quarta-feira, 16 de junho de 2010

Mundial 2010: Chile joga à defesa, Lula prefere o ataque.

Vários países, nomeadamente latino-americanos, aprovaram legislação visando a protecção do espectador e do espectáculo. No Chile, por exemplo, há um movimento que exige a devolução do bilhete quando o jogo não presta. No entanto o SERNAC ( Serviço Nacional do Consumidor do Chile) não foi tão longe e limitou-se a emitir uma recomendação sobre o assunto. Aí se salienta que “a pessoa que paga para assistir a um espectáculo desportivo, é um consumidor ou utilizador de um serviço de lazer e, enquanto tal, tem certos direitos que devem ser respeitados e que a Lei de Defesa do Consumidor em vigor reconhece e tutela".
A recomendação acusa a imprensa desportiva e os próprios organizadores dos jogos de “encenar de forma exacerbada uma atmosfera de paixão clubística, distorcendo o sentido da sua missão informativa e gerando um clima propício à exaltação o que resultou, por mais de uma vez, em conflitos ou manifestações incorrectas por parte de algum público, e pondo em risco a segurança dos espectadores.”
Nesse intuito, o SERNAC apela à imprensa desportiva para “assumir um papel de moderadora e ser mais objectiva na sua tarefa de informar, que claramente a diferencie das atitudes próprias de adeptos fervorosos” e aos dirigentes, para que “se abstenham de proferir declarações que contribuam para inflamar os ânimos ou desvirtuem de qualquer modo o espírito do espectáculo”.
Mais incisiva é a Lei nº 10671 do Congresso Nacional do Brasil, aprovada em Maio de 2003, que define o “Estatuto do Torcedor” .Trata-se de um documento com cerca de 50 artigos, onde se estabelecem os direitos do consumidor de espectáculos desportivos, dos quais respiguei algumas passagens.
Começando por garantir ao “torcedor” o direito “ à transparência na organização das competições administradas pelas Ligas” o diploma obriga aquelas entidades a nomear um Ouvidor da Competição ( equivalente ao nosso Provedor) a quem compete “ recolher as sugestões, propostas e reclamações que receber dos torcedores, examiná-las e propor as medidas necessárias (...) ao benefício do torcedor".
Saliente-se que todas as sugestões e respectivas respostas são obrigatoriamente publicitadas num site da Internet.Por outro lado, a Lei confere ao “torcedor” uma vasta gama de direitos, de que destaco os seguintes:
- Manifestar a sua opinião acerca dos Regulamentos;
- Direito à segurança nos locais onde são realizados os eventos desportivos antes, durante e após as partidas;
- O acesso a transporte seguro e organizado, especialmente quando se trate de pessoas com deficiência.
Existem, porém, dois aspectos que a serem aplicados em Portugal constituiriam uma perfeita revolução. É que para além de ser conferido ao torcedor o direito ao sorteio dos árbitros ( que em Portugal é considerado um direito dos clubes) a Lei estabelece que “ não correm em segredo de Justiça os processos em curso perante a Justiça Desportiva - a qual está também obrigada a agir de forma célere e a publicitar as suas decisões, sob pena de serem consideradas nulas.

Dicionário de estrangeirês (8)

Se está na China e foi assaltado, não comece a gritar por socorro, porque é inútil.
Grite antes: Agarra que é ladrão!
(Agala Ke Fin-To-Xui)

Em português nos entendemos?

Exames do 12º ano
76 mil alunos são hoje "expremidos" em português

Este título vem na primeira página do Global de hoje e suscitou-me um comentário. Infelizmente, quem escreveu e autorizou a publicação deste título não foi espremido. Nem nos exames de português do 12º ano, nem na Universidade. Foi pena.Podíamos ter ganho pelo menos dois jornalistas que soubessem escrever em português.

Um detective na AR. Moi-même!

Ontem, à hora do jogo Portugal- Costa do Marfim, 24 deputados e o secretário de estado do desporto discutiam não sei o quê na Comissão de Educação da Assembleia da República. Digo que não sei o que discutiam, porque a única coisa que os jornais escrevem sobre a reunião da dita Comissão tem a ver com a polémica gerada em torno da marcação da reunião para a hora do jogo. Fiquei sem saber a razão da presença do secretário de estado do desporto naquela sala mas, pelos vistos, isso também não tinha qualquer interesse para os jornalistas. O importante era mesmo encontrar uma explicação para a hora da audição.
Fiquei então a saber que a reunião fora marcada em Novembro de 2009. Não li isto em nenhum jornal, nem ouvi na rádio ou televisão, mas inferi das declarações do deputado José Rodrigues, do CDS que só podia ter sido essa a data. Perguntarão os leitores como descobri. Simples. De acordo com o deputado “ a reunião foi marcada antes de se saber em que dias Portugal jogava”. Ora, como as datas são conhecidas desde Dezembro, altura em que se realizou o sorteio, a reunião teve de ser marcada antes dessa data. E porquê em Novembro? Porque houve eleições em Outubro e só na véspera de o governo ter tomado posse se ficou a saber quem era o secretário de estado do desporto.
Esclarecido este mistério, havia outro para desvendar. Porque é que, mesmo assim, não foi alterada a hora da audição?
Isso já os jornais explicam, mas apenas parcialmente. O resto “vi” nos telejornais. De acordo com o presidente da comissão- o deputado Luís Fagundes Duarte- houve uma tentativa de adiar a reunião para as 17 horas. Acontece, porém, que essa tentativa foi feita através de um telefonema. Ora o secretário de estado anuiu no adiamento mas, como não nasceu ontem, pediu ao deputado Fagundes para comunicar essa alteração por escrito.O deputado Fagundes não esteve para isso.
Deduzo que não o terá feito, porque viu uma janela de oportunidade para mais um momento de má língua. Se Laurentino Dias tivesse concordado com o adiamento, sem uma confirmação por escrito, o deputado Fagundes poderia sempre dizer aos jornalistas que o adiamento foi feito a pedido do secretário de estado e no dia seguinte lá teríamos os jornais a criar mais um caso, noticiando:
“ Secretário de estado do desporto obriga a adiar reunião da comissão de educação da AR”.
De nada valeria a Laurentino Dias dizer que o adiamento foi feito de comum acordo, a pedido dos deputados. Alguns jornais não hesitariam em levantar a suspeita de que o membro do governo estava a mentir. Só que Laurentino Dias não anda a dormir e quis precaver-se. Como Fagundes deveria estra mais interessado em polémica, ou não gosta de futebol, a reunião realizou-se à hora marcada, apesar dos protestos dos deputados e os lamentos de Laurentino.
O que lá se discutiu, os jornais ( que li) não dizem. Talvez nem seja notícia. O importante foi o “fait divers”. Mas a isso também já estamos habituados… Quem quiser saber o que se passa na AR,que leia o Diário das Sessões, ou veja a TV da AR, que ontem deve ter estragdo as audiências da RTP à hora do jogo.

As confusões de Fernando Nobre

Tenho em grande apreço Fernando Nobre, pelo trabalho que desenvolveu à frente da AMI, mas tive uma grande decepção quando ele anunciou a sua candidatura à Presidência da República. Não vejo Fernando Nobre com perfil para exercer o cargo, por diversas razões que não cabe agra aqui enunciar.Ontem, o candidato apoiado por Mário Soares encarregou-se de demonstrar as minhas suspeitas.
Ao afirmar «Se o primeiro-ministro ferir os altos interesses da nação, e se ele pisar o risco, ele é demitido. Obviamente demito-o», demonstrou desconhecer os poderes do Presidente da República que em circunstância alguma pode demitir o governo.

Pelo país dos blogs (53)

Gostei de ler este post da Ana Paula. E já agora, vejam também o video.

Afinal há ruídos piores do que o das Vuvuzelas

Chama-se José Manuel Freitas e esteve a comentar (??????) o Brasil - Coreia do Norte

Sugestão do dia

Coisas da Fonte