quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Adivinhas de fim de ano

Quantas leis é que Cavaco Silva promulgou este ano, afirmando que o fazia contrariado? Mais difícil ainda... se não estava de acordo com elas porque as promulgou? A pergunta do milhão: afinal para que é que serve este PR?

A figura internacional do ano

Muhammad Yunus
Quando em 1983 fundou o Banco Grameen, para criar o microcrédito, poucos lhe deram importância. Hoje, todos reconhecem que com a sua iniciativa tirou milhares de pessoas da pobreza. Mais importante ainda, conseguiu difundir o conceito do microcrédito a nível mundial, o que conduziu ao aparecimento de organizações em todo o mundo que lhe copiaram o exemplo. Muitos bancos passaram também a incluir nos seus serviços esta modalidade de crédito, que apoia pequenos investimentos a juros baixos.
Prémio Nobel da Paz em 2006, agraciado por Obama com a Medalha da Liberdade em 2009, Muhamamad Yunus esteve no início de Dezembro em Portugal, para apresentar uma nova proposta de combate à pobreza: o negócio social.
Foi praticamente ignorado pela comunicação social portuguesa, talvez aturdida com a desfaçatez da utopia. Nada de espantar, porque a comunicação social portuguesa já se rendeu há muito ao capitalismo selvagem, cujos protagonistas são capa de primeira página quando dão um arroto na China ou na Austrália. Na comunicação social resta pouco espaço para quem acredita na utopia da solidariedade no mundo dos negócios.
E, na verdade, poderá parecer a muitos uma utopia, esta proposta de refundação do capitalismo, assente num novo conceito de lucro social. Muhammad Yunus deposita no negócio social ( de que vos falarei mais detalhadamente nos próximos dias) a mesma esperança que teve quando criou o “utópico” microcrédito. Ganhou a primeira aposta, esperemos que vença também este desafio. Porventura mais difícil de concretizar, mas não impossível.
Porque acredito que o primado das pessoas se há-de sobrepor, mais tarde ou mais cedo, à ganância, escolhi Muhammad Yunus como figura internacional do ano.
E vocês, quem escolheriam?

Esquina da Memória (12)

Quando Cavaco Silva diz que não quer "campanhas sujas" sabe do que fala, pois é perito na matéria. Ou pensa que nos esquecemos desta cena? Ou do silêncio a que se remeteu, depois de lançar suspeitas sobre as escutas?