quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Blindados multiusos


O governo gastou cinco milhões de euros na compra de blindados que deveriam ser utilizados na cimeira da NATO , em 19 e 20 de Novembro. Ao que parece a encomenda não vai chegar a tempo, pelo que a sua compra deixa de se justificar. Na minha perspectiva é uma boa notícia, pois irá permitir poupar uma verba que pode ser aplicada de forma mais útil ao país. Mas será que o governo vai desistir destes brinquedos, ou vai mesmo pagá-los “para respeitar os compromissos internacionais”?
Façam comigo este raciocínio:
Uma nubente encomenda um vestido de noiva para o dia de casamento. A modista não o entrega a tempo e a noiva tem de ir a correr alugar um, ou comprar outro numa loja de pronto a vestir. Simultaneamente, desiste do modelo encomendado à modista, porque não vai precisar dele depois de estar casada, como é óbvio… Se tiver dado um sinal para pagamento do vestido, poderá exigir que lhe seja restituída a verba do sinal em dobro , o pagamento das despesas que teve de fazer para arranjar um vestido de substituição e, eventualmente, pedir uma indemnização por perdas e danos. Esta é uma regra básica dos direitos dos consumidores, que Sócrates muito bem conhece, até porque foi secretário de estado (excelente, diga-se em abono da verdade) da defesa do consumidor.Ora, se aplicarmos este princípio à tralha dos blindados, o governo ainda pode fazer um bom negócio e abater uns milhões de euros ao défice.

Adenda: Acabo de ler no “Público” uma notícia que destruiu as minhas ilusões e obrigou a alterar o título do post. O governo vai mesmo avançar com a compra dos blindados, porque "pretende utilizá-los em acções nos mais de 300 bairros problemáticos do país”.

Apenas uma sugestão

Parece-me uma boa ideia que o corte da despesa comece por aqui

A culpa é da professora...

Última sexta-feira, vésperas de um fim de semana prolongado que a intempérie ameaçou estragar.No Campo Grande, duas jovens sentam-se à minha frente. Falam de estudos de forma animada, vão confrontando notas e discutem um teste que se realiza na terça-feira seguinte, depois de um fim de semana prolongado.
Uma delas está descontraída quanto aos resultados. A matéria é simples, teve 85 por cento no teste anterior, o que lhe serve de almofada para uma nota menos conseguida. Já a outra não cala a sua indignação pela escolha da data.
"Eu até podia recuperar da nota do teste anterior, se tivesse tempo para estudar, mas onde é que vou arranjar tempo?"
"Ainda tens três dias para marrar! Qual é a tua? Esta matéria nem é assim muito difícil".
"Mas onde é que vou arranjar tempo? Olha só para a minha vida. Hoje tenho o jantar da Licas e, claro, vamo-nos deitar tarde, porque depois vamos até qualquer sítio. Amanhã a minha mãe faz anos, tenho de aguentar a seca da família lá em casa, tenho a tarde estragada e caramba, é sábado, à noite não vou ficar em casa a estudar ! Vou deitar-me mais cedo, para ver se estudo um bocado de tarde , mas à noite não dá porque é o Halloween e isso é só uma vez por ano. Além disso, já tinha combinado com a malta ir curtir e sabes como é… nessa noite não dá mesmo para deitar antes das 5 ou 6 da manhã. Que me resta? Um bocado de tarde e a noite de segunda feira. Bolas, a prof é mesmo sacana. É solteirona, deve ser uma frustrada e lixa-nos marcando testes para um dia a seguir aos feriados. Grande cabra, não achas?"
"Oh M. não me venhas com tretas. Eu também vou à noite do Halloween, mas não saio no sábado nem hoje, para ter tempo de estudar".
"Eh pá, como eu gostava de ser certinha assim como tu. Mas não dá, porra, não dá. Se não nos divertimos agora quando é que vamos conseguir? Quando for uma velhada de 30 anos? A gaja é sacana, é o que eu te digo. Só pensa em lixar-nos a vida..."

Descubra as diferenças

Os jornalistas brasileiros decidiram reagir aos constantes insultos de Scolari, desta maneira. De forma bem diversa reagiu a maioria dos jornalistas portugueses quando Scolari lhes chamou burros e dirigiu outros insultos mais suaves.

Babados perante o grande salvador da selecção, que cometeu a proeza histórica de perder uma final do campeonato da Europa contra a Grécia, em Lisboa; excitados com o murro que Scolari enfiou num jogador sérvio, no final de um jogo em Alvalade; eufóricos perante a exbição miserável no Dragão contra a Finlândia que resultou num empate a zero, mas nos permitiu o apuramento para o mundial, a tribo dos jornalistas desportivos ( e não só...) curvou respeitosamente a espinha, agradeceu os insultos, suportou o mau feitio de Scolari com um sorriso nos lábios e desdobrou-se em elogios nas páginas dos jornais, apoiados por uma bloga pegajosa, reverencial e, por vezes, acéfala.