sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O último adeus

Leitora amiga fez-me chegar esta notícia. Tal como ela, fiquei comovido com esta manifestação espontânea dos lisboetas a uma figura que se tornou um símbolo das noites da cidade.Nem a senhora Olinda - que há anos me delicia com as castanhas assadas com esmero no Saldanha- faltou ao último adeus que, durante duas horas, tornou Lisboa uma cidade mais humana. Há pequenos gestos que calam fundo e nos fazem acreditar que um mundo melhor é possível.
( Aconselho-vos a ver o video no fim da notícia).

Super Cholita, a heroína boliviana


Em 1992, o Nobel da Paz foi atribuído a Rigoberta, uma índia guatamelteca (cuja história de vida aqui trarei em breve) que graças à sua luta em defesa dos direitos dos indígenas, se tornou conhecida no mundo inteiro.
Quase 20 anos depois, na Bolívia de Evo Morales, surgiu uma nova heroína indígena:Super Cholita.
Criada por Rolando Valdez, um comerciante que ganhava a vida a vender discos pirata na feira da cidade boliviana de El Alto, no Altiplano, Super Cholita é uma figura de banda desenhada apostada em contribuir para a revalorização das culturas indígenas e realçando o papel da mulher na nova sociedade boliviana, que se vai afastando das influências norte-americanas e japonesas.
Baixa e gordinha, Super Cholita veste polleras ( saiotes coloridos usados pela alta sociedade crioula do século XIX) e uma capa com o sol inca bordado no peito.
Incansável lutadora, pugna por justiça e igualdade, pelos direitos das mulheres e dos trabalhadores, mas é uma cidadã comum, por isso não se coíbe de subornar funcionários públicos ou roubar feirantes no mercado, alegando que a culpa é da crise que toca a todos. Gulosa e folgazona, gosta de dançar nos bailes populares e está-se marimbando para a linha e para as dietas, não resistindo ao chuño ou à tunta ( iguarias típicas do Altiplano, confeccionadas com produtos que apenas se encontram na Bolívia), ou às llauchas e salteñas, inolvidáveis empadas de recheios variados, onde muitas vezes não falta o aji, uma especiaria picante e aromática típica desta região.
O sucesso desta heroína de banda desenhada – que durante as suas aventuras vai aproveitando para dar umas bicadas nos gringos- tem sido estrondoso, mas não subiu à cabeça de Valdez, que não pensa enriquecer à sua custa. Habituado a ganhar dinheiro com a pirataria, afirma que não cobrará direitos de autor a quem a quiser dar a conhecer noutros países, porque o seu maior interesse é que o mundo compreenda o modo de viver e pensar dos bolivianos.

Crise? Qual crise?

Depois da vinda do Papa, mais uma tolerância de ponto. A NATO paga a despesa?

Coveiros

Chegou o momento de assumirmos que fomos os coveiros da sepultura em que atascámos o país. Uma justiça regendo-se com fequência por critérios políticos, amancebada com um jornalismo serôdio, uma opinião dita e publicada prenhe de conotações partidárias, sem um rasgo de inovação de pensamento, um sector empresarial ganancioso, uma classe política que pensa mais no seu futuro do que no futuro do país e um povo embrutecido pelos prazeres do consumismo, incapaz de reagir a outros estímulos que vão além das Redes Sociais e dos noticiários feitos à medida, são os responsáveis pelo estado deplorável a que chegámos.
Não há inocentes neste crime de auto-destruição insana a que nos propusemos e conseguimos almejar com pleno sucesso.