quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Surprise!!!

Logo, às 00h01m, haverá uma surpresa aqui no CR. Aguardo a vossa visita

Sweet November *


Entra Novembro, os dias encurtam, as pessoas começam a ficar (ainda) mais deprimidas e começa a cheirar a Natal.
Já se vêem centros comerciais iluminados a preceito,nos próximos dias começaremos a ser inundados de publicidade, as montras das lojas serão decoradas com bolinhas, neve artificial e pais Natal barrigudos, as ruas vão engalanar-se de luzes natalícias e o trânsito aumentará. Quando começar Dezembro, as televisões e os jornais começarão a fazer reportagens, onde o denominador comum será a crise. Os comerciantes queixar-se-ão do negócio, os consumidores lamentarão a falta de dinheiro para compras de Natal mas, no início do ano, ficaremos todos a saber que, afinal, este ano o negócio ultrapassou todas as expectativas, superando o volume de vendas de 2009 ( que por sua vez já tinha sido superior ao de 2008) que as caixas multibanco ficaram sem dinheiro no fim de semana de Natal e de Ano Novo, que foi batido mais um record de envio de SMS durante a noite de S. Silvestre e que os voos para Cancún, Riviera Maya e outros locais “exóticos” partiram cheios de portugueses.
A crise fará férias durante uns dias, para regressar em força em Janeiro.Nessa altura voltarão todos a culpar Sócrates da crise. Presumo é que depois disto, Pedro Passos Coelho e a sua corte continuarão sem uma ideia para o país. Para compensar, os amigos do professor Cavaco no BPN irão a Fátima agradecer a Nossa Senhora a reeleição do seu patrono e mais uns quantos adiamentos do julgamento. Até à prescrição, espera-se…
* Qualquer semelhança entre este post e a trama do filme ( meloso até à náusea )protagonizado por Keanu Reaves e Charlize Theron é pura coincidência. Ou talvez não...

Lixo: de Nápoles a Lisboa, a mesma receita

Em 2007 e 2008, Nápoles esteve durante vários meses atolada em milhares de toneladas de lixo porque a Camorra, que controla o negócio do lixo na região, se opôs à abertura de uma nova lixeira nos arredores da cidade, boicotou todas as tentativas de construção de incineradores modernos e paralisou a recolha de resíduos. O cheiro era nauseabundo, o turismo foi afectado,o célebre restaurante Caruso teve de fechar as suas portas, por falta de clientes, e as pessoas foram obrigadas a incinerar os seus próprios lixos domésticos, agravando o problema da toxicidade do ar e pondo em risco a saúde dos napolitanos.
O governo de Romano Prodi, impotente para resolver a crise e ameaçado pela União Europeia de pesadas multas por não cumprir a legislação comunitária sobre tratamento de resíduos sólidos, ainda teve de enfrentar as críticas e fanfarronices de Berlusconni, que não se cansou de criticar a inabilidade do governo. O exército, chamado a intervir, foi impotente para debelar o problema e Prodi acabou por ser derrubado, abrindo caminho ao regresso de Berlusconni que teve, como primeira ideia para solucionar o problema do lixo acumulado nas ruas, exportar 100 mil toneladas para a Alemanha, em comboios atolados de resíduos.
Em Julho de 2008, depois de reeleito, Berlusconni- habituado a convocar conselhos de ministros para zonas de catástrofe- reuniu com os restantes membros do governo em Nápoles e declarou o fim da crise num discurso prenhe de rodriguinhos triunfalistas:"Em 58 dias conseguimos fazer o que não se fazia há anos. Nápoles está limpa e pode ser chamada de novo de uma cidade ocidental"- declarou o sempiterno líder italiano.
“Pela boca morre o peixe” – diz o povo na sua imensa sabedoria. Dois anos depois, demonstra-se que a fanfarronice de Berlusconni era poeira para os olhos e que nem ele consegue derrotar a Camorra. Depois de declarar a intenção de abrir o maior aterro sanitário da Europa, nas imediações da cidade, teve de enfrentar, também ele, a ira dos mafiosos. Nápoles volta a estar mergulhada em lixo, as ruas da cidade estão transformadas num cenário de guerra, sem que polícia e militares, chamados a intervir, consigam debelar o problema.
A situação que se vive em Nápoles desde 2007 tem alguma semelhança com o que se vive em Portugal. Em 2009, uma reportagem de Rui Araújo na TVI, intitulada “ A Máfia Lusitana”, chamava a atenção para as descargas ilegais de lixos em algumas zonas do país e punha a nu a conivência das autoridades policiais e do próprio Estado numa situação que está a tornar insustentável a vida de algumas populações. Na altura, a reportagem teve alguma repercussão nos meios ligados às questões ambientais, mas foi praticamente abafada pela imprensa, que preferiu varrer o lixo para debaixo das alcatifas das redacções.Um dia destes escreverei mais pormenorizadamente sobre esta reportagem. Hoje, apenas pretendo salientar a semelhança entre o que se passou em Itália e permitiu o regresso de Berlusconni ao poder e o que está a ocorrer em Portugal, a outro nível.
Pedro Passos Coelho não se cansa de prometer um futuro melhor aos portugueses e de os libertar dos sacrifícios financeiros que o OE 2011 lhes impõe. O grande problema é que ainda não apresentou uma única proposta para o fazer. Ora esta omissão de propostas leva-me a recear que, se PPC vier a ser eleito, daqui a uns dois anos estejamos atolados. Não num monte de lixo, mas num caos económico e financeiro ainda pior do que o actual. Como acontece em Nápoles onde, apesar das promessas de Berlusconni, a situação se vem agravando desde Junho, de forma inexorável, também PPC será impotente para derrotar os mercados financeiros. Por inabilidade e falta de propostas alternativas.
Não sei se, tal como fez com Romano Prodi, a UE também vai ameaçar a Itália com pesadas multas por não cumprir a legislação comunitária no que concerne ao tratamento dos resíduos sólidos urbanos. Não tenho é dúvidas de que se PPC chegar ao poder no próximo Verão, os mercados financeiros o obrigarão a aplicar, no OE 2012, as mesmas medidas dolorosas que exigiram a Sócrates. A minha curiosidade reside em saber como reagirá então a comunicação social que lhe é afecta e ajudou a incinerar Sócrates.

Povinho foleiro...


Fiquei a saber através de uma daquelas sondagens encomendadas não com o intuito de informar o público, mas de tentar condicionar as opções de cada um, levando-o a seguir a opinião da maioria, que mais de 80 por cento dos portugueses são favoráveis à greve geral de 24 de Novembro, mas apenas 12 por cento tencionam fazer greve nesse dia.
Não ponho em dúvida o resultado da sondagem mas, a confirmarem-se estes resultados ( ou números aproximados) só me resta concluir que este povinho é mesmo foleiro. Em vez de manifestar o seu desagrado, fica à espera que os outros ajam por eles. Não é que me espante, apenas me envergonho, pelo facto de este povinho ser o mesmo que corre para o posto de saúde, ou solicita a um médico amigo que lhe passe um atestado, quando surge a oportunidade de fazer um fim de semana prolongado ou apenas lhe apetece ficar em casa a descansar.