segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Perdoa-me!

Enquanto Eduardo Catroga e Teixeira dos Santos procuram chegar a acordo quanto à encenação que levará o PSD a viabilizar o OE 2011, Pedro Passos Coelho prepara-se para a segunda versão do “Perdoa-me", inspirado no amigo David Cameron, obrigado a pedir desculpa aos britânicos por os ter enganado, poucos dias depois de ter sido eleito. Vencedor das eleições com um programa onde prometia a manutenção dos abonos de família, da qualidade dos serviços públicos e das prestações sociais e não aumentar as propinas, assim que chegou ao poder Cameron fex exactamenteo contrário: redução dos abonos de família e das prestações sociais, despedimento de 500 mil funcionários públicos, cortes salariais e aumento das propinas. Depois de fazer tudo ao contrário do que prometera, David Cameron pediu desculpa aos britânicos por os ter enganado mas, agora, pouco interessa. Já está refastelado em Downing Street, os britânicos terão que aguentar as suas políticas de empobrecimento da classe média e penalização dos mais desfavorecidos, enquanto os mais ricos e poderosos continuarão a enriquecer.Em Portugal, a euforia em torno de Passos Coelho parece estar a esmorecer. Ainda não chegou ao poder e já teve de pedir perdão aos portugueses por duas vezes, imagino quantas mais encenações irá produzir,se um dia lá chegar.

Chamem a polícia!

Cenas destas 36 anos depois do 25 de Abril, apenas demonstram que continuamos num patamar muito baixo da Democracia.

Caderneta de Cromos (21)

Agostinho Branquinho

O ex-deputado Branquinho, que há tempos protagonizou esta cena infame, abandonou o cargo para ir trabalhar para a Ongoing. Se esquecermos o facto de os deputados serem eleitos para representarem os portugueses no Parlamento, poder-se-á admitir que estas situações são normais. Especialmente no PSD. Durão Barroso, quando era Primeiro Ministro, também abandonou o país que, nas suas palavras, estava de tanga, para rumar a Bruxelas e defender os interesses dos grandes grupos económicos.
A deserção de Branquinho tem, no entanto, contornos mais complexos. O ex-deputado, que já foi jornalista do Comércio do Porto e editor da RTP ( adivinhem quando...)foi também um dos principais protagonistas da comissão de inquérito ao negócio PT/TVI. Nessa altura, Branquinho questionou diversas vezes a linha editorial da Ongoing, acusando-a de sustentar as posições do governo. Para a sua causa, contou com a preciosa colaboração dessa lenda do jornalismo, o jornalista palhaço, que todas as noites perguntava num programa de pseudo informação da SIC Notícias:
“Mas quem é esta gente da Ongoing? De onde vem?”
Sintomática esta viragem do ex-jornalista e ex-deputado Branquinho, acérrimo defensor da privatização do RTP. Elucidativo o silêncio aquiescente do Bloco Central de interesses e do seu apêndice circunstancial, o partido de Paulo Portas, que vai apanhando as migalhas que sobram das grandes negociatas do poder com os interesses económicos.
Para Branquinho a situação é transparente. Pois…a água também é transparente, mas essa característica, por si só, não assegura que não esteja contaminada.Também não deixa de ser curioso que a notícia surja na mesma semana em que MMG rescindiu o seu contrato com a TVI para, muito provavelmente, ir em breve para a SIC. Para ocupar o lugar de Mário Crespo, que acompanhará Branquinho na Ongoing? Ou será que MMG também se transferirá para a empresa onde o marido, vice-presidente da empresa - que tem negócios no Brasil na área dos media e das novas tecnologias- lhe arranjará um programa ajustado às suas características?
É por estas e por outras, que prefiro o tinto.

Chavez em Portugal

Chavez esteve ontem em Portugal. Vei comprar um barco e encomendar mais alguns, aliviando assim o nosso défice. Aguardo, ansioso, as reacções saloias de uma certa direita travestida de democrata.