domingo, 12 de dezembro de 2010

Era Verão em Estocolmo


Às sete da tarde, a temperatura em Estocolmo era de 24º, convidando a desfrutar, numa esplanada, as soberbas paisagens que a cidade oferece. Atravessei Gamla Stan, em direcção a sul. Subi no elevador até ao bairro de Mosebacke, no intuito de me sentar na soberba esplanada do Södra Teatern, de onde se podem admirar os canais, espreguiçando-se entre o casario, desde Djürgarden até Kungsholmen- o bairro aristocrata, onde vivem os mais endinheirados.
Mosebacke é, por contraste, a porta de entrada para Soddermälm, onde habita a classe operária. Curiosidades…
A esplanada estava a abarrotar, as pessoas acotovelavam-se junto aos balcões para pedir uma bebida, mas lá descortinei uma mesa para seis pessoas, de onde podia gozar todo este esplendor que vêem na imagem.
Estava de máquina aperrada, hesitando em ferir com a minha imperícia de fotógrafo, a imaculada paisagem, quando duas jovens suecas pediram para se sentar. Como é natural, entabulámos conversa, ficaram muito curiosas quando lhes disse que vivera em Estocolmo há 30 anos e fartaram-se de me fazer perguntas sobre as diferenças entre a cidade de hoje e daquela época.A determinada altura uma delas levantou-se, regressando alguns minutos depois com três copos de cerveja. Soltou um desabafo em sueco - que não traduzo - e depois disse em inglês:

- Com a crise, a Suécia está a ficar irreconhecível*. Agora temos que nos levantar para ir buscar bebidas ao balcão! Não seria mais normal que, em plena crise, empregassem pessoas, diminuindo o desemprego? Em Portugal também é assim?
- Não! De maneira nenhuma, minha cara…. Em Portugal os patrões empregam as pessoas, mas depois não lhes pagam os salários ao fim do mês, o que é muito mais cómodo para quem tem trabalho e vencimento asegurado ao fim do mês.
Olharam-me, meias incrédulas e depois soltaram uma gargalhada.
- Estás a brincar, não estás? Aqui, um sujeito desses ia logo prezo e confiscavam-lhe os bens, até pagar as dívidas. Sempre que uma empresa vai à falência, os primeiros credores são os trabalhadores.
- Mais ou menos como em Portugal- respondi tentando esconder o riso.
Bebi um gole de cerveja e desviei a conversa para outro tema menos confrangedor, evitando mostrar-lhes que vivo num país terceiro mundista, onde grassa o egoísmo e os vigaristas são sempre recompensados.
*Na segunda metade da década de 90, do século passado, os trabalhadores suecos foram confrontados com três opções: um aumento dos impostos, a redução do salário, ou cortes nas reformas, que atingiriam os trabalhadores já reformados. Trabalhadores, patrões e Estado chegaram a acordo e a decisão foi reduzir os salários entre 0,1 e 0,5 %, ( de acordo com o vencimento) e aumentar os impostos para os salários mais elevados. Foram igualmente cortadas algumas mordomias dos administradores das grandes empresas, revertendo o valor desses custos anuais, para a segurança social. Ficou assim assegurado o valor das reformas actuais e futuras, durante um período de 30 anos.

Hmmmm!!!


A Carla perguntava-me há dias na caixa de comentários: "o que são amêijoas? "

Minha cara amiga

Nada melhor do que uma foto para lhe mostrar estes magníficos bivalves, baptizados com o nome de amêijoas. Cozinhados à Bulhão Pato, ou na cataplana, põem as minhas papilas gustativas aos saltos e a língua a tocar castanholas com o palato. Nunca experimentou?