quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O nosso futuro europeu

Os leões foram heróis em Copenhaga e o FC do Porto cumpriu, não indo além dos serviços mínimos. No Mónaco, o sorteio sorriu a Benfica e Braga que têm tudo para seguir em frente ( embora os bracarenses tenham de ter cuidado com o Shaktar Donetsk).

Se amanhã o sorteio da Liga Europa for igualmente favorável a Porto e Sporting, estão reunidas as condições para uma grande campanha europeia das equipas portuguesas. Em sentido inverso parece caminhar a selecção nacional, envolvida em tricas, jogos de bastidores e algumas pulhices. Mas isso fica para outra ocasião...

Barroso, o compreensivo


O primeiro –ministro francês, François Fillon, foi ontem a Bruxelas explicar a Durão Barroso a expulsão dos ciganos. Tudo indica que tenha apresentado provas das acusações que impendem sobre os imigrantes roma e que Durão Barroso, tal como aconteceu na cimeira dos Açores, acredite na palavra e nas provas apresentadas por Fillon e o mande em paz, com um vigoroso “porreiro, pá!”.

Depois da manifestação de firmeza do líder europeu, será natural que Ângela Merkl convide Durão Barroso para tomar uma Pilsener , a fim de lhe explicar a razão da deportação de crianças rom (nascidas na Alemanha) para o Kosovo, e que um ministro italiano peça a Berlusconni para organizar uma daquelas festas que o líder italiano tanto aprecia, durante a qual explicará a Durão Barroso o significado das declarações xenófobas do seu ministro.

Confortado com as explicações, Durão Barroso irá a Estrasburgo explicar aos deputados europeus que a culpa de tanto alarido é de alguma comunicação social, empenhada em atacar os alicerces da democracia, lançando a infâmia e a suspeição sobre políticos que apenas pretendem o melhor para os seus povos.

“Infelizmente, há jornalistas que não ultrapassaram o esquerdismo dos 18 anos e vivem num planeta imaginário. Contra isso nada há a fazer. Temos de saber conviver com aqueles que nunca perceberão o grande esforço que a Europa está a fazer para garantir a segurança das gerações futuras, libertando-as das ameaças externas. Intoxicam a opinião pública, chamando expulsão ao repatriamento de cidadãos para os seus países de origem e ignorando a generosidade dos governos que apoiaram os repatriados com generosas compensações financeiras que chegaram a atingir os 300 euros por família!”- rematará Durão Barroso, empolgado.

Pausa para publicidade (15)


Carreguem na imagem para ampliar, porque os diálogos são imperdíveis!

Jerónimo "on the road"


Puxo de uma cigarrilha a seguir ao jantar e sinto-me a deslizar para fora da sala, levado pela voz de Kate Melua. Sentado no sofá ( ou estarei já a levitar?) resigno-me à minha condição de cidadão proscrito, por cometer duas vezes ao dia o pecado de fumar. Eu, que lamentava a sorte daqueles que tendo nascido nas ex-colónias tinham “gravada” no Bilhete de Identidade a sua condição de cidadãos de segunda ( ou de terceira, no caso de serem pretos), provo agora do mesmo veneno.Estava decidido a começar a elaborar uma lista telefónica dos restaurantes do País onde se pode fumar ( olha que boa ideia para abrir um negócio, jovens licenciados à procura do primeiro emprego precário neste País das Maravilhas à espera de ser envenenado com cicuta! Porque não se lembram de criar uma espécie de Páginas Amarelas ou de Roteiro com os restaurantes e bares onde se pode fumar neste País? Sejam empreendedores, vamos lá!) quando oiço as sirenes de carros da Polícia.
Regresso à Terra, já não sentado no sofá, mas com os pés na varanda. Lá em baixo há um grande ajuntamento, vozeares imperceptíveis, um grito, choros, espernear de um vulto.Não é uma cena típica do meu bairro, por isso é sem espanto que quando olho em redor vejo inúmeros rostos assomar às janelas de marquises que ocupam o lugar de varandas iguais à minha, para dar mais meia dúzia de metros a uma sala fechada. Volto a dirigir o olhar para a cena que se passa seis andares abaixo e vejo um polícia enfiar no carro um corpo que, apesar da distância, me parece ser de um jovem. O carro arranca com a sirene a tocar e aquele pirilampo espalhando a sua luz azulada, ao ritmo de compasso.
- Não me digas que era o Jerónimo... – ouço sair de uma marquise.
( O Jerónimo é um menino que escapou a ter “gravado” no seu BI cidadão de 3ª, mas que na vida não se libertou desse ferrete. É um bom menino, o Jerónimo! Toda a gente lhe conhece os bons modos, e tinha fama de ser aluno exemplar até ao momento em que o Pai se suicidou, depois de ter sido engrominado por um construtor civil sem escrúpulos que lhe roubou o salário e a fidelidade da mulher. Viviam numa casita modesta a cuja porta muita gente do meu bairro ia bater, para solicitar as habilidades do Julião, na prática do biscate.)
Não, não pode ser o Jerónimo” – pensei para os meus botões. Por que razão um miúdo tão afável - que apesar da desdita do pai, e de uma mãe a tentar em parte incerta cobrar com os favores do corpo as refeições de cada dia- a quem ninguém conhecia indícios de mau comportamento, ia agora preso?
Tirei mais uma fumaça, tentando afastar a ideia de tal sorte e deixei deslizar o olhar pelo horizonte, acompanhando a imagem “virtual” de Jerónimo a ser conduzido aos calabouços. Já não sei em que ponto estava, quando ouço uma voz ofegante a sair de uma qualquer marquise:
- Mãe, mãe! Era o Jerónimo!
- Como é que isso é possível, filha? O que é que o miúdo fez?
- Mãe, o Jerónimo andava metido na droga.
- Estás maluca! Onde é que ele tinha dinheiro para isso?
- “Eles caçaram-no” Mãe! Depois obrigavam-no a roubar carros e coisas assim. A gente já suspeitava que ele ‘tivesse metido em alhadas. ‘tava a assaltar a mercearia do sr. Casimiro com mais dois, os outros fugiram e ele veio tentar esconder-se nas obras do prédio aqui ao lado, porque alguém viu tudo e chamou a polícia ...
- Coitado do Jerónimo. Queres um chazinho para acalmar, minha filha?
- Não Mãe, quero ir à esquadra saber do Jerónimo!
- Estás completamente doida! Que é que vão pensar na esquadra se apareces lá a perguntar por um preto? Se calhar ainda julgam que também andas metida nisso. Não andas, pois não, minha filha? Ai meu Deus, para o que te havia de dar, querer ir agora atrás do Jerónimo. Anda mas é deitar-te, filhinha, que a Mãe faz-te um chazinho para acalmares.
Volto para dentro de casa.Na pantalha, a RTP anuncia o regresso de “Quem quer ser Milionário?”.


Adenda: Recupero este post escrito em Janeiro de 2008, porque o Jerónimo saiu a semana passada da prisão. Aqueles olhos antes tão vivos e curiosos, têm agora uma expressão baça e triste que esconde a amargura de tempos passados na prisão, de que não quer falar. Também não quer falar do futuro porque- afirma- a prisão tirou-lhe a esperança. Custou-me enfrentar um jovem de 20 anos que perdeu a esperança. Não encontrei palavras para o animar. Perguntei-lhe pela amiga, que já não vejo desde o Natal. Encolheu os ombros. Creio ter percebido, no seu olhar, a razão de ter perdido a esperança.
-Que vais fazer Jerónimo?
- Tentar tirar a minha Mãe daquela vida. Quero levá-la comigo para fora daqui.
- Para onde Jerónimo?
- Não sei, alguma coisa se há-de arranjar. Conheci um tipo "lá dentro" que me vai ajudar. Talvez vá para espanha trabalhar nas obras.
- E os estudos Jerónimo? Vais abandonar os estudos? Olha os sacrifícios que a tua Mãe passou para te pôr a estudar.
- No tempo que estive lá dentro, já aprendi tudo da vida...

Imagens da nossa memória (26)

Primeiro apareceram as caixas de fósforos....
Mais tarde surgiram as carteiras. Fui coleccionador de algumas belíssimas selecções de carteiras de fósforos. Até perceber que me tinha transformado num potencial pirómano.

O "jornalismo de investigação" compensa

Depois de um ano de baixa, uma indemnização milionária. Não é para quem sabe, é para quem pode...

Pelo país dos blogs (82)

O negócio de Roberto explicado por um indefectível benfiquista. A ler com muita atenção!