quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Gatos de contrafacção

Não sabia que estes gatos escreviam num jornal desportivo, até ao dia em que um leitor do CR teve a amabilidade de me enviar uma série de crónicas de RAP. Fiquei estupefacto com o que li. Era pago para falar de futebol com humor mas, além de nunca ter escrito sobre futebol, utilizava o espaço para destilar ódio e atacar dois colunistas afectos a um clube que odeia. Fazia as insinuações mais torpes e bandalhas que alguma vez li na comunicação social portuguesa mas, de futebol, nem uma linha.
Fiquei a saber, há um mês, que RAJ tinha outra alma gémea que afinava pelo mesmo estilo. Quem tiver lido algumas das crónicas de RAP e JDQ sabe que o que ali há é falta de carácter. Vítor Serpa terá levado tempo demais a perceber isso e talvez já esteja arrependido de um dia os ter convidado para escrever n”A Bola”. Mimados, ficaram muito ofendidos por Vítor Serpa não ter dado guarida a mais um insulto, amuaram e despediram-se. Não tenho dúvida de que a desistência se deve ao facto de o fanatismo clubista lhes ter tirado discernimento e não tolerarem que MST e Rui Moeira escrevessem apenas sobre futebol , reduzindo-os a um par de idiotas.
Agora armam-se em vitimas e dizem que foram censurados. Pobres diabos, que nem honram o nome dos gatos, animais com personalidade, altivez e, acima de tudo, muito carácter. Coisa que RAP e JDQ demonstraram desconhecer.

O senhor Procurador


Era uma vez um procurador adjunto do Mi(ni)stério Público que procurava na Madeira. Por razões não explicadas, mas certamente relacionadas com a solidão que ataca muitas pessoas que vivem em ilhas, o procurador-adjunto gostava de frequentar à noite casas de alterne e de se (ad) juntar às raparigas que ali ganhavam a vida.
Tudo parecia correr bem, até ao dia em que o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) efectuou uma rusga ao bar e algumas das raparigas brasileiras que lá trabalhavam identificaram o procurador como cliente habitual, com direito a bebidas e sexo grátis, em troca de informações sobre um processo que corria contra um dos proprietários do bar.
Consequência imediata da denúncia, foi levantado um processo disciplinar ao procurador que, face à evidência das provas, foi suspenso pelo Conselho Superior do Ministério Público por 210 dias e obrigatoriedade de transferência para uma comarca do distrito judicial de Lisboa.
Pena leve para tão torpe crime de um agente da justiça, pensarão alguns. Diferente, porém, foi a opinião do procurador. Inconformado com a pena, recorreu para o Supremo Tribunal da sua área que considerou a versão das raparigas “inverosímil” e “fantasiosa”, porque “o procurador nunca tinha sido alvo de um processo semelhante”.
Ora aqui está um argumento inteligente e bem fundamentado, que poderá vir a ser utilizado por advogados perspicazes, no dia em que lhes couber defender um energúmeno que matou à pancada a mulher.
“ O meu cliente culpado, senhor dr. Juiz? Ele nunca matou nem sequer uma mosca, nunca atropelou cão nem gato e trata com desvelo a amante, como é que pode ser acusado de tão nefando crime?”
Mas e o testemunho dos filhos?- retorquirá o juiz.
Confortado com o argumento dos doutos magistrados, de que não seria admissível que uma alternadeira estivesse à altura de extrair de um magistrado informações secretas, o perspicaz advogado reiterará:
“ Ora, os filhos, Meritíssimo! Gente nova que gosta de passar as noites em discotecas, beber uns shots , por vezes até fumar o seu charrozito e deitar-se quando o Sol vai alto, que credibilidade pode ter? Nos tempos que correm os filhos perderam o respeito pelos pais, se eles não os cumularem de presentes, são muito bem capazes de fazer chantagem. Deveremos dar-lhes credibilidade, Meritíssimo?"

Globalização: a verdade da mentira

Há uns anos prometeram-nos que a globalização traria bem estar para todos. Em Seatle, Nova Iorque, Durban, Joanesburgo, Londres ou Paris, milhares de pessoas manifestaram-se denunciando a mentira que estava escondida nas promessas. Foram acusados de agitadores, esquerdistas, inimigos do progresso. Hoje, a realidade não engana e a verdade é esta: a globalização apenas serviu para aumentar as desigualdades.