sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Calendar Girls

Já vos expliquei aqui a minha difícil relação com a época natalícia e o mês de Dezembro.
Este ano o sentimento de angústia agrava-se porque, de antemão, já sei que ao bater das 12 badaladas do dia 31 de Dezembro, passarei a viver num país com mais desigualdades, mais injustiças, pior saúde, reformas mais baixas e agravamento da qualidade de vida.
Por tudo isso, mas também porque um inesperado afluxo de trabalho, a necessidade de fazer alguns exames médicos e de me deslocar diariamente ao hospital para visitar um familiar me têm provocado alguma ansiedade e impaciência que se reflecte no quotidiano.
Tenho, pois, lidado muito mal com os assédios diários de que sou alvo nos hospitais e nos locais onde tenho de me deslocar para fazer exames médicos, ou para os levantar.
Todos os dias, senhoras de boa vontade me interpelam nesses locais pedindo um contributo para a associação X, Y, ou Z. Já reparei que estas instituições se revezam, trocando de locais semanalmente, o que torna inviável a desculpa do “já dei”. Na verdade, já não sei quais foram as instituições para que contribuí no último mês.
Todos os anos a cena se repete. Não costumo recusar o donativo, mas a multiplicação de instituições que fazem peditórios, em época natalícia torna imposível acudir a todas. Pelo menos, é essa a minha sensação e a da minha modesta bolsa.
Tenho o máximo respeito pela maioria destas instituições e pelas pessoas que lá trabalham em regime de voluntariado. Há algumas instituições que apoio ao longo do ano , quer com donativos, quer com trabalho voluntário. Mas este ano, talvez fruto das circunstâncias da minha vida pessoal e familiar, já reagi mal duas ou três vezes. É que não me parece que os hospitais e os estabelecimentos onde vamos porque estamos doentes, ou visitar alguém que nos é querido, em sofrimento, sejam os locais ideais para fazer estes peditórios. Acresce que, embora considere estes peditórios essenciais para a sobrevivência de algumas instituições, cujo trabalho merece o meu reconhecimento, não acredito que os problemas se resolvam com caridadezinha do género “toma lá um boneco e passa para cá 5 euros, ou o que quiseres (puderes) dar”.
No domingo à noite, depois de terminar o meu trabalho, sentei-me um bocado diante do televisor, a fazer “zapping”. Parei na RTP 1 e fiquei a ver o filme Calendar Girls. Baseado numa história verídica, passada numa recôndita aldeia inglesa do Yorkshire, o filme relata a história de um grupo de mulheres já bem entradas na idade. Cansadas de angariar fundos para uma instituição a fazer doces, tricô ou arranjos florais, decidem fazer um calendário , onde mostram as suas habilidades domésticas, no intuito de angariar fundos para o hospital local. Numa decisão controversa e arrojada , dispõem-se a revelar, a par das suas habilidades, um pouco da sua nudez (como podem ver na foto).
Não estou a sugerir que as instituições portuguesas sigam o exemplo, apenas peço que tenham alguma sensibilidade e não façam os peditórios em locais onde as pessoas que por lá passam estão em sofrimento. E se puderem ser um pouco mais criativas, melhor ainda...
Desculpem o desabafo.

Pelo país dos blogs (Especial Natal)

Hoje, como se aproxima o fim de semana e o Natal está à porta, recomendo-vos mais do que um blog. Para começar, vão aqui ler um interessante conto de Natal colectivo.
Depois leiam com atenção os 10 contos de Natal que se apresentaram a este concurso ( Tive muita pena, mas não pude concorrer, embora fosse essa a minha intenção).
Finalmente, convido-vos a observar com atenção estes belos exemplares de ovelhas de presépio.
Tenham um bom fds. Eu volto logo, depois das compras. Até já...