segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Prova de vida


Um mês depois, aqui estou para dar sinais de vida. Apesar das saudades do blogobairro, ainda não é o regresso do CR. Falta-me tempo, espaço (e outras coisas…) para retomar os posts diários, mas hoje e amanhã aqui estarei e, em breve, espero poder retomar o contacto diário convosco.
Venho para falar das eleições brasileiras, cujos resultados determinaram a necessidade de uma segunda volta para escolher quem sucederá a Lula da Silva no palácio do Planalto. A vitória de Dilma Roussef , na primeira volta, era dada como quase certa. Apesar de ter chegado recentemente à política, ser praticamente desconhecida e nunca se ter candidatado a nenhum cargo político, Dilma beneficiava do facto de ser uma escolha de Lula, cuja popularidade atingiu uns impensáveis 80 por cento entre os brasileiros.
A história do renascimento do Brasil no século XXI ficará iniludivelmente ligada ao presidente operário, olhado com desconfiança e classificado por muitos como um analfabeto ignorante mas, durante os seus dois mandatos, o trabalho desenvolvido calou os seus opositores. Em apenas oito anos, Lula criou 14 milhões de empregos, lançou vários programas sociais ( A Bolsa Família é o mais emblemático) , conseguindo reduzir a pobreza de 43 para 29 por cento, aumentou em cinquenta por cento o salário mínimo e projectou a imagem do Brasil no seio da comunidade internacional. Se o Brasil é hoje um dos quatro países emergentes mais falados no mundo inteiro, a par da Índia, China e Rússia, muito deve à forma hábil como Lula da Silva comandou os destinos do país durante os últimos sete anos. Lula é a imagem do Brasil de progresso. Do Brasil que deu o salto em frente e se tornou protagonista privilegiado na cena internacional e não serão poucos os brasileiros que lamentem não ter chegado mais cedo ao Planalto.
Dilma Roussef apresentou-se ao eleitorado como a mulher que iria dar continuidade ao trabalho de Lula e a sua vitória parecia por isso fácil e inquestionável. Como já é sabido, tal não veio a acontecer à primeira volta, porque Marina Silva, ex ministra do Ambiente de Lula,decidiu candidatar-se.
Quando anunciou a sua candidatura, as sondagens davam-lhe entre 2 e 5 por cento mas, lentamente, foi ganhando popularidade, subindo nas sondagens e ontem alcançou quase 20 por cento dos votos dos brasileiros, inviabilizando assim a eleição de Dilma na primeira volta.
Escreverei, proximamente, sobre esta mulher excepcional, cuja acção à frente do ministério do ambiente brasileiro a guindou a figura de destaque internacional, cumulada de prémios de reconhecimento do seu papel na defesa do desenvolvimento sustentável. Por agora, apenas destaco que recebeu votos à direita e à esquerda e lançou um sério aviso ao PT, que deverá corrigir alguns desvios se quiser confirmar a vitória de Dilma Roussef na segunda volta e, quiçá, permitir o regresso de Lula daqui a quatro anos.
No dia 31 de Outubro, haverá uma segunda volta e Dilma continua a ser a favorita. Mas Marina Silva não apoia nenhum dos candidatos e, sendo a sua base eleitoral muito heterogénea, será possível a José Serra capitalizar muitos dos votos em Marina se, durante o tempo que medeia até ao próximo acto eleitoral, souber incorporar no seu discurso algumas das ideias de Marina que mais atraíram o eleitorado brasileiro. Uma coisa é certa. Ao contrário do que há alguns meses se pensava, a popularidade de Lula pode não ser suficiente para eleger Dilma e, contra todas as previsões, José Serra tem hipóteses de vir a ser o próximo inquilino do Planalto. Se isso vier a acontecer será uma grande injustiça para Lula, mas a História está cheia de injustiças…
Amanhã voltarei, para escrever sobre o Centenário da República.