quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Auto-censura

Se fossem as casas de um outro presidente o alvo das buscas da PJ, "A Bola" teria colocado imediatamente a notícia no topo do seu site . Mais: tê-la-ia actualizado ao longo do dia e, invocando fontes não identificadas ( que todos sabemos quem são) lançaria mais umas achas para a fogueira, transformando boatos e puras invenções em notícias.
Como o alvo foi o patrão, até esta hora nem uma linha, porque o respeitinho é muito lindo. Talvez amanhã seja notícia de primeira página ( ah!ah!ah!). A isto chama-se auto-censura, sabiam?
Entretanto, mão amiga, fez-me chegar estas novas revelações sobre o processo Apito Dourado que, em boa parte, explicam a nomeação de Duarte Gomes para o Académica- FC do Porto no próximo fim de semana.

Polvo de Vinagrete


Morreu o polvo Paul, o molusco adivinho que viveu glória efémera graças às previsões do Mundial 2010. Depois da autópsia, a Interpol foi chamada a intevir para desvendar as causas da morte, pois tudo indica que o pobre Paul terá sido assassinado.
Ao contrário do que aventou Ricardo Araújo Pereira em entrevista ao CR, o suspeito não é um fanático adepto portista, irado com a previsão de que o SLB ainda iria ser campeão este ano. As suspeitas recaem sobre um político do eixo franco-alemão que entrou em histeria quando soube que Paul vaticinara a derrocada do império franco-germânico, provocada pela revolta dos PIGS que, ao sentirem-se asfixiados com as exigências da dupla tanguera Sarkozy/Merkl, decidiram abandonar a União Europeia.
Entretanto, fonte normalmente bem informada, confidenciou ao CR que o pedido de intervenção da Interpol não visa punir o criminoso. Apenas querem encontrá-lo para lhe pedir que mate de uma vez o polvo que está a minar a credibilidade da Europa e tem tentáculos em Portugal, presumivelmente na região Oeste, já mundialmente conhecida por abrigar etarras e mafiosos.
"O polvo português continua de boa saúde, graças a Deus"- confirmou a mesma fonte, que pediu o anonimato.
Entretanto, fiquei a saber que a boa saúde do polvo lusitano se deve, em boa parte, ao actual e futuro PR, Aníbal Cavaco Silva. Como se depreende do discurso auto elogioso em que anunciou a sua recandidatura, foi a sua acção que impediu o polvo de piorar.

Que estará, desta vez, debaixo da calçada?


Hoje, os franceses voltam às ruas para protestar contra a alteração da idade da reforma dos 60 para os 62 anos.
Nos últimos dias, ouvi várias vozes estabelecerem uma comparação entre este movimento contestatário e o Maio de 68. Discordo em absoluto, por várias razões. Se quiserem saber o que penso sobre aquele mês que a geração de 60 içou ao altar do mito, convido-vos a ler isto.
Mas não são apenas as questões que aduzo naquele post que me levam a estabelecer uma destrinça entre estes dois momentos. Acima de tudo há uma diferença de valores, mas há também uma diversidade profunda na génese e na estética da contestação. É, aliás, da estética do Maio de 68, que preservo as melhores recordações. Quanto ao resto, estou com Cohn-Bendit: “ É melhor esquecê-lo a lembrá-lo”. Para não ter de recordar que Maio de 68 acabou com uma gigantesca manifestação de apoio a De Gaulle e ser levado a pensar que , desta vez, tudo acabe numa manifestação de apoio a Sarkozy.
Ao recordar Maio de 68 parece haver uma tendência para adulterar a realidade e conferir-lhe uma dimensão que nunca teve. Na verdade nunca houve “ uma praia debaixo da calçada”. Houve apenas uma amálgama de irreverência e devaneios juvenis, com consequências que não merecem muito a pena ser lembradas, salvo se pretendermos “dourar a pílula”.Querem apenas um exemplo? Então aqui vai. No Maio de 68, gritavam-se “slogans” sobre a liberdade sexual. Quarenta anos mais tarde, é mais fácil acabar com a carreira de um político ( ou uma figura pública) denunciando a sua infidelidade amorosa, do que acusando-o de corrupção.
Pensar sobre o que se terá ganho e perdido, entre as gerações de Maio de 68 e Outubro de 2010, é o desafio que vos deixo. Talvez seja na conclusão de que a geração de 60 traiu os seus valores, que esteja a explicação para a crise que actualmente vivemos.

Um país de luto

O casal Kirchner marcou a História da Argentina na primeira década do século XXI
Morreu Nestor Kirchner, o presidente argentino que recuperou, em apenas dois anos, a Argentina de uma crise de proporções gigantescas. Já aqui escrevi vários posts sobre a influência deste homem de esquerda moderada, que os argentinos eram unânimes em considerar o Presidente que lhes devolveu o orgulho e a dignidade.
O segredo de Kirchner foi saber humanizar a crise. Compreendeu o drama do seu povo, teve sensibilidade para as dificuldades dos mais desfavorecidos, recusou a arrogância, não enfileirou em discursos de esquerda panfletária.Terá contra si as classes mais endinheiradas que viram os seus privilégios diminuir. É natural... mas isso não o deve incomodar muito, pois sabe que algum preço teria de pagar para ressuscitar a Argentina e o povo ficou-lhe grato.
( Aqui pode ler mais sobre o papel de Kirchner no milagre azul-celeste. Algo que nos podia servir de lição neste momento conturbado que Portugal atravessa).