terça-feira, 30 de novembro de 2010

A infiltrada

O Ocidente exultou com a queda do Muro de Berlim e a reunificação da Alemanha. O que os europeus não imaginavam é que, 20 anos depois, uma contabilista nascida na RDA haveria de dirigir a Alemanha unificada e prosseguir uma política que pode conduzir à destruição das bases da União Europeia.

Banho de espuma


Nos idos de 70, pouco depois de terminado o PREC, tive um colega de trabalho que me acusava de ser burguês, porque tomava banho todos os dias. Dois banhos por mês para ele era suficiente e tinham de ser sempre duches muito rápidos. Ria-me bastante com aquela infantilidade revolucionária de um finalista de economia que jurava fidelidade à causa do proletariado e odiava na mesma proporção os revisionista e os burgueses como eu que se davam ao luxo de tomar banho todos os dias.
Passaram 33 anos. Não sei se o jovem revolucionário toma banho diariamente mas, se não o faz, deve ser o único resquício revolucionário que ainda alimenta. Hoje é quadro superior num banco, só veste roupa de marca ( embora de gosto duvidoso) do seu corpo exala um aroma de perfumes caros e conduz um Audi topo de gama.
Lembrei-me dele porque li no “i” uma reportagem sobre uma tendência que está a aumentar nos Estados Unidos: tomar banho é desnecessário, lavar o cabelo um disparate e usar desodorizante um desperdício. Segundo Jenefer Palmer, uma entusiasta deste novo modelo de higiene, para estar limpo basta passar uma toalha embebida em sabão debaixo dos braços, nas solas dos pés e entre as pernas!
Quando acabei de ler a reportagem dobrei as páginas, meti-as num envelope e enviei-as para o banco onde trabalha este meu ex-colega, com um cartãozinho onde escrevi:

Caro J
Mais de 30 anos depois devo reconhecer que tinhas razão. Tomar banho todos os dias é mesmo um luxo burguês, como podes ler nesta reportagem. Como me dizias na altura, um revolucionário tem sempre razão, é tudo uma questão de tempo. Quem havia de dizer , meu caro,que seriam os imperialistas americanos os primeiros a reconhecer ( a seguir aos belgas, irredutíveis badalhocos) o acerto dessa tua fervorosa teoria revolucionária?Olha, fico-me por aqui, porque tenho de ir tomar banho. Continuo um irredutível burguês.
Grande abraço

PS: Envio-te esta fotografia de um banho. Imagina o que perdeste ao longo da vida! Eu sei que estes banhos não são muito ecológicos, mas são tão revigorantes...


Mais uma oportunidade perdida?


Ano passado, durante a cimeira de Copenhague sobre as alterações climáticas, manifestei desconfiança quanto à possibilidade de a cimeira de Cancún- que ontem se iniciou - vir a alterar o panorama de pessimismo que se instalou na capital dinamarquesa.
Escrevi na altura:
"Acredito que ( apenas) em 2012 seja possível chegar a uma plataforma de acordos mínimos, mas não mais do que isso. A crise económica e financeira não estará ainda resolvida em 2012 e os senhores que governam o mundo continuarão a privilegiar o desenvolvimento económico em detrimento da sustentabilidade do Planeta.
Um dia- talvez não muito distante- as gerações mais jovens vão cobrar a esta geração de políticos acéfalos a sua incúria com a preservação da nossa casa comum e perguntarão para que serviu garantir a sustentabilidade económica e financeira, se a vida na Terra se tornou insustentável mas, muito provavelmente, a maioria dos responsáveis pela degradação das condições ambientais, não estarão cá para lhes responder."
Antes de se iniciar a cimeira de Cancun, as expectaivas eram muito reduzidas. Ninguém espera grandes resultados. Nem pactos, nem consensos alargados, parecem possíveis. Continuaremos alegremente a olhar para o futuro com indiferença, negligenciando os efeitos da nossa incúria sobre as gerações vindouras. Salvaguardadas as diferenças climáticas, o balanço da Cimeira não andará muito longe deste cenário.

Pelo país dos blogs

Fez dois anos há poucos dias esta Candeia, cuja luz ilumina a blogosfera com grande intensidade. Todos os posts nos proporcionam belos momentos de reflexão, ou imagens de grande beleza, mas optei por destacar este, porque aborda um tema que muito me tem preocupado nos últimos dias