ligada ao semanário Sol me asseverou ser fidedigno, Guilherme de Oliveira Martins terá fundamentado o seu despacho com base no tema escolhido pelos concorrentes vencedores:

“ Os logotipos representam sardinhas o que, em tempo de crise como a que Portugal atravessa, é um luxo gastronómico ao alcance de apenas uma pequena franja dos cidadãos lisboetas. Sendo as Festas de Lisboa, festas populares, o logótipo deverá por isso reflectir a realidade da cidade e do país. Assim sendo, determino que a EGEAC repita o concurso, recomendando aos concorrentes que o logótipo para este ano deverá ser a imagem de um jaquinzinho.”

Leis há muitas, seu palerma!

Em Portugal as leis são como os chapéus. Há muitas, mas nem todas têm grande serventia, porque não assentam bem na cabeça dos portugueses.


Paulo Portas não precisa de perder tempo a esgrimir o argumento de que o CDS foi o partido que apresentou mais propostas de Lei na AR durante a última legislatura. Um estudo recentemente divulgado pelo Eurobarómetro conclui que, apesar de Portugal ser um dos países mais avançados da Europa no concernente à legislação sobre a protecção dos consumidores, os portugueses são dos povos mais ignorantes da União Europeia em matéria de direitos dos consumidores. Logo - e Paulo Portas sabe-o, mas assobia para o lado- o problema dos portugueses não se resolve com legislação, mas sim com a aposta na redução do analfabetismo funcional. Ora isso só é possível, se houver uma aposta forte na informação e formação cívica dos portugueses, coisa em que ninguém parece estar interessado.

Elementar, meu caro Watson


Ontem, um amigo socialista da velha guarda, perguntava-me:

- Como é possível que a Judite de Sousa, sempre tão amável e meiguinha com a gente do PSD, tenha encalacrado o Passos Coelho com aquela pergunta sobre a ida a S. Bento para discutir o PEC com o Sócrates?


- Não o encalacrou, meu caro, fez-lhe um favor…


- Como assim?

- Pensa um bocadinho. Porque é que o Sócrates não desmentiu de imediato o Coelho quando ele disse que tinha sabido do PEC pelo telefone?


- Pois, isso também me espantou…

- Elementar, meu caro. Era um trunfo que o Sócrates tinha na manga para os debates durante a campanha eleitoral. Iria obrigar Passos Coelho a confessar a ida a S. Bento perante milhares de portugueses em vésperas de eleições, por isso agora não convinha falar no assunto. Só que a Judite soube e resolveu matar já o assunto. Portanto, como vês, foi um favor que a Judite fez ao Coelho e não uma rasteira…

Nortenho de gema, o meu amigo deixou escapar um “ ai a grande…. que bem me enganou!”

Rostos de Abril (8)

Victor Crespo
Nota: Não confundir o Almirante Victor Crespo com o ex-mininstro da Educação Vítor Crespo, que faz parte de outro filme...

Late night wander (82)

António Capucho,Luís Filipe Menezes, Marques Mendes e Manuela Ferreira Leite recusaram os convites de Pedro Passos Coelho para integrarem as listas do PSD à Assembleia da República. Outras recusas virão a público brevemente, numa demonstração de que poucos são os que confiam na actual liderança laranja.


Presumo que PPC não seja como o corno que é o último a saber que foi traído e já tenha percebido que os seus adversários internos que o empurraram para esta aventura estão à espera que ele, mesmo vencendo as eleições, não consiga formar governo, para depois o mandarem borda fora e ocuparem o seu lugar. É bem feito!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Cinismos

A OCDE elogia, no seu último relatório sobre Portugal, o desenvolvimento do nosso país em matéria ambiental e energética. Depois de enaltecer o investimento de Portugal nas energias renováveis e o caminho prosseguido na implantação das eólicas, a OCDE recomenda que o governo "acabe progressivamente com todos os apoios às tecnologias renováveis e liberalize o mercado da electricidade", acabando com a tarifa reguladora para os consumidores domésticos. Elucidativo exemplo de cinismo, não vos parece?

Caderneta de cromos (27)

Alberto João Jardim
Depois da tragédia que se abateu sobre a Madeira, em 2010, Alberto João Jardim não regateou elogios a José Sócrates, enaltecendo o seu sentido de Estado.Depois da tempestade, veio a bonança, ou seja, Jardim voltou ao seu discurso habitual de ódio contra o PS e o país.

Ontem pediu que os socialistas fossem julgados, porque são criminosos. E voltou a ameaçar com a independência da Madeira. Pessoalmente, muito gostaria que essa ameaça se concretizasse. Seria um alívio para os contribuintes portugueses, cansados de pagar os truques do líder madeirense.

Entretanto, de Pedro Passos Coelho, ou de Cavaco, nem uma palavra de recriminação às palavras de Alberto João Jardim. Sintomático!