segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Europa na hora do juízo final?


A crise económica e financeira que assolou o mundo ocidental, veio demonstrar que a Europa sonhada por Jean Monet é, hoje em dia, apenas uma quimera.A hegemonia que a Alemanha está a alcançar no contexto europeu é algo que nos deve assustar porque, ao contrário do que alguns defendem, a História repete-se…
A posição arrogante da senhora Merkel face aos países europeus em dificuldades e a hipocrisia que representa a sua aquiescência aos empréstimos, ter como moeda de troca a venda de armamento alemão aos países endividados, demonstram à saciedade que a Europa solidária falhou.
Em ano europeu de luta contra a Pobreza e Exclusão Social, os 84 milhões de pobres ( número com tendência para crescer) são a prova de que a Europa Social é um mito. Mas, pior do que isso, é constatar a indiferença com que os governos europeus olham para este número, não hesitando em tomar medidas drásticas que penalizam quem menos tem, enquanto cobrem de mordomias o poder económico e prestam vassalagem ao poder financeiro.
A Europa tolerante, multiracial e multicultural esboroou-se à primeira contrariedade. Ângela Merkel, Sarkozy, Berlusconni e David Cameron estão sintonizados no combate aos imigrantes. Depois de terem explorado a sua força de trabalho, querem desfazer-se deles como se fossem trapos imprestáveis, cuja função chegou ao fim.
A Europa defensora da Paz é apenas um slogan, desde a guerra dos Balcãs, tendo a posição europeia face ao Kosovo deixado ficar bem claro que os principais líderes europeus estão muito distanciados dos ideais de Jean Monet ou Jacques Delors.
Da Europa politica é melhor nem falar. É verdade que os líderes europeus ( talvez com a excepção de Zapatero)convergem ideologicamente e as suas relações parecem estreitar-se, porque estão unidos na petulância, no desprezo pelos mais fracos ou na concepção utilitária do homem, reduzido à função de produzir ( em troca de salários baixos) e consumir aquilo que produz (pagando preços altos).
A classe política europeia é imbecil, inculta, incapaz e corrupta. Os cidadãos europeus, inebriados pelos prazeres do consumismo e hipnotizados pela força de um ecrã , diante do qual passam grande parte dos seus dias (seja a ver televisão, a navegar na Internet, ou a entabular conversa nas redes sociais)são cidadãos passivos, incapazes de reagir à prepotência. Limitam-se a apascentar a decrepitude de uma Europa com cada vez menos peso no mundo, mergulhada nas suas contradições, que um destes dias vai despertar para a realidade como aquele velho rico que um dia descobre que está falido e já não tem qualquer crédito nos bancos.
A Europa cresceu demais e, pior ainda, não soube crescer. Não admira, pois, que esteja a viver uma velhice conturbada . Que alguém tenha a misericórdia de lhe conceder o direito à morte assistida.