Terça-feira, 8 de Fevereiro de 2011

Chamar os bois pelos nomes

Quando é que alguém terá coragem de assumir e dizer, sem peias, que a situação do país também se deve a um tecido empresarial ganancioso, obsoleto e resistente à inovação e à mudança?

Quando é que alguém terá a coragem de afirmar que as empresas portuguesas não geram emprego para licenciados, porque quase 90 por cento são propriedade de empresários com a 4ª classe?

Quando é que alguém terá coragem de assumir que há milhares de licenciados com capacidade para tornar rentáveis muitas dessas empresas, mas não o podem fazer, porque a resistência e ignorância dos patrões ( ó doutor, não venha com inovações, porque aqui na empresa fazemos assim há 30 anos e sempre nos demos bem...) não o permite?

Quando é que alguém terá a coragem de reconhecer que a falta de competitividade das nossas empresas não é culpa dos salários altos, nem da rigidez das leis laborais, mas sim de um patronato velho e caduco que não se modernizou?

Quando é que alguém terá coragem para acabar com a generalizada subsidiodependência dos empresários, só dispostos a correr riscos quando sentem o apoio da mão protectora do Estado?

9 comentários:

  1. Carlos
    Não deixando de estar de acordo em muito aspectos com o seu post. Creio que o meu caro generalizou demasiado...

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  2. Pois olhe, eu concordo em absoluto consigo em todos os aspectos e não me farto de o dizer. Simplesmente, ninguém me leva a sério porque sou uma trabalhadora independente, que ainda por cima tem pinta de drogada, com piercings e tatuagens. A minha opinião não conta.
    E não me venham dizer que não é assim, porque eu já lá estive e ocupei um cargo que me permitia contactar com as chefias de muitas empresas por esse Portugal a fora e percebi que era tudo areia do mesmo saco.
    Os nossos patrões são, sim, uns ignorantes retrógados. Quantas vezes dei ideias inovadoras, apenas para ser desincentivada de o fazer? Quantas amigas e colegas minhas passam pela mesma frustração? O nosso patronato tem medo de inovar. Pratica uma micro-gestão absurda, impossível de coadunar com o mundo empresarial.
    Não me quero alongar mais, porque o Carlos já disse tudo o que importa, mas só quero dar um exemplo da pequenez do nosso patronato. Recusam-se a contratar pessoas habilitadas para lidar com clientes estrangeiros, porque qualquer um fala inglês, nem que seja o do Sócrates. Como tal encarregam-se eles mesmos de receber os clientes, quando não têm noção nenhuma de diferenças culturais e afins que possam provocar constrangimentos. O cúmulo dos cúmulos foi um grupo de alemães engravatados a fazer fila para comer no Macdonald's, acompanhados pelo patrão "zé toino" que nem Português sabia falar. Isto é muito triste e não joga a nosso favor.
    Desculpe o descaramento, mas vou fazer link.

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  3. Carlos, esqueceu-se daquela parte em que a Comunidade deu dinheiro para modernizar as empresas e houve muito empresário que correu a comprar casas de férias e Ferraris.

    Completamente de acordo consigo.

    Jorge Soares

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  4. As generalizações não são boas companheiras, mas a verdade é que se não fossem elas também não teríamos as excepções...
    Dito isto, estou de acordo com o que escreveu. Só não inteiramente, porque muitos dos licenciados que estamos a formar deixam muito a desejar...
    Ainda há bem pouco tempo um recém-licenciado a quem fiz algo, que o tornou agradecido, me disse: "não sei nunca como hei-de dizer, se obrigado, se obrigada."
    Um abraço, Carlos

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  5. Carlos
    Permita-me publicar aqui uma "estória" provavelmente ficcionada, mas que quando a li, pôs-me pelo menos a pensar.

    "Um homem que vendia cachorros quentes na beira da estrada!
    Ele não tinha rádio, televisão e nem lia jornais, mas produzia e vendia bons cachorros quentes.

    Preocupava-se com a divulgação do seu negócio e colocava cartazes pela estrada, oferecia o seu produto em voz alta e o povo comprava.

    As vendas foram aumentando e, cada vez mais, ele comprava o melhor pão e as melhores salsichas.

    Foi necessário também adquirir um fogão maior para atender uma grande quantidade de fregueses, e o negócio prosperava... Os seus cachorros quentes eram os melhores em toda a região!

    Vencedor, ele conseguiu pagar uma boa escola ao filho. O menino cresceu e foi estudar economia numa das melhores faculdades do país.

    Finalmente, o filho já formado, voltou para casa, notou que o pai continuava com a vidinha de sempre e teve uma séria conversa com ele:

    - Pai, então você não ouve rádio? Você não vê televisão e não lê os jornais? Há uma grande crise no mundo. A situação do nosso país é crítica. Está tudo ruim. O mundo vai ter grandes problemas.

    Depois de ouvir as considerações do filho doutor, o pai pensou: Bem, se meu filho que estudou economia, lê jornais, vê televisão acha isto, então só pode estar com a razão.

    Com medo da crise, o pai procurou um fornecedor de pão mais barato (e, claro, pior) e começou a comprar salsichas mais baratas (que eram, também, as piores). Para economizar, parou de fazer cartazes de propaganda na estrada.

    Abatido pela notícia da crise já não oferecia o seu produto em voz alta.

    Tomadas essas 'providências', as vendas começaram a cair e foram caindo, caindo e chegaram a níveis insuportáveis e o negócio de cachorros quentes do velho, que antes gerava recursos até para fazer o filho estudar economia na melhor escola, faliu.

    O pai, triste, então falou para o filho: - 'Você estava certo, meu filho, nós estamos no meio de uma grande crise. '

    E comentou com os amigos, orgulhoso: 'Bendita a hora em que eu fiz meu filho estudar economia, ele me avisou da crise..."

    Cada um tire as suas próprias conclusões. Texto de Autor desconhecido

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  6. De facto não são empresários, são patrões!
    E nisso está toda a diferença!

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  7. Caro Folha Seca:
    Sei muito bem- e já aqui tenho relaçado isso- que há bons empresários e alguns até de grande sucesso, que escapam a esta fotografia mas, infelizmente, são a excepção e não a regra. Não era meu intuito generalizar, mas sim chamar a atenão para estas situações, infelizmente muito comuns.
    Como em tudo ( e os funcionários públicos ou os jornalistas são bons exemplos) há profissionais bons e medíocres.
    Gostei da estória que partilhou connosco mas, sinceramente,aquele economista deve ter tirado o curso por correspondência...
    Abraço

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