segunda-feira, 19 de julho de 2010

O verso e o reverso

Não divulgar as fontes é um dos princípios básicos do jornalismo, mas não é sério publicar uma conversa com a fonte, como se de uma entrevista se tratasse.
Se a fonte reage insultando o jornalista e negando o conteúdo da conversa, o jornal tem obrigação de defender o jornalista. Limitar-se a dizer que a conversa está gravada, não a publicando, lança forçosamente a dúvida sobre a idoneidade do jornalista. Dúvida agravada, quando o jornal divulgou escutas telefóncas ( supostamente truncadas...) recorrendo a métodos pouco éticos e ignorando uma providência cautelar.
O resto é poeira que alguns escribas de serviço tentam atirar-nos para os olhos, sabe-se lá com que insondáveis interesses...

O Mundo mudou...

... e os bancos são o espelho dessa mudança. Ainda há pouco mais de um ano gastavam verbas volumosas em publicidade, incitando os portugueses a endividarem-se, anunciando spreads de 0% , oferecendo prémios a quem se endividasse e prometendo facilidades no acesso ao crédito que levaram os portugueses a acreditar que o crédito era fácil, barato e ainda dava prémios, como o Euromilhões.
Hoje, além de dificultarem o acesso ao crédito, tornando-o quase inacesível à maioria dos portugueses, os bancos canalizaram as verbas destinadas à publicidade para pedir aos portugueses que lhes emprestem dinheiro, subscrevendo os seus produtos de poupança.

Crónicas de um país pimba (3)

Conjunto Musical Ponto Fixo no "Praça da Alegria"

Noite de sábado.
Regresso ao Porto, depois de um passeio à beira mar, ao fim da tarde, para apanhar um pouco de ar fresco e fazer uma refeição leve. Faço um percurso diferente do habitual para voltar a casa, entrando pelo Carvalhido. Perto da Igreja , iluminações despertam-me a curiosidade. À medida que me aproximo, um grande volume de decibéis invade o meu carro, entrando em conflito com a voz de Natasha St Pier que escolhera como companhia.
Há gente na rua ouvindo um conjunto que se esforça por animar a noite. Há pares de mulheres dançando no meio da rua. À minha frente um carro avança com esforço, a passo de caracol, por entre a multidão. Penso inverter a marcha mas, atrás de mim, já há dois carros e outros vêm em sentido contrário, tacteando o asfalto a medo. O condutor de um desses carros faz um comentário que não compreendo e de imediato é atacado por um galifão que salta de entre a populaça. Alguns populares agarram-no. O carro que segue à minha frente é mimoseado com vários murros no tejadilho. Viajo num descapotável e começo a temer o pior. No meio da multidão vejo um tipo esbracejar, tentando aproximar-se. Lança-me uns impropérios. “Bai p’rá discoteca, filho da p…! Isto aqui é pró pobo, num benhas chatear que ainda te f…. os cornos.”
Mantenho-me em silêncio, fingindo nada perceber . Respondo aos insultos com sorrisos e acenos. “ Oporto very nice!”Depois, com sotaque “ Muito bonito festa. Enjoy”. Os cabelos loiros e os olhos claros da minha companheira de viagem levam-nos a confundir-nos com turistas. A populaça diz ao murcon para se acalmar, porque somos turistas.“ Bai p´rá tua terra, cabrom! Podes deixar cá a garina c’a gente amassa-a bem” Ouço gargalhadas e vozes de reprovação. Um par de garinas põe-se a dançar acintosamente à frente do carro, impedindo a passagem. Vendo que não reajo à provocação, acabam por se afastar. Em boa hora, o carro atrás de mim lança uma buzinadela de protesto. As atenções voltam-se para ele e eu passo incólume. O conjunto musical continua a debitar decibéis.
Refeito do susto, confirmo que estou na segunda cidade do país, mas acabei de presenciar um episódio digno de uma aldeia de província. Não havia um polícia a regular o trânsito, não havia um aviso da festa, nem um cartaz a aconselhar um percurso alternativo. Quando cheguei a casa perguntei à minha mãe que festa era aquela. Disse-me tratar-se de uma homenagem a uma fonte de onde brota uma água milagrosa. Na manhã seguinte, pessoa avalizada em matéria canónica afiançou-me que se celebrava a festa do Senhor do Padrão (seja lá o que isso for).
Certo, certo, é que, depois de uma consulta internáutica fiquei a saber que ontem a festa foi abrilhantada pela actuação do conjunto musical Ponto Fixo. A avaliar pelas pernocas do elenco feminino, deve ter provocado um engarrafamento ainda mais problemático. E como não sou egoísta, aqui vos deixo com uma actuação deste reputado conjunto musical. ( Cabritinha)

O Estado da Nação

Do debate sobre o Estado da Nação fiquei a saber que Paulo Portas tem uma curiosa interpretação da democracia: o partido que vence pode formar governo, mas a oposição nomeia o Primeiro Ministro!
Pedro Passos Coelho prefere outro método: os portugueses votam e o Presidente da República decide quem forma governo.
Não sei se ria, se chore, com tanta imbecilidade!

Viva a coerência

Em alguns blogs oficiosos de apoio a Passos Coelho já há quem rejubile com as propostas do amado líder para a sua governança. Diminuir o vencimento dos funcionários públicos e pensionistas do Estado em 20 a 30 por cento, merece aplausos de pé.

Menos aplaudida, mas também muito aclamada, é a proposta de extinguir organismos públicos imprestáveis, cuja razão de existir não é descortinável ( proposta que aliás, muito antes de Passos Coelho eu aqui apresentei, embora não com o objectivo de ver funcionários públicos no desemprego, mas sim de os redistribuir por outros organismos que têm escassez de quadros).

O curioso em tudo isto é que alguns dos que apoiam freneticamente estas medidas, vivem (ou viveram) durante muitos anos à custa do orçamento de Estado. Viva a coerência!

Postais de férias (3)

Este postal foi enviado do Brasil mas, como é óbvio, refere-se a umas férias na Europa. A Turmalina tem lá mais uns belos exemplares, mas só chegou cá este.Vão lá ver os outros e perceber a razão da escolha deste tema.
Obrigado, amiga, e boas férias.

Pelo país dos blogs (58)

Eu ia escrever sobre A Coisa, mas desisti depois de ler este post, porque está lá tudo e corria o risco de me repetir.