terça-feira, 3 de agosto de 2010

O palhaço homofóbico foi ao circo


Não tenho dados que me permitam avaliar da justeza da decisão da câmara municipal de Lisboa, sobre a retirada das rulotes de artistas de circo do parque de Carnide. Sei, outrossim, que houve pessoas ali instaladas que recusaram uma habitação “ por não ser condigna” , preferindo continuar a viver na rulote e outras que reclamaram dinheiro vivo, em vez da casa.
Gonçalo Câmara Pereira, o deputado municipal - que já não sei se é candidato do PSD, do PPM , ou de ambos- inconformado com a decisão da autarquia lisboeta foi visitar os artistas e “botou faladura” para os microfones que se lhe estenderam à chegada. O deputado fadista não se limitou, porém, a proferir as habituais frases de solidariedade e indignação, com que normalmente se ilustram estas visitas. Pretendeu abrilhantar a actuação com esta pérola:
“Estes são os artistas, não são os do ( Cirque du) Soleil , aquele circo gay…”
Um verdadeiro artista, este monárquico social democrata.

O que eles querem, já a mim me esqueceu

Dois procuradores fazem um despacho com o intuito ( pelo menos aparente) de prolongar o clima de suspeição sobre Sócrates que a comunicação social- sabe-se lá porquê e com que intuitos- decidiu levantar praticamente desde o momento em que ele tomou posse.
Pinto Monteiro reage e decide mandar abrir um inquérito. Em entrevista ao DN, o PGR põe o dedo na ferida: "O sindicato do MP pretende actuar como um partido político".
Qualquer pessoa com bom senso já percebeu há muito esse comportamento e não ignora a relação promíscua entre elementos da justiça e jornalistas, que os leva a actuar com engenho arte nas relações com a comunicação social, mas deixa muito a desejar quando se trata de trabalhar naquilo para que são pagos- resolver processos judiciais. Isso não impede que no PSD se levantem vozes inflamadas reclamando a demissão de Pinto Monteiro. Não precisavam de fazer tanto alarido. Também já percebemos como era importante para o PSD manter este clima de suspeição até às eleições legislativas de 2011. Mas o povo não é estúpido, apesar de os procuradores o tratarem como tal.

Imagens da nossa memória (3)

No tempo em que havia "trinca-bilhetes" e a expressão "título de transporte" ainda não existia...

Imagem anterior: Pião

Etiqueta nos transportes públicos

Sou do tempo em que as regras de etiqueta eram dadas pelos nossos pais. Os tempos mudaram e, por isso, as empresas de transportes viram-se obrigadas a gastar dinheiro para explicar às pessoas o comportamento que devem ter quando viajam nos transportes públicos.
Não é novidade, já tinha visto igual procedimento em Macau. Os portugueses faziam comentários jocosos acerca dos conselhos dados pela empresa transportadora local, aproveitando para evidenciar a "inadmissível"falta de civismo dos chineses. Ao ler algumas das recomendações incluídas na "Carta do Cliente", não pude deixar de esboçar um sorriso e pensar no que terá contribuído para os "tugas" tão civilizados se terem transformado em selvagens que precisam de "livro de instruções" para aprenderem a respeitar o próximo.
Provavelmente com o intuito de despertar o mimetismo tuga, as empresas pediram a duas figuras do "jet set" que dessem elas próprias os seus conselhos. Não acredito que Vicky Fernandes e Paula Bobone andem de transportes públicos, mas respiguei alguns dos seus conselhos e fiz os meus comentários (a bold)


Vicky Fernandes

Respeitar a fila
As pessoas devem esperar pela sua vez na fila para entrar no transporte. ( Querias! É tudo ao molho e fé em Deus, com meia dúzia de cotoveladas e algumas caneladas pelo meio)
Lugares reservados
Os passageiros têm de respeitar os lugares reservados a pessoas idosas, grávidas, com crianças ao colo ou outras limitações. ( Era uma boa ideia, era, mas ainda um destes dias me levantei do lugar - não reservado- para dar o lugar a uma senhora acompanhada por uma criança dos seus 12 anos e quem se sentou no lugar foi a catraia)
Ocupar o nosso lugar
Temos de nos restringir ao nosso espaço, sem ocupar mais do que o nosso lugar . ( Para isso era necessário que as mulheres reduzissem o tamanho das suas carteiras e os homens não trouxessem mochila às costas)
Falar baixo ao telefone
Pode-se atender o telemóvel, mas sem falar muito alto para não incomodar as outras pessoas, porque o transporte público é um espaço de partilha com os outros. ( Também me parece ajuizado mas, infelizmente, muitas vezes tenho de ficar a saber o que é o jantar num lar de Odivelas ou a ouvir as queixas de uma discussão entre cônjuges ou namorados)


Paula Bobone
Crianças caladinhas
Quando se viaja com crianças, deve-se ensiná-las a ir caladinhas, sem fazer barulho, e sossegadas para não incomodarem as outras pessoas. ( Eh, eh, eh! Só contaram p'ra você!Já agora, que tal pedir aos adolescentes equipados com MP 3 que baixem o volume de som, para o vizinho não ter de ficar a saber que o tipo é um EMO?)
Pés fora dos bancos
Deve-se habituar as crianças a não pôr os pés em cima dos bancos e ensiná-las a ceder o lugar às pessoas mais velhas. ( Ver um adolescente sem as patorras em cima do banco da frente é mais difícil do que arranjar consulta na Caixa)
Manter distância
As pessoas devem manter alguma distância entre elas. ( Nunca andou nos transportes públicos em hora de ponta, pois não?)
Evitar peixeirada
Quando se gera uma discussão, as outras pessoas devem manter-se caladas, senão cria-se uma "peixeirada" que pode causar mais desacatos. ( Caladas? Então e o espírito crítico e interventivo do bom povo português?)

Já agora, aqui fica também um conselho meu: quando alguém reclamar um daqueles lugares reservados, os jovens que os vão a ocupar não devem ficar à espera que sejam os mais velhos a ceder o lugar. Perceberam, ou precisam de um desenho?

O Verão segundo Saramago

O Rogério lançou um primeiro desafio: homenagear Saramago, difundindo este texto escrito em 2003,para o Forum Social Mundial.
Depois convidou-nos a participar numa iniciativa que, juntamente com outra blogger, vai levar a cabo nas próximas semanas: divulgar textos ou pensamentos do prémio Nobel nos nosso blogs. O objectivo é vencer o silenciamento e a omissão que se instalou em Portugal depois da morte de Saramago.
Aqui estou a responder aos desafios e a convidar-vos a participar na homenagem da blogosfera a José Saramago.
Confesso que hesitei muito, antes de escolher o texto. Ou melhor, um excerto. Finalmente, quando peguei nas suas crónicas compiladas no livro "Deste Mundo e do Outro", decidi-me por um excerto de uma crónica intitulada Verão. Apenas porque tem a ver com a época que estamos a viver.Espero que gostem e, nos vossos blogs, dêem continuidade a esta homenagem que o Rogério nos propõe. Usando as suas palavras : interpretem isto como um apelo, uma sugestão, ou um imperativo de consciência. Pouco importa. O importante, é mesmo manter viva a memória de Saramago.

VERÃO
"Capa dos pobres lhe chamam, sinal de frio no resto do ano. No verão fogem de casa os adolescentes, que o desejo de fuga terá surgido na primavera, mas só a promessa dos dias vibrantes e das noites benignas disfarça de conforto os perigos da aventura. O verão é todo ele um apelo, um clamor de festa que se ouve no zumbir dos grandes calores. E quando o sol povoa de margens e ilhas de sombra o oceano escaldante da luz, todos somos um pouco náufragos arquejamos docemente, enquanto o suor poreja como fontes e nos banha de sal.
O verão é exigente, não espera. Propõe-se como a polpa carnuda de um fruto que reclama a boca predestinada - e que apodrece, inútil, se o tempo passou em vão.No ramo mais alto da árvore, o fruto vira para o sol a pele perfumada e convoca os pássaros à alegria da maturação. Mas a coroa que o merece é a mão do homem. E o fruto repousa um instante sob o olhar que o deseja, enquanto dentro de si, como o sangue que de súbito corre mais rápido e imperioso, o sumo se prepara para as migrações da substância. (…)"

Violência doméstica

Poderei estar enganado, mas não me parece que medidas destas sejam positivas no combate à violência doméstica.

Pelo país dos blogs (69)

Uma abordagem muito lúcida e séria sobre o "fim dos chumbos", proposta que tem suscitado algumas reacções populistas, demagógicas e precipitadas. A ler aqui.