segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Período de nojo

Já não leio jornais, nem vejo noticiários, desde quarta-feira. Esta manhã ia retomar o hábito de comprar o jornal mas, ao aperceber-me do acto mecânico, decidi prolongar o período de nojo por mais uns dias.

Nós por cá todos bem


Passou o Natal e aproxima-se o fim do ano, semana propícia a balanços.
Na Grécia o caos instalou-se nas ruas de Atenas. Multiplicaram-se as greves gerais, os confrontos com a polícia, houve agressões a um ex-ministro conservador, agora investido em deputado europeu.
Os ciclotímicos italianos elegeram Berlusconni num dia, e no dia seguinte saíram à rua para escaqueirar tudo, chateados com Berlusconni.
Em França, Sarkozy enfrentou a ira popular depois de aprovar uma Lei que obriga os franceses a trabalharem até aos 67 anos.
Em Inglaterra os estudantes protestaram violentamente contra o aumento das propinas, que Cameron prometera não aumentar. No meio da refrega, o Príncipe Carlos escapou por um triz a um ajuste de contas com os estudantes enfurecidos.
Nós por cá todos bem, com a graça de Deus Nosso Senhor. Como chihuahuas amestrados, arreganhamos os dentes e ladramos, ao ritmo das notícias dos jornais, mas comportamo-nos com a civilidade dos brandos costumes. Reduziram-nos as reformas, as comparticipações na saúde, cortaram-nos os salários, o subsídio de desemprego e transformaram os trabalhadores em participantes num jogo de roleta russa, onde só o patrão sabe onde está a bala? Paciência. Cantamos o Fado "Foi por Vontade de Deus", agradecemos a protecção de Nossa Senhora de Fátima , vibramos com o Futebolês e elegemos, sem complexos, candidatos autárquicos condenados por corrupção.
Bendita sejas, Pátria amada.