terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Concurso Ovelhas de Presépio

Quase a terminar o prazo para a entrega de candidaturas ao concurso da Barbearia, encontrei este exemplar na rotunda do aeroporto. Perguntei-lhe a razão do equipamento. Respondeu-me que ia participar no presépio em Belém e lhe tinham recomendado algumas precauções. Esqueci-me de lhe perguntar se ia para Belém, ou vinha para Belém ,mas também não faz mal, porque seja qual for, o melhor é estar preparado para o pior. Pedi licença para lhe tirar uma foto que, de imediato enviei ao sr. Luís. Se não for a vencedora, o júri que se cuide...

Do Céu ( não) caiu uma estrela


A SIC foi condenada a pagar 25 mil euros a uma concorrente do “Ídolos” que se queixou de ter sido enganada pela estação de Carnaxide. Argumentou a concorrente, depois do fiasco de vendas de um disco, que a promessa de notoriedade que lhe fora garantida não se cumpriu, o que lhe terá provocado uma depressão.
Creio que esta notícia também não teve a notoriedade que merecia. É que, enquanto digeria a sentença do senhor doutor juiz, não pude deixar de reflectir um pouco sobre o relevo que tem sido dado a outros casos de figuras de “talk shows”temporariamente mediatizadas pelas piores razões.
Jovens acusados de extorsão, assaltos e sequestro. Tentativas de suicídio. Agressões. Mortes violentas. De tudo isto se pode encontrar quando analisamos o percurso de jovens vedetas que ascenderam ao estrelato, através de “reality shows” como o Big Brother ou de telenovelas como Morangos com Açúcar.
Dito assim, até pode parecer que estou a insinuar que a TVI é um alfobre de delinquentes. Nada disso. A razão que me leva a abordar este assunto, prende-se com os efeitos que o mediatismo exerce em alguns jovens que saltam do anonimato para as capas de revistas cor de rosa graças a séries, novelas, ou outros programas de sucesso na televisão.
Talvez não chegue ponderar nos “castings” os efeitos que uma carinha laroca, um corpo apetecível - quiçá algum talento que o tempo burilará- poderá produzir no aumento das audiências e no merchandising.
Talvez valesse a pena analisar, também, a capacidade que os jovens revelam para lidar com o sucesso, para aguentar a pressão de um mediatismo que os eleva, num ápice, a estrelas constantemente requisitadas para abrilhantar cortejos de Carnaval, romarias de Agosto ou festas natalícias.
Como parece provar-se pelos casos que vêm a lume, alguns destes jovens ou não têm estofo para aguentar a pressão, ou entram numa espécie de euforia mediática que altera os seus comportamentos e os leva a cometer actos que ninguém admitiria que fossem capazes de praticar.
Creio- é apenas uma suposição- que muitos jovens que de repente se vêem a encarnar personagens de ficção são levados a fazer uma conexão perigosa entre fama e impunidade e por isso não medem a dimensão dos seus actos. Acabam por confundir a sua personagem com a sua vida real e está o caldo entornado.
Talvez fosse bom que os media falassem mais sobre isso. Talvez fosse bom que alguém estudasse o assunto.Talvez a jovem que a SIC vai ser obrigada a indemnizar tenha tido sorte, por não ter atingido a notoriedade que lhe prometeram. Talvez...

Pelo país dos blogs

Um novo visual, mas a qualidade de sempre. Em prosa e verso.