quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

S. João da Madeira: uma agradável surpresa

Pelo terceiro ano consecutivo, o INTEC ( Instituto de Tecnologia Comportamental) escolheu o melhor município português para se viver.
Este ano a escolha recaiu sobre S. João da Madeira, cidade a que me ligam inúmeras recordações e laços afectivos, como muitos saberão. Exultei com a notícia, mas fiquei surpreendido e quis saber quais os parâmetros que conduziram à escolha:
- economia e emprego; acessibilidade e transportes; urbanismo e habitação; diversidade e tolerância; identidade, cultura e lazer; ensino e formação; turismo e ambiente; saúde; felicidade foram os parâmetros de avaliação que determinaram a escolha.
De acordo com o INTEC os habitantes de S João da Madeira são os que se mostram mais satisfeitos com a vida em geral ( os mais felizes, portanto), os que têm a maior taxa de escolaridade no ensino secundário e a cidade dispõe das melhores acessibilidades e transportes de todo o país, sendo ainda a cidade mais limpa e com melhores espaços verdes.
Acrescentaria ( da minha lavra) que S. João da Madeira dispõe ainda de bons equipamentos desportivos e espaços culturais de excelência, que o Museu da Chapelaria merece uma visita demorada e que em breve, parte das instalações da fábrica Oliva vão servir de abrigo a um Centro de Arte Contemporânea de que já falei aqui.
Existe também um restaurante ( Casa dos Teixeiras) localizado na casa que me traz boas recordações da infância e de que vos falei há tempos. Não sei se continua a servir bem, mas sei que a última vez que lá estive não pude deixar de me emocionar ( uma vez mais) quando passeei pelos jardins onde brinquei tantas vezes, vi o quarto onde dormia, transformado numa espécie de privado, e jantei na sala onde toda a família se reunia na véspera de Natal.
Entretanto, ainda a Norte, o Porto foi classificado como cidade com melhor saúde e Santo Tirso ( outro concelho que se liga com a minha infância) aquele onde os habitantes mostram maior satisfação em relação aos serviços médicos.
Boas notícias, enfim, deste país que hoje me conduziu a alguns desabafos de desagrado, mas onde também há notícias que me trazem boas recordações.

A minha Pátria é o Mundo


( este post não deve ser lido por pessoas sensíveis)
Nunca tive a noção de Pátria. Pelo menos, enquanto baseada naquele conceito abstruso e redundante que me tentaram incutir desde pequenino e se reduzia ao dever de amar o país onde nasci. Para mim, é mais importante o apelo do sangue que me corre nas veias, do que o país onde nasci. Que me lembre, apenas uma vez vibrei a cantar o hino nacional. Foi em circunstâncias que não vou agora aqui recordar, mas em nada tiveram a ver com o amor à Pátria.
Cresci a odiarSalazar e aquilo que ele representava.
Rejeitei sempre as manifestações patrióticas, o espírito da Mocidade Portuguesa e nunca tive grande orgulho em ser português. ( Desculpem-me os patriotas...) Sempre desconfiei do Estado, que nunca vi como pessoa de bem. Nunca me empolguei com a vitória de Aljubarrota, um conto de fadas com uma faceta épica, nem com as campanhas em África, em defesa da unidade nacional.
O meu herói não foi Nun’Álvares Pereira, mas sim Símon Bolívar.
A minha Pátria é o sangue que me corre nas veias e nada tem a ver com Portugal. Tem a ver com o mundo, essa "abstracção" que me apaixona pela diversidade e pelos contrastes das civilizações que o compõem, que alguns aniquilaram em nome da globalização, cujo principal escopo é a imposição do pensamento único.
Há muitos anos que me "zanguei" com Portugal. Com o mesmo ardor com que o servi, enquanto funcionário público, o desprezei no momento em que percebi que os sucessivos governos não queriam servir o país, mas apenas servir-se dele. Quando percebi que o Estado não tem palavra e faz letra morta de acordos estabelecidos com os seus cidadãos, para servir os interesses de grupos económicos estrangeiros, renunciei. Como posso servir um grupo de gente sem palavra, que num dia faz uma lei e meses depois a altera, ao sabor das suas conveniências, frustrando expectativas que ajudou a criar?
Estamos em crise? Claro que sim. Mas, mais do que a crise financeira que nos assola e miserabiliza, preocupa-me a crise de valores. Morais e humanos. Preocupa-me a saúde da democracia. Em Portugal e na Europa.Esta ausência de regras ( ou melhor, a possibilidade de o Estado as poder alterar da noite para o dia, rasgando um contrato por cujas regras os cidadãos guiaram a sua vida) obriga-me a desrespeitar o Estado. Não confundo o País com o governo que me cobra os impostos, põe e dispõe do meu salário, da minha saúde, ou condiciona a minha educação. Os governos ( sejam eles quais forem) são, no entanto, os intérpretes do Estado e os primeiros a denegrir o país. Porque não respeitam a sua História, a sua Cultura, o seu Património Natural e Arquitectónico , menos ainda a sua honorabilidade. Como cidadão que se sente usurpado nos seus direitos e no seu património, violado na sua consciência de cidadania, não me sinto obrigado a respeitar um Estado sem palavra que me rouba, rasga contratos e zomba das regras que acordou comigo, esgrimindo como justificação para o livre arbítrio, o poder que lhe foi conferido pelos cidadãos em eleições democráticas.
Não vejo razões para celebrar o dia de hoje. Pior ainda, não consigo sentir nem um leve frémito de emoção quando me dizem que vivemos em democracia e “graças a Deus” somos independentes. São duas mentiras de uma assentada, propaladas com enorme desfaçatez que me fazem lembrar Goebbels, o ministro da informação de Hitler, cuja máxima era “ uma mentira muitas vezes repetida torna-se verdadeira”.
Portugal não é a minha Pátria. É um pacto que assinei com o Diabo no dia em que nasci e aqui me mantém como refém. Estou-me marimbando para esta independência da treta. O que eu gostava, mesmo, era de celebrar a independência dos cidadãos do mundo. Era de comemorar com eles a libertação do jugo deste capitalismo selvagem que nos oprime. Este modelo de barbárie, tão ou mais violento do que o pós Revolução Industrial, assenta no poder financeiro e não só tem magníficos intérpretes nos governos, como acérrimos defensores numa comunicação social servil que troca a sua verticalidade por meia dúzia de fofocas que façam aumentar as tiragens.
Por muito que me encante com as maravilhas naturais deste país, não posso amar uma Pátria que prossegue valores em que não me revejo.
Em tempo: Antes que alguém me pergunte porque não volto a emigrar, lembro que já expliquei isso num post escrito em Outubro. Não foi por falta de vontade,. Não foi por falta de oferta de trabalho. Foi apenas porque não posso abandonar quem, na sua provecta idade de 96 anos, se viu privada de quem cuidava dela e agora precisa de mim.

Somos livres?


Hoje celebra-se o Dia da Independência de Portugal, depois de 60 anos sob jugo espanhol. Haverá razões para celebrar a independência, quando estamos sob as ordens de um grupo de especuladores sem rosto que obrigam o governo a tomar medidas políticas e laborais que nos asfixiam tanto ou mais do que os Felipes? Seremos efectivamente livres?

Olha a grande novidade....

Anda por aí muita gente surpreendida com esta notícia, mas... qual é o espanto?