quinta-feira, 29 de julho de 2010

Saramago no Porto


Um grupo de personalidades ligadas à cultura portuense apresentou uma petição na câmara do Porto, pedindo a atribuição do nome de José Saramago a uma rua da cidade.
A petição - entregue pelo escritor Mário Cláudio- pretende reparar a injustiça do executivo portuense que, numa atitude do mais retrógrado provincianismo grunho, rejeitou a proposta nesse sentido apresentada pelo vereador Rui Sá.

Esquina da Memória (9)

Mulheres vítimas de escravatura sexual. Crianças traficadas e sodomizadas para deleite de adultos perversos. Traficante de droga abatido a tiro pela GNR. Mulher espancada pelo filho, por se recusar a dar-lhe dinheiro para comprar droga. Padre guarda armas na Igreja onde celebra missa e, provavelmente, apregoa aos fiéis o amor e a paz, perante o silêncio da Igreja, tão lesta a criticar as palavras de Saramago sobre a Bíblia, mas sempre remetida ao silêncio quando algum dos seus pastores se vê envolvido em actos criminosos. Juiz manda em paz um pedófilo acusado de abusar sexualmente da sobrinha, por considerar que o acto não justifica uma medida coerciva pesada.
São notícias deste maravilhoso mundo novo que leio em jornais abandonados numa mesa de café, enquanto espero a hora de iniciar uma entrevista numa recôndita aldeia barrosã. A que mais me impressiona, pela leveza da decisão do juiz, é a medida de “Termo de Identidade e Residência “ aplicada ao pedófilo. Haverá razões que a justifiquem, mas dá-me a impressão que os crimes começam a ser tão banalizados, que os juízes se comportam perante as vítimas coma indiferença de um médico legista perante um cadáver.
Também não estranho, por isso, a notícia de um grupo de portugueses que angaria trabalhadores para labutar em quintas espanholas, com a promessa de salários atractivos. Aí chegados, prendem-nos, roubam-lhes a documentação e ficam com o dinheiro pago pelos empregadores. Estes casos começam também a tornar-se tão frequentes, que geram apenas 30 segundos de emoção e zero de reflexão.
Resisto a entrar na onda conformista. Quero uma sociedade mais justa. Quero regras e punições exemplares para os criminosos. Não aceito esta sociedade miserável, de comportamento medievo, que os ultra-liberais prometem como “El Dorado”, onde a iniciativa privada é a única regra aplicável. O resto é o salve-se quem puder, onde cada um fica entregue às contingências do destino, porque a justiça é morosa, quando não inexistente.
Na mesa ao lado da minha, um sexagenário desdentado saca o valete de trunfo e, triunfante, diz “toma lá, esta é para comer o teu ás de copas”. A “mine” estatela-se no lajedo com estrondo, derrubada pelo gesto vigoroso do ancião. “Traz mais outra, Manel, que os patinhos pagam”.
Pois é. O mundo é um simples jogo de cartas. Quem tem a melhor mão ganha. Ou então, farto de esperar por uma mão ganhadora, faz “bluff”, vai a jogo e na impossibilidade de vencer com as cartas que lhe caíram em sorte, tenta fazer batota na esperança de não ser descoberto pelo adversário, ou merecer a complacência de quem for competente para julgar os seus actos. Os batoteiros são (quase) sempre premiados neste mundo ultra liberal, cujo ás de trunfo é o lema “A sorte protege os audazes”. Assim é. Os banqueiros que levaram o mundo à ruína confirmam-no no fausto das suas vidas de criminosos impunes. Com o fim da crise, preparam-se para recomeçar a sua vida de agiotas, perante a reverência dos poderes instituídos e tendo como companheiros de jornada alguns empresários sem escrúpulos. Quem trabalha continuará a sustentar-lhe os vícios, pagando os impostos.
Merda de mundo este que tanto tem evoluído em novas tecnologias e abastança, mas continua a regredir no respeito pela condição humana.
* Título pedido emprestado a um livro de Aldous Huxley, escrito em 1931
( este post foi escrito há um ano, mas podia ter sido hoje)

PSD discute o Porto em Lisboa

A caminho do Porto, numa tremideira pendular, vou navegando pela blogosfera. Estava a chegar ao Entroncamento quando leio este post no Nortadas. Vacilo. Provavelmente o melhor é apear-me em Coimbra e voltar para Lisboa. É que, pelos vistos, os assuntos que tenho de tratar no Porto, devem ser tratados em Lisboa. Na perspectiva do PSD, claro, mas como eles se preparam para governar o país, o melhor é ir-me habituando à ideia.
O futuro presidente da Câmara do Porto terá o seu gabinete na Lapa lisboeta?

Gravidade relativa

Carlos Queiroz foi acusado de factos graves - ofensas a uma equipa de controlo antidoping, ao que parece- por Laurentino Dias. Paira no ar a hipótese de despedimento com justa causa. Pelo menos, parece ser esse o consenso entre os responsáveis da FPF.
Resta saber se os factos graves que lhe são imputados continuariam a ser considerados assim tão graves, se Portugal tivesse chegado às meias- finais do Mundial.
Eu conheço o país em que vivo, por isso sei a resposta. E vocês?

O palhaço da t-shirt volta a atacar

A porqueira não se rende. Quando os jornalistas se armam em juízes só pode dar merda!

Pelo país dos blogs (66)

O 2711 está de parabéns. Aproveitando o defeso, fez duas contratações de alto gabarito: a Ana Lima e a Blonde. Parabéns à equipa do 2711 e votos de felicidades para os novos reforços