terça-feira, 15 de março de 2011

Novidades, aos teus amores tão dedicados...

O recente lançamento do iPad 2 demonstra bem como a obsolescência dos produtos é vital para manter em funcionamento o motor da economia. Apresentado há três meses em Portugal como "revolucionário", o iPad é já uma velharia e não falta por aí quem sonhe em substituí-lo pela nova versão.
Mas o iPad é também um bom exemplo da forma como a sociedade de consumo nos engana. Quando foi lançado, há um ano, a Apple sabia perfeitamente que o produto estava inacabado e não era ainda o modelo idealizado por Steve Jobs. No entanto, como a concorrência se aprestava para lançar um produto idêntico, a Apple não teve outra alternativa. Lançou no mercado, com pompa e circunstância, um produto que sabia não ser perfeito, mas punha a concorrência em sentido.
Foi cultivando a obsolescência, fomentando a aquisição da última novidade através do recurso ao endividamento, que chegamos à crise mundial que nos afecta a todos. Não me parece que tenhamos aprendido a lição.

5 comentários:

  1. Ainda não consigo entender como é que as pessoas alinham e vão logo a correr comprar a última novidade, apesar de alegadamente estarem "à rasca". É que esses "brinquedos" não são baratos e passam de moda num ápice.

    Um dia destes vi numa reportagem televisiva um psiquiatra a falar de oniomania, que nem fazia ideia do que era. E ele dizia que as mulheres eram mais tidas como compradoras compulsivas, mas que não era verdade, os homens preferiam era outros itens e normalmente mais caros, como estes gadgets ou grandes carrões... Daí os endividamentos!

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  2. Pois é.. e já agora( para desanuviar), conhecem aquele vídeo que demonstra porque é que, por muito bom que seja o ipad, ele nunca substituirá o bom velho jornal? :)) está aqui: http://www.youtube.com/watch?v=hGkw81ROxd4&feature=fvst

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  3. O cerco é grande
    e o consumidor não é de pau
    (os criativos publicitários têm excelentes salários...)

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  4. Hoje em dia e sendo o meu trabalho ligado à tecnologia, aliás, todos são agora, é difícil mantermo-nos à parte de todas essas coisas. Mas, verdade seja dita, eu detesto todos esses gadjets, é uma complicação mexer neles e não percebo bem o seu objectivo. O meu telemóvel tira fotografias, porque o antigo faleceu e agora qualquer coisa tira fotografias (quase que aposto que alguma marca já lançou cuecas fotográficas, se não lançou, o melhor será registar a patente). Não percebo para quê. Se quero tirar fotos, uso a máquina. Se quero ouvir música, uso o rádio. Para telefonar, uso o telemóvel. Para quê complicar?
    E depois esta coisa de querer fazer sempre melhor, mais e depressa, aumenta em mim a sensação de que tudo é descartável, imcluindo as pessoas. Quando deixar de conseguir acompanhar a tecnologia, também eu serei um artigo dispensável e ultrapassado. De nada valerão os meus conhecimentos e experiências, porque não se poderão adaptar a esta sociedade de rápida mutação. Isso assusta-me muito.

    Aproveitando a boleia da Luísa, deixo-lhe aqui um link muito interessante sobre a última tecnologia de ponta. :)

    http://www.youtube.com/watch?v=iwPj0qgvfIs

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  5. Não aprendemos nada. E o que aprendemos esquecemos logo. Nisto como em tudo. A história.

    Todos os dias recebo uma sms para convencer-me a mudar de telemóvel, oferecendo-me pontos e "dinheiro" para comprar outro, quando o que tenho tem pouco mais de um ano (claro, já passou o período do contrato de permanência) e funciona às mil maravilhas.

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