quarta-feira, 7 de julho de 2010

O Polvo

Tal como o polvo Paul prognosticara, a Espanha venceu a Alemanha e no domingo discutirá o título com a Holanda. Se ganhar, sempre podemos dizer que Portugal foi eliminado pelo campeão europeu e do mundo, mas isso não deverá impedir os detractores de Queiroz de exigirem a sua demissão e continuarem a incensar Scolari e a sua táctica da Nossa Senhora de Caravaggio a ponta de lança e Roberto Leal como armador de jogo. Com os resultados brilhantes que se conhecem ( derrotas no jogo de abertura e na final do Europeu, em Lisboa, com esse colosso do futebol mundial que é a Grécia).
Claro que a derrota desprestigiante com a Espanha só foi possível porque Carlos Queiroz é um treinador medroso. Aliás, a Alemanha também não ganhou aos pupilos de Del Bosque, porque o polvo não deixou e o treinador alemão decidiu seguir a táctica medrosa de Queiroz . Apenas falhou no aspecto defensivo, porque o golo espanhol não foi marcado por David Villa em fora de jogo…
Como afirmaram alguns comentadores encartados, que agora tentam virar o bico ao prego, a Espanha estava perfeitamente ao nosso alcance. Pois estava e só não somos campeões do mundo, porque Queiroz- apesar de ser o único treinador que nos deu dois campeonatos do mundo sub-21- não percebe nada de futebol e é um medroso.
Adenda: E agora vou ao Cortiço comer um polvo à lagareiro. Em memória do Paul!

AVISO MUITO IMPORTANTE

Por razões que desconheço, quando hoje tentei publicar os comentários dos leitores, mais de duas dezenas volatilizaram-se, sem qualquer explicação plausível. A maioria dos comentários eclipsados destinavam-se aos posts "Quem tem K sempre esKapa" e "A estratégia da aranha".
Embora sem quaisquer responsabilidades, peço desculpa a todos por este arreliador contratempo , mas - fique bem claro- NÃO HOUVE CENSURA !

Relativismo climatológico

Ah, estás nas aldeias históricas e eu aqui em Lisboa, porreiro pá, és um sortudo diz-me alguém da redacção de uma revista em Lisboa, no conforto do ar condicionado.
Experimentem trabalhar nas aldeias históricas e de xisto sob uma canícula de 35º às 11 da manhã e depois digam-me se é porreiro!
Bem, confesso que até é, porque tudo é melhor do que estar encerrado numa redacção. Mesmo com este calor e o privilégio do ar condicionado.

Quem tem K sempre esKapa?

Isabel, Luísa e Fernando decidiram ir beber um copo à Kapital. O ambiente estava animado, prolongaram a noite até quase ao amanhecer.Isabel e Luísa despediram-se de Fernando à porta da discoteca e foram ao encontro do carro, estacionado na véspera, a umas escassas centenas de metros. Fernando, consciente de que bebera demasiado, optou por apanhar um táxi.
Já Fernando curava a ressaca em casa, quando o telefone tocou. Do outro lado, ouviu a voz de Isabel. Nervosa e chorosa.
-Fernando, temos de nos encontrar depressa. Podes vir ter connosco?
-Que se passa? Ainda agora vos deixei… estou a ressacar…
-Tens de vir. Ou então vamos nós a tua casa, mas é muito urgente.
- Está bem, vou apanhar um táxi e passo já por aí.
Contrariado, mas não querendo deixar de responder ao apelo das amigas, enfiou os jeans e uma t-shirt e desceu à rua para apanhar um táxi.
Fez o trajecto a magicar o que se teria passado, para reclamarem a sua presença urgente.Arrependeu-se de não ter perguntado, mas encolheu os ombros enquanto ruminava “Coisas de gajas. Vá-se lá percebê-las. Há duas horas propus-me acompanhá-las a casa e recusaram; agora querem que vá lá depressa. Devia tê-las mandado dar uma curva…”
Quando Isabel abriu a porta, Fernando deixou escapar um “Ah!” de espanto.
- Que se passou? Foste assaltada? Bateram-te?
Isabel mandou-o entrar. Aninhada no sofá da sala estava Luísa.Aparentemente não tinha nenhum hematoma, como o que Isabel exibia na face. Estava abúlica, de olhar distante e nem sequer fez menção de o cumprimentar.
- Que se passou? Desembuchem, caraças!
- Tens de ir connosco à polícia, Fernando. Fomos assaltadas e roubaram-nos tudo. Dinheiro, cartões de crédito, telemóveis, os colares e as pulseiras…até o Dupont que o meu pai me tinha dado antes de morrer, com o pedido para o estimar...
-E vocês são capazes de reconhecer o gajo?

- Esse é que é o problema, Fernando. Todos os conhecemos. Foram o Z e o L, os seguranças da Kapital
- Não pode ser! São uns gajos porreiros… estás enganada, Isabel
- Não estou não, Fernando. Eu e a Luísa reconhecemo-los perfeitamente.
-E porque é que te bateram?
-Porque tentei resistir e disse-lhes que os conhecia. O Z deu-me um murro e disse-me que era só um aviso para não dar com a língua nos dentes.
-Vamos apresentar queixa imediatamente.
-Temos medo, Fernando.
-Medo de quê?
- Das represálias. Se apresentamos queixa eles depois vingam-se e não sei do que serão capazes.
Fernando sentou-se no sofá a pensar no que fazer. Passado um minuto disse decidido:
- Tenham lá paciência, mas temos mesmo que apresentar queixa. Se não o fizermos, eles vão assaltar mais pessoas.
As irmãs entreolharam-se em silêncio. Luísa deu finalmente um sinal de que estava a ouvir a conversa. Levantou-se num gesto decidido e com voz firme disse:
- O Fernando tem razão. Temos de apresentar queixa. Não podemos permitir que eles assaltem outras pessoas.
Saíram de casa e foram apresentar queixa na esquadra mais próxima. Foram ouvidos pelo polícia de serviço, cuja lentidão e ar grave os deixou exasperados. No final, perguntou-lhes se queriam formalizar a queixa.
- Claro- respondeu Fernando
- O senhor não estava presente, pois não?
- Não, mas confio nas palavras das minhas amigas
- Bem, fique aqui que eu vou ali ao lado com as suas amigas mostrar-lhes uma coisa.
Fernando aguardou, quase uma hora, o regresso de Isabel e Luísa. Finalmente, assomaram à porta. Vinham assustadas. Despediram-se do polícia que se mostrava agora mais afável.
Chegados à rua, Fernando perguntou:
- Que raio estiveram vocês a fazer com o polícia durante quase uma hora?
- Já te explicamos. Nem vais acreditar! Falámos no carro- respondeu Isabel
Quando entraram no carro, Luísa deixou escapar um grito:
- Como é que esta merda é possível? Cambada de filhos da p***
- Que foi, porra! Digam lá o que se passou com o bófia...
- Esteve a mostrar-nos uma série de fotografias para ver se as identificava-mos. Conhecêmo-las quase todas. Tudo seguranças. O gajo diz que já têm várias queixas desde o Verão, de pessoas que têm sido assaltadas depois de saírem da Kapital e do Kubo, mas que nunca ninguém identificou as fotografias. Ele acha que as pessoas dizem que não reconhecem os tipos por medo. Nós fomos as primeiras a identificá-los.
- E sabes quem também está metida nesta merda? A G!
- Quem? A loira?
- Sim, essa mesmo a quem tu te fartas de fazer olhinhos e dar trela a noite toda. Imagina a filha da p*** da boazona!
Fernando engoliu em seco. Não disse às amigas que, no Verão de 2007, tivera um caso com G. Decidiu romper quando descobriu que ela estava metida em negócios de droga. Suspeitava que fosse mesmo traficante, porque duas vezes lhe telefonaram a meio da noite e ela desaparecera sem deixar rasto durante uns dias.
-Em que estás a pensar? Não me digas que agora estás com pena daquela cabra!
-Nada disso- disfarçou Fernando. Estava a pensar o que se irá passar a partir de agora.
- O polícia disse-nos que iam chamar todas as pessoas que apresentaram queixa. Têm esperança que, sabendo da nossa identificação, algumas pessoas aceitem colaborar . O polícia disse-nos que eles actuam em grupo e querem prendê-los todos de uma vez, para desmantelar o gang.
……………………………………..
Dois meses depois, Isabel e Luísa receberam uma notificação para se apresentarem na polícia. Tiveram de reconfirmar a queixa e mandaram-nas para casa.
Duas semanas mais tarde, no último sábado, Fernando estava na esplanada a ler o jornal pela manhã, na companhia de Luísa, quando leu este título:
A PSP prendeu sete indivíduos, seguranças nas discotecas do grupo K, acusados de assaltar clientes”.
Finalmente! - pensou aliviado. Depois foi ler a notícia.
“ Os indivíduos foram detidos pela PSP na quarta-feira e foram presentes a Tribunal na quinta feira. Seis saíram em liberdade com termo de identidade e residência e um ficou em prisão domiciliária.O jornal noticiava, ainda, que um dos detidos (Paulo Baptista) era o “braço direito” de um ex-polícia (Alfredo Morais) que se encontra a monte, depois de ter sido condenado a sete anos de prisão. O polícia é também arguido no caso “Passerelle”- acusado de lenocínio e auxílio à imigração ilegal- em que está envolvido Jorge Chaves, o presumível homicida do proprietário do bar “O Avião”.
Fechou o jornal, respirou fundo e, voltando-se para Luísa, perguntou:
- Olha lá, vamos dar uma volta pela praia? Preciso de espairecer um bocado.
E lá foram os dois, gozando o sol da manhã.
Ao fim de algum tempo, Luísa perguntou:
- Quando é que a polícia irá prender os gajos do K?
Fernando apertou-a contra si. “Não penses nisso agora. A polícia fará o que tem a fazer”.
- Não sei não! Não conheces aquele ditado que diz “ Quem tem K sempre escapa?”
-És capaz de ter razão…
(Esta história foi criada a partir de uma notícia do DN do dia 16 de Maio de 2009. Qualquer semelhança com a realidade pode não ser pura coincidência. Recordo-a hoje, depois de ler a notícia da absolvição dos arguidos do casso Passerelle, acusados de mais de 1200 crimes.)



A estratégia da aranha

Confesso que me custa admitir, mas Sócrates fez uma jogada de mestre ao utilizar a "golden share" para impedir a compra da Vivo pela Telefonica. Ganhou em várias frentes:
-Deu um ar de esquerda, fortalecido com a entrevista ao "El País" em que acusou a CE de posições ultra-liberais.
- Demonstrou a incoerência e fragilidade argumentativa dos coelhistas, cuja única ideologia é o lucro fácil assente no princípio do "salve-se quem puder".
- Deixou a descoberto as fragilidades dos defensores do mercado livre e das teorias ultraliberais, ao "obrigar" os accionistas a desmascarar-se. O único objectivo dos accionistas da PT, da maioria dos empresários e dos oportunistas que apoiam Passos Coelho é o lucro. Estão-se borrifando para o país, apesar de passarem a vida a postar tiradas patrióticas, onde o ataque ao acordo ortográfico e a defesa da língua portuguesa surge como corolário saloio dos pobres de espírito.
-Finalmente, obrigou a esquerda a apoiá-lo.
É óbvio que a esquerda defende a utilização da golden share, mas não pode deixar de criticar Sócrates pela política de privatizações que conduziu a esta situação e aproveita para exigier a Sócrates que recue nessa matéria.
O lider do PS sabe, porém, que a comunicação social portuguesa -enfeudada que está aos grandes interesses económicos -não dará grande relevância às críticas da esquerda, pelo que a sua estratégia não será beliscada.