quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O exemplo grego

A Grécia vive uma crise de proporções muito superiores à portuguesa. Os gregos manifestaram-se violentamente nas ruas contra a política do governo socialista que segue, obedientemente, as directrizes de Bruxelas e dos mercados financeiros. No domingo os gregos foram chamados às urnas e o que fizeram? Derrubaram o governo socialista? Não... renovaram a sua legitimidade, conferindo-lhe a maioria. Uma mensagem que deve ser assimilada pelos coelhos, para não serem surpreendidos ao sair da toca.

POLIAMOR


Desculpem a minha ignorância, mas só há dias conheci a existência de um movimento denominado POLIAMOR. No meu léxico do amor já conhecia o ménage à trois, o swing e outras práticas multifacetadas de intercâmbio amoroso mas, POLIAMOR, confesso, é uma palavra que ainda não tinha entrado no meu dicionário dos comportamentos amorosos.
Fui iniciado nas práticas do POLIAMOR, graças a uma reportagem exibida durante um serviço noticioso de um canal de televisão e fiquei impressionado com a naturalidade com que algumas miúdas reconheciam praticá-lo.
Para os ignorantes como eu, explico resumidamente que o POLIAMOR consiste no reconhecimento, por parte de uma pessoa que o seu parceiro (ou parceira) está apaixonado por duas (ou mais) pessoas simultaneamente. Não percebi ainda (mas espero lá chegar) se essa prática só é aceite durante o período de enamoramento, ou se prolonga depois do casamento. No entanto, porque acredito que a bigamia ainda não é permitida nas sociedades ocidentais, estou convencido que o casamento (quando exista) continua a ser um contrato apenas entre duas pessoas, mas no casamento POLIAMOR qualquer uma delas pode fazer um upgrade de afectos, mantendo um relacionamento íntimo com outra(s) pessoa(s), sem que o parceiro reaja como este marido troglodita
Fiquei também a perceber que os defensores do POLIAMOR sustentam que as relações íntimas devem ser encaradas como forma de vida duradoura ( flirts não valem) e responsável ( ao infidelidade não é permitida e pode provocar a expulsão), sendo aceite por todas as partes envolvidas.Presumo que a coisa funciona mais ou menos assim:
Três pessoas ( vou reduzir o POLIAMOR à sua expressão mais simples, deixando-vos a incumbência de fazerem as combinações que desejarem) vivem num triângulo amoroso, aceite por todas as partes. Exemplificando:O Rui está apaixonado pela Joana e pela Beatriz. Diz à Joana que está apaixonado por ela e pela Beatriz, e diz à Beatriz que está apaixonado por ela e pela Joana. A Joana e a Beatriz aceitam a situação e, a partir daí, ficam à espera que o Rui se decida qual delas o acompanhará na saída de sábado à noite, num jantar à luz a vela, a uma festa, ou numa ida às compras.
Também não percebi se no POLIAMOR é aceite que o Rui esteja apaixonado simultaneamente pela Beatriz e pelo Álvaro mas, pela descontracção com que as jovens entrevistadas falavam, creio que essa vertente não estará excluída.
No que todas as entrevistadas estavam de acordo, era no facto de considerarem a monogamia um disparate. Fiquei ainda a saber que os praticantes do POLIAMOR defendem o princípio cooperativo da adesão voluntária, tendo qualquer um dos participantes a possibilidade de abandonar quando desejar, porque no POLIAMOR não há lugar ao ciúme e as relações têm por base a confiança mútua e a fidelidade.
Quando acabei de ver a reportagem apercebi-me que realmente estou velho. Ainda sou do tempo em que existiam as palavras “ Amante e amásia”, “Corno” e “Encornar” , que o POLIAMOR atira para o caixote do lixo das recordações.
Fiquei também sem perceber por que razão não foi entrevistado nenhum rapaz, praticante do POLIAMOR, habilitado a dar a sua opinião… E já agora, confesso, dei graças a Deus por me ter proporcionado, nas minhas relações amorosas, aquelas pitadas de ciúme que, sendo na dose certa, funcionam como o sal na comida.
Pronto, mas isso sou eu que sou careta e já não tenho pedalada para aceitar com naturalidade estas novas formas de relação amorosa que, certamente, irão contribuir para a felicidade das gerações mais jovens. Já lhes chega terem de se preocupar com o desemprego e a factura que vão ter de pagar pela incúria da classe política, que lhes hipotecou o futuro, para quê dar importância a essa coisa de velhos caretas que é o amor a dois?

O crime do Padre Solano

Mais um exemplo de caridade cristã.