quarta-feira, 28 de julho de 2010

Portugal (quase)...


O dia começou bem com as três atletas da marcha a classificarem-se entre as 10 primeiras, mas foi ao final do dia que chegaram as grandes emoções.
A elegantíssima Naide Gomes, em quem todos depositavam as maiores esperanças, esteve bem e conquistou mais uma medalha- a segunda para Portugal nesta edição do europeus de atletismo. Medalha de prata que, no entanto, acabou por saber a pouco. Saltando os mesmos 6,92 metros da vencedora ( a lituana Irena Roderica), só não chegou à medalha de ouro, porque o segundo salto da lituana que corre ao serviço do F.C.Porto foi superior ao de Naide.
Depois do amargo da prata que quase foi ouro - e seria um merecido prémio para a portuguesa- veio a surpresa:
Jessica Augusto conquistou a medalha de bronze nos 10 mil metros. A namorada do nosso guarda -redes Eduardo esteve a poucos metros da prata, mas cedeu na última volta a uma atleta russa. Faltou o quase.
A terminar a noite, o recordista europeu Francis Obikwelu correu a final dos 100 metros. Sem a ponta final de outros tempos, o português esteve quase a ganhar uma medalha. O "photo finish" atribiu-lhe o quarto lugar com o mesmo tempo do terceiro e do quinto classificados, o que quer dizer que foi por milésimos de segundo que Portugal não ganhou a sua terceira medalha do dia. Esteve quase.
Balanço muito positivo mas, se não fosse o quase , poderíamos agora ter ainda mais razões para festejar. Não deixa de ser normal, porém, a nefasta influência do quase que nos persegue e afasta de maiores êxitos. Afinal, somos um quase país...
Adenda: depois de ler alguns comentários, percebi que o post pode dar a sensação de que estou a ser crítico em relação à prestação dos atletas portugueses. Não foi essa a intenção, bem pelo contrário. Estou felicíssimo e só tenho pena que Obikwelu não tenha trazido também uma medalha. De qualquer modo esta é, desde já, uma das melhores prestações do atletismo português em Campeonatos da Europa.

De vómitos (2)

José Manuel Fernandes, ex- director do "Público", decidiu armar-se em juiz e escreveu esta postiúncula própria de um invertebrado.
A insinuação define de forma assertiva o seu autor. O mesmo que lançou, há um ano, a polémica sobre as escutas, envolvendo um assesor do PR. É este jornalismo asqueroso que descredibiliza a profissão.

Democracia da treta


A crise da democracia já não se restringe ao mundo ocidental. A maior democracia do mundo também parece ter arrumado numa qualquer gaveta os valores democráticos, trocando-os pelos valores da economia.Pelo menos é isso que depreendo ao ler a notícia sobre a visita do ditador birmanês a Nova Deli.
Recebido com pompa e circunstância, Than Shwe falou com o primeiro-ministro indiano sobre negócios e depois foi depositar flores no túmulo de Gandhi. Presumo que a “homenagem” prestada pelo ditador birmanês – acusado das maiores atrocidades contra os seus opositores e de ter falsificado os resultados das eleições ganhas pela oposição- tenha obrigado Gandhi a revolver-se no túmulo. O herói da independência indiana e símbolo da luta contra a violência não merecia tal enxovalho mas, desgraçadamente, o poder do dinheiro fala mais alto do que os valores da democracia e Manmhoan Singh- primeiro ministro indiano- seguiu o exemplo do seu homólogo chinês (Wen Jiabao) e estendeu a passadeira vermelha ao ditador birmanês.
Digo vermelha, por estar manchada de sangue, já que este périplo do Than Shwe pelos países ricos da região visa também obter apoios para a farsa eleitoral anunciada para o final do ano, que se traduzirá numa vitória da mentira e no silenciamento dos opositores ao regime sanguinário de Myanmar.

De vómitos (1)

Portugal está a ficar perigoso e deprimente e os tugas cada vez mais nojentos. É óbvio que ninguém gosta de ser roubado, mas reagir assim é próprio de gente rasca.

Isto não teria qualquer importância se apenas estivesse em causa o futebol...

…mas aqui fala-se muito mais do que de bola.
"Quando a massa actua por si mesma, só o faz de um modo, porque não tem outro: lincha".
(Ortega y Gassett in "A Rebelião das Massas")

Estamos ainda no defeso, mas a época futebolística europeia já começou. O Marítimo já eliminou uma desconhecida equipa irlandesa e avança para a próxima pré-eliminatória. Os jornais desportivos dão pouca importância ao assunto, mas A Conchinha do Dragão volta a abrir-se em breve, para falar de bola. Daquela que gira nos relvados, não daquela onde escreve e exerce o seu magistério de influências, a claque benfiquista da imprensa.
Hoje apenas gostaria de vos lembrar que Valentim e João Loureiro foram absolvidos no processo relativo ao jogo Boavista-Estrela da Amadora, na sequência do qual o clube viria a ser despromovido. Mais importante do que a absolvição, foi a sentença da juíza. Arrasou por completo a acusação que- afirma- “limita-se a fazer presunções em cima de presunções” sem sustentar uma única prova com base em factos.
Lembro-me bem da forma como a imprensa desportiva - acompanhada por jornais como o CM- condenou previamente os Loureiros e Pinto da Costa, criando na opinião pública a ideia de que a condenação era inevitável, face à evidência das provas.Recordo algumas primeiras páginas que a imprensa fez com Carolina Salgado, erigida a Santa da Ladeira e escritora de tão elevados méritos, que chegou a colunista do CM.
Um atrás de outro, os processos foram sendo arquivados por falta de provas, mas a justiça desportiva digo, a imprensa desportiva, tem dado pouco relevo a isso. A sua sentença está dada, o melhor é colocar uma pedra sobre o assunto. Entretanto, um clube foi relegado para as divisões secundárias, porque os seus dirigentes foram acusados de crimes que, pelo menos, a justiça não conseguiu provar. Isso pouco interessa hoje em dia a um tipo de jornalismo que vive da lama e, em alguns casos, ainda recorre a colunistas de ocasião para lançar a suspeita sobre a falta de isenção da Justiça, se a sentença lhe não agrada.
Em 31 de Agosto de 2008, escrevia aqui:
“Pedir a um daqueles moços que escreve na “Bola” ou no “Record” que respeitem as elementares regras do jornalismo e sejam isentos nas análises que fazem a tudo quanto gira em torno dos interesses benfiquistas, é o mesmo que pedir a um heroinómano que deixe de chutar na veia de um dia para o outro. O benfiquismo está tão entranhado naqueles moços, que não conseguem distinguir entre realidade e ficção” (Continuar a ler)

Sei que as coisas não mudam e até compreendo que, em termos clubísticos, aqueles moçoilos escrevam só com um olho. No entanto, quando se trata de justiça e em causa estão pessoas, a sua condenação em praça pública é um péssimo serviço prestado ao jornalismo.

Isto podia ser uma crónica sobre futebol e não tinha qualquer importância. Mas não é. A imprensa dita séria condena frequentemente em praça pública gente sem culpa formada. Cria factos. Abre histericamente pretensos espaços informativos agitando provas de corrupção.Publica escutas em segredo de justiça. Viola a Lei. Tudo em nome de interesses que nos vendem como sendo de interesse público. Às vezes, porém, estas condenações jornalísticas não são mais do que jogos de interesses, onde política e interesses económicos andam de mão dada. Por isso se enchem primeiras páginas com acusações que não passam de suspeitas ou leves indícios, se aniquila a reputação e a vida profissional de uma pessoa e se reservam notas de rodapé quando o alvo que se pretendia atingir é absolvido. Ou- como no caso Freeport- o alvo de todas as acusações nem sequer foi constituído arguido.
Não foi esse o jornalismo de suspeição e linchamento em praça pública que me ensinaram… não foi por esse jornalismo que me apaixonei há quase 40 anos.

Perguntar não ofende

Não seria uma boa medida de combate à crise, acabar com o cargo de Governador Civil? Para além de apenas ser útil para contemplar os arregimentados dos partidos, o cargo é um sorvedouro de dinheiro. Em teoria parece simples mas, na prática, não deve ser , caso contrário Pedro Passos Coelho já tinha lançado a proposta. Há sempre que ter o cuidado de manter alguns cargos para satisfazer as clientelas, não é verdade?

Postais de férias (10)


Eu sei que não se trata de um postal, mas a excelência do texto da Bacouca obrigou-me a reunir o Conselho Editorial e propôr a aceitação desta foto para o passatempo do CR. Eles aceitaram e, por isso, aqui fica a fotografia da ilha de Hainan, onde passei umas mini-férias muito agradáveis.
Leiam o texto e ajuizem vocês mesmo, sobre a justeza desta excepção...
Obrigado, amiga, e boas férias.
Aviso: No sábado iniciarei um novo passatempo de Verão, mas podem continuar a enviar os vosso postais, cuja publicação prosseguirá até dia 22 de Agosto

E é que dava mesmo...

A propósito do post sobre o Dia dos Avós recebi alguns comentários, como acontece em quase todos os posts. Quase todos davam "pano para mangas", porque levantam questões pertinentes. Resolvi repescar este, porque toca precisamente nesse ponto:
"Sou vovó , não ando de baloiço cheia de rugas , não compro rebuçados porque faz mal aos dentes , nem consolas pois vou ficar com netos sem imaginação ,ensino tudo o que ensinei aos meus filhos.- subir árvores, descer do escorrega de cabeça para baixo ,saltar das pranchas para dentro de agua, comer com a boca fechada , serem bem delicados com toda a gente etc .Tem uma vantagem enorme ser avó , quando chega ...vão para casa dos outros avós:))))Existem familias onde os meninos são tantos que de vez enquando ouvimos.-mas eu não sou o diogo...sou o dinis.....Depois existem estas familias normalizadas , com um rebento e onde Tem de haver Natal , prendas, dia dos avós , senão ninguem se lembra .Esta geração de netos tem avós ainda no "activo" ,mas com a baixa natalidade que existe actualmente e com a idade média da mulher ter o primeiro filho depois dos 35/38 , penso que vai haver uma geração que não vai ter avós . Não acha isso triste ? Muito assunto para uma boa conversa."
Além de achar triste, Annie, penso que dava mesmo uma excelente conversa, porque se fala muito pouco em Portugal dos " novos avós" e da sua relação com os netos, apesar de muitas vezes serem eles os educadores que se substituem aos pais.