quinta-feira, 1 de julho de 2010

Eu gosto é do Verão (2)

Vários leitores perguntaram como podiam participar neste passatempo. Então, aqui ficam as dicas:
Publicam o postal com o texto no vosso blog e comunicam-me na caixa de comentários deste post. Depois eu vou lá surripiar o postal, publico-o no CR e faço link para o texto que escreveram no vosso blog. Valeu?
Agradeço desde já a todos os que manifestaram vontade em participar e fico à espera que concretizem o vosso desejo. Entre 12 de Julho e 22 de Agosto farei as publicações dos postais. Em breve anunciarei outras rubricas de Verão.

Da Golden Share à vitória de Ângela Merkel


A bloga de direita e apoiante do liberalismo coelhista anda desesperada por Sócrates ter usado a golden share e inviabilizado a compra da Vivo pela Telefónica. À falta de melhores argumentos, há até uns patuscos visceralmente anti-comunistas que corroboram umas parangonas foleiras do Financial Times que apelida a medida de colonialista e criticam veladamente o Público por ter dado espaço a Sócrates para explicar a sua posição.
Na minha modesta opinião, se há alguém colonialista nesta história é a Vivo e não Sócrates, mas há quem nunca admita isso e, muito menos, que o modelo de globalização actualmente seguido é uma forma de colonialismo económico e financeiro, que deglutirá quaisquer empresas de sucesso de países pequenos como o nosso.
Não percebo, também, a posição do PSD. Se reconhece que o negócio era ruinoso para a PT e até para o país ( vá lá, pelo menos sempre percebe melhor do que alguns jornalistas de política internacional) porque razão condena a utilização da golden share? Pensará o actual PSD que a solução para o mundo está em dar roda livre ao mercado, mesmo que isso signifique prejuízo para o país? Assustam-me um bocado os defensores da política canibalismo, mas adiante…

Estranho que essa mesma bloga permaneça em silêncio depois do desastre que ontem abalou a Alemanha da senhora Merkel, não comentando as consequências e o significado de tão nefasto episódio para os liberais.
O candidato à Presidência alemã, apoiado pelo governo de coligação no poder, só conseguiu ser eleito à terceira volta, sendo incapaz de congregar todos os votos dos partidos da coligação. Parece-me óbvio que esta vitória fragiliza e põe em risco o governo empossado em Outubro e abre a porta a eleições antecipadas.
A difícil eleição do candidato governamental à presidência põe também em evidência duas questões:
- Qualquer partido no poder ( seja liberal, socialista, democrata cristão ou social democrata) sofre a erosão da crise e corre sérios riscos de ser obrigado a pedir nova legitimação popular para se manter no governo. Os liberais não são a panaceia para a resolução da crise. Como salienta o Nobel da Economia Paul Krugman, “estamos a caminho da Terceira Depressão, que resulta do fracasso das medidas tomadas a nível global e terá custos elevados para a economia mundial” . A direita liberal que neste momento dirige os destinos de grande parte dos países europeus e a União Europeia, não deixará , provavelmente, de ser penalizada por isso. Ora,se isso acontecer, é muito provável que quando Passos Coelho chegar ao poder, a Europa esteja em contraciclo, desiludida com a ineficácia do combate à crise e os europeus tenham usado a golden share do seu voto para exigir novas políticas.

- Outro aspecto que merece relevância relaciona-se com o facto de na Alemanha os deputados poderem votar pela sua cabeça, independentemente das decisões dos seus partidos. Nem numa eleição presidencial- na Alemanha o presidente é eleito pelos deputados da Câmara Baixa do Parlamento ( Bundestag) e representantes dos estados federados- se exige disciplina partidária. Seria estimulante, para a vida política portuguesa, que os líderes partidários e os deputados em geral percebessem a importância da liberdade de voto como forma de credibilização da democracia portuguesa, hoje reduzida ao triste panorama do clientelismo.

Um homem de "Antes Quebrar que Torcer"


Manuel Alfredo Tito de Morais foi um dos homens mais íntegros que conheci em toda a minha vida. Aliava à sua honestidade intelectual e perseverança na luta pela liberdade e pela democracia, uma enorme bondade e simplicidade.
Tive o privilégio de o conhecer pouco tempo depois dele ter regressado do exílio e a felicidade de com ele muito aprender sobre a cultura democrática.
Os mais jovens pouco ou nada saberão sobre a vida deste ex-presidente da Assembleia da República. Talvez isso explique o silêncio na blogosfera sobre as comemorações do centenário de Tito de Morais - que decorrem desde 28 de Junho e se prolongarão até ao próximo dia 6 de Julho.
Como salientou Luís Novais Tito na cerimónia de abertura das comemorações – em que não estive presente , por estar fora do país- “O Tito sabe que o seu exemplo é a nossa lição de futuro e nós sabemos que nos compete passar os princípios por ele legados às gerações vindouras.”
Faltam hoje em dia, na nossa ainda jovem democracia, homens com a fibra e o carácter de Manuel Alfredo Tito de Morais, pelo que a sua fotobiografia, editada pela Guerra e Paz - que hoje mesmo folheei pela primeira vez- merece uma leitura atenta.
E, já agora, remeto-vos para o vídeo de promoção e sinopse do programa que a RTP exibiu no último sábado, sobre a vida de uma das figuras carismáticas da nossa democracia. Alguns classificaram-no como sendo casmurro e teimoso mas, como se pode perceber pelo título do documentário (“Antes Quebrar que Torcer”) era apenas um homem de ideais que nunca se deixou subverter.
Ler mais aqui e aqui

Summer hollidays


Não é habitual, mas desta vez as férias deixaram-me assim: preguiçoso e oco. Estou a precisar de mais uns dias mas, até sexta-feira, ainda vou tentar visitar-vos a todos.