sexta-feira, 23 de julho de 2010

Quem tem amigos não morre na cadeia...

A Igreja Católica chilena pediu um indulto para os presos condenados por participação nos crimes durante a ditadura de Pinochet. Quem é amigo, quem é?

Chá de sabão macaco?


Entro no carro e preparo-me para sair do estacionamento em espinha. Um Beetle preto,daqueles descapotáveis que chegaram ao mercado numa onda revivalista dos velhos “Carochas”,pára mesmo atrás de mim. Buzino. Como resposta vejo acenderem-se os quatro piscas, equipamento muito utilizado por quem estaciona em qualquer lado, marimbando-se para os outros.
Uma jovem loiraça com botas de montar sai do carro e dirige-se, em passo de corrida, para a mercearia. Digo-lhe que quero sair e que me está a atravancar o caminho
“ Ah, desculpe, não vi que ia sair”- diz-me com aquele ar afectado de tia da Lapa, deslocada do seu habitat.
“Não faz mal”- respondo com enfado. Importa-se de tirar o carro para eu sair?
“ Vou só ali à mercearia. Não demoro nem cinco minutos” . E arrancou disparada…Fiquei a ferver e a desejar que em vez de uma tia, daquele Carocha tivesse saído um “bimbo”, porque a reacção teria sido bem diferente.
Decidi aguentar . Dez minutos depois a dondoca continuava lá dentro! Entrei na mercearia e …explodi! Fui grosso, confesso. Virei Barata, em competição com a proprietária do Carocha. Quando vi as chaves do carro no cestinho de compras ainda meio cheio, saquei-lhas e encaminhei-me para o carro, disposto a tirar o Carocha do meu caminho.
A mulher veio atrás de mim aos gritos. “ Devolva-me já as chaves, seu grande ordinário!"
Não a contrariei. Tinha sido mesmo ordinário, ao chamar-lhe Dondoca do Conde Redondo. Apenas perguntei:“Tira o carro, ou chamo a Polícia?”
Meia dúzia de mirones rapidamente se juntaram para desfrutar a cena. Nenhum deles assistira a nada, mas já todos tinham tomado partido. Obviamente, os meus adeptos eram minoritários. Havia também um - certamente imparcial- que ronronava baixinho para outro “Se fosse comigo convidava-a para jantar e depois dava-lhe uma boa queca”.
Uma velha com barba de três dias desfrutava a cena com enlevo, mas sem dizer palavra. A loira acabou por arrancar, sem voltar a entrar na mercearia. Fiz-me também ao caminho. Enquanto rebobinava a cena, lembrei-me que tinha lido algures, durante a manhã, que o chá verde era excelente para eliminar as adiposidades da barriguinha. Interroguei-me se não haverá um chá para eliminar as adiposidades que algumas pessoas têm no cérebro. Talvez "chá de sabão macaco", sei lá...

As lágrimas de Lula


Corre-me nas veias sangue brasileiro. Conheço o Brasil desde miúdo, porque em minha casa sempre se falou do Brasil como segunda - ou mesmo primeira- pátria. Comecei a conhecer o Brasil “fisicamente” há mais de 30 anos e tenho acompanhado com algum interesse a sua evolução política, social e económica, principalmente através dos relatos de familiares que lá residem.
Entre eles há os que adoram Lula -porque deu um novo rumo ao país e combateu a pobreza- e os que o detestam porque, embora reconhecendo a projecção internacional que deu ao Brasil, garantem que, actualmente, vivem pior. Há ainda quem considere que Lula traiu os seus eleitores, cedendo aos interesses do grande capital. Não posso assegurar quais deles têm razão mas, relacionando o estilo e as condições de vida de uns e de outros, com as suas opiniões, faço uma ideia…
Vem isto a propósito da entrevista que Lula, em final de mandato, deu à TV Record. Emocinou-se e chorou. Uns dirão que foi fita, outros reconhecerão a sua sinceridade. Alinho com os segundos. Não porque tenha razões concretas que justifiquem a minha opção. Apenas por isto.

E se pensassemos um pouco mais sobre este assunto? (2)

O preço de um computador nos Estados Unidos corresponde ao rendimento que um cidadão médio aufere no Bangladesh durante oito anos

Postais de férias (7)

Quando recebi este postal da Reflexos, fui remexer no meu baú. Tinha a certeza de ter um igualzinho. E tinha. Barcelona é uma das cidades europeias de que mais gosto e este postal trouxe-me à memória belos momentos passados em Barcelona, a cidade que na minha juventude eu considerava a porta de entrada na Europa.
Obrigado, amiga, e boas férias!

Pelo país dos blogs (62)

Depois de ter dado fartas gargalhadas, quando li que Oliveira e Costa ( aquele do BPN, lembram-se?) pedira assistência judiciária para se defender no processo em que é acusado, gostei de ler esta chamada de atenção.
O Vítor Dias desmonta bem o cinismo da proposta de revisão constitucional apresentadas pelo PSD, que pretende extinguir o Serviço Nacional de Saúde.