segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Mais vale tarde do que nunca?

A ONU demorou 42 anos a perceber que Kadhaffi era um ditador. Antes disso, ainda o elegeu presidente da Comissão de Direitos Humanos. Como diz um amigo de longa data, "quando vamos para velhos, qualquer cão nos mija em cima"...

A Revolução de que ninguém fala

Enquanto revoluções mais ou menos sangrentas vão sendo largamente noticiadas na nossa comunicação social, não consigo vislumbrar, nem uma linha, sobre a revolução pacífica que está a ocorrer na Islândia.
Poderão dizer-me que, sendo a Islândia um país pouco populoso, não entra nas páginas dos jornais. Não é bem assim... quando o país entrou em bancarrota, foi notícia de primeira página e abriu telejornais. Agora que os islandeses estão apostados em mostrar que outro tipo de democracia é possível, o assunto não interessa nada...
Há notícias que, estranhamente, os jornais não divulgam, ou sou eu que ando distraído?

Opiniões...

"Angela Merkel chama Sócrates a Berlim" noticiava há dias a TVI. Provavelmente é a isto que ECT chama jornalismo acutilante e de referência. Para mim, é jornalismo de cano de esgoto, mas é apenas uma opinião...

Figura da semana


Os leitores que me seguem há mais tempo sabem que sou fã incondicional de Lula da Silva.
Olhado com desconfiança nos meios económicos internacionais, obrigado a enfrentar alguns escândalos dos seus correligionários do PT, que poderiam ter minado a sua credibilidade, Lula da Silva impôs-se à opinião pública internacional, pagando as dívidas ao FMI, reformando as finanças do Brasil e lançando variados programas sociais de combate à pobreza.
Se o Brasil é hoje um dos quatro países emergentes mais falados no mundo inteiro, a par da Índia, China e Rússia, muito deve à forma hábil como Lula da Silva comandou os destinos do país durante os seus mandatos.
Lula é a imagem do Brasil de progresso. Do Brasil que deu o salto em frente e se tornou protagonista privilegiado na cena internacional.
O operário metalúrgico que um dia chegou a Presidente e se tornou figura incontornável nos palcos internacionais, onde expõe com firmeza as suas convicções, personifica o enredo de uma telenovela em que o Brasil é fértil. Só que, desta vez, o conto de fadas virou realidade. E, visto do hemisfério norte, apenas me apetece dizer: ainda bem!
No entanto, não parece ser essa a opinião do Ministério Público brasileiro, que pretende acusar Lula da Silva por ter gasto demasiado dinheiro em cartas
Nada demais. Normalmente, quem luta pelos mais desfavorecidos acaba no banco dos réus e quem explora os pobres é condecorado. Não só no Brasil... Também em Portugal, o empresário Cebola, que desviou dinheiro do IVA para pagar os salários aos trabalhadores da Oliva, acabou sentado no banco dos réus. Um dia destes, Oliveira e Costa talvez seja condecorado por Cavaco Silva. Isso é que é normal...

Morning call (6)

Na última seman aforam muitos os portugueses em destaque no estrangeiro, arrebatando vários prémios internacionais. Hoje destaco Nuno Malo, um jovem compositor português a residir nos Estados Unidos desde 1996.

Responsável pela banda sonora de "Amália -o Filme", foi galardoado com o prémio Compositor Revelação 2010 pela Internacional Film Music Critics Association.

Late night wander (47)


O DN convidou Campos e Cunha para uma conferência, cujo único objectivo perceptível era cascar no governo. Preencheu várias páginas com o relato do discurso, fez dele primeira página, valorizando o pessimismo e recolheu depoimentos diversos. Não era preciso. Uma imagem diz mais que mil palavras...

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Times they're a changing



A sociedade da hiperescolha explica porque é dificil à Europa tomar decisões. ( clicar nas imagens)

O último a saber

Pedro Passos Coelho disse, a uns opinativos laranja sempre com a crise na boca, que melhor seria calarem-se.
Marques Mendes, Santana Lopes e Paulo Rangel não se calaram e continuam a falar na necessidade de provocar eleições. Creio que já toda a gente percebeu o que pretendem as vozes dissonantes dentro do PSD: precipitar eleições e, no caso de Pedro Passos Coelho não conseguir um governo maioritário, mesmo com o apoio do CDS, passar ao ataque derrubando o líder e colocando-se na linha de partida para a sucessão. Só Passos Coelho parece ainda não ter percebido o que se está a passar à sua volta…

Palavra de honra que me chateia...

...nunca ter escrito um post assim sobre a bloga das futilidades. É que penso exactamente o mesmo, mas nunca fui capaz de verbalizar.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Saturday nights (on the rock)

Não vos parece que neste fim de semana primaveril a noite começa bem com os Doors?

Humor fim de semana

Num avião com destino a Toronto, uma loira a viajar em classe económica levanta-se, dirige-se à primeira classe e senta-se numa cadeira vazia.
A hospedeira observa a cena e pede à mullher para ver o seu bilhete. Explica-lhe que sendo o bilhete para a classe económica, é lá que deve sentar-se. A loira responde:
- Sou loira, sou bonita, vou para Toronto e vou ficar aqui mesmo.
A hospedeira vai até à cabine e diz ao piloto e co-piloto que tem uma passageira sentada na primeira classe, que deveria estar na classe económica, e não quer voltar para seu lugar. O co-piloto dirige-se à passageira e tenta explicar que ela pagou somente por classe económica, deve sair dali e sentar-se no seu lugar. A loira responde:
- Sou loira, sou bonita, vou para Toronto e vou ficar bem aqui.
O co-piloto diz ao piloto que provavelmente deveriam ter a polícia à espera quando eles aterrassem para prender esta mulher. O piloto pergunta:
- Você disse que ela é loira? Eu vou falar com ela. Sou casado com uma loira e falo "loirês".
Dirige-se à loira e diz-lhe qualquer coisa ao ouvido.
Ela responde:
- Oh, peço desculpa!
Levanta-se e vai para o seu lugar na classe económica. A hospedeira e o co-piloto estão boquiabertos, e perguntam ao piloto o que é que ele disse para a fazer mudar de ideias.
Ele responde:
- Disse-lhe simplesmente: "A primeira classe não vai para Toronto..."

Gato escondido...

Leio no “Público” que o PSD pretende fundir a ERC e a ANACOM. A justificação, segundo adianta o jornal, citando fonte do PSD, é reduzir a despesa pública.
A bondade da explicação comove-me, mas não me engana. Não é por acaso que a notícia vem a lume em vésperas de eleições para a entidade reguladora, cuja realização o PSD pretende adiar. Coincidência, ou talvez não, alguns blogs começam a desferir ataques à ERC e lançam suspeitas sobre a origem dos capitais de uma nova empresa constituída por Emídio Rangel e Rui Pedro Soares.
Pouco habituadas a tantos anos de afastamento dos centros de decisão, as mentes brilhantes da S. Caetano pretendem atingir dois objectivos quando chegarem ao poder e já estão a preparar terreno: acabar com a regulação de vários sectores em Portugal- que consideram um empecilho para as estratégias dos mercados - e dominar a comunicação social.
"Ainda mais?"- perguntarão alguns leitores.
Claro que sim. Na S. Caetano ninguém quer correr riscos e todos sonham com uma comunicação social domesticada que teça loas à acção governativa e prolongue o estado de graça para além dos primeiros meses de governação laranja. Por isso estão tão incomodados com Emídio Rangel e Rui Pedro Soares.

Sugestão fim de semana

Foi inaugurado hoje o Páteo da Galé, no Terreiro do Paço, que promete trazer nova animação à baixa lisboeta. Posso adiantar-vos que o espaço é muito agradável e merece uma visita mas, como só abre ao público na terça -feira, sugiro-vos que aproveitem o sol do fim de semana para uma bela passeata e, no final do dia, vão até ao Parque das Nações para uma visita à BTL ( Bolsa de Turismo de Lisboa) que encerra no domingo. Com tempo e muita paciência, talvez saiam de lá com umas férias a preço de saldo. Eu, que não gosto de programar férias com antecedência, abri uma excepção e já assegurei as minhas. Para já não digo onde, porque pode dar azar…

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A Fera Amansada


Eduardo Cintra Torres faz hoje uma curiosa e peculiar análise às contratações de Alberto Carvalho e Judite de Sousa pela TVI.
Na opinião de ECT, o objectivo da nova administração é acabar com a irreverência , independência e acutilância da informação da TVI. Não sei se ele se refere apenas aos tempos do “Jornal da Sexta” de Manuela Moura Guedes… sei é que a sua animosidade se centra em José Alberto de Carvalho, a quem apelida de asténico, no que revela ser mais comedido do que MMG que lhe chamou burro.
Não deixa de ser curioso, porém, que o alvo de ECT seja apenas JAC, reservando rasgados elogios a Judite de Sousa. Sinceramente, não compreendo como é que Paes do Amaral comete um erro deste calibre: convida para director de informação JAC, para “Amansar a fera” ( cito ECT) mas abre uma brecha na sua estratégia ao contratar Judite de Sousa que, sendo tão competente e independente, não se deixará manipular por esse terrível domador que é JAC, contratado para “apagar os traços de independência, acutilância e irreverência que a redacção da TVI aprecia”.
Há qualquer coisa que não percebo no raciocínio de ECT, mas isso também não interessa nada.Fico no entanto com uma dúvida: será que Júlio Magalhães se demitiu da TVI por não conseguir “Amansar a fera”, ou porque não gostava da independência e acutilância da informação da TVI ? Mas sobre a demissão do ex-director de informação da TVI, que obrigou à contratação de um novo director, ECT é omisso.
Sabem que mais? É pena não estar por cá a Brites. Punha logo tudo em pratos limpos!

Uma vida sobre rodas

Sentado à mesa de um café nos arredores do Redondo, Júlio Simões exibe triunfante a “manilha” de copas com que “cobre” o rei, e arrecada a “vaza”. Pega na esferográfica e desenha uma bolinha na extremidade de um segmento de recta, que assinala mais uma vitória no jogo de sueca. O marcador fixa-se nos 4 a 2, é altura de celebrar a vitória com mais uma rodada de imperiais paga pelos derrotados.
A vida de Júlio, 54 anos, não tem sido, no entanto, preenchida por vitórias. Pelo contrário... o destino derrotou-o numa noite em que regressava a casa para passar uns dias com a família, depois de uma viagem à Alemanha.
Rebobina o filme da sua vida numa tarde de sábado, pedindo aos colegas uma pausa para dar uma entrevista. “ Mas olhe que tem de ser rápido, porque eles estão raivosos e querem a desforra”. Cerca de uma hora depois, fica registado no meu gravador que começou a trabalhar aos 19 anos como ajudante de motorista. Três anos mais tarde já era ele a conduzir um dos camiões da empresa. As primeiras viagens eram curtas, não passando dos Pirinéus. A sua segurança na estrada e o zelo que punha no trabalho, depressa o levaram a ganhar a confiança dos patrões. As viagens passaram a ser mais distantes e mais frequentes. “Às vezes chegava a Portugal depois de uma viagem de 15 dias, descarregava, ia a casa dar um beijo à mulher e aos filhos e no dia seguinte já estava outra vez a conduzir o camião”.
Durante 31 anos, a sua vida foi passada num camião, calcorreando as estradas da Europa, fazendo cargas e descargas ao ritmo dos ponteiros do relógio. A idade ia avançando e desde os 45, todos os anos, pelo Natal, prometia à mulher que o ano seguinte ia ser o último a conduzir camiões. “ Eu era sincero quando dizia aquilo... Sentia-me mesmo cansado, mas não tinha jeito de arranjar outro trabalho que me permitisse continuar a pagar os estudos dos filhos e sustentar a casa. A minha mulher trabalhava como auxiliar numa escola lá do Seixal, mas nunca teve contrato e não sabíamos com o que podíamos contar. Ao menos o meu era certo, não podíamos ser os dois a arriscar...”.

As promessas de mudança foram passando de ano em ano, até àquela fatídica noite de Fevereiro de 2003. “Há quase uma semana que guiava 16 horas por dia e estava ansioso por regressar a casa. Devia chegar nessa noite, não fosse esse momento maldito!”
Já em solo pátrio, Júlio Simões parou no local do costume para jantar. Confessa que “bebeu um copito” e tomou uns cafés para “arrebitar”. Depois meteu-se à estrada a pensar no reencontro com a família, mas foi vencido pelo sono. Despistou-se, os prejuízos materiais foram avultados. Júlio foi parar a uma cama do hospital, onde soube que o companheiro de viagem morrera no acidente. “Nunca mais voltaria a ser o mesmo, depois de saber que tinha causado a morte de um colega, mas pensava que ficar retido numa cama durante mais de um ano e ter ficado incapacitado para o resto da vida era castigo que chegasse.” Mas não foi. Teve de enfrentar um processo de recuperação de mobilidade muito doloroso durante quase dois anos e, durante esse período, recebeu uma carta a comunicar que fora considerado culpado pelo acidente e por isso despedido “com justa causa”. Já estava tão magoado com a empresa, que nem pensou em recorrer aos tribunais.
O que mais me dói é que ninguém me foi ver, nem perguntar se precisava de alguma coisa. Ao fim de 30 anos sem um acidente, sem uma repreensão no trabalho, merecia um pouco mais de respeito.”
Arranjar emprego aos 54 anos está fora do seu horizonte. Como a mulher, entretanto, também ficou desempregada, optaram por regressar ao Alentejo, para a casa que fora dos sogros dele. Vivem da pensão de Júlio e das pequenas economias que conseguiram fazer ao longo da vida, porque a mulher apesar de ter sido auxiliar no Ministério da Educação, mais de 10 anos, não recebe qualquer subvenção do Estado. “Se não fosse as economias que fizemos, decerto que morríamos à fome. Aqui sempre gastamos menos que no Seixal. Os filhos de longe em longe vêm ver a gente e eu cá me entretenho a jogar às cartas e a beber uns copitos. A minha senhora de vez em quando também vai fazer umas limpezas ao monte de uns ricaços de Lisboa que lhe dão uns cobrezitos . Mas tenho que ter cuidado, porque sempre que chego a casa com um copito, a minha senhora diz que na próxima vez me põe na rua. E um dia põe mesmo!”
De cenho um pouco mais carregado, pelas recordações que acabara de me relatar,voltou a juntar-se aos amigos para a desforra. Fiquei a ver, à distância, durante uns minutos. Saí quando a voz de Júlio voltou a irromper no ar "Toma lá a manilha! Com esta enganei-te bem, macaco...". Seguiu-se uma sonora gargalhada. A vida de Júlio voltara à normalidade. Nos arredores do Redondo, para onde uma curva da estrada inopinadamente o atirou, num breve piscar de olhos.
Aviso: Mais um dos casos que fazem parte da reportagem que fiz para a revista "Dirigir" com o título: Desempregados, 50 anos. Um futuro cheio de “nada”?

Rescaldo da noite europeia

Não fosse o fatídico minuto 93 em Alvalade e estaríamos a celebrar o pleno das equipas portuguesas. Foi pena mas, mesmo assim, há razões para sorrir.

Bela vitória do Benfica em Estugarda, quebrando o enguiço de nunca ter vencido na Alemanha e um Braga que tremeu nos minutos finais, mas não caiu. Agora benfiquistas vão continuar a ser felizes em Paris, azuis e brancos talvez posam sorrir em Moscovo e o Braga fica à espera de um milagre em Liverpool. Siga a rusga...

Late night wander (46)

Depois de uma aturada investigação estou em condições de poder divulgar a razão de Pedro Passos Coelho ter dito a Judite de Sousa que ainda não estava na altura de ir ao pote.É que ele ainda usa fraldas!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Há festa no blogobairro


Hey, pessoal! Já foram dar os parabéns ao nosso amigo Rogério? Podem servir-se de uma taça antes de irem lá fazer o brinde. Tchim-tchim!

Notícias das democracias africanas

A democracia na Tunísia vai de vento em popa. Grupos islamitas, armados de facas e cocktails molotov, irromperam pelo bairro de prostituição de Tunes gritando “ Allah Akbar”. A polícia teve de intervir para evitar que os islamistas em fúria incendiassem o bairro.

História das petingas que gostavam de ser lagostas


Aviso:Não pensem que isto é um post sobre futebol. Se lerem até ao fim, verão que é apenas sobre o povo mesquinho que somos.

Fim de tarde de sofrimento. Não sou masoquista mas, na impossibilidade de ver o jogo do meu clube em casa, fui obrigado a ir a um estabelecimento de "comes e bebes" de um conhecido benfiquista.
Primeira parte de domínio avassalador dos azuis e brancos que poderiam ter marcado três ou quatro golos e arrumado a eliminatória. Alguma inépcia na finalização e um árbitro vesgo que se recusou expulsar um defesa do Sevilha depois de um agarrão a Hulk à entrada da área, fez vista grossa a uma grande penalidade e devia estar a coçar o rabiosque quando Fucile foi agredido com dois sopapos, impediram que o jogo competente dos azuis e brancos fosse premiado com golos. Compreendo. Todos os anos passo uns dias de férias em Marbella a expensas próprias e sei que não é barato.
Ao intervalo tive maus presságios. Quando o FC do Porto ataca para aquele lado na primeira parte e não marca, raras vezes ganha o jogo.
No início da segunda parte o Sevilha veio mais aguerrido, mas as melhores oportunidades foram dos azuis e brancos. Só que a sorte que nos bafejou na primeira mão em Sevilha, apareceu a cobrar juros no Dragão. Malditos mercados financeiros que andam por aí a deturpar a verdade e espoliar os desfavorecidos...
Minuto 71. Num lance mais ou menos fortuito, o Sevilha marca por Luís Fabiano, em jeito de vingança por ter sido despedido do Dragão.
A meu lado, a malta benfiquista exulta. Pede um segundo golo do Sevilha. Bate palmas a um falhanço incrível de Hulk. Explode de alegria quando Webb expulsa Álvaro Pereira, num momento em que o juiz inglês devia estar a pensar num resort de cinco estrelas em Marbella.
“Filho da puta!” – grita um adepto benfiquista com bigode à Luís Filipe Vieira quando Webb, reconhecendo o seu erro, decide voltar a equilibrar o jogo expulsando o sevilhano Alexis a quem tinha poupado a cartolina vermelha na primeira parte.
Os Dragões defendem-se com galhardia, mostram a sua raça.. Atacam com veneno, vêem Valas fazer defesas incríveis e falham golos de baliza aberta, perante o gáudio da turba encarnada, que continua a puxar pelo Sevilha.
Peço um Bushmils para ajudar os cofres encarnados. A turba vermelha agradece com incentivos ao Sevilha. Hulk, com a baliza aberta, falha mais uma vez. O jogo termina com impropérios da claque benfiquista contra os cabrões azuis e brancos. O FC do Porto está nos oitavos. Com mérito, muito sofrimento e o desgosto de muitos adeptos benfiquistas.
Festejo moderadamente com mais dois portistas. Chego a recear que entre os adeptos benfiquistas esteja aquele que matou um sportinguista no Jamor, durante uma final da Taça. Felizmente o tipo foi preso, depois de se ter evadido da prisão, durante uma licença precária. Sei, no entanto, que ainda andam à solta os que atacaram Filipe Santos, quase o condenando à morte;os que incendiaram um autocarro do FC do Porto; os que apedrejaram outro autocarro e a viatura onde seguia Pinto da Costa; os que montaram a insídia contra o FC. do Porto e nos quiseram expulsar da Europa.
Desejo-lhes, do fundo do coração, boa sorte em Estugarda. Regresso a casa com estatísticas na cabeça. Dizem que há seis milhões de benfiquistas. Felizmente é apenas uma mentira que virou fábula nos jornais desportivos. E nem todos são invejosos e mesquinhos. Como aqueles senhores que agora lançaram uma petição para que seja investigada a origem do dinheiro com que Emídio Rangel e Rui Pedro Soares compraram os direitos de transmissão da Liga Espanhola, uma rádio e um jornal que aparecerá nas bancas em Abril.
Antes de me acusarem de cegueira clubista, na caixa de comentários, sugiro que leiam este post. Sei ver futebol e reconhecer o demérito das vitórias, mas detesto que façam de mim parvo. E odeio quem não respeita o meu país.
A TODAS as equipas portuguesas, que hoje lutam para continuar na Europa, os meus sinceros votos de BOA SORTE. Incluindo o Benfica. Sem cinismo.

O umbiguismo nacional (2)


Percorro a blogosfera nacional, dita política, e constato que os blogueiros ao serviço de Coelho aproveitam a situação na Líbia para atacar Luís Amado.
Para os "filhos" de Coelho que pululam pela blogosfera (alguns albergam-se em mais do que um blog) qualquer oportunidade serve para atacar os membros deste governo. Mesmo que os ataques revelem falta de senso e demonstrem o umbiguismo nacional que os remete a um raio de acção que começa no bairro de Santos em Lisboa e termina numa qualquer praia algarvia.
Se os filhos de Coelho tivessem boa fé também dirigiriam os seus ataques a Sarkozy, Berlusconni, Chirac, Obama ou Tony Blair.
Se tivessem alguma mundividência, saberiam que Portugal não foi o único país a apoiar empresas que quiseram investir na Líbia. Outros países europeus , latino-americanos e asiáticos o fizeram igualmente.Se não fossem movidos por um ódio cego ao PS, reconheceriam que a atitude prudente de Portugal , face à Líbia, é idêntica à dos outros países com interesses naquele país.
Já aqui exprimi a minha opinião sobre a posição da Europa e dos Estados Unidos nesta matéria, não vou voltar a fazê-lo. Mas não me permite a consciência deixar de verberar a atitude hipócrita e falha de seriedade de uma blogosfera enfeudada a Passos Coelho que se mascara de independente . Está bem, eu sei que isso é pedir demasiado a quem tenta passar uma imagem de independência, mas não hesita em apunhalar a mão que noutros tempos lhe deu de comer. Mas vale a pena tentar...

Late night wander (45)

Depois de apeados do poder, Ben Ali e Mubarak adoeceram gravemente. O mesmo aconteceu noutros tempos com outros ditadores, como Pinochet. Esta coincidência pode levar a várias conclusões.
Joe Berardo, por exemplo, poderá concluir que a ditadura faz bem à saúde. Já Manuela Ferreira Leite pensará, provavelmente, de maneira diferente, assegurando que as democracias provocam doenças graves.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Memórias do 23-F

Em 23 de Fevereiro de 1981, as cúpula militares da extrema-direita tentaram derrubar a ainda débil democracia espanhola, sequestrando o Congresso. Viveram-se horas de tensão e a democracia esteve fortemente ameaçada.
Trinta anos depois, Juan Carlos recorda os acontecimentos do 23-F e não deixo de comparar o seu discurso com as palavras de enfado de Cavaco Silva em cada 25 de Abril. Também são os chefes máximos de cada país que marcam a diferença entre Portugal e Espanha...
Alguns leitores do CR não viveram esse dia. É especialmente a pensar neles que aqui deixo este link do El Mundo, onde se explica, em video, como tudo se passou.

Desaparecidos


A ex- companheira de Pinto da Costa, que saltou das páginas das revistas cor de rosa para a imprensa diária, depois de uma noite no Jamaica onde teve como guias uns anfitriões benfiquistas foi, durante meses, a figura pública mais requisitada por uma certa imprensa que tinha como único objectivo incriminar o presidente do F.C. do Porto e desvalorizar as vitórias alcançadas pelos azuis e brancos.
Durante aquele período foi classificada por Maria José Morgado como uma testemunha fiável no processo “Apito Dourado”, com direito a segurança privada paga pelos contribuintes. Cada vez que abria a boca, jornalistas ávidos estendiam-lhe o microfone que ela abocanhava com deleite. Tornou-se colunista do “Correio da Manhã”, escreveu um livro e apresentou-se em tribunal como escritora, esteve quase a ser protagonista de um filme de ficção realizado por João Botelho mas, quando os juízes começaram a perceber que aquela cabeça era habitada por muita fantasia, Carolina teve um acidente durante a madrugada e isolou-se no Alentejo, em casa de um amigo (…)
Quando o Apito deixou de apitar, a Vidente do Monte da Virgem saiu de cena. O realizador desinteressou-se, porque o argumento era demasiado fraco, a “ghost writer” que a ajudou a escrever o livro, abandonou a ideia de um segundo volume, porque o Barbas não estava disposto a embarcar na compra de mais uma telenovela rasca e Carolina passou lentamente ao anonimato.
Como convém nestas situações, as sucessivas condenações em Tribunal por perjúrio, falso testemunho, desvio de dinheiro e outras habilidades, foram reproduzidas pela imprensa em notas de rodapé e praticamente silenciadas na restante comunicação social. Perdeu-se uma figura do jet set com um futuro promissor. Que pena!
Talvez um dia destes a vejamos no “Portugal Tem Talento”.

A Liberdade passou por aqui...

Faz hoje 24 anos que nos deixou a voz de Abril. Mais do que a voz de uma geração, foi a voz de um povo. E isso faz toda a diferença...
Porque o momento é propício, deixo-vos com a letra ( não encontrei o video) de "Os Fantoches de Kissinger"

"Em toda parte baqueia
A muralha imperialista
Na ponta duma espingarda
Os povos da Indochina
Varrem da terra sangrenta
Os fantoches de Kissinger

Mas aqui também semeias
No pátio da tua fábrica
No largo da tua aldeia
A fome, a prostituição
São filhas da mesma besta
Que Kissinger tem na mão

Valor à Mulher Primeira
Na luta que nos espera
Só não há vida possível
Na liberdade comprada
Na liberdade vendida
A morte é mais desejada

A NATO não chega a netos
Abaixo o hidrovião
Na ponta duma espingarda
O Povo da Palestina
Mandou a Golda Meir
Uma mensagem divina
Da CIA não tenhas pena
Tem carne viva nas garras
É a pomba de Kissinger

Toda a América Latina
Se lembra das suas farras
A mesma tropa domina
A mesma tropa domina
Só um é embaixador
Mas nada nos abalança
A dormir sobre a calçada
Faz como o trabalhador
Dorme sobre a tua enxada
Faz como o atirador
Dorme sobre a espingarda"

Democracias "fast food"

Ecoam pelo mundo ocidental Hossanas às revoltas populares na Tunísia, no Egipto, na Líbia ou no Iémen. Há até quem meta no mesmo saco o Bahrein, desconhecendo que ali a luta se trava noutro tabuleiro.
Acredita-se no ocidente que, de um dia para o outro, regimes opressivos e totalitários se transformarão em democracias esplendorosas, restituindo aos povo oprimidos a almejada liberdade.
Sou um céptico. É óbvio que não fico indiferente à luta daqueles povos e torço para que consigam viver em democracia, mas acredito tanto nas democracias fast-food, como no regresso de D. Sebastião numa manhã de nevoeiro. Os contos de fadas já não me fazem sorrir nem sonhar com a “Bela Adormecida” ou sapos que viraram príncipes pela força de um beijo redentor. Tenho pena… mas é a realidade contada pela História que me interessa e não o mundo da fantasia.
Ainda é cedo para grira vivas. As democracias não se constroem em dias, nem em meses. São precisos muitos anos. Em Portugal, 36 anos depois de Abril, ainda estamos longe de viver em democracia plena. Para haver democracia, é necessário cultura democrática e os portugueses estão ainda longe de saber o que isso é. Se tivessem cultura democrática, não praticariam como desporto favorito, a evasão fiscal; os governos não recorreriam a truques para branquear as contas e com transparência diriam como aplicam os nossos impostos. Se houvesse cultura democrática a comunicação social não se deixava manipular por forças políticas, nem andaria a brincar com o foto-shop para fazer primeiras páginas que enganam os leitores.
Admito que quem reduza a democracia à liberdade de expressão e ao direito de voto, ignorando que, antes de mais, é responsabilidade, cidadania e ética, ande entusiasmado com o que se está a passar a Oriente. Temo, porém, que daqui a pouco tempo sofram uma desilusão.
Em sociedades sem consciência democrática, quem estiver melhor preparado politicamente pode ascender ao poder sob a capa da democracia, alegando que conquistou o poder pelo voto. Aconteceu isso em alguns países do Leste Europeu depois da queda do bloco soviético. São ditaduras mascaradas de democracias. No Irão, depois de o Xá ter sido derrubado, seguiu-se um regime sanguinário que ainda hoje detém as rédeas do poder e ameaça o mundo.
Depois, há aquele pequeno pormenor de a Europa ser neste momento liderada por conservadores que põem os interesses económicos dos seus países à frente do dever de apoio aos povos que aspiram à liberdade.
Os europeus não hesitarão em apoiar uma democracia de fachada que não ponha em causa os seus interesses. Aceitá-la-ão com a mesma hipocrisia com que aceitaram os ditadores agora derrubados. O que nunca tolerarão é que sejam os povos daqueles países a decidir livremente porque sabem que a democracia que pretendem, não é igual àquela democracia liofilizada que o Ocidente pretende exportar em "perigos e guerras esforçado". Não vem em receitas nos livros da colecção Salgari, nem é proclamada a partir da Casa Branca. E isso é "um perigo" que a Europa actual a todo o custo pretende evitar.

Morning call (5)

À partida, parece uma boa notícia. A Câmara Municipal de Lisboa, por iniciativa do vereador José Sá Fernandes, vai transformar a Av. Duque d’Ávila , desde a Gulbenkian ao Arco do Cego, numa zona de lazer. Aí haverá uma ciclovia (praticamente concluída) e despontarão esplanadas, já na próxima Primavera. Os estabelecimentos da zona, interessados em abrir esplanadas, estão isentos de taxas durante um ano.
Acontece que trabalho na zona e tenho algumas dúvidas quanto aos resultados desta boa proposta camarária. A Duque d’Ávila tem muitos restaurantes mas, na sua esmagadora maioria, de fraca qualidade. Assim, ou os estabelecimentos da zona investem na sua modernização e melhoram o nível da oferta, sem recorrer a preços exorbitantes, ou a iniciativa redundará num fiasco.
Também fica por saber o horário de funcionamento. Se encerrarem ao final da tarde, como a maioria dos estabelecimentos da zona, a maioria dos lisboetas nem se vai aperceber desta nova oferta que Lisboa lhes proporciona. Aguardemos. Na expectativa de confirmar tratar-se de uma boa notícia.

Late night wander (44)

Se o povo não tem dinheiro para ir à praia, vai a praia ao encontro do povo.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Caderneta de cromos (25)


Alexandre Soares dos Santos, também conhecido por sr. Pingo Doce, aaproveitou uns minutos de antena concedidos pelas televisões para mostrar que é um ser humano repugnante. Para quem o quisesse ouvir, afirmou: "Andam a discutir essa porcaria do salário mínimo..." e, a partir, daí desatou desancar Sócrates. Está no seu direito. Vivemos num país livre onde, apesar de alguns patuscos convocarem manifestações para protestar contra a liberdade de expressão, cada um utiliza os tempos de antena generosamente concedidos pelas televisões para desabafar.
Vivemos um período sui generis. Quem quer dizer mal do governo e denegrir os trabalhadores, tem os microfones estendidos como uma passadeira vermelha, mas quem quiser desmontar as patacoadas, não tem as mesmas possibilidades.
O problema é que apesar de se apresentar como uma pessoa acima de qualquer suspeita, cumpridor das leis, mas amargurado pelo facto de ser mais bem visto na Polónia do que em Portugal, o sr. Alexandre tem telhados de vidro e também faz uns truques.
Agora chega a notícia das acusações da federação sindical europeia, sobre práticas abjectas do patrão do Pingo Doce em relação aos trabalhadores.
O sr. Santos não é apenas um daqueles merceeiros rascas que rouba os clientes, porque tem uma balança deficientemente aferida. Desrespeita também os mais elementares direitos dos trabalhadores.
Fica nesta caderneta de cromos com o nº 25. Número que fica bem a merceeiros, habituados ao quarteirão. O seu cromo será devidamente embrulhado em papel suficientemente macio para que todos limpemos o rabo às suas trombas.
Pessoalmente, tomei uma decisão: nunca mais gasto um cêntimo nos supermercados Pingo Doce.

Desencontros


Há meses que ansiava conhecê-la. Quando via a fotografia no jornal, encabeçando o artigo semanal que ela escrevia, sentia o coração bater-lhe com mais força. Tentou engendrar uma maneira de a conhecer. Enviou algumas crónicas (péssimas, porque não tinha o dom da escrita, mas pediu ajuda a um amigo) propondo uma colaboração. Recebeu uma carta a agradecer, onde lamentavam a indisponibilidade financeira do jornal para pagar a mais colaboradores.
Uma noite, no bar onde costumava reunir-se com alguns amigos, bebeu mais do que o habitual. Estranharam a sua embriaguez. Nunca o tinham visto em tal estado. Confessou, em voz entaramelada, que sofria de mal de amor. Um amor cego que o torturava há meses, mas que se recusou a identificar.
Entrou um amigo que não via há tempos. Vinha encontrar-se com uma amiga. Sentou-se com ele ao balcão para uma última bebida. Quando a porta se abriu e ela entrou, estremeceu. Fizeram-se as apresentações. Ela sorriu o sorriso mais lindo que ele alguma vez vira. Tentou retribuir. Desajeitado, entornou o copo e o líquido derramou-se sobre o vestido dela. Tentou desculpar-se, mas ela percebeu o seu estado. Lançou-lhe um olhar de desprezo e comiseração e puxou o amigo para uma mesa. Ainda a ouviu perguntar " De onde é que conheces este bêbado?".
Regressou a casa amaldiçoando a má sorte. Tanto tempo à espera, para a encontrar na pior altura. Prometeu nunca mais voltar a beber.

Morning call (4)

Existe em Portugal um banco onde não há dinheiro a circular, mas há cheques, movimentos de conta, créditos e débitos. No Banco do Tempo a moeda em circulação divide-se em minutos e horas e o objectivo é fomentar a entreajuda. Se quer saber como funciona, leia aqui

Late night wander (43)

Se o Paris- Dacar passou a ser disputado na América do Sul, por razões de segurança, por que razão a FIA não coloca a hipótese de disputar o GP do Bahrein em Portugal?

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O fundamentalismo é ridículo

O fundamentalismo anti-tabágico atacou em força em Espanha e virou cruzada. Esta medida é perfeitamente idiota. E se a empregada for fumadora? Pode fumar, mas os patrões não?
Perante a dúvida, em Portugal, as opiniões dos advogados dividem-se. Há quem defenda que uma empregada fumadora pode ser despedida com justa causa e quem afirme que isso é um exagero. Na casa dos patrões, só as empregadas podem fumar?Tenham dó!

A crise portuguesa vista da marquise


Os belgas, sem governo há 9 meses, reclamam entrada no Guiness Book of Records. Para dar mais força à reivindicação, fizeram uma manifestação a que chamaram “Revolução das Batatas Fritas”.
Portugal ameaça impedir a concretização das aspirações belgas. Apesar de termos um governo legitimamente eleito em Setembro de 2009, quase não damos por isso. Como previ noutro blog em Junho de 2009, após as eleições europeias, Portugal vive um grande imbróglio desde a eleição do actual governo. Manietado na sua minoria, com um elenco de ministros que fazem lembrar um governo sombra, tal o seu apagamento, uma oposição oportunista à espera do melhor momento para assumir o poder, a opinião pública navegando ao sabor das notícias dos jornais, Portugal está em depressão anímica que nenhum Prozac é capaz de debelar.
Os interesses corporativos aproveitam as circunstâncias para marcar posições. Alguns dizem , sem peias, ao que vêm. Outros fazem declarações dúbias de modo a não se comprometerem. Alguns pontas de lança mandam bitaites.
Alexandre Soares dos Santos , o sr Pingo Doce, chama mentiroso a Sócrates e mostra o seu júbilo perante uma eventual entrada do FMI no país.Sócrates responde, dizendo que não basta ser rico para ser educado. Passos Coelho vai a Viseu beijar a mão ao sr. Pingo Doce. Joe Berardo mostra-se favorável a uma nova ditadura. O governador do Banco de Portugal afirma que estamos em recessão e é de imediato repreendido por Ricardo Salgado, presidente do BES.
Qualquer notícia, susceptível de ajudar a levantar o ânimo dos portugueses, é desde logo apresentada, por grande parte da comunicação social, como excesso de optimismo ou manipulação do governo.
Pedro Passos Coelho, dois dias depois de recusar o apoio à moção do BE, anuncia que está disposto a apoiar uma moção do PCP, aumentando a pressão sobre o governo e apoiando os especuladores que nos conduziram a esta crise.
Paulo Portas, ressabiado pela reprimenda do líder laranja, encetou uma cruzada contra o PSD, acusando-o de ser igual a Sócrates.
O BE faz jogos florais e o PCP não abre o jogo.
O PS parece um quartel de bombeiros no Verão. Vai-se desgastando no combate aos incêndios.
Da sua marquise na rua do Possolo, Cavaco Silva vai assistindo a tudo, impassível. Quiçá divertido como um pirómano deslumbrado com um incêndio. Cuidado, senhor presidente! Anda aí um movimento anti-marquises, não vá Vocelência ser apanhado desprevenido e chamuscar-se...
Quem sabe se, perante a sua incapacidade em fomentar o diálogo entre partidos e parceiros sociais, este movimento não decide encetar a revolução do “ketch-up”? Dizem os apreciadores que liga bem com Batatas Fritas e é excelente para refogados em lume brando, tão ao gosto presidencial. O pior é se os cozinheiros deixam queimar o esturgido…

Figura da semana


Pela Escola Superior de Belas Artes do Porto (ESBAP) passaram alguns dos nomes mais marcantes da arquitectura portuguesa do século XX. Alexandre Alves da Costa não é, provavelmente, dos mais conhecidos e badalados, mas além de ter sido um dos fundadores da agora FAUP, foi colega de uns, professor de outros e por todos admirado.
Recentemente jubilado, deu em Janeiro de 2010 a sua última aula. Melhor: a que devia ter sido a última aula, se um decreto do ministro Mariano Gago não tivesse permitido que os professores jubilados pudessem continuar a leccionar, desde que para tal sejam convidados. Alves da Costa foi convidado, vai continuar a dar aulas no Porto e em Coimbra e a trabalhar.

Terminou a aula que marcou o seu jubileu, perante uma assistência de notáveis - onde se encontrava o padrinho Manoel de Oliveira - com uma frase que merece uma séria reflexão:
“A única maneira de remover o obstáculo da identidade é deixarmos de ser primeiro portugueses, para existir primeiro como homens. Deixar de procurar a identidade para que sejamos nós, diferentes, em devir de desassossego, com a nossa força própria”.
Entre os seus projectos mais recentes encontra-se o de reorganização do Terreiro do Paço onde, na próxima sexta-feira, será inaugurado um espaço de esplanadas e restaurantes que pretendem dar alguma animação à praça lisboeta.

Morning call (3)

A boa notícia de hoje chegou-me via Atena. Vão lá ler e depois,se puderem, vejam a reportagem na RTP 1.

Late night wander (42)

Hoje apetece-me perguntar isto a Pedro Passos Coelho e a todos os profetas da desgraça que parecem ansiosos por ver o país afundar-se, para depois dizerem: "Eu tinha avisado..."
"A que novos desastres determinas
De levar estes reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas
Debaixo dalgum nome preminente?
Que promessas de reinos, e de minas
D'ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás? que histórias?
Que triunfos, que palmas, que vitórias? "

( Lusíadas- Episódio do Velho do Rstelo)

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Salto à vara... com nota artística


Armando Vara entrou no centro de saúde. Cumprimentou as pessoas que esperavam pela sua vez para ser atendidas e entrou no gabinete da médica, armado em camisola amarela de ocasião . Estava com pressa. Precisava de um atestado médico e tinha o avião à espera. Quiçá para ir a uma consulta noutro país…
Estas atitudes não são, infelizmente, invulgares. Podia contar aqui outros casos. Invulgar terá sido a reacção de um doente inconformado com o desplante do ex-ministro. Apresentou queixa no livro de reclamações e fez muito bem. Presumo que, de seguida, tenha telefonado para a TVI a contar o episódio, mas não posso confirmar. Certo, é que a TVI foi ao local e deu a notícia no Jornal da Noite. Fez bem.
Tudo estaria dentro da normalidade ( um ex-ministro sem ética, denunciado por um cidadão com consciência cívica e uma médica subjugada pelo temor reverencial, incapaz de pôr Vara na rua e o mandar aguardar pela sua vez) não se desse o caso de o jornalista da TVI ter querido entrar pela via dos jogos florais. Não se limitou a cumprir o dever de informar, quis ter nota artística. Vai daí, pega no telemóvel, telefona para a directora do centro de saúde e dispara:
Então os amigos do primeiro ministro aqui podem passar à frente de toda a gente? ( cito de cor)
Borrou a pintura. Como o saltador de trampolim que tem a medalha de ouro quase garantida nos Jogos Olímpicos, mas decide fazer uma pirueta para impressionar o júri e a assistência, meteu ao barulho o primeiro-ministro. Estatelou-se. Aquilo que era uma boa notícia, passou a ser um exemplo de péssimo jornalismo.
A que propósito é que o primeiro-ministro é aqui chamado? Tem alguma relevância para a notícia? Este jornalista não é um estagiário, tem grande experiência profissional, não pode cometer um erro destes. Fica a impressão que o interesse dele não era dar a notícia da ocorrência, mas sim relacionar o acontecimento com o primeiro-ministro.
Manuela Moura Guedes saiu da TVI, mas deixou lá a sua impressão digital.

Herman (de) Enciclopédia

Herman José leva habitualmente três convidados ao seu programa de sábado à noite na RTP 1. Ontem, fingiu manter o figurino convidando os Anjos, que entraram em cena depois de mais de 30 minutos de tempo de antena concedidos a Pedro Passos Coelho. O líder laranja teve assim o privilégio de, em apenas 48 horas, ir ao “Perdoa-me” de Judite de Sousa e ao programa do Herman.
Ao contrário do que é habitual, Herman fez uma entrevista política. Desastrosa, assinale-se, mas que foi mais uma boa oportunidade para PPC tentar fazer passar as suas ideias.A RTP já terá começado a fazer campanha a favor de Coelho, ou foi só uma coincidência?
Uma coisa é certa: muito mal vai um país, quando os seus humoristas se prestam ao papel que Herman ontem desempenhou.

Os desígnios de Deus

Do convento, para Nova Iorque, graças ao Facebook.

Late night wander (41)

Faz hoje um ano, a Madeira era assolada por uma catástrofe que podia ter sido, pelo menos, atenuada. Porque o que escrevi há um ano em três posts dedicados ao tema, se mantém actual, apenas vos convido a recordá-los.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Saturday night ( on the rock)

Hoje deixo-vos apenas uma canção. Diga lá: onde está você agora?

Humor fim de semana

Num tribunal de uma pequena cidade do interior, o advogado de acusação chamou a sua primeira testemunha; uma avó de idade avançada. Aproximou-se da testemunha e perguntou:
- D. Ermelinda, a senhora conhece-me?
- Claro que te conheço. Conheço-te desde pequenino e francamente, desiludiste-me. Mentes descaradamente, enganas a tua mulher, manipulas as pessoas e falas mal delas pelas costas. Julgas que és uma grande personalidade quando não tens sequer inteligência suficiente para ser varredor.
O advogado ficou branco, sem saber que fazer. Depois de pensar um pouco, apontou para o outro extremo da sala e perguntou:
- D. Ermelinda, conhece o defensor oficioso?
- Claro que sim. Também o conheço desde a infância. É frouxo, tem problemas com a bebida, não consegue ter uma relação normal com ninguém e na qualidade de advogado, bem... é um dos piores que já vi. Não me esqueço também que engana a mulher com três mulheres diferentes, uma das quais, curiosamente, é a tua própria mulher. Sim, também o conheço. E muito bem.
O defensor ficou em estado de choque. Então, o Juiz pediu a ambos os advogados que se aproximassem do estrado e com uma voz muito ténue diz-lhes:
-Se algum dos dois perguntar ao estupor da velha se me conhece, juro-vos que vão todos presos.

Robin dos Bosques já pode dormir descansado

David Cameron , na sua fúria ultra-liberal, pensou que seria uma boa ideia vender parte das florestas inglesas, que estão na posse do Estado, a privados. Já tinha disponibilizado 258 mil hectares para serem vendidos em hasta pública. Surpreendido com a reacção furiosa dos ambientalistas e de membros do seu próprio partido, acabou por recuar nas suas intenções.
De qualquer modo, nunca fiando, porque esta gente não desiste à primeira...
Esta notícia preocupou-me bastante porque pensava regressar a Portugal e ao CR na próxima Primavera, mas tenho medo que alguém copie a ideia por aí e se lembre de privatizar este Rochedo. Assim, apesar das saudades, o melhor é mesmo continuar aqui pelo hemisfério sul. Vou dando notícias.

Late night wander (41)

Já tinha ouvido uma mãe apresentar queixa na polícia contra o filho de 19 anos que ameaçou matá-la se ela não lhe desse um automóvel. Mas um miúdo de 13 anos a fazer isto, foi a primeira vez. Quantos casos semelhantes nunca chegam aos jornais?

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Quantos meses tem um ano?


Sinceramente, sempre pensei que tinha 12 mas, ao ler e ouvir as análises de alguns comentadores, sobre o crescimento da economia portuguesa em 2010, fico com a sensação de ter andado toda a vida enganado.
Com efeito, a economia portuguesa cresceu 1,4% em 2010, ( bastante acima do previsto por FMI, OCDE, UE e o próprio governo) mas os analistas apenas se concentram no último trimestre , em que houve uma regressão de 0,3% e, vai daí, começaram a apregoar aos sete ventos que Portugal entrou em recessão. Mesmo sabendo que, em termos técnicos, os dados de um trimestre não permitem tirar essa conclusão, são muitos os analistas que o afirmam peremptoriamente e começam outra vez a falar na iminente chegada o FMI.Fazem-no com tanto espavento, que me dá a impressão que a desgraça do país é a sua glória.
Talvez esteja enganado. Muito provavelmente estão contagiados pelo efeito Jorge Jesus. Incapaz de temperar o seu entusiasmo, depois de conseguir que durante um mês o Benfica jogasse bem, já reclama o direito de ser campeão, ignorando que entre Agosto e Janeiro, a melhor equipa foi o FC do Porto.
É muito provável que Portugal esteja à beira da recessão e, apesar de improvável, o Benfica ainda pode ser campeão este ano. No entanto, esgrimir argumentos com base em dados parciais, relativos apenas a um período de tempo da amostra total é, no mínimo, falta de seriedade e desonestidade intelectual.

A Suíça por um quintal


Aviso prévio:
Ficar desempregado aos 50 anos significa, na maioria dos casos, uma reforma imposta, sem direito a retribuição. São os “novos pobres”, que vivem normalmente uma pobreza “envergonhada” que não entra mas estatísticas, mas ameaça a esperança de um fim de vida com dignidade. É a pensar nessa geração que hoje inicio a republicação de algumas histórias verídicas de que tomei conhecimento quando fiz uma reportagem para a revista "Dirigir"

Abel, 58 anos, e Lucília 61, deixaram a Póvoa de Lanhoso natal e vieram “ fazer a vida” para Lisboa quando casaram, em 1972. Abel acabara de cumprir o serviço militar em Angola e não sabia o que fazer à vida. Apenas tinha uma certeza: a dura vida do campo não ia ser o seu futuro. Um amigo da tropa- “daqueles que ficam para a vida” - arranjou-lhe um emprego na Mague. Lucília, empregada doméstica nos arredores de Braga desde os 14 anos, não via com bons olhos a partida para Lisboa. Prometera mesmo aos patrões que, depois de casar, continuaria a servir como empregada externa. Abel, no entanto, “deu-lhe a volta”. Um emprego na Mague, a ganhar bem para a época, era um aliciante...
Pouco tempo depois de se instalarem nos arredores de Alverca, Lucília começou a trabalhar como cozinheira num restaurante da zona. Ganhava pouco, mas ajudava ao sustento da casa. Abel, trabalhador competente e esforçado, foi subindo na fábrica e a vida corria-lhe bem.Durante esse período construíram uma casa, com a labuta de fins de semana e das férias. Um dia, porém, um desentendimento de Lucília com a patroa, por causa de um arroz de tomate que um cliente achou estar mal confeccionado, veio complicar a vida do casal. Lucília não suportou a ofensa, discutiu com a patroa e o cliente. Excedeu-se e foi despedida. Ainda tentou receber uma indemnização mas, como as “posses” não davam para “meter um advogado”, acabou por sair de mãos a abanar e voltou à condição de empregada doméstica.
Meses mais tarde a Mague fechou. Abel recebeu uma indemnização “jeitosa” mas viu-se no desemprego aos 45 anos. Durante o tempo que durou o subsídio de desemprego procurou trabalho, mas as suas fracas habilitações reduziam as oportunidades. Foi fazendo uns “biscates” na construção civil, mas a sua débil compleição física e uma doença respiratória crónica rapidamente o obrigaram a parar. Na cabeça de Abel começou a germinar a ideia de ir trabalhar para a Suíça. Lucília, a mais velha de 11 irmãos que vira já partir todo o clã familiar, opôs-se com determinação. Desta vez, não haveria mais partidas. Tinha construído a vida com esforço, não ia agora deixar os filhos.
A vida, porém, revelou –se madraça e Abel não voltou a encontrar um emprego fixo. Um trabalho que parecia promissor numa oficina de automóveis ainda chegou a afastar as nuvens negras mas, ao fim de quatro anos, o patrão passou a oficina a patacos e Abel viu ali crescer um prédio. Candidatou-se a porteiro mas, o vício da bebida que ganhara desde o fecho da Mague, era um mau cartão de visita.
O amigo veio uma vez mais em seu auxílio. Tinha um terreno em frente à casa do casal e propôs a Abel que lá cultivasse “umas batatas”, ao menos para estar ocupado. Abel aceitou o repto e começou a plantar umas batatas, depois umas alfaces e uns tomates, mais umas ervilhas e foi-se afeiçoando à terra . Desde 2004 a produção tem crescido e, duas vezes por semana, Abel vem para EN 10 vender os produtos da sua “quinta”.
À beira da estrada, uma senhora pára o carro.
“Então a como são as alfaces hoje, sr Abel? Quero duas. Dê-me também dois quilos de tomates e 10 quilos de batatas”.
Abel acondiciona tudo no carro da cliente, faz o troco e despede-se com um “até p’rá semana, D. Palmira”.
Volta para o seu posto e, enquanto afaga o Piloto, inseparável companheiro, diz-me com o olhar parado, fixo no infinito:
“Para isto, não valia a pena ter vindo para Lisboa. Ficava lá na Póvoa e se calhar vivia com menos canseira... ou tinha emigrado para a Suíça como os meus cunhados, que estão podres de ricos”. Os olhos humedecem num desconforto quase pungente, enquanto os lábios trémulos deixam sair em balbúcio o lamento:
“ A vida para mim acabou demasiado cedo. A sorte foi que consegui criar os meus filhos e graças a isto talvez não precise de vender a casa. Mas isto não é vida para um homem da minha idade...”

Importa-se de repetir?

Não vi a entrevista de Pedro Passos Coelho, na RTP 1, porque a essa hora estava a ver jogar o meu clube. No entanto li o "Público" e esta frase deixou-me com "a pulga atrás da orelha":
Haverá eleições este ano?-perguntou Judite de Sousa. “Isso depende inteiramente do Governo”, respondeu o líder social-democrata
Sinceramente não percebi. Das duas uma: ou o PSD está a pensar apresentar uma moção de censura e conta com o apoio do PCP ou do BE, ou então sabe que se o governo "não se portar bem" Cavaco dissolverá a AR. Caso contrário, a afirmação não faz qualquer sentido. O que não é de estranhar, porque nada do que PPC diz faz sentido.

Morning call (2)

Às vezes, uma ideia simples pode ajudar-nos à conciliação com a vida e a acreditar que a solidariedade entre as pessoas ainda é possível.
Foi o que aconteceu quando soube como este grupo de vizinhos da Freguesia de S. Mamede (Lisboa), conscientes da sua cidadania e da responsabilidade social que ela encerra, conjugou os seus esforços para ajudar outros vizinhos em dificuldades e melhorar a qualidade de vida na sua freguesia.
Assim nasceu o programa “Boa Vizinhança”, formalmente apresentado no dia 4 de Fevereiro. O programa iniciou-se com o projecto Cartão do Bom Vizinho, o qual permite o acesso por parte de residentes na freguesia com idades superiores a 65 anos e com comprovada situação de carência económica, a vários benefícios concedidos por comerciantes e particulares da freguesia de S. Mamede, que aderiram à iniciativa.
Já se encontram previstos três novos projectos. Um na área do ambiente, descendente do Limpar Portugal, o LIMPAR S. MAMEDE; outro na área da inovação social, O DIA DOS VIZINHOS, comemorado na Europa em finais de Abril e que servirá como um brain-storming colectivo de ideias, de partilha, de reflexão sobre a freguesia, sobre o espaço e sobre o próprio projecto; o terceiro na área do voluntariado e da cidadania activa, com a criação de um banco de Voluntariado da própria freguesia.
Para saber mais sobre este programa , leia aqui.
Entretanto, lanço um desafio a todos os leitores do CR. Há inúmeras iniciativas solidárias em todo o país. Porque não divulgá-las nos vossos blogs, como sinal de esperança num futuro melhor e incentivo a que se criem novos elos solidários na sociedade portuguesa?
Se não quiserem escrever, mas estiverem interessados em divulgar algum projecto de cidadania, comuniquem-me, porque eu vou à procura e darei informação aqui no CR.
Vamos lutar contra esta onda de pessimismo que invadiu os portugueses e mostrar que somos capazes de construir um país com futuro?

Late night wander (40)

Ontem, os líbios saíram para as ruas, em protesto contra o ditador Khadaffi. Até aqui, tudo bem... mas gostava que me explicassem como é que um ditador foi eleito, em 2003, presidente da Comissão de Direitos Humanos da ONU e, em 2009 recebeu estas felicitações de Ban- Ki- Moon. É impressão minha, ou há qualquer coisa que não bate certo?

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Europa ainda nos deixa sonhar


Uma noite europeia que permite a todas as equipas portuguesas continuarem a sonhar.Começo pelo meu F.C. do Porto, a quem saiu a fava no sorteio.
Era a primeira prova de fogo de Villas Boas na Europa e saiu-se bem. Num jogo com dois golos irregulares ( o primeiro do FC Porto e o do Sevilha) os azuis e brancos tiveram a sorte do jogo e saíram de Sevilha com uma vitória imerecida, porque depois de uma excelente primeira parte, foram completamente dominados pelos andaluzes na etapa comlementar. A eliminatória, porém, está longe de estar resolvida. O Sevilha é uma grande equipa e pode ganhar no Dragão.
O Benfica venceu mas, ao contrário do que Jesus afirmou na antevisão do jogo, não assustou o Estugarda. Pelo contrário, apanhou dois grandes sustos. Viu-se a perder , deu a volta, mas o poste da baliza de Roberto evitou o empate do Estugarda, penúltimo classificado do campeonato alemão. Apesar de nunca ter conseguido ganhar na Alemanha, acredito que o Benfica passe a eliminatória, pois basta-lhe um empate.
O Sporting sofreu para garantir um empate em Glasgow, perante uma equipa fraquinha. Resultado que seria bom, não se desse o caso de os leões serem imprevisíveis a jogar em casa. Se forem eliminados será uma grande surpresa, pois os escoceses são a equipa mais fraca de todos os adversários dos portugueses.
Finalmente, o Braga. Os minhotos são os patinhos feios e mais uma vez não tiveram a sorte pelo seu lado. Podiam ter ganho o jogo e foram traídos pelo árbitro, que validou um golo dos polacos em fora de jogo. Fez o resultado mais ingrato, porque um golo sofrido em Braga deitará tudo a perder. Daqui a uma semana, tudo será decidido.

Na era das novas tecnologias...


...Uma larga percentagem da população mundial não tem acesso às velhas tecnologias, que lhes permitiriam usufruir de bens tão essenciais como água potável, ou electricidade.Mais preocupante, ainda, é que 40 por cento da população mundial não tenha acesso ao saneamento básico, como revelou um recente estudo divulgado pela ONU.
Mais de 500 milhões de pessoas - a maioria em África e na Ásia - continuarão, dentro de 10 anos, privadas de saneamento básico o que, para além de tornar impossível cumprir até 2015 os Objectivos do Milénio ( cobertura de 75% da população mundial) continuará a causar "epidemias e surtos de doenças, resultando na morte de milhões de pessoas".
Para a UNICEF e OMS, duas agências das Nações Unidas, só é possível combater o "grave impacto humano e económico" das carências de saneamento se os governos reforçarem o empenho "em diluir as diferenças entre as zonas rurais e urbanas" e apostarem na educação para a higiene.Porém, a tendência para a urbanização continua a marginalizar as populações mais pobres das zonas rurais, pressionando igualmente as infra- estruturas das cidades que, nalguns casos, já se mostram insuficientes. Como resultado, "famílias em aldeias e em bairros de lata urbanos vêem-se num ciclo vicioso de pobreza e deficientes condições sanitárias.As crianças são as primeiras a sofrer devido à má qualidade da água e à má higiene", explica o relatório.
Enquanto no mundo ocidental, se discute a importância do acesso das crianças à Internet, para que não se tornem no futuro info-excluídos, no resto do mundo a falta de acesso a serviços básicos causa diariamente a morte a 4.000 crianças.
Segundo a OMS, as diarreias são responsáveis por 1,8 milhões de mortes anualmente, a maioria crianças com menos de cinco anos. Milhões de outras ficam permanentemente debilitadas.
No concernente a redes deficientes de saneamento básico, o relatório lista 27 nações onde a cobertura é bastante fraca, incluindo São Tomé e Príncipe (24 por cento/12º lugar), Moçambique (27 por cento/16º lugar) e Timor-Leste, com 33 por cento de cobertura.
Assim vão aumentando as desigualdades sem que, aparentemente, os países ocidentais se preocupem. Não seria mais sensato investir em melhores condições de vida nestes países, criando condições para que as populações aí se fixassem, em vez de explorar a mão de obra que ruma à Europa em busca de melhores condições de vida, sendo abandonada quando já não faz falta?

Lixo!


Para vos falar com sinceridade, estou-me nas tintas para as guerras de dirigentes e agentes desportivos. Gosto muito de futebol, amo o meu clube, mas detesto imbecilidades.
O caso muda de figura quando um jornalista classifica de corajosas as declarações do presidente do Marítimo, em entrevista ao jornal “A BOLA”, onde lança uma série de acusações aos dirigentes do F.C. do Porto. Que acusações foram essas? Em concreto, nenhuma. Apenas insinuações de ameaças por parte de dirigentes do FC do Porto, lançamento de suspeições sobre sacos azuis e uma série de bacocadas sem sentido.
Curioso que, dias antes, numa peça do Telejornal em que ele fazia as mesmas acusações e insinuações, recusou-se a responder quando um jornalista, menos sectário do que Delgado, lhe pediu para dar um exemplo concreto.
Concluo pois ( sem surpresa, como é evidente…) que para Delgado as insinuações sejam uma prova irrefutável da culpa de quem é acusado. Assim vai o jornalismo… Em vez de dar notícias, alimenta suspeitas e encoraja os cobardes.
Gostaria de ver, nas páginas de “A BOLA”, uma entrevista a alguém que ousasse dizer mal do presidente do Benfica. Bem posso esperar sentado… porque em “A BOLA” e no serôdio jornalismo desportivo sulista, elitista e pacóvio, que não esconde o seu ódio ao FC do Porto, não há coragem para tanto. O único objectivo é denegrir o rival do norte, conspurcar o seu nome e desvalorizar o mérito das suas vitórias.
Posto isto, desejo as maiores felicidades a todas as equipas portuguesas que hoje iniciam a disputa de mais uma eliminatória da Liga Europa. Recuso comportar-me como alguns benfiquistas e sportinguistas que estão a torcer pela eliminação do meu clube. O que me interessa é esta classificação feita por um organismo independente. O resto é conversa ....

Margem Esquerda


Margem Esquerda é um movimento de militantes do PS. Um dos nomes mais proeminentes que integra esta corrente é Fonseca Ferreira, ex-presidente da CCDR-LVT .
Ao contrário de Ana Benavente ou Carrilho que, ressabiados, vieram para os jornais tecer críticas a Sócrates, Fonseca Ferreira fez o que se pede a um militante de um partido democrático.Inconformado com a regra criada para o próximo congresso, que só permite a apresentação de moções políticas de orientação nacional, aos militantes que se candidatarem a secretário-geral do partido, Fonseca Ferreira apresentou um pedido de impugnação desta regra junto da Comissão Nacional de Jurisdição do PS, argumentando que “nunca existiu , na história do PS, uma proibição destas que viola preceitos básicos dos estatutos...”
Concorde-se ou não com a opinião de Fonseca Ferreira, há um ensinamento que se deve colher. Os problemas dos partidos devem ser resolvidos lá dentro e não com entrevistas ou artigos de opinião ressabiados na comunicação social.
Mais tarde ou mais cedo, quem recorre aos favores da comunicação social para amplificar a sua voz, vai ter de pagar o tributo. Não há promoções grátis. Ana Benavente e Carrilho deviam saber isso e aprender a lição.

Morning call (1)

Há coisas boas que todos devíamos saber, para levantar um pouco a auto estima. Como esta, por exemplo.
A partir de hoje vou tentar que o primeiro post da manhã, publicado ao rondar das 8, seja sempre uma "boa notícia". Pelo menos, fica a intenção...

Late night wander (39)

Os Bebés passam por quatro períodos de crise de crescimento. Ao anunciar a moção de censura ao governo, o BE entrou na primeira fase. Não é possível ainda confirmar se sobreviverá ao segundo período, que ocorrerá quando tiver de se apresentar de novo ao sufrágio dos portugueses.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

E porque não?

Quem quiser, agarre este desafio da Sónia e seja Vencedor(a). Que tal arriscar?

O futuro não pode ser hipotecado aos 50

Terá havido quem interpretasse a letra da canção dos DEMOlinda, que aqui publiquei ontem, como um ataque à canção dos Deolinda e, principalmente, aos jovens. Nada de mais errado. Pertenço a uma geração que sabia, desde tenra idade, que o seu futuro estava traçado: bater com os costados em África, protagonista contrariado, ou conformado, de uma guerra infame e inútil.
Sabia, desde os tempos do liceu, que se chumbasse mais do que um ano, em todo o percurso académico de 16 anos ( quatro de primária, mais sete de liceu, mais cinco de Universidade) seria obrigado a abandonar os estudos para “servir a Pátria”. A única alternativa a esta condenação era fugir do país, sem possibilidades de cá voltar a entrar, sob pena de ser preso e enviado logo de seguida para o serviço militar em condições ainda mais adversas e a certeza de que ao fim de seis meses seria mobilizado para um teatro de guerra.
Convenhamos que este pormenor seria suficiente para perceber que os jovens da minha geração não tinham uma vida fácil pois, mesmo esforçando-se nos estudos, corriam o risco de nunca poder exercer a sua profissão, porque quem ia para África, nunca sabia se regressaria de lá com vida.
Acresce que, no meu tempo, não havia Erasmus, nem Bolonhas, nem grandes possibilidades de ir trabalhar para o estrangeiro legalmente. Não havia linhas de crédito especial , nem programas de financiamento a fundo perdido para jovens que quisessem criar o seu próprio negócio. Não havia as fábricas das jotinhas partidárias, agências de emprego isentas de pagamento de impostos, onde alguns vão construindo o seu futuro sem conhecerem, minimamente, a realidade do país.
Muito poucos eram, no meu tempo, os que podiam dar-se ao luxo de entrar numa Universidade, porque o primeiro obstáculo com que se enfrentavam, era a dificuldade de os pais suportarem os custos dos estudos.Sou de uma geração onde só havia Universidades em Lisboa, Porto e Coimbra. E mesmo assim, como quis seguir Direito, tive de abandonar o Porto aos 17 anos, porque só havia Faculdade de Direito em Lisboa e Coimbra. Só o pude fazer porque os meus pais tinham, felizmente, um conforto financeiro que lhes permitiu dar condições aos filhos para estudar. Aos rapazes, porque à minha irmã mais velha- e à maioria das jovens portuguesas nascidas nas décadas de 30 e 40- esse direito estava socialmente limitado.
Poderia prosseguir este post com uma lenga-lenga de comparações entre as condições de vida dos jovens do meu tempo e a dos jovens de hoje, tentando demonstrar que as possibilidades que se abriam aos jovens do meu tempo eram muito mais reduzidas do que as dos jovens de hoje. Mas não vou por aí, por uma razão simples. O que eu pretendi, com a letra dos DEMOlinda, não foi menosprezar os problemas dos jovens, mas sim chamar a atenção para o desprezo com que é encarada a situação dramática de um conjunto de portugueses que, tendo perdido os seus empregos depois dos 45/50 anos, não têm quaisquer perspectivas de futuro.
Tive a felicidade de viver em nove distritos do país, o que me permitiu conhecer bem a realidade fora de Lisboa. Ainda hoje o meu trabalho me permite vaguear constantemente pelo país, o que me confere a possibilidade de conviver com os dramas de famílias do interior, em que pai e mãe se viram de um dia para o outro no desemprego, sem direito a indemnizações, com o futuro arruinado. Um dia dirigiram-se ao seu habitual posto de trabalho e encontraram as portas fechadas a cadeado e um letreiro a dizer que a fábrica tinha fechado. Máquinas e patrões entretanto, tinham desaparecido para parte incerta.
São estes portugueses, considerados demasiado velhos para arranjar novos empregos e ainda novos para terem direito à reforma, os grandes sacrificados com a crise e foi para eles que pretendi chamar a vossa atenção. Ninguém lhes liga. Nem a comunicação social, nem o governo, nem a opinião pública. Não é com cursos de requalificação profissional que o problema se resolve. Quando muito, adia-se por uns meses.
Uma grande percentagem de desempregados aos 45/50 anos tem, como quase certeza, tornar-se um desempregado para o resto da vida. É importante que nos preocupemos com o desemprego dos jovens, ou as condições de trabalho precárias que o mercado lhes oferece. Mas que país é este que enjeita, com um mero encolher de ombros, o exército de desempregados que dificilmente voltarão a ter oportunidade de trabalhar?
Que raio de sociedade é esta que passa os dias a carpir os jovens à procura do primeiro emprego ( que tantas vezes se recusam a ir à luta, porque é muito mais cómodo ficar em casa dos pais com cama mesa e roupa lavada) a quem, apesar de tudo, é dado um leque variado de oportunidades para trabalhar, e se esquece que há milhares de pessoas que, estando na pujança da vida profissional, não têm esperança no futuro?
Foi para eles que escrevi a “canção” de ontem e é para eles que vou começar a republicar um conjunto de histórias verídicas de que são protagonistas e que recolhi para uns artigos publicados em revistas. Esta gente não pode ser carne para canhão. Tem direito a ser lembrada e nós, velhos e novos, temos obrigação de a apoiar. Um desempregado aos 45/50 anos, não pode ficar à espera de um futuro cheio de nada!

Um Cálice de Porto


Desculpem lá, mas de vez em quando não resisto a enaltecer a cidade onde nasci e deixei, pelo menos, metade do meu coração. Já vos expliquei, diversas vezes, as razões que me levam a gostar mais do Porto hoje em dia, do que no tempo em que lá vivi. Continuo a lamentar que a cidade esteja praticamente esquecida e em nítida recessão, muito por culpa do centralismo obsessivo dos sucessivos governos, mas também por demissão de quem lá vive.
A verdade, porém, é que a cidade do Porto continua a merecer a atenção do mundo e a ser mais apreciada lá fora, do que em Portugal. Depois das distinções mundiais concedidas à livraria Lello, à Casa da Música ou ao restaurante Buhle, de que vos falei aqui, chegou a notícia de que o aeroporto Francisco Sá Carneiro tinha sido eleito o segundo melhor da Europa. Ontem, a cidade foi distinguida com mais três prémios mundiais de arquitectura. Os de maior prestígio mundial.
Nos últimos anos, o Porto foi distinguido com mais prémios mundiais, em diferentes áreas, do que todas as cidades portuguesas juntas. Como me dizia há tempos uma amiga chilena, de visita a Portugal, é difícil perceber a razão de o Porto ser tão pouco promovido internacionalmente. Concordo em absoluto. Até porque, para além da sua beleza arquitectónica e do calor das suas gentes, é um excelente ponto de partida para visitar duas das maiores maravilhas paisagísticas de Portugal Continental e da Europa: o Parque Nacional Peneda/Gerês e o Vale do Douro.
Pois, lá diz o povo que mais vale cair em graça do que ser engraçado…

Ser oportuno ou oportunista?

Cada vez que Pedro Passos Coelho faz uma proposta, tenho a sensação de que está sentado à mesa de um café em Vila Real, em amena cavaqueira com os amigos. Faço um esforço e tento encontrar uma proposta, cujo fundamento não caia pela base. Quem torto nasce, tarde ou nunca se endireita, diz o povo na sua imensa sabedoria. Ora, o líder laranja começou torto, com uma proposta de revisão constitucional prenhe de incoerências.
A necessidade de implantar o modelo dos despedimentos com razões atendíveis, para flexibilizar o mercado, foi desmentida no dia seguinte por um estudo do Eurostat, alertando para o facto de Portugal ser o terceiro país com mais precariedade laboral.
Quando anunciou ao país que era defensor de menos regulação, veio a público o caso da clínica de Lagoa, onde vários pacientes cegaram depois de serem operados.
Aguardava com alguma expectativa a decisão quanto ao apoio ou rejeição à moção de censura do BE. Esperava um golpe de asa, o assumir com frontalidade que queria ser governo e estava disposto a sacrificar-se em prol dos interesses do país. Afinal, não me surpreendeu. Continua à espera do momento oportuno. Ou seja, quando tiver acertado com Cavaco Silva o dia para derrubar o governo, já que não será uma moção de censura do PSD que conseguirá fazê-lo. Entretanto, contrariando as afirmações de Miguel Relvas, António Capucho e outros, que não se cansam de afirmar que o PSD espera o momento oportuno para derrubaro governo, PPC afirma que não é oportunista. Vá lá a gente percebê-los!

Isto é falta, senhor árbitro!

E que tal se os portugueses lhes mostrassem um cartão amarelo? Só para eles saberem que estamos atentos às rasteiradas.

Late night wander (38)

A comunicação social, cumprindo a sua missão de informar, tem dado grande destaque ao facto de apenas dois radares de patrulhamento da costa estarem a funcionar, identficando a sua localização. Narcotraficantes, pescadores ilegais e contrabandistas agradecem a informação.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

É Carnaval...

...ninguém leva a mal. O texto da moção de censura do BE dará entrada na AR no dia 7 de Março, véspera da terça-feira de Carnaval.

Os DEMOlinda apresentam..."Que parvo que eu fui!"

Talvez não saibam, mas sou muito invejoso. Inconformado com o sucesso dos Deolinda, resolvi escrever a uma canção que seja o hino de uma geração que, depois de muito lutar pela Democracia, chegou aos 50 anos e percebeu que tinha sido enganada. Ladies and gentlemen, os DEMOlinda em "Que parvo que eu fui" - o hino da geração dos desempregados aos 50 anos. Em RAP!


Sou da geração
"Usa e deita fora"
Trabalhei a vida inteira
Aos 50 anos deram-me um pontapé no cú
Mandaram-me embora.
E não me incomoda esta
Situação
Que parvo que eu sou

Fiquei sem emprego
Sem direito à reforma
Deram-me a esmola
De um subsídio
Ao fim de dois anos
Sem eira nem beira
Fui para o presídio
Pagar as culpas
Dos responsáveis
Desta bandalheira.
E não me incomoda esta
Situação
Que parvo que eu sou

Prometeram-me a reforma
Aos sessenta
Mandaram-me trabalhar
Até aos setenta
Reaji ordeiro
Mesmo sem receber a reforma
Por inteiro
Que parvo que eu sou

Isto está mal e vai
Continuar
De nada me valeu em jovem
Lutar
Já é uma sorte eu poder
Trabalhar
Até que a morte me venha
Libertar
Que parvo que eu sou

E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde ser escravo
É de louvar

Sou da geração que lutou pela
Liberdade
E chegou à velhice a pedir
Caridade
Que parvo que eu fui

Sou da geração
Que só ia estudar
Quando o papá
Podia pagar.
Saía de casa,
Ainda bem cedo,
Para viver a vida
Na luta, sem medo

Quem não estudava
Bem protestava,
Mas vinha a PIDE,
Logo o acalmava

Se nada tivesse
Bem protestava
Por um futuro dourado
Para quem a seguir viesse
Que parvo que eu fui

Lutei pela vida
Fiquei sem emprego
A reforma era bera
Fiquei à espera
De a ver melhorar
Acabei num Lar
A viver no degredo
Os filhos à espera
De me ver patinar
Que parvo que eu fui

Sou da geração
Já não me queixo
Quero morrer
Dentro dos eixos


Bem pior do que hoje
Outros dias vivi
Estou-me nas tintas
Para o FMI
Que parvo que fui
E ainda sou

Sou da geração
“eu quero mais”
Uma situação que dura
Há tempo demais
De mim ninguém espera
Que dê algo ao País
Só querem que eu morra
Sem direito à reforma
Sem ser estorvo
Para quem cá mora
Que parvo que eu fui

Vou ao Banco
Levantar as poupanças
Olham para mim
Com desconfiança

Andei a trabalhar
Para a alta finança
O que eu poupei
Foi para lhes encher
A pança
Que parvo que fui

E fico a pensar
Que bela democracia
Que fez de mim parvo
Tornou-me um escravo
Da demagogia.

Que parvo que eu fui

2011-o ano de todos os perigos

O Henrique Antunes Ferreira vai proferir amanhã, pelas 18 horas, na Sociedade de Língua Portuguesa uma Conferência subordinada ao tema 2011:o ano de todos os perigos. Em princípio lá estarei. Para lhe dar um abraço, mas também para o interpelar.É que embora concorde que 2011 é o ano de todos os perigos, o que me parece mesmo perigoso é o dia 11 de cada mês. Senão vejamos apenas alguns exemplos:

11 de Setembro: Ataque às Torres Gémeas em Nova Iorque(2001); Morte de Allende em golpe de Estado de Pinochet, apoiado pelos Estados Unidos(1973)

11 de Março: Ataque da Al Qaeda em Madrid (2004); Tentativa de golpe reaccionário em Portugal, liderado por Spínola ( 1975)

11 de Janeiro: Tropas soviéticas lançam o pânico em Vilnius, capital da Lituânia, tentando dizimar o movimento de independência do país (1991) ; ultimato britânico a Portugal ( 1890)

11 de Fevereiro: Queda de Mubarak (2011); Levantamento em Alcatraz (1936)

11 de Abril: Considerado pelo cientista William Pedoe o dia mais chato do século XX (1954)

11 de Julho: Massacre de Srebrnica (1995)

E fico-me por aqui... porque tenho de fazer o último ensaio, antes de apresentar aqui a letra da canção "Que parvo que eu fui" . Aguentem só mais um bocadinho, ok?

Figura da semana

Mário Lopes

Saiu de Ourém , sua terra natal, aos 13 anos, para sejuntar ao pai, que emigrara para França. O pai queria que ele fosse mecânico, Mário queria ser professor primário. As condições financeiras da família não lhe permitiram satisfazer o sonho e Mário começou a trabalhar como aprendiz de cabeleireiro. Fez, num ano, a formação profissional que deveria ser completada em três e, aos 20 anos, abria o seu próprio salão de cabeleireiro nos arredores de Paris. O sucesso foi de tal forma que, ao fim de dois anos, das duas empregadas iniciais passou a onze.
Mudou-se para Paris, atende grandes figuras do jet set parisiense e o seu salão na Avenida Mozart confere-lhe o estatuto de vizinho de Carla Bruni, a quem gostaria de tratar do cabelo, mas ela ainda não teve esse privilégio .
Ganhou vários prémios e foi convidado para a direcção da Haute Coiffure Française, a entidade que delineia as tendências da moda capilar.
Há dias, em conversa com uma amiga de uma amiga, que vai frequentemente a Paris para se entregar aos cuidados de um cabeleireiro francês, perguntei-lhe se conhecia Mário Lopes. Olhou-me com algum desdém e alvitrou:
-É um desse miúdos que agora dão nas vistas nas revistas cor de rosa, porque alguém o convenceu que tem talento, não?
Respondi-lhe na mesma moeda, usando o meu tom sarcástico:
-Não!... É um cabeleireiro português radicado em França há quase 40 anos e que já ganhou duas ou três vezes o título de melhor cabeleireiro de França e outras tantas de melhor cabeleireiro do mundo.
- Ah! Quando for a Paris vou perguntar ao P. se ele o conhece. Mas duvido, os franceses não ligam muito a isso dos concursos - respondeu-me do alto da sua superioridade “coquette”.

Late night wander (37)

Hoje em dia, quando sugerimos a uma criança que aproveite um dia lindo para brincar ao ar livre, ela pega no computador portátil leva-o para o jardim.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Os DEMOlinda no CR

Amanhã apresentarei aqui, em estreia absoluta, a primeira canção do novo conjunto "Os DEMOlinda". O hino de revolta da geração que ficou desempregada aos 50, cuja letra é da minha autoria e intitulei "Que parvo que eu fui!"

Desaparecidos

Dulce Pássaro

Foi vista pela última vez em Outubro de 2009, quando tomou posse do cargo de ministra do ambiente. Dão-se alvíssaras a quem a encontrar.

Dia de S. Valentim


Como todos sabem, hoje é Dia dos Namorados. Começo por isso por desejar a todas as leitoras e leitores do CR um dia muito feliz, sugerindo-lhes no entanto que não aproveitem a data para ir até Warrington ( Inglaterra), para evitarem estes embaraços
Depois deste aviso prévio, falemos então de S. Valentim...
Não é isenta de controvérsia a explicação para S. Valentim se ter alcandorado a padroeiro dos namorados. A Igreja canonizou dois, considerados mártires, e a lenda fala ainda de um terceiro. Todos têm um ponto em comum: foram condenados a penas de prisão ou à morte por fidelidade ao amor, se bem que em épocas diferentes e com justificações diversas. Mais consensual, parece ser a justificação para que o dia em que o calendário litúrgico celebra S. Valentim , desde o século V,(14 de Fevereiro) se tenha passado a denominar Dia dos Namorados.Na Idade Média, o dia 14 de Fevereiro assinalava o princípio da época de acasalamento das aves. Nessa mesma data era hábito, em muitas localidades, que as jovens escolhessem um rapaz como o seu preferido. O eleito era então obrigado a oferecer um presente à jovem que o elegera. Esta prática terá sido levada para os Estados Unidos, no século XIX, por emigrantes irlandeses, que a implementaram em terras do Tio Sam, mas só em meados do século XX, com o advento da sociedade de consumo, terá alastrado a todo o mundo ocidental.Os leitores mais atentos já se terão interrogado: mas se a tradição mandava que fosse o rapaz a oferecer presentes à rapariga que o escolhia, porque é que hoje em dia há troca de presentes entre namorados? A explicação é simples... era necessário adaptar a tradição aos tempos modernos, à medida que a igualdade de sexos ia ganhando espaço. O facto de as jovens passarem a oferecer presentes aos seus namorados naquela data, deve ser encarado como uma forma de valorização do papel da mulher e uma machadada nos hábitos machistas - sociedade de consumo “dixit”. Nos EUA, porém, a tradição já sofreu nova alteração. No dia de S.Valentim, só os rapazes oferecem presentes. Um mês mais tarde, a 14 de Março, é a vez de as raparigas retribuirem. Mais uma vez, foi a sociedade de consumo a alterar as regras...O Dia de S.Valentim de 1929 ficou na História por outras razões... foi nesse ano que os homens de Al Capone, empreenderam uma chacina , com a qual o líder mafioso pretendeu reafirmar e consolidar a sua posição de Chefe da Mafia.