quinta-feira, 31 de março de 2011

Eles pedem desculpa pela interrupção. Voltam dentro de momentos...

Antes de descobrir que Ben Ali e Mubarak eram ditadores ( de Kadhaffi já desconfiava, mas calava-se por amor à democracia e temor reverencial perante o ex- presidente da Comissão de Direitos Humanos da ONU…) , a nossa comunicação social zurzia diariamente em Chavez, Fidel e Morales a quem chamava de facínoras e equiparava a Estaline.

Qualquer preso de delito comum, que iniciasse uma greve de fome, era alcandorado à condição de mártir, vítima dos tenebrosos ditadores latino-americanos.

Agora, descobertos os ditadores “fofinhos”do Oriente, apaparicados pela Europa e Estados Unidos ao longo de décadas, a imprensa relegou para segundo plano os ataques ( quase sempre desmiolados e ignorantes) aos “ditadores” latino-americanos. Isso, obviamente, teve reflexos em alguns blogs que se tornaram mais asseados.

Temo, porém, que tal como o sol e as temperaturas amenas que nestes dias nos têm adocicado a alma, seja uma trégua de curta duração. Não tarda nada, os paranóicos do costume voltarão a destilar veneno e a escrever posts contra os ignominiosos ditadores sul-americanos. Rebuscando notícias com barbas, que nos servem como actuais, esquecendo as ditaduras apoiadas pelos Estados Unidos naquela região, derrubadas pela vontade popular, e impingindo como verdadeira a sua visão sobre as "execráveis democracias bolivarianas", a matilha voltará ao ataque "em defesa da democracia".
O problema é que a visão deles é a do olho cego. E isso faz toda a diferença…

A Rainha da Sucata


Portugal estava numa situação gravíssima. Durante a campanha eleitoral, Cavaco Silva alertou para as consequências imprevisíveis de uma crise política. A continuidade deste governo era insustentável, mas o momento escolhido por Passos Coelho para o fazer foi o mais inadequado. Pensou apenas nos seus interesses ( uma moção de censura depois da aprovação do PEC IV fragilizaria o PSD perante os eleitores) e não no país. Sejam quais forem as desculpas que invente, a verdade é que a culpa de estarmos a ser classificados como lixo é exclusivamente sua. Quando o país estava à beira do precipício, Passos Coelho deu-lhe um empurrão.


É natural que não se aperceba do mal que fez ao país... está habituado a falar para os mercados em inglês e os portugueses são, na sua perspectiva, as "marionettes" obedientes e passivas. É capaz de ter algua razão. Os portugueses são incapazes de ver mais alternativas para além do preto e do branco e, quando estão cansados de uma cor, acreditam que basta mudar para outra, para que as coisas melhorem. Será por isso, muito provavelmente, o futuro primeiro-ministro de Portugal? Não. Será apenas a "Rainha da Sucata".

Culpado, eu?

O Zezinho estava em cima do muro a fazer tropelias. O Pedrocas caminhava pelo muro, mas não podia passar porque o Zezinho lhe estava a barrar o caminho. Cansado de esperar e incitado pelos amigos que o aguardavam do outro lado, o Pedrocas deu uma cotovelada ao Zezinho que caiu do muro. Quando a mãe do Zezinho ouviu os gritos do filho correu para a janela e perguntou: - O que se passa aqui? - Foi o Zezinho que caiu do muro - Não foste tu que o empurraste, Pedrocas? - Nããããõooooo! Ele é que estava a interromper o caminho...

Afinal, quem está mais à rasca?

Cumprida a manifestação da geração à rasca é altura de falar ( mais uma vez...) da verdadeira geração que está à rasca neste país e em risco eminente de pobreza sem retorno.

Os idosos são os mais afectados pela pobreza ( 29%, de acordo com o INE), sendo que muitos se tornaram pobres, porque se viram privados de um emprego numa idade em que a hipótese de reentrar no mercado de trabalho é muito reduzida.

O mercado de trabalho, para quem tem mais de 50 anos, é um deserto de oportunidades, aumentando a angústia de quem vê fugir-lhe o emprego e a reforma mais distante.A agravar a situação, muitas das pessoas que hoje têm mais de 50 anos têm taxas de endividamento elevado, porque contraíram empréstimos a taxa de juros altas e com condições menos favoráveis do que as da chamada geração à rasca.

O problema social destes portugueses ainda não foi encarado de forma frontal. Ficar desempregado com essa idade pode constituir um drama com funestas consequências . Dizem os especialistas que a maioria das medidas para combater a pobreza, existentes em Portugal, são meras panaceias que não resolvem o problema.

Bruto da Costa é de opinião que a maioria das acções atenua a privação, mas não resolve a pobreza, porque não contribui para tornar a pessoa auto-suficiente. Augusto Mateus fala de uma “política de hipermercado” onde “há de tudo para todos”, mas caracteriza as acções desenvolvidas como meras “bengalas” que não resolvem o problema, porque lhes falta transversalidade .

Para a maioria destes “novos pobres”, nem o microcrédito ajuda a resolver o problema de uma pobreza inesperada, pois o desemprego deixou-os sem capacidade de cumprir, sequer, as obrigações resultantes de situações de endividamento que, na esmagadora maioria dos casos, foi a única solução que encontrarem para ter uma habitação condigna.Há que encontrar uma solução equilibrada ... que não pode passar por uma geração que acusa os seus pais de falta de solidariedade geracional.

Fomentar a iniquidade no Estado

O governo decidiu premiar com cinco dias de férias os funcionários públicos com classificação de excelente e com três os que tiverem muito bom. Em contrapartida -afiançaram –me, mas não pude ainda confirmar - o governo retirou os cinco dias de bónus aos funcionários públicos que gozassem férias apenas entre Setembro e Junho.

Independentemente de saber que a avaliação dos funcionários públicos continua a ser ( pelo menos em alguns serviços) uma farsa, não me repugnaria este prémio se ele viesse acompanhado do cumprimento de outra promessa feita pelo governo, mas nunca cumprida: redução do horário de trabalho, ou aumento dos dias de férias, para funcionários públicos com mais de 60 anos.

Reduzir o horário de trabalho desses funcionários seria uma medida do mais elementar bom senso susceptível, inclusivamente, de contribuir para aumentar a sua produtividade, mas o governo optou por manter tudo na mesma. Com a agravante de, em muitos casos, os funcionários públicos mais idosos serem emprateleirados, desaproveitando-se a sua experiência e aumentando a sua desmotivação.

Ao não contemplar um regime laboral mais favorável para funcionários que tinham a expectativa de se reformar aos 60 anos, mas que foram defraudados com o aumento da idade da reforma , o governo também está a contribuir para o aumento das despesas no sector saúde, mas sobre isso escreverei noutra oportunidade. Por agora, quero apenas lembrar que não basta elogiar os funcionários públicos e depois reduzir-lhes os salários. É necessário incentivá-los e tomar medidas que aumentem a sua produtividade.

Blogs no feminino

Coração de Maçã Gi Sedas

Late night wander (73)

Há coisas que não entendo. Os apoiantes blogueiros de Passos Coelho andam há um ano a dizer que Sócrates tem de ser substituído, porque é mentiroso. Em apenas uma semana, Coelho já disse mais mentiras e teve mais contradições do que Sócrates nos últimos dois anos. Qual é a vantagem de votar nele? Se é para mudar as moscas, em vez de eleições era preferível comprar Dum-Dum.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Mais uma caixa de Pandora?

Como era de esperar, as tropas aliadas extravasaram o mandato que lhes foi conferido pela Resolução do Conselho de Segurança da ONU. Em vez de se limitarem a defender as populações, tomaram partido pelos rebeldes e, face à reacção das tropas de Kadhaffi, já admitem armar os rebeldes. Se concretizarem os seus propósitos, os aliados estarão a armar também a Al-Qaeda que, como aqui se pode ler, se infiltraram nas forças rebeldes. Chama-se a isto dar um tiro no pé mas, pior do que isso, é abrir mais uma caixa de Pandora cujas consequências são imprevisíveis.

Mulheres do mundo (10)

Emily Davison
Acto de coragem ou acidente? Esta é a pergunta que muitas pessoas ainda hoje fazem quando se fala de Emily Davison, sufragista britânica que iniciou a sua luta em 1906, ao ingressar no Woman’s Social and Politic Union, fundado por Emmelinne Pankhurst. Foi presa várias vezes e fez sempre greve de fome.

No dia 4 de Junho de 1913, durante o grande Derby de Epson a que sempre assistia a família real, decidiu aproveitar a oportunidade para chamar a atenção da realeza e da alta sociedade britânica para a luta das sufragistas.Atravessou a cerca de segurança, invadiu a pista de corridas e quando o cavalo Anmer, propriedade do Rei, se aproximou, postou-se à sua frente.

Há quem defenda que o propósito de Emily Davison era apenas agarrar as rédeas do cavalo e fazê-lo parar mas terá falhado a tentativa, sendo trucidada. A verdade é que a sua morte a elevou à condição de mártir, símbolo das sufragistas e feministas.

Virtudes do senhor conselheiro

Bagão Félix foi escolhido por Cavaco Silva para integrar o Conselho de Estado, em substituição de Anacoreta Correia. Depois de ler isto, fico a pensar quais serão os critérios do PR.

Bem lembrado...

-Vamos tomar um copo logo à noite? -Está bem. Passas lá por casa a buscar-me? -A que horas? -Por volta das dez. Quando chegares dá-me um toque no telemóvel -Não tens campainha em casa? -Tenho, porquê? -É que assim não precisava de gastar dinheiro numa chamada. -Ah, está bem visto, não me tinha lembrado… És forreta?

Tenham medo...

Ilídio Marques foi uma das testemunhas chave do processo Casa Pia. Semanas depois da sentença, que condenou os implicados no processo, foi entrevistado por Luís Maques, jornalista free lancer, a quem declarou ter mentido em tribunal.

Tentar saber quando é que IlídioMarques falou verdade é mero exercício especulativo que pode servir para vender jornais, mas não ajuda à descoberta da verdade. Trago o assunto à colação apenas porque Felícia Cabrita divulgou uma conversa gravada, tentando demonstrar que Ilídio Marques recebeu dinheiro para desmentir as acusações. LuísMarques afirma que a transcrição da conversa telefónica foi truncada e vai exigir, na justiça, a reposição da verdade.

Não sei de que lado está a verdade, mas se vier a provar-se que a conversa foi truncada, com o objectivo de acusar Luís Marques de comprar uma entrevista, não posso deixar de me interrogar sobre a veracidade de outras transcrições de escutas telefónicas feitas pelo “Sol”. Estaremos no terreno do vale tudo? Perante a incapacidade manifesta da justiça portuguesa nos dar respostas credíveis, confesso-vos que tenho medo do futuro.

Blogs no feminino

Isis Janita Patti

Late night wander (72)

Seja na política ou no futebol, a conversa é a mesma. Somos um país de mentirosos. Fazem promessas antes das eleições mas, no segundo seguinte à vitória, desmentem tudo. Um país com gente desta estirpe tem salvação?

terça-feira, 29 de março de 2011

É tão bom, não foi?

Miguel Relvas é uma pessoa séria que não se contradiz. Por isso, deve estar satisfeito com esta explicação da Fitch para baixar o rating de Portugal e dos bancos portugueses.

Em tempo: o Tribunal de Contas confirmou aquilo que aqui escrevi.

Lula, Salgueiro e o FMI


Lula veio a Portugal receber três distinções: o prémio Centro Norte-Sul do Conselho da Europa, o doutoramento honoris causa da Faculdade de Direito de Coimbra e a distinção da Confraria do Vinho do Porto.Se me tivesse sido dada a oportunidade de o entrevistar, a minha primeira pergunta seria sobre o significado que ele atribui a estas distinções.

Constato, prém, a avaliar pelo que leio e oiço ao longo do dia, que sou um jornalista a precisar urgentemente de reforma. Senão vejamos:

O DN , numa prova de imbecilidade notável, chama para título da reportagem sobre a visita:

“ Lula vem a Portugal apresentar a camarada Dilma”

O “Público” opta por escrever na sua edição on line:

“Visita de Dilma e Lula tem peso simbólico, mas Brasil não deverá anunciar ajuda”

O jornalismo que hoje se pratica em Portugal não é informação. É secundarização das notícias, em função de interesses politico-partidários.

Ontem, antecedendo o jantar que reuniu Sócrates, Mário Soares e Lula da Silva, antes de perguntar se Lula iria interceder junto de Dilma para comprar dívida portuguesa,a pergunta disparada por um jornalista foi sobre a entrada do FMI em Portugal. Certamente, com muito desgosto para os jornalistas, Lula disse que o FMI criou mais problemas onde esteve e não é solução para resolver os problemas de Portugal. Horas mais tarde, no “Prós e Contras”, Salgueiro dizia o mesmo:

“ Das duas vezes que o FMI entrou em Portugal não veio resolver nada, porque os governos da época já tinham encontrado as soluções”.

Perante isto, só me apetece concordar com Augusto Santos Silva quando afirmava que o jornalismo hoje em dia praticado em Portugal é jornalismo de sarjeta.Acrescentaria apenas que é um jornalismo servil, acéfalo e prostrado de joelhos perante os interesses que serve.

Pedro Passos Coelho, orgulhoso por poder governar sob as ordens do FMI, deve ponderar melhor as escolhas que faz dos jornalistas que convida para jantar, apesar dos esforços dos seus súbditos, incansáveis na tentativa de lhe prestarem um inestimável serviço.

O call-center de Belém

A magistratura activa prometida por Cavaco faz-me lembrar um call center. A gente liga, fica pendurada uma data de tempo à espera que alguém responda do outro lado. Trinta segundos depois de atenderem pedem-nos para esperar um momento e assim se passam mais alguns minutos. Ao fim de meia hora, quando estamos quase a ser vencidos pelo cansaço, vem alguém que finalmente esclarece:

“Lamento mas não posso resolver o seu problema Há mais alguma coisa em que lhe possa ser útil?”

A diferença é que em relação aos operadores de call center, nós podemos insultá-los e a Cavaco somos obrigados a tratar com deferência.

Morning call (11)


Lula da Silva chegou ontem a Portugal. Hoje chegará Dilma Roussef. Ontem à noite ouvi Lula a falar sobre Portugal antes do jantar com Sócrates e vi a entrevista de Miguel Sousa Tavares a Dilma.

Devo dizer-vos que senti uma paz interior que só os sul-americanos ( seja qual for a sua proveniência) me conseguem transmitir. Em cada palavra há serenidade, um compromisso sincero com a melhoria das condições dos povos dos seus países, tão diferente dos fala-barato da nossa politiquice caceteira, movida exclusivamente por interesses pessoais.

Por momentos pensei como Portugal poderia ser mais feliz se em vez de se voltar para a aniquilosada Europa cheia de vícios, tivesse apostado mais nas relações com a América Latina. Apesar da chuva, fui deitar-me mais tranquilo. Como se tivesse passado um serão em família e tivesse resolvido os problemas que me atormentam.

Blogs no feminino

Catarina Campos
Eva Gonçalves
Presidiária

Late night wander (71)

Recomendo-vos a leitura deste post e o visionamento do video. Pela lucidez de quem escreveu e pelas imagens que testemunham.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Vai formoso e bem seguro..

Há tempos manifestei a minha desconfiança pelo facto de ver a direita entusiasmada com a possibilidade de António José Seguro substituir Sócrates. Depois torci o nariz com esta indignação. As posições por ele tomadas nos últimos dias, transformaram as minhas desconfianças em certezas. Seguro não teve coragem de avançar contra Sócrates. Prefere fazê-lo quando o prazo de validade do actual líder do PS tiver chegado ao fim e for mais fácil aparecer como alternativa. Seguro é um seguro de vida para Passos Coelho. Por isso a direita gosta tanto dele...

Mulheres do Mundo (9)

Mercedes Sosa


Nasceu em 1935 em Tucuman, a província mais pobre da Argentina. Filha de trabalhadores rurais, teve uma infância modesta mas sem problemas e aos 15 anos venceu um concurso de rádio local, cujo prémio era um contrato para actuar durante dois meses em estúdio.Apaixonada pela dança e pela canção popular, Mercedes Sosa recebeu influências de Atahualpa Yupanqui, o maior divulgador da música folclórica argentina, que aos 10 anos foi viver para Tucuman. Tornou-se, assim, uma das primeiras vozes a integrar o Movimento Novo Cancioneiro, nascido na região andina do Cuyo, na província de Mendoza, cujo objectivo era recuperar o folclore local. Só em 1965, depois de participar num festival de folclore, Mercedes Sosa obtém o reconhecimento de toda a Argentina. Devido à sua longa e farta cabeleira preta, passa a ser conhecida como ”A Negra”.

Quando faz a sua primeira tournée pela Europa, em 1967, a sua voz, a postura e a mensagem ideológica que traz nas suas canções contribui para que rapidamente seja comparada a Violeta Parra, a quem mais tarde dedicará um disco com interpretações de temas da popular cantora chilena.Durante o seu périplo europeu actuou em Lisboa e Porto. Os censores desconheciam o envolvimento político de Mercedes Sosa, pelo que não levantaram obstáculos à realização dos concertos. Não deixa de ser curioso, porém, que na mesma altura exercessem forte vigilância sobre Zeca Afonso, Fausto ou José Mário Branco e proibissem os discos de Luís Cília, então exilado em Paris...

A forte componente contestatária das canções de Mercedes Sosa não agradou à ditadura argentina e, em 1979, quando dava um concerto na cidade universitária de La Plata, foi detida e proibida de cantar na Argentina. Os seus discos desapareceram das discotecas mas, em algumas livrarias e locais de tertúlia da Av Corrientes, vendiam-se clandestinamente cópias compradas na Europa.

Exilou-se em Paris, tendo a sua primeira actuação europeia sido em Lisboa, na Festa do Avante. Quando regressa à Argentina - um mês antes do início da Guerra das Malvinas, que representou o início da agonia da ditadura - Mercedes Sosa já é uma figura popular em toda a América Latina. As suas canções – onde critica o consumismo, as desigualdades sociais e a opressão dos povos pelas ditaduras- a sua cabeleira negra e o seu inseparável poncho eram símbolos dos jovens latino-americanos.

Voz da resistência e da revolta , era também um símbolo dos jovens europeus, surgindo sempre o seu nome, a par de Violeta Parra e Victor Jara, como um dos mais importantes da música sul-americana.Intervirá na política até à morte. Nos anos 90 declara-se uma feroz opositora de Carlos Menem, o presidente argentino que conduziria o país, em 2001, ao maior desastre financeiro da história do pais das Pampas, conhecido como Corralito.

Com a queda de Menem apoia Nestor e Cristina Kirchner .Entre um vasto rol de distinções que lhe foram atribuídas um pouco por todo o mundo, destacam-se a francesa “Ordem da Comenda das Artes e Letras” , o prémio de Música da UNESCO, como reconhecimento da importância da sua música na aproximação entre os povos e o Prémio UNIFEM, que sublinha a sua luta em defesa dos direitos das mulheres.

A sua discografia é vastíssima e cheia de sucessos celebrados no mundo inteiro, tendo gravado e actuado em concertos nas mais prestigiadas salas de todos os continentes, a solo ou ao lado de alguns dos nomes mais sonantes da música latino-americana ( Fito Paez, Milton Nascimento, Pablo Milanés ,Chico Buarque…), mas também da música internacional, como Sting, Pavarotti, Shakira ou Joan Baez .

No ano 2000 realiza um dos seus maiores sonhos: interpretar a obra suprema do folclore argentino: “Misa Criolla”. Pouco depois a saúde impede a sua aparição em público, só voltando a actuar em 2005. Continuou a dar concertos por todo o mundo até pouco antes da sua morte, a 4 de Outubro de 2009. Curiosamente, o dia de aniversário de Violeta Parra.

Notícias, ou manipulação?

Percebo perfeitamente que o PSD queira manipular a opinião pública, interpretando abusivamente o D.L. 40/2011 e fazendo passar a ideia de que aumenta a discricionaridade nas contratações públicas e o despesismo do Estado. É uma mentira que rende votos e o PSD- já muitos perceberam- pede uma campanha digna mas pretende ganhar as eleições semeando mentiras diariamente na comunicação social que, tal cachorrinho obediente, vai atrás do dono.


Lamentável é que os jornalistas não tenham qualquer sentido crítico e debitem mentiras e inanidades reveladoras de total ignorância. Na prática, nada mudou em relação ao que sempre esteve estipulado nesta matéria. Em termos muito prosaicos o que o DL 40/2011 estabelece corresponde ao mesmo que o seu patrão, que lhe paga 500€ mensais, lhe dizer que pode gastar 2000. Poder pode mas,como não tem dinheiro, o leitor fica com os mesmos problemas.


Confesso que fico com dúvidas se as notícias divulgadas na comunicação social ( e provavelmente na blogosfera que não tenho tido tempo para ler) são apenas fruto da ignorância e preguiça de quem as escreve, ou se fazem parte de uma estratégia concertada de manipulação da verdade.


Figura da semana

Carlos Queiroz
Convidado para treinador da selecção nacional depois da deserção de Scolari, Carlos Queiroz revelou-se um treinador sem chama, incapaz de empolgar os portugueses. No campo revelou alguma incoerência e muita teimosia e fora dele, à medida que os resultados colocavam em dúvida o sucesso da selecção no Mundial, foi aumentando a arrogância no diálogo com a comunicação social. Ao que consta, também não terá sido hábil no balneário, onde terá acentuado clivagens em vez de cultivar a harmonia.

Quando Madail o convidou, terá pensado na possibilidade de reeditar, na selecção principal, os êxitos alcançados por Queiroz com a selecção de juniores, à frente da qual nos deu dois títulos mundiais. Depressa se percebeu que tal não seria possível e que o contrato assinado até 2012 teria de ser rompido, sem que daí adviessem grandes prejuízos para os cofres da Federação Portuguesa de Futebol.

De bestial, Queiroz passou a besta. Nada demais, pois essa é uma situação vulgar no mundo do desporto. Menos normal é que se tenha posto em dúvida a idoneidade moral do seleccionador nacional, acusado de tentar impedir a realização de um controlo anti-doping. Choveram acusações de todos os lados, inclusive de um membro do governo que tinha a obrigação de se remeter a silêncio. A imagem de Carlos Queiroz ficou manchada na opinião pública, tal a gravidade das acusações que lhe foram imputadas.Seis meses depois, o Tribunal Arbitral do Desporto ( instância internacional) veio dar razão ao ex-seleccionador nacional, afirmando que as acusações que lhe foram feitas pelo organismo de controlo anti-doping nacional eram infundadas e não se justificava a punição que lhe tinha sido aplicada (suspensão por seis meses).

Queiroz reagiu violentamente e logo surgiram vozes a pedir que se calasse. Como se um homem injustamente acusado não tivesse o direito de exigir que a sua imagem fosse reabilitada. Criticável é o silêncio de uns quantos que na comunicação social e na blogosfera crucificaram Carlos Queiroz e agora se remetem a um silêncio cobarde, como se nada se tivesse passado.Na altura defendi Queiroz e hoje volto a fazê-lo em nome da dignidade de um homem que não foi feliz à frente da selecção nacional, mas não merecia ter sido vilipendiado da forma ignóbil como foi.

A sua escolha para figura da semana é também um repto para que os cobardes da bloga e da comunicação social, que engrossaram o grosso das críticas a Queiroz, com acusações torpes e inqualificáveis, tenham a humildade de lhe pedir desculpa pelo mal que lhe fizeram.

Vem aí o martírio

A campanha eleitoral ainda vem longe mas, até lá, preparemo-nos. Já não é suficiente estar atento às notícias manipuladas e caluniosas ( lembro que nas legislativas de 2005 alguns jornais diziam que Sócrates era homossexual e em 2009 envolveram-no no processo Freeport. Qual será a versão 2011?) teremos de aguentar também com sondagens quase diárias.
Seria o menos, porque não é (muito) difícil perceber quais são as “encomendadas” e as independentes. O problema é que depois vamos ter jornais e jornalistas a interpretarem cada sondagem à sua maneira. Como a maioria dos leitores não vai perder tempo a lê-las, o efeito das gordas é que fica no ouvido do cidadão comum. Pronto, vai ser um martírio, mas temos de nos habituar. A bem da democracia...

Blogs no feminino

Helga

Pepita

Tulipa

Late night wander (70)

Uma coisa é certa. Quando um candidato a primeiro-ministro começa a fazer comunicados em inglês e a dar entrevistas a agências estrangeiras, em vez de falar verdade aos portugueses, não está interessado no país. Está apenas preocupado em ir ao pote e nas tintas para o seu povo.

domingo, 27 de março de 2011

Feijoada de caracóis


A feijoada de caracóis é um pitéu delicioso. O problema é que o único restaurante que conheço onde ela é bem feita, é o Chico Elias em Tomar. Ora, em tempo de crise, ir a Tomar de propósito para almoçar é um bocado dispendioso. No entanto, depois de ler isto na sexta-feira, não resisti. E ontem lá fui saciar o apetite. Estava óptima, mas não tão boa como habitualmente. À noite, no Hotel dos Templários, onde acabei por pernoitar, asseguraram-me que o problema é da qualidade dos caracóis . É que agora são fornecidos pela São Caetano, onde parece que abundam estes gastrópodes hermafroditas.

Eles prometem melhorar a vida dos portugueses (5)

Pedro Passos Coelho chumbou o PEC 4 porque considerava inaceitáveis os sacrifícios que estavam a ser exigidos aos portugueses. Agora, vem dizer que afinal quer um PEC ainda mais duro. Não me espanta... o que me surpreende é que ele e os jornlaistas disfarçados de bloggers que com ele privam, continuem a defender que o mntiroso é Sócrates.



Eles prometem melhorar a vida dos portugueses (4)

Cortando o 13º mês

Divas para sempre (8)

Elizabeth Taylor

Não sejas mau p'ra mim...

Já tenho ouvido por aí muitas críticas aos carros eléctricos. A prova de que são injustas, está aqui. Alguém já tinha ouvido falar desta senhora? Mas a verdade é que ela existe e, sem os carros eléctricos, nunca a conheceríamos.

sábado, 26 de março de 2011

Saturday night (on the rock)

Estamos na Primavera , a estação bipolar. Parece-me que esta canção se enquadra bem nesse espírito.

Hora de Verão

Não se esqueça de adiantar os relógios uma hora, porque tem imensas vantagens:
- pode levantar-se uma hora mais tarde sem receio de que alguém lhe chame "dorminhoco";
- vive menos uma hora de crise;
- tem menos uma hora para ouvir as contradições do Coelho;
- poupa na conta da electricidade.

Quando a geração à rasca...

...sabe desenrascar-se e acredita nas suas capacidades, as coisas correm melhor.

Humor de fim de semana ( sem palavras)

A comunicação entre homens e mulheres


Divas para sempre (7)

Rita Hayworth

Uma flor na Primavera


A Adélia ofereceu-me esta flor. Muito obrigado, amiga. Vou deixá-la aqui e prometo regá-la com a minha amizade.

Late night wander (69)

A prova de que eleger Cavaco Silva foi uma inutilidade e que Portugal perdeu a sua soberania foi dada pela senhora Merkel. Numa hora, conseguiu aquilo que o nosso PR nem sequer tentou

sexta-feira, 25 de março de 2011

Orelhas de burro


Quando era miúdo, era prática comum os professores primários colocarem orelhas de burro nos alunos cábulas e mal comportados, exibindo-os perante os colegas da forma que a imagem documenta.
Nesse tempo não havia Internet, os meninos brincavam no recreio e liam histórias infantis como “O Príncipe com orelhas de burro”. Agora, em plena era tecnológica e com a proibição de os professores chumbarem os alunos cábulas e mal comportados, ou lhes aplicarem qualquer castigo, seria impensável ver nas salas de aula um espectáculo tão deprimente.
Vem isto a propósito das ocorrências que ontem marcaram o país. Depois de chumbar o PEC IV sem apresentar alternativas, o candidato a primeiro-ministro Pedro Passos Coelho mostrou ao país que não tinha estudado a lição e a primeira medida que anunciou foi o aumento do IVA para 25%. Choveram críticas e puxões de orelhas dos seus correligionários laranjas. Marcelo Rebelo de Sousa deu-lhe outro puxão de orelhas por não ter apresentado alternativas. Disse-lhe que devia ter aprovado o PEC e depois apresentado uma moção de censura.
Coelho refugiou-se em Bruxelas, à procura de conforto no colo da mamã Merkel, mas deve ter ficado surpreendido porque, logo à chegada, ela deu-lhe outro puxão de orelhas e remeteu-o para uma sala onde estavam os seus amigos do Partido Popular Europeu. Sentou-se na sua cadeira e os colegas logo formaram fila para lhe puxar as orelhas , recriminando-o por não ter aprovado o PEC. Terminada a cerimónia, entraram os senhores das agências de rating que também quiseram molhar a sopa, dando-lhe uns calduços e quando se foi despedir de Durão Barroso recebeu três puxões de orelhas e duas palmadas no rabo.
Pedro regressou a Lisboa cabisbaixo. Ninguém lhe tinha posto orelhas de burro, mas com tanto puxão de orelha sentia que as suas tinham crescido desmesuradamente. No avião pediu os jornais, na esperança de receber algum conforto dos jornalistas a quem convidara dias antes para jantar mas, “oh infâmia!”, deparou-se com imensas críticas logo nas primeiras páginas. Ao chegar a Lisboa, uma jovem dirigiu-se-lhe sorridente. Pedro pensou com os seus botões “finalmente, alguém que me vem apoiar" e retribuiu o sorriso.
Puro engano. A jovem que se aproximou dele com um sorriso era a Martinha. Cumprimentou-o e entregou-lhe uma carta. Já no carro Pedro começou a ler. Começava com um provérbio chinês:
"Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida."
Pensou telefonar para Belém a pedir ajuda, mas optou por desabafar no Facebook:
“ Pai,fui eu pedir-te conselhos e foi este belo sarilho que me arranjaste?”
Chegou a casa já a família estava a jantar. A mulher tinha preparado um belo coelho estufado.

Menina de aluguer (rewind)


Aos cinco anos, Laura conheceu pela primeira vez o significado da palavra "desemprego".Com apenas dois, os pais alugavam-na diariamente a uma vizinha que a utilizava como chamariz para pedir esmola junto de pessoas condoídas.
"Beliscava-me para eu chorar e às vezes batia-me até ficar negra, para que as pessoas sentissem pena"- explica sem grande ressentimento.
Um dia, três anos mais tarde, Laura foi devolvida aos seus progenitores por alegadamente estar excessivamente pesada e já não despertar "sentimentos de caridade".
No dia em que deixou de ser "menina de aluguer", Laura foi sovada com chicote pelo pai que a acusava de comer demasiados doces que os clientes de uma pastelaria das Avenidas Novas frequentemente lhe ofereciam.Meses mais tarde, carregando com a culpa de "não servir para nada e ter sido despedida", Laura entrou para uma escola primária na zona do Lumiar.
Desses tempos, recorda uma professora bondosa e de olhar sereno que constantemente a acarinhava e incitava a estudar "para ser uma grande mulher", mas o sentimento de culpa não a largava e Laura, mal terminadas as aulas, ia expiar as suas culpas vendendo "pensos rápidos" aos automobilistas que passavam na zona do Campo Grande.Laura repartia o seu tempo entre as filas de trânsito e a escola. E assim foi crescendo, alheia ao mundo que a rodeava, emoldurado de crianças iguais a ela, brincando com "Barbies", sem direito ao sonho de um dia casar de grinalda e flor de laranjeira com o "Ken" do conto de fadas da sua imaginação.
"Menina de aluguer" nasceu... também assim cresceu!
A Laura que hoje está diante de mim, sentada à mesa de um "bar americano", tem 19 anos e uma filha de apenas dois, para quem reserva os melhores momentos. No ecrã de uma televisão distante, desfilam figuras de telenovela às quais não se pode equiparar, mas que nela despertam as recordações dos tempos em que o pai e um tio a perseguiam à compita, atraídos pelo despertar de um corpo "de cobiça". Por trás de um verde olhar mesclado de tristeza, esconde-se ainda uma esperança no futuro com que sonhou no dia em que, incapaz de suportar as disputas familiares e já apaixonada pelo Marco, a ele se entregou , em troca de promessas de "Liberdade". Foi esse o dia da partida (tinha então apenas16 anos) para um destino incerto que "quis o acaso" a conduziu ao mesmo bar onde hoje, em troca de uma garrafa de espumante, me conta a sua ainda curta vida. Vida povoada de sonhos, onde cabe ainda a força para terminar o 11º ano e arrostar com as dificuldades de uma licenciatura como assistente social "porque não quero mais ver crianças a sofrer como eu sofri".
Dos tempos repartidos entre o Campo Grande e a escola, passou a tempos divididos entre o aconchego a clientes da noite e o prazer de "viajar" na companhia dos livros que a acompanham até ao local de trabalho. "Sabe, a vida da noite não está fácil e muitas vezes, como não há clientes, aproveito o tempo para estudar ou para ler".O patrão, caso raro, também se mostra compreensivo . Perante a força indómita de Laura e a sua "fúria de aprender", quando a noite "está mais fraca" lá a manda para casa, para os braços do seu Marco,onde desfruta de alguns momentos de ternura partilhados com Daniela, a filha de um momento de liberdade.

Caloteiros!

O secretário de estado da Justiça, José Magalhães, disse há dias numa conferência, que na justiça tributária há milhares de processos pendentes e acções por executar, num valor que ultrapassa os sete mil milhões de euros.
A monstruosidade deste número torna-se ainda mais relevante, se constatarmos que a cobrança desses valores seria suficiente para Portugal quase eliminar o défice. Mesmo dando de barato que o Estado não consiga recuperar a totalidade das dívidas que reclama, a diminuição do défice seria significativa, se a justiça tributária funcionasse de forma célere. Ou, dito de outra maneira, se fossemos um povo com consciência cívica e não um bando de caloteiros videirinhos.

Blogs no feminino

Ana ( de Amsterdam)

Helena Ferro de Gouveia

Sofia Loureiro dos Santos

Late night wander (68)

Associar Pedro Passo Coelho a renovação na política portuguesa é esquecer que ele é um profissional da política formado na JSD, que sempre quis viver da política. Não para a política, como demonstram os últimos episódios.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Eles prometem melhorar a vida dos portugueses (3)

Os pensionistas podem estar descansados

Eles prometem melhorar a vida dos portugueses (2)

Lá por fora, já se vêem os primeiros sinais

Eles prometem melhorar a vida dos portugueses (1)

Aumentando o IVA. Para começar, esta divergência logo no primeiro dia de pré-campanha eé prometedora.

Sócrates e o síndrome Pinto da Costa

Do debate de ontem na AR sobressaiu uma questão que nos devia preocupar a todos. Mais do que um ataque às políticas, houve um ataque "ad hominen". Toda a oposição foi clara: Sócrates não!
Nunca fui fã de Sócrates, que conheci pessoalmente quando era secretário de estado do ambiente e defesa do consumidor mas, sinceramente, gostaria que me explicassem as razões de tanta animosidade (só falta mesmo publicar um decreto a estabelecer que Sócrates não poderá voltar a candidatar-se).
Vou adiantar algumas hipóteses: será por tudo que se escreveu nos jornais e se disse na comunicação social acerca dele? Será porque, inconscientemente, as pessoas assumiram como verdadeiras as acusações que lhe foram feitas em casos obscuros como o Freeport ( pela comunicação social, não pelos Tribunais)? Será porque ficou nas nossas cabeças a acusação da aia de Cavaco, de que ele é mentiroso?
É verdade que Sócrates governou (quase) sempre em prejuízo dos mais desfavorecidos e foi, muitas vezes, insensível aos seus problemas. Mas Cavaco também e hoje é, desgraçadamente para a maioria dos portugueses, Presidente da República. Ataque-se Sócrates pela sua política, pela sua arrogância, pela sua insensibilidade, pela sua teimosia, mas não me parece justo que não se lhe reconheçam as qualidades que também tem: é corajoso, lutador, perseverante e tem uma capacidade de resistência notável.
Os ataques a Sócrates fazem-me lembrar, por vezes, os ataques a Pinto da Costa. Tudo o que acontece ao Benfica é, para a comunicação social desportiva, ainda que por vezes de forma velada, culpa do presidente do FC. do Porto. As agressões ( condenáveis) a dirigentes benfiquistas, as derrotas do Benfica, têm sempre um culpado: Pinto da Costa. Porque foi o mandante dos agressores, porque comprou árbitros para prejudicar o Benfica, etc.
Também há muitas coisas que não gosto em Pinto da Costa, mas estar-lhe-ei eternamente grato pela forma como projectou o nome do FC do Porto a nível internacional e pelas alegrias que me deu. Compreendo que os benfiquistas o queiram ver pelas costas, de preferência irradiado do futebol, porque isso enfraquecerá o FC do Porto e permitirá ao Benfica voltar a ter a hegemonia que perdeu há 30 anos. É isso que os benfiquistas não lhe perdoam.
Apesar de não ser fã de Sócrates - e foram muitas as vezes que aqui o critiquei- de saber que errou, prejudicando sempre os mesmos, de preferir que fosse outro o candidato apresentado pelo PS nas próximas eleições, admiro a sua perseverança. Não vira as costas à luta, vai a jogo, tem ânimo de vencedor. Reconheço,por isso, que neste momento será o único candidato capaz de evitar uma derrota do PS nas próximas eleições.
Já quanto a Passos Coelho, confesso-vos que tenho muito medo do futuro dos portugueses se ele vier a ser primeiro-ministro. As razões são várias e já aqui as enunciei, mas há uma fundamental: ele apenas vai a jogo, neste momento, porque viu ameaçada a sua liderança no PSD, pelos cavaquistas. Não se candidata para defender os interesses de Portugal, mas sim empurrado pelos seus adversários internos. Por isso se recusou a negociar, apresentando alternativas. A isso eu chamo má-fe. E um primeiro ministro assim, ainda por cima refém de Cavaco- como brevemente iremos perceber- será fiel servidor da estratégia de poder traçada por Belém. Ontem, MFL foi a pitonisa de serviço para interpretar o oráculo cavaquista: as medidas a aplicar serão as previstas no PEC ( eu diria que ainda piores, mas esperemos para ver) mas terão mais credibilidade por ser o PSD a aplicá-las.
Não me admira, por isso, se Sócrates ganhar novamente as eleições. Como diz o povo " para melhor está bem, para pior já basta assim..."

Prova oral

Era ainda jovem, tinha trocado o consultório por um emprego na administração pública, embalado por promessas de amanhãs que cantam. Vestiu a camisola de funcionário público com pundonor. Trabalhava 10 a 12 horas por dia e fins de semana, sem reclamar horas extraordinárias. Até gostava de ter um dia de folga a meio da semana.
Tudo parecia correr bem, até ao dia em que a chefe lhe deu uma ordem oralmente. O assunto era delicado e ele pediu que a pusesse por escrito.
“ Não te chega a minha palavra?”- perguntou ela ofendida.
Com a ingenuidade dos 20 e poucos anos, via na chefe uma amiga e anuiu.A ordem foi cumprida, mas deu para o torto. Ela negou alguma vez ter dado a ordem e ele tramou-se. Nunca mais aceitou ordens orais que lhe cheirassem a esturro.
Ao fim de alguns anos abandonou a função pública, regressando à actividade privada. Hoje, diz que nunca viu tantas mulheres sacanas por metro quadrado, como na administração pública. Por isso acredita na ingenuidade de Paulo Machado, apesar de o ex- DGAI já ter idade para ser mais astuto.

A esquerda no seu Labirinto


Como é óbvio, PCP e BE não podiam votar favoravelmente este PEC. Se o fizessem, estariam a trair o seu eleitorado. No entanto, ao chumbarem o PEC, poderão ter oferecido de mão beijada à direita a possibilidade de chegar ao poder e exercer a sua política ainda mais ruinosa para os portugueses e que os privará- como já há dias aqui escrevi- dos resquícios que restam das conquistas de Abril.
Se a direita vencer as próximas eleições com maioria absoluta poderá agradecer à esquerda o empurrão decisivo que lhe deu. E irá legitimar a execução de um outro PEC, não muito diferente do que agora chumbou, porque não tem outra saída. As diferenças que poderão existir significarão mais desemprego, mais redução dos salários, o fim da função social do Estado e a entrega aos privados das empresas públicas lucrativas, como a RTP e a TAP, da Caixa Geral de Depósitos, etc.
Não se assaquem, porém, culpas à esquerda. Fez aquilo que lhe era exigido e a que foi obrigada pela política seguida por Sócrates. Como previa há dias Mário Soares, Sócrates pagou caro a sua “ousadia”, ao apresentar em Bruxelas um PEC, sem passar cartão a Cavaco. O mesmo que Passos Coelho se prepara para fazer ao povo português, candidatando-se sem apresentar alternativas. Esperemos que os portugueses não se deixem enganar…

Blogs no feminino

Isa

Mary

Sun Iou Miou

Late night wander (67)

Hoje começa a campanha eleitoral. Aqui no CR abriu a caça ao coelho. Noutros, começou a fase da lambidela ao coelho, inaugurado com um jantar convívio onde estiveram presentes alguns jornalistas disfarçados de bloggers.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Cavaco falou no debate pela boca de Manuela

Impedido de discursar durante o debate, Cavaco mandou recado através da sua aia:
"O que interessa não são as medidas do PEC , mas quem as aplica"- afirmou Manuela Ferreira Leite.
Estava dado o recado de Cavaco aos portugueses, que Sócrates e Teixeira dos Santos não ouviram. Nem precisavam. Desde o discurso de tomada de posse do PR, já sabiam que o objectivo de Cavaco era colocar o PSD no Governo. Manuela Ferreira Leite como Ministra das Finanças, será a moeda de troca cobrada por Cavaco a Pedro Passos Coelho para avalizar a rasteira ao governo que o seu enfermo Conselheiro de Estado (António Capucho) preconizou há dias? A intervenção (quase triunfalista e com cheiro a vingança) de Manuela aponta nesse sentido. E, se assim for, Cavaco conseguirá, com um malabarismo, satisfazer o seu secreto desejo de ter a amiga no governo. Com os poderes que ele próprio impuser a Passos Coelho.
Estamos conversados...

Haverá coragem para os demitir?

Todo o processo foi aberrante e bem revelador dos podres que minam a credibilidade das instituições mas, se houver um mínimo de dignidade, Luís Horta e os médicos envolvidos serão despedidos amanhã. A sua arbitrariedade não pode ficar impune. Madail já foi corrido da Europa futeboleira ( não foi reeleito vice-presidente da UEFA) e Laurentino Dias está a fazer as malas. Seria muito mau se os executores se ficassem a rir nos seus postos de tiranetes.

De Perry Mason ao CSI


Não sou grande apreciador do CSI e séries similares, onde as novas tecnologias ajudam a descobrir os crimes mais intrincados. Continuo a preferir a capacidade argumentativa de Perry Mason, a subtileza de Poirot ou a perspicácia do inspector Columbo, cujas únicas armas eram a inteligência. Dirão que sou cota e provavelmente têm razão mas, há tempos, a capa do gratuito “ Metro” rezava:“Eles desconfiam das cuecas delas” e dei comigo a pensar sobre o assunto...

Ainda ensonado e um pouco surpreso com o título, corri até à página 4 para ler a notícia. Fiquei então a saber que há maridos que roubam as cuecas às mulheres e mandam analisá-las no laboratório, para saberem se a mulher lhes está a ser infiel.
Ao que parece, o método de investigação adoptado pelos “machos” portugueses foi induzido pela série policial CSI, o que permite inferir que os tugas vêem mais televisão do que se pensa.No entanto, parece haver outros machos que preferem recorrer a métodos artesanais e compram kits na Internet que permitem detectar a existência de sémen nas cuecas da consorte.Outros, mais sofisticados, preferem armar-se em detectives privados e compram o “Spy GPS”. Pela módica quantia de 379 euros , passam a controlar todos os movimentos da mulher e ainda têm como bónus, direito a escutar as conversas da cônjuge.
As novas tecnologias prometem transformar os portugueses em “cuscas” profissionais. Incapazes de usar a inteligência, os tugas preferem a electrónica para se certificarem se são “cornos”. Não era mais fácil utilizarem os instrumentos que a Mãe Natureza lhes deu à nascença? Estão a perceber porque disse, logo no início do post, que preferia o Perry Mason ao CSI?

Abram as janelas!

Está um ar irrespirável neste país. Tenho a impressão que a culpa é de um Coelho que fez cocó e não puxou o autoclismo. Convoquem-se eleições já e abram-se as janelas. Deixem os portugueses arejar as ideias e castigá-lo nas urnas.

Blogs no feminino

Pólo Norte
Teresa C.
Vera

Late night wander (66)

Quando Pedro Passos Coelho for Primeiro - Ministro os comunicados do Conselho de Ministros também serão feitos em inglês?

terça-feira, 22 de março de 2011

Brutus e Pilatos

De regresso a Lisboa fico a saber que Sócrates não está disponível para governar com o FMI. Parece-me uma atitude sensata. Já Pedro Passos Coelho não só parece estar disponível, mas também ansioso por o fazer. Ao inviabilizar o PEC IV, recusando qualquer negociação, PC assume-se definitivamente como o "betinho" de vida fácil que passa a vida a lamentar-se e a culpar os outros da má-sorte, mas quando lhe perguntam se quer trabalhar apenas responde "arranjem-me um emprego", porque não sabe o que quer fazer na vida, excepto ter um bom ordenado.

É verdade que o PEC IV revela a insensibilidade de Sócrates em relação aos trabalhadores, a quem são pedidos todos os sacrifícios, enquanto continua a manter intocáveis os privilégios da banca, mas alguém acredita que PPC irá proteger os interesses dos desempregados e de quem trabalha? A entrada do FMI em Portugal permitir-lhe-á arranjar desculpas para ser o coveiro das derradeiras esperanças dos portugueses e mitigar a sua visível falta de preparação para conduzir os destinos do país. Enquanto expõe Portugal ao ridículo, salva a pele, satisfazendo a gula dos seus correligionários interessados em ir rapidamente ao pote e prontos para o apearem no caso de o PSD continuar a assistir, na oposição, ao desenrolar dos acontecimentos.

A atitude de PC não revela apenas a traquinice de um catraio que passa uma rasteira ao inimigo da turma, para ficar bem visto junto dos colegas. Revela também irresponsabilidade que tresanda a traição. Além de recusar qualquer negociação, não apresenta alternativas e duvido que as venha a apresentar na campanha eleitoral, porque confia numa vitória nas eleições. Não pelo mérito, mas pelo cansaço dos portugueses em relação a Sócrates. Votar em PC será um suicídio colectivo dos trabalhadores portugueses, dos desempregados e mais desfavorecidos. Como disse um dia Marcelo Rebelo de Sousa, o líder do PSD é uma versão de Sócrates...mas pior!

Enquanto PC se comporta como Brutus, Cavaco continua a portar-se como Pilatos. Permanece em silêncio, como se não fosse nada com ele. Não é tão estranho como possa parecer este conceito de magistratura activa do PR. Afinal, não escreveu na ficha da PIDE que estava integrado no regime do Estado Novo? Talvez sinta saudades...

Gostava que as próximas eleições, com o país mergulhado numa crise em que PS e PSD não estão isentos de culpas, fossem aproveitadas pelo povo português para dar um correctivo a ambos. Infelizmente não tenho ilusões. Os portugueses não vão aproveitar as eleições para escolher um governo que mude a política ruinosa do país. Vão apenas escolher entre dois gestores da coisa pública, meros executores das ordens da senhora Merkel.

Quanto ao PR, inerte e inapto para a função, co-responsável na crise pela inação e pelo teor dos seus últimos discursos, deveria ter a dignidade de se demitir. Mas para ter dignidade também é preciso ter vergonha, por isso, vai tudo ficar na mesma. Aliás...pior, porque os custos de eleições para o país apenas contribuirão para agravar a crise e não para nos tirar do fosso que Cavco começou a cavar quando foi Primeiro Ministro.

Mulheres do Mundo (8)

Rugiatu Turay

Rugiatu Turay nasceu na Serra Leoa . É jornalista, tem 33 anos e foi sujeita à excisão feminina. Tinha apenas 12 anos e era órfã.
Inconformada, iniciou uma luta para evitar o sofrimento das crianças africanas a esta prática ignominiosa. Sabe que o peço a pagar pode ser a morte mas, embora conhecendo o perigo que corre, fundou em 2002 o Amazonian Initiative Movement, com um grupo de mulheres que conheceu num campo de refugiados na Guiné, onde esteve durante a guerra civil na Serra Leoa. Desde a criação do movimento, quatro activistas receberam ameaças de morte e abandonaram o movimento. Apesar de ameaçada- e mesmo depois de ser raptada por outras mulheres que a obrigaram a caminhar nua pelas ruas da cidade de Knema- continua a sua luta. Visita aldeias e vai às escolas, onde esclarece as excisoras sobre os perigos e consequências da excisão e tenta convencê-las a renunciar à sua prática.Afirma que já conseguiu demover cerca de 700 mulheres em 111 aldeias da Serra Leoa. Será uma ínfima parte, mas é pelo menos um começo.

A Química do amor


Há tempos, numa escola onde fui conversar com alunos sobre meios de comunicação, “obrigaram-me” a responder a um questionário baseado naqueles inquéritos idiotas que qualquer revista publica, pelo menos no Verão. Uma das perguntas era mais ou menos assim:
“ Que tipo de mulheres prefere? Loiras ou morenas?”
Respondi apenas: mulheres!
Os alunos encarregados de fazer a revistinha mensal da escola insistiram para que eu dissesse se preferia loiras ou morenas.Expliquei-lhes então que para mim não é importantea a mulher ser loira ou morena, alta ou baixa, gorda ou magra.
Para mim as mulheres sempre se dividiram entre feias e bonitas, mas não na aparência e sim pela química que me despertam.Um aluno mais inconformado perguntou-me então:
- Já se apaixonou por uma mulher feia e gorda?
Provavelmente já, respondi perante a estupefacção de alguns jovens. Depois acrescentei:
Para vocês, poderia ser gorda e feia mas, para mim, era uma mulher bonita. Porque me atraía e gostava de estar com ela em todas as ocasiões e me fazia feliz.
( Afinal não é também isso que se passa com as mulheres, em relação aos homens?)

Anti-repelente

Deixo-vos aqui a sugestão de um anti-replente especialmente recomendado para quando aparecem nos ecrãs alguns comentadores.

Blogs no feminino

Há dias assim
São
Teresa Santos

Late night wander (65)

Qual será o próximo ditador a quem o Ocidente irá vender armas, para depois o atacar em nome da democracia?

segunda-feira, 21 de março de 2011

Quem me ajuda?

Não estando em Lisboa, fui ver imagens na RTP I da manif de sábado. Pareceu-me grandiosa por isso, ontem à noite, quando cheguei ao hotel, procurei notícias na imprensa portuguesa on line. Apenas encontrei no DN uma referência, mas nada de números de manifestantes. Desta vez a imprensa portuguesa esqueceu-se de contar os manifestantes, ou porque se tratava de uma manif organizada pela CGTP - que não convida jornalistas disfarçados de bloggers para almoçaradas- isso não interessa nada? Se alguém puder ajudar-me, agradeço...

O reverso da medalha

Ainda não percebi bem se o Ocidente, agora liderado por um Sarkozy apanhado com a boca na botija, encetou mais uma cruzada para impor a democracia, se apenas pretende calar Khadaffi. Seja qual for o objectivo, sei que a coligação que entrou na Líbia para evitar a morte de civis, já fez várias vítimas e não me sai da cabeça aquele ditado popular " Tantas vezes vai o cântaro à fonte, que um dia lá deixa a asa". O problema é que quando a asa se partir, os cruzados estarão a bom recato e quem se lixa é o povo que não tem nada a ver com o assunto...

Figura da semana


Num tempo em que os autarcas são tão criticados, vale a pena destacar como figura da semana esta mulher que está a dirigir os destinos de Almada há mais de 20 anos.
Como muitos se lembrarão, Almada era o símbolo do caos urbano, pasto do lucro fácil,onde os patos bravos ditavam as regras de um crescimento assente no desordenamento.
Nascida em S. Bartolomeu de Messines, em 1944, Maria Emília de Sousa exerce funções autárquicas em Almada desde 1979, sendo presidente da Câmara desde 1987. Dizem alguns que tem exercido o seu mandato com mão de ferro, mas poucos serão os seus detractores que não reconheçam que só assim a presidente eleita pela CDU conseguiu por ordem no caos.Em vez de declarar guerra aos patos bravos, disciplinou-os e impôs-lhes regras.
Apostando na mobilidade, tirou os automóveis do centro urbano e ofereceu aos almadenses o metro de superfície. Há quem não lhe perdoe… mas quem hoje demande Almada vê bem como a cidade se tornou mais apetecível e agradável para viver.
A União Europeia reconheceu, na semana passada, o grande mérito do trabalho de Maria Emília de Sousa em prol da sustentabilidade urbana, ao atribuir a Almada o Prémio Europeu da Mobilidade. Um reconhecimento justo pelo trabalho de uma autarca que há uma década aposta forte na mobilidade.

Blogs no feminino

Atena
Formiguita
Teresa Fidalgo

domingo, 20 de março de 2011

Do futebolês ao politiquês ( ou a parábola da Europa)- uma reflexão domingueira


( Aviso: este post não é sobre futebol. É sobre o desprezo a que votamos a vida , ou esquecemos os nossos deveres de cidadãos, como poderão certificar-se se lerem este post até ao fim)
Sábado à tarde em Sevilha. Após lutar bravamente em campo, Abidal recolhe aos balneários do Sanchez Pijuan, com a habitual boa disposição que faz parte do seu ADN. Tomado o duche, regressa a Barcelona com os seus companheiros de equipa. Goza a folga concedida pelo treinador na manhã do dia seguinte. Passa o dia com a família que lhe preenche todos os momentos extra-futebol.
Na manhã de segunda-feira sentiu-se indisposto. Os médicos do Barcelona examinaram-no, foram com ele ao hospital fazer exames complementares. Diagnóstico: tumor no fígado. A operação foi marcada com urgência, porque a vida de Abidal corria sério perigo.
Poderia terminar por aqui, se o objectivo deste post fosse apenas reflectir sobre a vida e a forma como a delapidamos, porque nos julgamos eternos e recusamos admitir que o nosso destino é acabar num caixão, ou num montículo de cinzas ( a escolha é nossa) velados por amigos e inimigos que nos infernizaram a vida, mas nos prestam uma última homenagem prenhe de hipocrisia ou de remorso, para desconto dos seus pecados. Mas quero ir mais longe. Por isso, siga o post
A Espanha emocionou-se e pôs de acordo Real Madrid e Barcelona, separados por questiúnculas futeboleiras. Em Madrid, na última quarta-feira, defrontaram-se Real Madrid e Lyon ( clube onde Abidal jogou antes de se transferir para o Barcelona). Ambos os clubes quiseram homenagear o jogador francês e transmitir-lhe o seu abraço solidário, exibindo mensagens de apoio ao jogador durante o jogo da Liga do Campeões . Para o fazer foram obrigados a pedir autorização à UEFA, entidade que supervisiona o futebol europeu. Implacável, o organismo que atribui prémios de “fair-play” respondeu : Não, porque isso viola as regras!
Belo exemplo de “fair -play” da entidade que gere o futebol europeu. Só há solidariedade quando a UEFA autoriza e quem contrariar as suas decisões é severamente punido.Vai assim esta Europa do futebol chefiada por gente incapaz de discernir entre um gesto de solidariedade e uma arruaça. Mas se fosse apenas o futebol vá que não vá… o problema é que esta Europa construída há mais de meio século pela generosidade de dois homens, é hoje em dia dirigida, politicamente, pela maior tribo de corruptos, incultos, sádicos e incivilizados de que há memória desde Hitler. Foi esta gente, vendida aos interesses económicos, incapaz de um gesto de solidariedade, que assaltou o poder nos países europeus e incutiu nas “gerações à rasca” o conceito “salve-se quem puder”. Foi esta gente que lançou milhões de europeus para o desemprego e para a pobreza e encheu os bolsos da banca e se submeteu aos seus ditames a troco sabe-se lá de quê... Para essa escumalha a palavra solidariedade é impronunciável porque... viola as regras de conduta da miséria a que submeteram milhões de europeus.
À deriva, sem futuro, subjugados aos interesses do capitalismo selvagem que enriquece Merkl e Sarkozy, ou corrompe Berlusconni, os milhões de marginalizados são as vítimas de uma Europa à rasca que tão depressa apoia bandidos e ditadores, como os cumula de honrarias.
Há dias, Miguel Portas proferiu no Parlamento Europeu um discurso azedo e revoltado contra a decisão de aumentar as mordomias dos deputados e restante trupe de eurocratas que se sentam à mesa do orçamento europeu com a atitude farisaica de quem espalha esmolas pelo povo faminto, mas continua a viver no fausto ignominioso da luxúria. Não li na nossa imprensa, nem na imprensa internacional, uma única linha sobre o corajoso discurso de Miguel Portas.
Percebi, porém, que vivo numa Europa que se auto-proclama exemplo para o mundo “civilizado”, mas não passa de uma velha prostituta que se alimenta à custa das concubinas arregimentadas para o seu prostíbulo. Pagando-lhes o salário da subserviência com os impostos do povo, revoltado mas submisso, obnibulado pelo prazer de consumir e confortado com o poder das redes sociais.
Num apartamento de Paris, Marianne Le Pen, herdeira da extrema-direita francesa, sorri baixinho. Sabe que a sua hora está a chegar…

Divas para sempre (6)

Angelina Jolie

sábado, 19 de março de 2011

Saturday night ( on the rock)

Para se irem habituando, porque este vai ser o nosso hino dentro de algum tempo.

Humor fim de semana

Fim da tarde de sábado. O casal está em casa. Ela está impaciente. Às tantas pergunta:
- Não vais ao futebol hoje?
- Não, hoje não me apetece.
À noite o telefone toca
Marido: "Se for para mim, diz que eu não estou em casa."
Mulher vai ao telefone. Atende e responde: "Ele está em casa."
Marido: "Mas... que diabos!"
Mulher: "Era para mim!"

Divas para sempre (5)

Michelle Pfeiffer

Late night wander (64)


sexta-feira, 18 de março de 2011

Vou arejar

Como o ambiente por cá está irrespirável, esta manhã resolvi pirar-me por uns dias. Voltarei terça-feira. Deixo-vos uns posts até lá. Entre eles, está uma reflexão para domingo que vos desafio a comentar. Tenham um bom fim de semana. Até já.

Às vezes chegam cartas...


Arnaldo Pinheiro ( nome fictício) começou a trabalhar em 1971, com 22 anos, no departamento gráfico de um jornal de referência. Os tempos que se seguiram ao 25 de Abril ameaçavam o posto de trabalho no jornal e em 1979 arranjou emprego nos serviços de reprografia de um organismo do Estado.

“Ponderei a situação com a minha mulher que era funcionária pública e pensei: isto está mau, não sei se me aguento por aqui e a função pública é um emprego para a vida. Vou ganhar menos, mas tenho a garantia de um ordenado ao fim do mês. E os dois ordenados juntos permitem enfrentar o futuro com mais segurança”.
Com medo que Arnaldo mudasse de opinião, Palmira ( a mulher) fez questão de lhe lembrar que trabalhando no Estado até se poderia reformar mais cedo.
Antes dos 60 estamos cá fora e podemos ir gozar a reforma para a nossa terra”- lembrou-lhe repetidas vezes.
Arnaldo confessa que o reparo da mulher foi decisivo na sua decisão e que rapidamente abençoou a troca. “ Havia falta de pessoas com experiência na área da impressão e como trazia muita tarimba do jornal, tinha conhecimentos de “design” e jeito para escrever, estava sempre a ser chamado para ajudar a tomar decisões. Fazíamos muitas publicações e pude montar mesmo um pequeno parque gráfico, com máquinas modernas. Ficava todos os dias a trabalhar quando já todos tinham saído e muitas vezes ia trabalhar aos fins de semana, o que me dava um suplemento em horas extraordinárias, muito agradável.”.
Embora não tivesse as habilitações necessárias, Arnaldo foi nomeado Director do Serviço de Informação, ao abrigo de uma legislação na altura em vigor. “ Foram os melhores anos da minha vida. Trabalhava muito, mas consegui com a minha mulher juntar o suficiente para, em 1983 nos abalançarmos a contrair um empréstimo e trocar um T2 na Póvoa de Santo Adrião, por um T3 no Lumiar”.
Olhando para trás, Arnaldo lamenta ter deixado o curso a meio. Se o tivesse concluído, talvez não estivesse a viver momentos de angústia que lhe tiram o sono, o apetite e até a alegria de viver. Os tempos mudaram. Com as novas tecnologias, muitos dos serviços do Estado abandonaram a informação impressa e passaram a fazê-la apenas on line. Entretanto, Arnaldo foi substituído em 1998 e voltou ao seu lugar de operador de reprografia, o que significou um enorme rombo financeiro. Pretendeu frequentar vários cursos de formação que o habilitassem a trabalhar com as novas tecnologias, mas foi sempre preterido por funcionários mais jovens e com mais habilitações que iam entrando para o serviço. Os meses foram ficando mais longos e os vencimentos mais curtos. É certo que o filho já não é encargo. Completou o ensino secundário e emigrou para o Canadá, mas o empréstimo da casa tem de ser pago todos os meses, porque o banco não perdoa. Palmira, funcionária administrativa, foi colocada na mobilidade especial e passados dois meses estava a ganhar pouco mais do que o ordenado mínimo.
O mais grave, é que no dia em que recebeu a carta teve um acidente cardiovascular e o seu estado de saúde requer tratamentos dispendiosos. Arnaldo não disfarça a sua preocupação. “Estou à espera de receber a carta um dia destes. Na verdade, até tenho que reconhecer que é justo que me mandem embora, porque já quase não tenho trabalho. Mas há uma coisa que me revolta... Quando entrei para a Função Pública pensei que me poderia reformar aos 58 anos, que faço daqui a um mês. Agora, ao fim de 27 anos de função pública e nove no sector privado, parece que só me posso reformar aos 64 ou 65 e até lá vou receber dois terços do vencimento. Acho que não é justo! Como é que vou conseguir pagar as prestações da casa?”.
( Último artigo da reportagem que fiz para a revista "Dirigir" sob o título: "Desemprego depois dos 50: vidas cheias de nada?")

Rescaldo da noite europeia

Dentro de uma semana, talvez sejamos varridos para o quarto escuro da Europa onde teremos a companhia e gregos e irlandeses. Alguns festejarão a entrada do FMI em Portugal, graças a um Coelho assustado que, perante a ameaça de ser expulso da toca pelos seus correligonários, decidiu armar-se em aventureiro e dar um salto no escuro, arrastando os portugueses no seu delírio.
Ontem, na Europa futeboleira, não fomos varridos mas sofremos. Era esperada a eliminação do Sporting de Braga em Liverpool, em virtude do diferente potencial das duas equipas, mas os bravos bracarenses bateram-se galhardamente e regressaram ao Minho com o passaporte para os quartos.
Antes, já o Benfica sofrera bastante em Paris para eliminar uns aguerridos franceses, mas sem estofo para ombrear com as águias que passam à próxima eliminatória com todo o mérito.
Todos os portistas tinham esperança de ver seguir em frente o FC do Porto. E quando no primeiro minuto os azuis e brancos marcaram, respirámos de alívio. Com o segundo golo adormecemos, ignorando que os russos têm estofo europeu. Com algum desnecessário sofrimento até ao fim, lá acabámos por ganhar e juntar-nos a Benfica e Braga.
Agora, o mais provável será que duas equipas portuguesas se encontrem nos quartos. Façamos todos votos para que o sorteio não determine o embate entre águias e dragões.
Três equipas portuguesas nos quartos de final de uma competição europeia é feito inédito e um sucesso que merece ser assinalado mas, na Europa onde agora era mais importante permanecermos de cabeça erguida, estamos em risco de levar com umas "orelhas de burro" porque nunca mais aprendemos a ser europeus.

Blogs no feminino

Cristina Nobre Soares
Justine
Luísa

Late night wander (63)

A indiferença da comunicação social aos últimos discursos de Cavaco, a forma diferenciada como tratou o "Freeport" , o caso BPN, ou as ligações de Cavaco a Oliveira e Costa demonstram que em Portugal há liberdade de expressão, mas não há uma imprensa livre. Isso devia ser preocupação de todos, numa sociedade democrática. A começar pelos jornalistas...

quinta-feira, 17 de março de 2011

É hora de tomar decisões

É a todos os títulos criticável, a decisão de Sócrates ter escondido dos partidos o PEC IV imposto pela Alemanha. A oposição não é apenas o PSD. Sócrates foi arrogante e tem uma peculiar noção de democracia, mas isso não é novidade para ninguém.
Neste momento, o que importa é saber o significado da recusa de Passos Coelho em aceitar as medidas do PEC IV. Tem ele uma solução melhor para salvar o país? É óbvio que não. Entre ser vendido à senhora Merkel, à banca ou ao Soares dos Santos, venha o Diabo e escolha.
Terão de ser os portugueses a escolher o seu futuro numas eleições que agora parecem inevitáveis a curto prazo. Se continuarem a ter medo de votar na esquerda, já sabem o que os espera…
Sócrates não devia demitir-se se o PEC IV não for aprovado. Isso dará muito jeito à direita, mas deveria ser quem quer ir ao pote a tomar a iniciativa de apresentar uma moção de censura.
Reconheço que prefiro a teimosia do ainda PM à renúncia de Durão Barroso, que abandonou o barco para ir tratar da vidinha, mas creio estar na altura de os socialistas reconhecerem que Sócrates faz parte do problema e está na altura de preparar a sucessão. O Congresso está à porta, mas duvido que os socialistas aproveitem a oportunidade.

Aviso Importante!

Por razões de ordem "técnica" não poderei fazer hoje o habitual comentário à noite europeia. Por isso, não pensem que o silêncio se deve à eliminação do FC do Porto. Amanhã de manhã cá estarei a escrever sobre o assunto,seja qual for o resultado. O post que vai ser publicado esta noite foi, como este, pré-agendado.

O virtuoso Alexandre...

... afinal é apenas um ilusionista.

Mulheres do Mundo (7)

Violeta Parra

A história de Violeta Parra poderia ter sido igual à de muitos outros campesinos da América Latina. Condenada a trabalhar em condições miseráveis nas fazendas de colonos, lutando pela sobrevivência no amanho de pequenas leiras de terra - migalhas que os latifundiários desprezavam, por não serem rentáveis - ou dedicando-se ao fabrico de pequenas peças de artesanato, vendidas aos intermediários por uma côdea de pão.Cedo, porém, Violeta Parra combateu o destino.
Nascida numa pequena aldeia do sul do Chile, sem recursos para prosseguir os estudos, formou aos nove anos, com alguns irmãos, uma pequena trupe que cantava em circos, cafés e na rua, depois de ajudarem a mãe nos trabalhos do campo. Aos 12 anos começou a compor as primeiras canções e aos 17 já era uma autodidacta. Até 1952 (com 35 anos, um casamento e duas filhas), ganha a vida a cantar. Sozinha, com os irmãos e mais tarde com as duas filhas. No entanto, já fazia tapeçarias, cerâmica e pintura, expressando em cada peça as tradições populares chilenas. Nesse ano começa a percorrer o Chile, recolhendo elementos do folclore nos meios rurais.É no entanto a música que a traz até à Europa, onde viveu vários anos. A estadia em Paris foi um momento fulcral na sua vida. Aí gravou o primeiro disco e teve oportunidade de divulgar a sua obra de ceramista, pintora e tapetista. Com tal sucesso, que em 1964 se tornava na primeira sul-americana a expor no Museu do Louvre (em 1997, uma outra exposição teria lugar no mesmo local, com grande sucesso).
Quando regressa ao Chile, depois de uma curta estada na Argentina, leva um projecto em mente: criar um Museu do Folclore. O falhanço da iniciativa ter-lhe-á provocado um profundo desgosto. Mulher de amores conturbados, com uma extraordinária sensibilidade, suicidou-se em 1967. Uns dizem que foi por amor, outros que foi o desgosto provocado pelo insucesso do Museu de Folclore.
Morreu na maior indiferença, mas o seu legado tornou-se um símbolo da resistência. As suas canções foram cantadas pelos principais nomes da música latino-americana, como Victor Jara ou Mercedes Sosa.Embora nunca tenha tido grande intervenção política, as letras das suas canções denunciavam as injustiças sociais na América Latina o que, a par da sua obra artística multifacetada, contribuiu para a transformar num ícone das lutas contra as ditaduras que os EUA semearam pela América Latina nas décadas de 60 e 70 do século passado.
Quando os EUA derrubaram Allende e colocaram no poder Pinochet , o Chile entrou num período conturbado da sua história. Nos estádios da execrável ditadura chilena, onde eram detidos os oposicionistas, as canções de Violeta Parra ecoavam daquelas vozes sofridas, sabedoras de que o seu destino eram as masmorras da ditadura, ou a morte.
Soube-se, por alguns testemunhos recentes, que durante a ditadura argentina os carrascos ao serviço do regime de Videla obrigavam os presos a acompanhar as canções de Violeta Parra que punham a tocar em altos berros, enquanto os interrogavam e torturavam.
A morte de Violeta Parra foi alvo da maior indiferença no Chile mas, 40 anos depois, é um símbolo da perseverança dos povos latino-americanos. Apenas mais uma prova de que o Chile é o país da América Latina mais parecido com Portugal.
Talvez lhe interesse relembrar alguma coisa sobre Catarina

O Wikileaks líbio

Líbia pagou campanha de Sarkozy

Blogs no feminino

Adélia
Magy May
Paloma

Late night wander (62)

Nestes últimos dias assisti a inúmeros testemunhos de japoneses através da televisão. Não vi nenhum chorar! Inevitavelmente comparo-os com os portugueses e tiro as minhas conclusões. Guardo-as comigo.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Era bom, era...

Deixei de comprar jornais portugueses, porque não gosto de ser enganado por "funcionários partidários" com carteira de jornalista. Páro diante de um escaparate para ler as gordas da imprensa. Num pasquim que se vende como jornal, leio: " Antes o FMI" ( do que o PEC IV). Já não me espanta a irresponsabilidade de quem escreve isto. Apenas me envergonha. Hoje em dia, o jornalismo político em Portugal é, na generalidade, feito por gente enfeudada a partidos,que não alça o rabo da cadeira e desconhece a realidade do país. O internacional é um amontoado de copy pastes das noticias de agências.

Lembro-me que ontem, Dia Mundial dos Direitos dos Consumidores, um jornalista afecto ao PSD, sugeria um Provedor que fiscalizasse se os governantes cumpriam as suas promessas. Penso que seria também excelente haver uma Lei que punisse severamente quem nos conta deliberadamente mentiras, para fazer fretes a líderes partidários. Os cidadãos merecem ser defendidos daqueles que nos impingem mentiras sob a capa de notícias.

Borrado de medo!

Deixemo-nos de tretas! Pedro Passos Coelho anseia ser primeiro-ministro, mas sabe que esta não é a altura ideal para chegar a S. Bento. Os seus dilectos amigos vão lançando avisos: uma crise política vai agravar os problemas do país.
PPC sabe que umas eleições sem maioria absoluta terminarão a breve prazo com a sua carreira política, porque as medidas que será obrigado a tomar serão ruinosas para os portugueses. Sabe, também, que os cavaquistas do PSD, muito agitados nos últimos dias, não lhe farão a vida fácil. Anseia, por isso, que Sócrates lhe dê apenas um pretexto para aprovar o PEC IV e dizer aos portugueses que o fez , porque o governo aceitou as suas exigências.
Não sei se Sócrates estará, neste momento, disposto a estender-lhe a mão, continuando a deixar-se cozer em lume brando por um grupo de jornalistas que desfraldam envergonhada, mas vergonhosamente, a bandeira do PSD e por uns quantos bloggers coelhistas que acumulam com lugares nas redacções de alguns jornais.
Sem saber que decisão tomar, PPC vai pedir amanhã conselhos a Cavaco. Borrado de medo, com a perspectiva de o inquilino de Belém lhe dizer: Avance!
Pedro Passos Coelho sabe muito bem que o assentimento do PR será a sentença da sua morte política e abrirá espaço para o reforço do cavaquismo, que o vai lançando às feras. Talvez saia de lá com vontade de ir ao pote, para despejar a diarreia.

Caderneta de cromos ( 26)

Pedro Sampaio Nunes


Sócio de Isabel dos Santos ( filha do preidente angolano), Pedro Sampaio Nunes é um entusiasta das centrais nucleares.

Enquanto a União Europeia admite a necessidade de as repensar , este ex-responsável pela área da energia na Comissão Europeia afirma que o desastre de Fukushima "corrobora a segurança das centrais nucleares".
O ex- Secretário de Estado da Ciência de Durão Barroso admite, inclusivé, que com um governo futuro ( do PSD, obviamente) será possível dialogar, no sentido de avançar com o projecto de Patrick Monteiro de Barros.
Por agora fica bem nesta caderneta de cromos, mas talvez fosse bom começar a pensar em fazer uma petição para enviar o engenheiro até Fukushima. E já agora, pode levar também Pedro Passos Coelho que já admitiu a necessidade de lançar um "debate sério sobre o nuclear, para reduzir a factura energética portuguesa". Pode ser que por lá eles se fundam.

Em alternativa, talvez pudessemos metê-los na Máquina do Tempo e oferecer-lhes uma viagem no Titanic, o navio que jamais se afundaria, mas nem chegou a completar a primeira viagem.

Pontapé de saída para o 25 de Abril

“Os muitos nortenhos que no fim de semana avançaram sobre Lisboa, sonhando com a vitória, acabaram por se retirar desiludidos com a derrota. O adversário da capital, mais bem apetrechado ( sobretudo bem informado da sua estratégia), fez abortar os intentos dos homens do Norte. Mas parafraseando um astuto comandante, perdeu-se uma batalha mas não se perdeu a guerra”
Quem escreveu isto foi o meu amigo Eugénio Alves, no “República”, no dia 17 de Março de 1974, num relato da vitória do Sporting sobre o Porto em Alvalade (2-0).
Mas com este naco de prosa, o Eugénio não estava propriamente a escrever sobre um jogo de futebol. Escrevia sobre o golpe das Caldas, que ocorrera na véspera e a Censura proibira de comentar.
A tentativa de golpe de 16 de Março, que ficou conhecido como "golpe das Caldas", acabou por constituir um ensaio para o 25 de Abril, um mês depois, como muitos saberão.
Este exemplo que aqui vos trago hoje serve para assinalar não só o dia, mas também para lembrar a alguns patuscos que passam a vida a reclamar contra a falta de liberdade de expressão, como era difícil ser jornalista na época. Apesar de tudo, podiam dizer-se as coisas nas entrelinhas, se para tanto se tivesse engenho e arte. Como o Eugénio.

Para quando o desmentido?

Eu sei que o PR já disse, num 10 de Junho, que estava a celebrar o "Dia da Raça" mas, mesmo assim, fico à espera que Cavaco Silva escreva mais uma vez no Facebook que o seu inqualificável (para não dizer insultuosos..)discurso de ontem foi mal interpretado. Como ainda não aderi ao Facebook, agradeço que me avisem.
Já agora, subscrevo palavra, por palavra, o post da Fernanda Câncio.

Blogs no feminino

A Gata Christie

Rosa Carioca

Vera

Late night wander (61)

Faz hoje 37 anos começava, nas Caldas da Rainha, a contagem decrescente para o 25 de Abril.

terça-feira, 15 de março de 2011

Novidades, aos teus amores tão dedicados...

O recente lançamento do iPad 2 demonstra bem como a obsolescência dos produtos é vital para manter em funcionamento o motor da economia. Apresentado há três meses em Portugal como "revolucionário", o iPad é já uma velharia e não falta por aí quem sonhe em substituí-lo pela nova versão.
Mas o iPad é também um bom exemplo da forma como a sociedade de consumo nos engana. Quando foi lançado, há um ano, a Apple sabia perfeitamente que o produto estava inacabado e não era ainda o modelo idealizado por Steve Jobs. No entanto, como a concorrência se aprestava para lançar um produto idêntico, a Apple não teve outra alternativa. Lançou no mercado, com pompa e circunstância, um produto que sabia não ser perfeito, mas punha a concorrência em sentido.
Foi cultivando a obsolescência, fomentando a aquisição da última novidade através do recurso ao endividamento, que chegamos à crise mundial que nos afecta a todos. Não me parece que tenhamos aprendido a lição.

O exemplo japonês

Já quase ninguém esconde que o Japão pode estar perto de viver a maior tragédia nuclear de todos os tempos. O númerode mortos, vítimas do sismo, poderá atingir várias dezenas de milhar. No meio de tanta tragédia é de enaltecer o civismo exemplar dos japoneses que deve servir de exemplo ao mundo inteiro.

Mulheres do Mundo (6)

Naomi Klein

Os movimentos populares no Egipto, Tunísia ou Líbia serão genuínos, ou algo se esconde por detrás deles? A Mulher de que vos falo hoje, talvez ajude a encontrar a resposta.
Nascida em Montreal, em 1970, a jornalista e escritora Naomi Klein é actualmente uma das figuras mais destacadas da esquerda canadense e norte-americana. Mas nem sempre foi assim…Filha de um casal de esquerda, activista contra a guerra do Vetname, Naomi desdenhava a herança dos pais. Crítica feroz do feminismo materno, era uma adolescente coquette que gostava de passar os dias diante do espelho a maquilhar-se e a experimentar roupa.
Quando concluiu o liceu, a mãe sofreu um acidente cardio-vascular. Ficou temporariamente tetraplégica e Naomi ficou à sua cabeceira durante seis meses. Já na Universidade de Toronto, onde estudava Ciências Políticas e Jornalismo,um episódio ocorrido na Escola Politécnica de Montreal iria marcá-la:
Um tresloucado matou a tiro 14 mulheres, enquanto proclamava: “Odeio feministas”.
Conheci-a em 1997, quando era jornalista no diário canadiano “The Globe and Mail”. Militante anti-globalização, conhecida pelas suas fortes críticas ao modelo de desenvolvimento que preconizava a inevitabilidade de capitalismo e democracia andarem de mãos dadas, Naomi Klein preparava já o seu primeiro livro “No Logo”: a Tirania das Marcas – uma azeda crítica à sociedade de consumo e um feroz ataque à globalização. O livro viria a ser publicado em 1999 e, desde então, a jornalista licenciada em Ciências Políticas na Universidade de Toronto, passou a ser convidada para fazer palestras em todo o mundo, perante plateias atentas à sua mensagem.
Em 2004, produz com o marido um fabuloso documentário sobre a Argentina depois do dramático Corralito, que culminou no colapso económico do país. Filmado nos subúrbios de Buenos Aires, “ The Take” narra a história de luta dos trabalhadores porteños para manterem em actividade as empresas encerradas pelos patrões. Centrado nas teias burocráticas e nos entraves levantados pela justiça argentina, que um grupo de operários teve de enfrentar para salvar a empresa onde trabalhava, constituindo uma cooperativa operária, “The Take” é um documento histórico de uma época negra da pátria azul-celeste.
É porém, em 2007, após a publicação de “A doutrina de Choque” que Naomi Klein se torna mais conhecida. O livro desmonta a teoria da Escola de Chicago e de Milton Friedman, que advogava a supressão de todas as medidas do Estado destinadas a proteger os consumidores das lógicas dos mercados. Parece uma profecia da crise económica e financeira que se anuncia e entusiasma de tal modo o realizador mexicano Alfonso Cuarón, que ele realiza gratuitamente um anúncio para a promoção do livro nas televisões.
Quando a crise rebenta, as atenções voltam-se para o que Naomi escrevera:
“ Muitas das mais infames violações dos direitos humanos foram cometidas quer com o objectivo de aterrorizar a população, quer de preparar a introdução de reformas radicais , sempre no sentido de promover a livre concorrência”.
Na opinião de Klein, “ as populações só podem aceitar tais reformas se estiverem em estado de choque, a sair de uma crise, catástrofe natural,atentado ou guerra (…) e se as catástrofes naturais são difíceis de forjar, os golpes de Estado e os ataques terroristas são fabricáveis a qualquer momento”.
Duas razões me levaram a escolher Naomi Klein no dia de hoje. Por um lado, porque se comemora o Dia Mundial dos Direitos dos Consumidores” e , por outro, porque o livro de Naomi Klein nos permite perceber melhor os movimentos de contestação na Tunísia, Egipto ou Líbia. Nem tudo o que parece evidente, à luz da imprensa comandada a partir da Casa Branca é verdadeiro. Por detrás de manifestações populares, rotuladas de lutas pela democracia, esconde-se, não raras vezes, a mão invisível do capitalismo selvagem.Obama, ainda que tardiamente, parece ter percebido isso.