sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Sugestão do dia

Sócrates e Pedro Passos Coelho afirmam que estão afazer um esforço para chegar a um entendimento na aprovação do OE 2011. Pelo sim, pelo não, seria melhor que se levantassem da sanita. É que pode sair ainda mais m....

À Conquista do Oeste

"A Conquista do Oeste" foi um dos filmes que mais me marcou na adolescência. As quase três horas do filme, magistralmente dirigido por John Ford, narram os 50 anos da expansão americana ( 1830-1880) de forma tão cativante, que ainda hoje retenho algumas cenas. Fiquei de tal forma preso à história e às personagens de Carrol Baker, John Wayne, Gregory Peck, Henry Fonda ou Debbie Reynolds que, terminado o filme, fui a correr iniciar a colecção de cromos que à época eram um sucesso de vendas. O filme é de 1962 e nunca pensei que, quase 50 anos depois, me fosse proporcionado assistir à conquista de um outro Oeste, por um grupo de mafiosos seduzidos pela miragem da fortuna.
Tudo começou quando Pedro Bidarra, vice-presidente da BBDO, criou um slogan que visava tornar Portugal mais atraente para o turismo: Europe´s West Coast. A ideia de realçar a localização geográfica de Portugal, parecia uma boa ideia, mas deu buraco. No sentido literal do termo porque, para atrair os turistas, fizeram-se dezenas de campos de golfe. Acontece que os buracos não atraíram apenas o turismo de qualidade que os promotores do golfe esperavam. Quando o país se tornou num gigantesco queijo gruyère, o cheiro atraiu também alguns ratos. Primeiro, vieram os ratos finaços da alta finança, que puseram a circular papel com rentabilidades elevadíssimas mas, de um dia para o outro, começaram a surgir no mercado papéis falsos que reduziram belas promessas de fortuna fácil a pesadelos. Vieram pedófilos que publicitaram o país da pior maneira, especialmente a Casa Pia e o caso Maddie.
Mais tarde chegaram uns tipos da ETA e, finalmente, a Mafia italiana viu em Portugal um paraíso para as suas actividades, talvez aliciada pelas notícias da brandura da justiça portuguesa para com os criminosos.
E foi assim que a promissora Conquista do Oeste lusitano se transformou numa aventura infernal, de alto risco para quem por cá vive. Esbulhado pelos ratos das finanças que lhes cortaram o direito ao sonho e levaram as poupanças, os tugas equacionam seriamente a hipótese de emigrar, deixando a Europe’s West Coast entregue aos senhores do FMI, ou a um Coelho rabino que nos seduz com o Pais das Maravilhas, mas que apenas irá fazer um registo de propriedade do solo lusitano em nome da clientela laranja.

Por isso, antes que seja tarde, decidi passar este fim de semana alargado no Oeste. De papo para o ar, à espera do Orçamento do Estado para 2011. Parece-me que o Oeste é o lugar ideal para ser vítima de um assalto, já que aqui se reúne a nata ( crème de la crème) do crime internacional. Ora como já conheço os membros do gang Sócrates/Coelho, que me irá assaltar de OE em riste, talvez consiga escapar –lhes antes de me sacarem o guito.
Se isso não acontecer, sempre terei hipotese de me tornar num mártir, reconhecido como herói nacional.Enquanto relaxo e espero pelo acordo PS/PSD, vou escrevendo o argumento para um novo épico, onde serei protagonista. Enfrentarei a crise com estoicismo e aquela sensação heróica de estar a salvar o país, entregando as poupanças do meu trabalho de anos, nas mãos de gente que nos irá livrar deste atoleiro, comprando submarinos e material de guerra no bem equipado arsenal da senhora Merkel. E depois, meus amigos, quando tivermos armas suficientes, invadimos a Alemanha e seremos finalmente um país rico.
































































Ao serviço de Sua Majestade

Depois das revelações do Wikileaks sobre a boa nova que EUA e Inglaterra, com o beneplácito de Durão Barroso e Aznar, foram levar ao Iraque, ficamos agora a saber que as boas práticas do exército britânico também incluem algumas regras democráticas dignas dos maiores encómios. Presto a minha humilde vassalagem ao exército de Sua Majestade, pelo exemplo que dá ao mundo no que concerne ao respeito pelos direitos humanos.

O manual de boas maneiras que rege a sua conduta com os prisioneiros deve servir de exemplo ao mundo, como expoente máximo da democracia que os países ocidentais, numa missão digna de Cruzados, em boa hora decidiram expandir em nome da globalização.

E agora a sério. Presto a minha homenagem ao Guardian pela divulgação desta lista de horrores. Poderia ser um bom exemplo para os jornais portugueses ( se gostassem de copiar bons exemplos, claro...) sempre prontos a criticar qualquer espirro dos temíveis ditadores sul-americanos, mas que não escreveram uma única linha sobre este caso ocorrido em Portugal. Ocultaram a notícia dos leitores porque, como é evidente, estavam a defender a liberdade de expressão, único valor democrático que defendem zelosamente... quando lhes interessa.

É sempre bom lembrar...

Podem fazer-se muitas críticas a Teixeira dos Santos, acusá-lo de insensibilidade social, de ter cometido erros, e tudo o que se queira, mas não fica mal lembrar que enquanto ele permanece no seu posto, fazendo o seu trabalho e tentando equilibrar as contas públicas, muitos dos economistas ex-ministros que hoje dão receitas, abandonaram o cargo à primeira contrariedade e agora utilizam os areópagos televisivos para criticar as suas medidas. Que propõem que se faça? Na generalidade o que eles não tiveram coragem de fazer quando foram ministros.
Não é verdade, sr. ex- ministro das finanças doutor Eduardo Catroga, digníssimo emissário do professor Cavaco Silva às negociações do OE, em putativa representação do PSD?