segunda-feira, 21 de junho de 2010

A pont(e)apé

Na quinta-feira voltou a ser discutida a eliminação de feriados, proposta pelas deputadas católicas independentes Teresa Venda e Rosário Carneiro.
Continuo a lamentar que as senhoras deputadas não se tenham insurgido contra as tolerâncias de ponto durante a visita do Papa mas, como não vim aqui para lhes pedir coerência, agradecia só que me explicassem uma coisa:se a proposta é “puxar” todos os feriados para sexta ou segunda-feira, incluindo os que calhem ao sábado e domingo, será que o país vai lucrar alguma coisa?
Essa história de acabar com as pontes também não cola, como já aqui expliquei. Exceptuando o caso de algumas autarquias que, no início de cada ano, fixam as pontes a que os funcionários têm direito, a maioria dos trabalhadores que goza ponte tira um dia de férias.
Já agora, se cada feriado custa 37 milhões de euros ao país, porque não acabar também com o encerramento das empresas e dos serviços públicos ao sábado e domingo, como já propôs a DECO, alegando o benefício dos consumidores?
Eu gostava que discutissem esta proposta com honestidade e sem demagogias, mas não me parece possível. Ninguém assume que, "à pala" da crise, estamos a regressar aos tempos da escravatura- mesmo que dissimulada. Seria melhor assumirem-no e fazerem o serviço completo de uma só vez.
Afinal, ainda há pouco tempo, na China, a maioria dos trabalhadores só tinha férias uma semana por ano e gozada, obrigatoriamente, no Ano Novo Chinês. E se nessa altura todo o mundo ocidental criticava a exploração dos trabalhadores chineses, que tal começar agora a aplaudir as políticas ancestrais do governo de Pequim?
Na sexta-feira fui a uma reunião do Portugal Sentado onde se discutiu esta questão. Tentei convencer os meus parceiros a acabarem com o dia de descanso semanal. Ao domingo, quem quiser ir à Missa, terá direito a hora de almoço alargada, mas terá de trazer comprovativo do padre que lá esteve.
A maioria dos presentes não gostou da ideia, mas contei com o apoio de um ancião ( cuja cara não me era estranha) que considerou ser uma proposta com visão de futuro. Na opinião dele, porém, ao domingo só deveria trabalhar-se a meio tempo. Os homens de manhã ( para poderem ir à tarde ver a bola) e as mulheres à tarde ( depois de terem feito o almoço, lavado a loiça e arrumado a casa).
Mas o que este ancião gosta mesmo na proposta das deputadas, é a possibilidade de poder celebrar o o 25 de Abril a 24!

Ou sim, ou sopas...

Hoje, não há margem para erro. Ou vencemos a Coreia, ou despedimo-nos da África do Sul.