quarta-feira, 21 de julho de 2010

Tinha graça...

Rui Pedro Soares foi apontado na comunicação social como o barço armado de uma conspiração do governo para acabar com a liberdade de expressão em Portugal. Não sei se a sentença decretada pela comunicação social- particularmente pelo Sol- arruinando-o como pessoa, destruindo-lhe a carreira e enxovalhando o seu nome em praça pública será confirmada pelos tribunais. Isso até pode acontecer para gáudio de uma certa comunicação social, freneticamente apoiada por um grupo de blogueiros que não se cansaram de fazer chacota e lançar o anátema sobre Rui Pedro Soares.
Não conheço o homem de lado nenhum, não o defendo nem lincho, com base em notícias de jornais. Nem mesmo quando um semanário, violando o segredo da justiça e uma providência cautelar, publicou escutas telefónicas descontextualizadas. Não duvido é que Rui Pedro Soares - independentemente das culpas que tenha no cartório- foi apanhado por uma fúria da comunicação social que, empenhada em destruir Sócrates a qualquer preço, o exibiu em praça pública como troféu de caça.
Sabe-se agora que o preço vai ser elevado. Além das pesadas coimas aplicadas a vários jornalistas e ao director do Sol, a sociedade proprietária do jornal foi condenada a pagar indemnizações de 1 milhão e meio de euros a Rui Pedro Soares e ao Estado.
José António Saraiva, director do jornal, disse à Lusa acreditar na capacidade financeira para pagar a indemnização ( não pode haver mais recursos da sentença). No entanto, se não tiver , Rui Pedro Soares já veio dizer que está disposto a ficar com o jornal como forma de pagamento.
Não deixaria de ter graça esta "vingança do chinês". Não só pela história mas - principalmente- pelos jogos de cintura que alguns jornalistas blogueiros terão de ensaiar para evitar cair nas más graças do "novo patrão da comunicação social".
Infelizmente, no meio disto tudo, quem sai a perder é o jornalismo. Uma vez mais.

E se pensássemos um pouco mais sobre este assunto? (1)

"80 por cento dos "sites" da Internet estão escritos em inglês, mas apenas uma em cada 10 pessoas no mundo fala inglês."

Lembras-te?


Quando eu cerrava os dentes para não comer a sopa e tu fazias força com a colher, até me enfiares a sopa pela boca abaixo? Um dia, obriguei-te a fazer tanta força, que as minhas gengivas sangraram. Desatei num pranto de criança mimada e fui dizer à Mãe que me tinhas batido. Depois tive vergonha, porque sabia já nessa altura que me vias como um filho e não merecias a minha traição. Tu, já uma senhora, namoradeira, e eu de cueiros a fazer cenas…
Desde esse dia, passei a comer a sopa sem oferecer grande resistência mas, a cada colher que me enfiavas pela goela abaixo, eu ameaçava:“Um dia apanho-te a dormir e faço-te o mesmo”.
Nunca cumpri a promessa. Nunca mais me lembrei das ameaças. Até hoje.
Deitada na cama do hospital, sem forças, pediste-me, com a voz sumida, que te desse a sopa. Olhei para ti e voltei a ver a cena, na casa do Porto onde fomos felizes. Os papéis inverteram-se, mas não olhei para ti como a Mãe que eras para mim naquela altura. O tempo encurtou distâncias entre os muitos anos que nos separam. A morte do irmãos que existiam entre nós aproximou-nos ainda mais. Na idade e nos afectos.
Sinto as mãos tremerem enquanto percorrem a distância do prato até à tua boca. Olho-te nos olhos e pressinto que estás a pensar o mesmo que eu. Espero que não te tenhas lembrado das minhas ameaças.
Onde está a expressão dos teus olhos castanhos que te conferiam uma beleza cobiçada por todos os teus amigos? Só vejo um olhar triste, quase suplicante. Adivinho que pedes à Morte que te leve quanto antes, porque estás farta de sofrer. Não faças isso. A Morte é uma cabra que nunca aparece quando chamamos por ela. Aparece sem ser convidada, a puta. Ceifa vidas que ainda têm muito para dar e prolonga o sofrimento de quem reclama a sua presença. Ignora-a. Despreza-a. Suplica-lhe que te prolongue a vida.
Coragem, mana! Estou ao pé de ti. Quando a cabra chegar não sei como vou dizer à nossa Mãe que tu partiste sem lhe dizer um último adeus. Ela sabe que tu já te despediste dela há mais de um ano mas, mesmo assim, imagino-lhe o sofrimento e antevejo-lhe as lágrimas. As mesmas que há muitos anos correm por aquele rosto hoje sulcado de rugas cavadas por rios de lágrimas que nunca mais deixaram de correr desde que os nossos irmãos partiram. Jovens, cheios de projectos e vontade de viver. Como vês, a grande cabra só aparece quando não a queremos por perto. Por isso, mana, te peço, não chames por essa puta. Faz um esforço e finge que estás interessada em viver e ainda esperas muito da Vida. A cabra, ciumenta, talvez te venha buscar.

Porreiro, pá!

A polícia perseguiu uma carrinha durante vários quilómetros, na Via do Infante. Lá dentro iam três criminosos com cadastro acusados, entre outras coisas, de estarem envolvidos na morte de um graduado da polícia. A carrinha acabaria por se despistar e os fugitivos, depois de assistidos no hospital, foram presentes a Tribunal que lhes aplicou o termo de identidade e residência. A justificação da Procuradora para uma medida de coacção tão branda terá sido ( de acordo com a TVI) que os arguidos afirmaram não ter cadastro.
Ora, a ser verdade, pode concluir-se que a palavra de criminoso é sagrada e nem vale a pena mandar investigar. Manda-se para casa e pronto.
Ora bolas! As séries policiais americanas sempre têm mais emoção. Pelo menos as Procuradoras não são tão ingénuas...

Postais de férias (5)

Um belíssimo postal do Porto, cuja Praça eu ainda conheci assim, foi a escolha da MagyMay para este passatempo. Além da imagem, este postal traz consigo uma bela história que vale a pena conhecer no Trivialidades e Croquetes.
Obrigado, amiga, e boas férias!

Pelo país dos blogs (60)

Há já algumas décadas que as minhas férias de praia são passadas em Espanha. Conheço, há muito, a cretinice da polícia espanhola, de que também já fui vítima. Não devia, por isso, espantar-me com este relato mas quando acabei de ler o texto tinha os olhos embaciados. Pela indignação e pela revolta, mas também pelo conforto que é saber da existência de portugueses como estes.