quinta-feira, 17 de junho de 2010

Mundial 2010: vencer sem entrar em campo

O Mundial constituirá uma oportunidade de negócio para as empresas patrocinadoras, mas o evento propicia igualmente o aparecimento de novas empresas cuja actividade está intimamente ligada ao evento.
Nestes certames, um dos negócios mais lucrativos é, porventura, o merchandising. Cerca de duas centenas de produtos alusivos ao evento ( incluído as inefáveis vuvuzelas)estão já a ser comercializados. Bolas de futebol, t-shirts, camisolas, cachecóis, bonés, esferográficas, postais ilustrados, copos, sacos, isqueiros, ou porta-chaves são alguns dos exemplos, entre uma variada parafernália de produtos destinados a satisfazer os gostos mais exigentes, que compõem a equipa do merchandising, uma vencedora antecipada do Mundial 2010.
Sem ter de pisar os relvados, fazendo entradas à margem da lei sem o risco de ser admoestada pelo árbitro, esta é uma equipa sempre em jogo, utilizando a imbatível táctica do chamariz consumista.
Para além da venda directa ao público, em locais devidamente licenciados pela FIFA, estes produtos são protagonistas de uma variada, mas nem sempre imaginativa, gama de concursos. Os preços são variados, inflacionados, aproveitando a febre consumista dos adeptos que não querem perder a oportunidade de adquirir um souvenir, testemunho da sua presença no evento, cujo “prazo de validade” se esgota após o último pontapé na bola e a consagração dos vencedores.
Dias depois de terminado o torneio, os objectos “desvalorizam-se”, passando a constituir para uns, uma recordação eterna aliada ao sucesso da equipa vencedora, ou a algum episódio rocambolesco vivido em terras sul-africanas, e para outros um mero ícone sem importância que cai no esquecimento e acaba os seus dias a repousar na montra do desperdício.

Dicionário de estrangeirês (9)

O leitor está no Japão e alguém que meteu conversa consigo está a tentar explicar-lhe o que faz na vida.
No meio de uma frase mesclada de inglês e japonês ouve-o dizer : Ro-Ba Ka- Si Tu- Do.
Esteja descansado, porque o seu interlocutor não é um gatuno que está prestes a assaltá-lo. Trata-se apenas de um político.

O príncipe com mãos de fada



Aviso prévio:
Apesar de alguns toques ficcionais, esta é uma histórai real.

Há muitos anos, numa pequena aldeia de um reino do norte da Europa, onde os camponeses têm assento no Parlamento e os reis se revoltam contra a aristocracia, pondo-se ao lado do Povo, vivia um casal humilde.
Ele trabalhava no Estado e ela era funcionária dos correios. Quando um dia chegou a casa e disse ao marido que estava grávida, este perguntou-lhe:
- E o filho é mesmo meu?
A mulher, contendo as lágrimas que a indignidade da pergunta fizera libertar, respondeu com altivez:
“ Deus é meu juiz”.
Alguns meses depois nasceu uma criança que, por comum acordo entre os cônjuges, recebeu o nome de Daniel ( em Hebraico, Daniel significa “Deus é meu juiz”).
Correram os anos entre invernos gelados e estios amenos. Daniel cresceu. Cumpridos os serviços mínimos nos estudos fez-se à vida e rumou à capital. Arranjou emprego num ginásio com boa reputação e tornou-se um personal trainer.
Sucederam-se os dias e as noites. Com muito empenho, Daniel foi-se tornando conhecido na cidade, pelo seu profissionalismo e dedicação.
Um dia uma jovem que sofria de anorexia tocou à campainha. Queria inscrever-se no ginásio, por recomendação da irmã. Daniel foi chamado pelo proprietário para ser o seu personal trainer. Assim que a viu, teve a sensação de a conhecer de qualquer lado mas, mantendo a sua discrição habitual, nada disse.
À noite, no quarto de banho do seu modesto apartamento, Daniel gritou: “Eureka!” Acabara de descobrir quem era a sua nova cliente. Nada menos do que uma princesa. Olhou uma vez mais para a fotografia da família real, colocada na parede sobre a sanita ( Não é “boutade”, na Suécia, as famílias têm, por tradição, a fotografia da família real no quarto de banho) e não teve quelaquer dúvida. Era mesmo a princesa Victoria!
No dia seguinte, o discreto Daniel não revelou a descoberta à sua nova cliente mas, conta a lenda, que lhe terá feito uma massagem mais aplicada depois dos exercícios do dia. Durante dois anos, foi frutificando uma relação de amizade entre o personal trainer e a princesa, mas nenhum ousava dar o primeiro passo. Não se sabe, inclusive , de quem foi a iniciativa de convidar o outro para uma ida ao cinema, mas disse-me fonte bem informada que a ideia surgiu enquanto resolviam palavras cruzadas no bar do ginásio. O enunciado da Vertical 2 era “ primeiro nome do realizador de Morangos Silvestres”. Percebendo que Daniel não sabia a solução, Victoria alvitrou:
- Olha lá, Daniel. Acabei de ler há bocadinho no “What’s on Stockholm” que o “Morangos Silvestres” está em reposição no Röda Kvarn. Não queres ir ver?
Daniel sentiu o coração a saltar-lhe dentro do peito. A primeira reacção foi inventar uma desculpa e recusar, mas Cupido deu-lhe um safanão e sussurrou-lhe ao ouvido:
- Estás armado em parvo ou quê? Vai lá ao cinema com a rapariga! Não vês que ela está mais derretida que um esquimó nos trópicos? E vê lá se perdes a timidez e deixas de te comportar como um iceberg, parvalhão!
Daniel gostaria de ter dito a Cupido que estava enganado e se sentia mais parecido com aquele vulcão dos vizinhos islandeses, do que com um iceberg, pois há dois anos reprimia a torrente de amor que lhe percorria as entranhas como lava incandescente, mas calou-se.
Timidamente, quase em surdina, ainda perguntou a Victoria:
- E se nos vêem, Alteza? O que vão escrever os tablóides como o Expressen e o Aftonbladet? Quantas calúnias não irão lançar sobre Vossa virtude?
Victoria encolheu os ombros e perguntou:
-Nunca estiveste em Portugal, pois não?
-Não, Alteza…
-Havemos de ir lá um dia, quando aprenderes a falar português, para veres o que é um tablóide de má lingua, Daniel. Olha, vamos amanhã à sessão das quatro e deixa o resto comigo.
E foram…
Abrevie-se a história, para que os leitores não comecem a torcer-se na cadeira e vão a correr ler o final.
Deixemos de lado os pormenores pós cinema, as primeiras carícias, o primeiro beijo, a primeira… e retomemos o fio à meada três anos depois. Por essa altura já Daniel vivia com Victoria num apartamento, abrira três ginásios chiques em Estocolmo e mostrara a sua veia empreendedora expandindo o negócio para o Brasil.
Estava uma daquelas gélidas noites de Inverno e Daniel regressava de uma viagem de negócios , precisamente ao Brasil. O rosto tisnado do Sol disfarçava-lhe o ar campónio, tornando-o ainda mais atraente aos olhos de Victoria.
( A história conclui amanhã. Não quero abusar da vossa paciência.)

Ponto da situação

Ao fim da primeira jornada do Mundial, apesar de ter visto poucos jogos ( mas vi os resumos de quase todos...) parece-me que Portugal pode não estar tão mal como pintam. Empatámos com a Costa do Marfim, é certo, mas a Inglaterra também empatou com os EUA, a Grécia perdeu com a Coreia do Sul e a favorita Espanha ( campeã europeia em título, é bom não esquecer...) perdeu com a modestíssima Suiça.

Sinceramente, o que me parece é que o clima que se vive na selecção ( ainda espero ver explicada a lesão do Nani, em versão não oficial) é semelhante a Saltillo. E, se assim for, não há vlta a dar-lhe. No dia 26, cada um regressa a suas casas para umas férias relaxadas, porque os clubes que lhes pagam não os querem lesionados.

Pelo país dos blogs (54)

Estou totalmente de acodo com o que escreve aqui o meu amigo Arnaldo Gonçalves. Lá longe, pelo Oriente, vê de forma bem clara o que muitos aqui perto se recusam a admitir.

Sugestão do dia

O Puma