sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Um apelo ao boicote

O trio do costume chumbou na AR o projecto do PCP que pretendia tributar já este ano os dividendos, a que algumas empresas habilmente fugiram antecipando a sua distribuição.
Não acuso exclusivamente o partido do governo e os seus dois aliados pela recusa em aprovar um diploma que reporia alguma justiça na repartição dos custos da crise. Compreendo que, se essa medida fosse aprovada, os hipersensíveis mercados reagiriam negativamente, porque alterar as regras a meio do jogo não é próprio de um Estado de bem.
Claro que o governo e os pendericalhos que suportam a sua política não agem com os mesmos cuidados, quando se trata de cortar nos salários da função pública ou alterar as regras das reformas, porque nesses casos os prejudicados são os trabalhadores, esses empecilhos que impedem os glutões de concretizar, ainda mais alarvemente, a sua ganância. Mas isso agora não interessa nada… Importa é lembrar que neste caso de fuga à tributação dos dividendos, quem merece mais duras críticas são empresas como a PT, a Jerónimo Martins ou a Portucel. Porquê? Porque, apesar do seu comportamento revelador de falta de ética e sensibilidade social, continuam a propalar nos seus relatórios de sustentabilidade, o compromisso com a Responsabilidade Social.
Como não há outra forma de pôr essa gente na ordem, proponho que os consumidores reajam contra a política prosseguida por estas empresas, através do boicote aos seus produtos. Deixando de se abastecer no Pingo Doce e transferindo-se da PT para outro operador. Só penalizando as empresas que nos aldrabam, poderemos ter esperança de, algum dia, elas se comportarem de forma civilizada, respeitando os consumidores que as engordam.

Alkimias de Outono

( cenário: Figueira da Foz, numa tarde soalheira de Outono)
O nome ( Alkimia) sublinhado pela palavra “creperie” chamou-me a atenção. Vinha mesmo a calhar um crepe àquela hora tardia para almoçar e ainda temperana para a janta. Entrei, resoluto. A lista contemplava apenas meia dúzia de ofertas. Variedade escassa para uma “creperie”, mas enfim... decidi-me por um crepe tropical ( fiambre queijo e ananás) .
A proprietária, senhora idosa, franziu o sobrolho e perguntou:
- Não prefere um Florestal?
Remirei a lista, mas os ingredientes não me despertaram qualquer salivar . As papilas gustativas mostravam-se indiferentes à proposta.
- Não, prefiro mesmo o Tropical.
A sexagenária hesitou e depois, enfrentando-me “olhos nos olhos” disse de sua justiça:
- Esse não lho posso fazer. Sabe, tinha que abrir uma lata de ananás e depois, se não vierem mais clientes pedir um igual , fico com a lata aberta e tenho que a deitar fora. É muito prejuízo!
Apreciei a sinceridade da senhora ( poderia ter dito simplesmente que não tinha ananás e o assunto ficava por ali). Optou por ser sincera mas, ao mesmo tempo, pôs-me a reflectir sobre a realidade dos negócios familiares em Portugal. Falta profissionalismo, sobra ganância e subsidiodependência. Não é assim que vamos lá...

Danúbio Azul



Naquele triplo bailado de Falcão, fazendo balançar o véu da noiva em paisagem de neve vienense, não foi apenas a gloriosa vitória de 1987, com o efabulado toque de calcanhar de Madjer, que recordei. Foi também uma manhã de Dezembro de 87,em Tóquio, que levou o azul e branco ao pedestal mais alto das vitórias alguma vez alcançadas por equipas lusas, perante os bravos uruguaios do Peñarol.
Talvez seja provinciano, quiçá bairrista, mas se alguém que não vista de azul e branco a sua paixão, fizer prova de uma outra conquista tão gloriosa nos anais da futebolíada lusa, reconhecerei humildemente o meu provincianismo tripeiro.
O adversário de ontem era fracote, é certo, mas foi graças a ele que recordei Artur Jorge e o Danúbio. Sempre azul! E também branco, como a bandeira azul-celeste da minha Argentina.

Pelo país dos blogs

Adoro folhear este Bloco de Notas, à Beira Tejo