segunda-feira, 22 de novembro de 2010

De mão estendida ( mas só às vezes...)


Quando Ramos Horta manifestou disponibilidade para Timor Leste vir a comprar alguma dívida portuguesa, Cavaco Silva respondeu que “Portugal não estava de mão estendida”.
Ao receber Obama durante a cimeira da Nato, o actual e futuro PR mudou de opinião. De mão estendida pediu-lhe que exercesse os seus empenhos para que os EUA comprassem mais produtos portugueses.
O que me espanta não é a mudança de atitude de Cavaco. Nem a sua ignorância quanto à impossibilidade de Obama poder satisfazer o seu pedido, porque as empresas americanas não são dependentes do Estado ( ao contrário do que acontece com a maioria das empresas portuguesas, cuja sobrevivência depende dos subsídios e das compras feitas pelo Estado).O que me espanta, preocupa e envergonha, é saber que os portugueses vão reconduzir Cavaco no cargo de PR, por mais cinco anos.

Privatização da RTP e direito à informação

A televisão pública holandesa ( NOS) não foi privatizada. No entanto, por iniciativa do partido de extrema-direita que integra a coligação governamental, vai deixar de ter site na Internet a partir de 2011. O pretexto invocado pelo PVV é que a NOS está a fazer concorrência desleal aos jornais on line.Provavelmente sou muito burro e não percebi o argumento, mas a motivação para esta medida é bem perceptível.
Pedro Passos Coelho já se declarou favorável à privatização da RTP sendo essa, muito provavelmente, uma das primeiras decisões que tomará quando se instalar em S. Bento. Compreendo que a direita rejubile com a medida. Vejo com mais apreensão que haja jornalistas que a apoiem fervorosamente. É que privatizar a RTP significa coarctar o direito dos portugueses à informação. Por muitos argumentos que alguns jornalistas invoquem, em defesa da privatização da RTP, não poderão ignorar que a televisão pública é o único canal aberto que dá aos portugueses uma programação alternativa às telenovelas em horário nobre. Desde documentários a seriados sobre a nossa História, passando por debates políticos, programas sobre ambiente, questões sociais e solidárias, a RTP oferece um leque agradável de opções a quem não tem televisão por cabo. Poder-se-á questionar se programas como “Quem quer ser milionário” ou “ O Preço Certo” devem fazer parte da programação de uma televisão pública. Pessoalmente, penso que sim, pois o entretenimento não deve ser afastado da programação de um canal público.
As audiências demonstram que os portugueses vêem na RTP uma alternativa. A televisão pública aparece de forma quase constante à frente da SIC ( terminará o ano no segundo lugar, a seguir à TVI), o Telejornal da RTP é, quase sempre, o mais visto pelos portugueses e, se somarmos as audiências dos dois canais públicos, a RTP é a televisão com mais audência quase todos os dias.
A RTP África e a RTP Internacional desempenham um papel importante na lusofonia e são um elo de ligação dos PALOP. A RTP Memória ( embora não disponível em canal aberto- o que em minha opinião é lamentável) é um manancial de memórias de bons momentos de televisão que se fez em Portugal . Claro que eram dispensáveis aqueles jogos de futebol de há 40 anos, mas isso é outra história... Finalmente, vários estudos de opinião têm demonstrado que a RTP é uma das marcas que merece mais confiança dos portugueses.
Por tudo isto tenho alguma dificuldade em entender ( ou talvez não…) as razões que levam alguns jornalistas, tão preocupados com a liberdade de expressão, a fazer uma defesa acérrima da privatização da RTP, esquecendo que é o único canal que assegura o direito à informação. Será porque convivem mal com o anonimato e vêem na privatização da RTP uma janela de oportunidade, que essses jornalistas tanto pugnam pelo fim da televisão pública?

Portugal não é só fado...


Nos anos 80 o país, entusiasmado, cantava e dançava ao som desta canção dos GNR.
Em 1986 cumpriu-se o desejo. A CEE passou a CE e depois a UE. Vinte e cinco anos depois, acabada a teta dos milhões diários vindos de Bruxelas, com as finanças exauridas pelo desperdício dos que nos governaram na última década e ameaçados por uma GNR vinda do Leste europeu,a canção que muitos portugueses entoam hoje em dia é esta.
De qualquer modo, não exagerem e párem a tempo...

Pelo país dos blogs

Retomo hoje a rubrica Pelo país dos blogs. Começo com uma visita a um gabinete onde sou sempre muito bem recebido. Esta estória de vida é, infelizmente, um retrato actual do drama vivido por muitas pessoas em Portugal. Ide ler, ide ler!