sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Cobardia!- disse ele

E disse muito bem. Não é admissível que um procurador do MP se comporte desta forma, pondo em causa a reputação de uma pessoa, acusando-a ( ao que parece sem provas) e fazendo referências às suas funções políticas e partidárias, sem qualquer relevância processual.

Oh freguês! Vai um tirinho?


Um estudo ontem divulgado, revela que os consumidores têm pouca confiança nos marketeers e estão cada vez mais cépticos quanto às mensagens veiculadas pela publicidade. Ao ler as conclusões do estudo, encomendado pela APAN ( Associação Portuguesa dos Anunciantes), veio-me à memória um episódio vivido na adolescência, que deu origem a um artigo publicado, em tempos no jornal “Tribuna de Macau”.
Nos meus tempos de estudante era frequentemente atraído pela voz das feirantes ( geralmente gordas e maquilhadas até à exaustão, procurando disfarçar o peso dos anos e reavivar uma presumível beleza já perdida) clamando:
“Oh freguês! Vai um tirinho?...”
Confesso que sempre fui um péssimo atirador , desprovido de qualquer pontaria, mas raras vezes deixei de responder à chamada e dirigir-me à barraca de tiro para despender alguns cobres na vã tentativa de, por um bambúrrio de sorte, arrecadar algum prémio.Os meus amigos riam-se a bandeiras despregadas da minha imperícia e, anos mais tarde, já separados pelas estradas da vida que a alguns dizimou em guerras de África e a outros lançou o apelo da emigração, voltei a pressentir-lhes as mesmas gargalhadas quando na carreira de tiro , em Mafra, me cotei como um dos piores atiradores que terão passado pela escola Prática de Infantaria, passagem obrigatória para mancebos que o Estado Novo usava como carne para canhão na guerra suja do Ultramar.
Nessa altura, era o que se passava lá fora que me distraía. O 25 de Abril acontecera dias antes e eu sentia-me amordaçado entre as paredes de um quartel que me impedia de festejar na rua, aquilo que a alma me ditava. Como me poderia concentrar num alvo que eu não via? Tudo o que eu imaginava, quando apontava a arma em direcção ao alvo eram cravos saindo de canso de espingardas, distribuindo mensagens de amor e não balas distribuindo a morte. Só acordava quando sentia a arma coicear e, nessa altura, já nada havia a fazer para emendar a trajectória do projéctil que se alojava bem distante do alvo.
Mas tomemos de novo os carris da estória que vos quero contar.
Uma noite a sorte bateu-me à porta, perante o espanto de alguns dos meus amigos que, em vésperas de exame- antes de gastar a madrugada a rever a matéria (mal) estudada ao longo do ano- sempre me acompanhavam durante uma duas boas horas em disputadíssimas partidas de matraquilhos, na Feira Popular. Naquela noite, talvez prenunciando o “chumbo” que inexoravelmente me aguardava, às mãos de Pedro Soares Martinez, não falhava um só tiro, ameaçando levar à falência aquela pobre feirante.Vendo o perigo, a mulher só dizia:
- Ó menino! Vai-te embora que me dás cabo do negócio…
Fruto da traquinice adolescente, apenas retorquia - enquanto conquistava direito a mais um pirolito:
- A culpa é sua, não me tivesse chamado…
A resposta, angustiada e pronta, não se fez esperar:
- Porra p´rá publicidade!- gritou a mulher exasperada.
Não vos vou maçar com o desenrolar da estória, que nos levaria longe na análise da actividade publicitária. Apenas lembro que anunciar um produto com rigor é uma tarefa que exige muito profissionalismo, imaginação, criatividade e resultados práticos (quase) imediatos. Todos estes ingredientes são principescamente remunerados e um pequeno filme publicitário de 20 segundos pode custar milhões, levar semanas a realizar e …ser um fiasco. Como aconteceu naquela noite à pobre feirante, que viu um adolescente roubar-lhe o lucro de uma noite, num bambúrrio de sorte que nunca mais se voltou a repetir.
Adenda: recomendo a leitura deste post, inspirado numa frase de Jacques Séguéla: "Ne dîtes pas à ma mère que je suis dans la Pub; elle me croît pianiste dans un bordel..."

Crónicas de Graça # Homenagem


Os leitores mais recentes não saberão mas, desde Outubro de 2009, até Julho deste ano, as sextas-feiras eram, quinzenalmente, preenchidas com as Crónicas de Graça que iam para o ar pontualmente à meia-noite e um minuto no CR e no Ares da Minha Graça.
Era uma parceria entre mim e a PresidentA do blogobairro. Não nos conhecíamos, mas a empatia que fomos criando ao longo de ano e meio de blogosfera, levou-me a desafiá-la para a parceria e devo dizer que foi uma das mais acertadas decisões que tomei na blogosfera. Era um prazer imenso aquele desafio quinzenal.
Hoje, a minha companheira das CG vai lançar o seu primeiro conto, num livro onde está acompanhada de nomes bem conhecidos. Apesar de a hora não ser das mais convenientes, vou lá estar para a felicitar e dizer que fico à espera do seu primeiro romance. (A Patti convida-vos também aqui).
Não queria deixar de prestar uma simples homenagem à minha ex-companheira das sextas-feiras e a melhor maneira que encontrei para o fazer, foi convidar-vos a ler as Crónicas de Graça que ela escreveu. Perdeu-se uma blogger, mas vamos ganhar uma escritora.
Parabéns Patti!