segunda-feira, 14 de junho de 2010

Futebol no Convento


A meio da tarde, enquanto escrevia um artigo sobre a mancha negra provocada pela BP, o telemóvel trauteou o aviso da chegada de uma mensagem. Fui ver. Era da LUSA. Leio o título: “FREIRA”.
Alguma evolução no caso da freira assassinada em Vila Nova de Gaia, cujo alegado autor foi absolvido há dias por falta de provas? Fui ler o texto:
“ Freira doida pela bola promete transformar o convento onde vive , em Viana do Castelo, num mini-estádio de futebol, com vuvuzelas e tudo, para dar força à Selecção no Mundial da África do Sul”.
Grande notícia, pá!Seria mais uma vítima da info-exclusão se a Lusa não me tivesse dado esta preciosa informação.

Dicionário de Estrangeirês (6)

Está numa praia no Japão e quer saber se pode fazer "top less"? Muito fácil...


Pergunte simplesmente a uma banhista:
Aki po - de Sakare Ateta?

Mundial 2010: O outro lado de uma bola de futebol


Fenómeno curioso, este da bola! Ao mesmo tempo que é motivo de alegria para milhões de crianças em todo o mundo que a podem pontapear, é também causa de condições duras trabalho, para milhares de crianças que ajudam ao seu fabrico.
Sempre que se realizam eventos desportivos de grande dimensão, o tema é recorrente: organizações não governamentais alertam os consumidores para as condições laborais em empresas do ramo têxtil ligadas às grandes marcas desportivas, que violam de forma despudorada as normas mais elementares da Organização Internacional do Trabalho ( OIT), a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a declaração dos Direitos da Criança.
A maioria dos adeptos que exulta quando a bola se anicha nas redes da equipa adversária, desconhece que aquela bola que despertou o seu entusiasmo, pode ter sido causa de choro de muitas crianças que, em condições laborais desumanas, participaram no seu fabrico. Como desconhece que os sapatos desportivos de marca que leva calçados, o cachecol ou a camisola que identificam a sua simpatia por uma das equipas, podem ter sido fabricados à custa de trabalho infantil e trabalho escravo, em países como a China, Índia, Paquistão ou México, ( para apenas citar alguns) .
Alertada para este facto por várias organizações internacionais, a FIFA adoptou, em 1996, um Código de Conduta em que assume a total responsabilidade sobre as condições laborais dos trabalhadores envolvidos na produção dos bens por ela licenciados, procurando desta forma credibilizar os seus produtos junto dos consumidores. Os principais parâmetros deste Código de Conduta assentam na garantia dada aos consumidores de que nos produtos licenciados pela FIFA não há recurso ao trabalho infantil, nem ao trabalho escravo, há liberdade de associação sindical por parte dos trabalhadores, são pagos salários justos, a semana de trabalho não excede as 48 horas e que são garantidos os requisitos de segurança e higiene nos locais de trabalho.
Este Código de Conduta foi adoptado pela UEFA durante a realização do Euro 2000 na Bélgica e Holanda ( curiosamente foi na Holanda que nasceu a Campanha Roupas Limpas e foi na Bélgica que reuniu, em 1998, o Tribunal Permanente dos Povos para condenar o desrespeito pelos consumidores, manifestado por algumas das empresas mais conhecidas da área da distribuição e da produção de material desportivo).
A questão que se coloca é saber se o Código de Conduta está a ser cumprido.Lembro aos leitores que - pouco depois de ter sido eleito para presidente da FIFA- o sr. Blatter se mostrava chocado com a existência de trabalho infantil na confecção das bolas de futebol e afirmava estar a tomar previdências junto da UNICEF para evitar que estas situações se repetissem no futuro. No entanto não se esqueceu de proferir esta frase lapidar ( muito aplaudida, aliás, por alguns jornalistas portugueses):
"Não sabemos se, radicalizando estas situações, não estamos a conduzir essas crianças, em paises de fracos recursos económicos, para caminhos menos correctos, tornando-as vítimas dos vícios que assolam a sociedade".
O Presidente da FIFA referia-se, claro, aos caminhos do furto e da droga, ameaças que podem cair sobre as crianças que não ocupem os seus tempos livres a trabalhar ajudando a engordar os chorudos lucros da indústria do vestuário, do calçado e até do ramo alimentar. O argumento, além de obsceno, é fácil de desmontar, mas deixarei isso para outro dia.

Esquina da Memória (5)

As jornalistas Célia Rosa e Isabel Stilwell, da Notícias Magazine, foram condenadas por um tribunal de Braga. Não por terem escrito um artigo difamatório ( o tribunal reconheceu que os factos eram verdadeiros), mas sim porque o juiz considerou que o artigo violava os “princípios da adequação e da proporcionalidade”.
Confusos? Então tomem lá mais esta. José Manuel Fernandes e o “Público” foram também condenados pelo STJ a pagar uma indemnização de 75 mil € ao Sporting, por terem noticiado que o clube devia ao Estado, desde 1996, 460 mil contos.
E foram condenados porquê? Porque a notícia era falsa? Não! Mais uma vez o tribunal reconheceu a veracidade da notícia mas considerou esse facto irrelevante!.A razão da condenação ficou a dever-se ao facto de os juízes terem considerado que a notícia punha em causa o bom nome e reputação do Sporting.
Como jornalista, confesso que estou a pensar seriamente em mudar de profissão, pois não estou disposto a ser obrigado a ter de consultar um juiz, antes de publicar uma notícia, para lhe perguntar se está de acordo com ela, ou se no seu douto entendimento, apesar de ser verdadeira, prejudica alguém. Assim vai Portugal, país democrático e com liberdade de expressão. O facto de uma notícia ser verdadeira não interessa nada, o importante é que não prejudique ninguém!
Ressalve-se, porém, que tanto o tribunal de 1ª instância, como o Tribunal da Relação tinham, anteriormente, negado provimento à queixa apresentada pelo Sporting, dando razão ao “Público”.
( Estes factos ocorreram em 2007,mas na altura ninguém se lembrou de convocar manifs em defesa da liberdade de expressão)

Facebook: uma comédia de enganos

Durante a última década, os autarcas lisboetas têm estado mais preocupados com interesses imobiliários, do que com a satisfação das necessidades e interesses dos alfacinhas. Daí, que depois da destruição da Feira Popular nenhum pareça preocupado em reerguer um espaço similar em Lisboa, onde as pessoas possam espairecer.
Insatisfeitas com a situação, várias pessoas lançaram um apelo no Facebook para uma manif na antiga Feira Popular. Promovida por cidadãos que, muito justamente, reclamam um espaço de diversão para Lisboa, a manif prometia ser um sucesso, contando os seus promotores com a presença de cerca de 10 mil pessoas, tal foi a adesão manifestada.
No sábado, o telejornal noticiava que apenas tinham comparecido algumas escassas dezenas. Mais um falhanço das redes sociais, na tentativa de mobilização das pessoas. Lembro-me pelo menos de duas “convocatórias” anteriores que resultaram num fracasso e devem ter deixado os seus promotores decepcionados. Pelo menos os realistas, porque é sabido que aqueles que vivem num mundo fictício - que apenas existe nas suas cabecinhas prenhes de tonterias- continuam a pensar que as suas iniciativas foram um alerta importantíssimo e se saldaram num rotundo êxito.
Já aqui escrevi e reitero: o Facebook pode ser importantíssimo para as pessoas trocarem ideias, discutirem, fofocarem, fazerem a divulgação de eventos ou, inconscientemente, promoverem empresas mas, como instrumento de cidadania, não funciona em Portugal. Toda a gente acha as ideias muito giras, mas na altura de levantarem o rabinho da cadeira e saírem para a rua, "cortam-se". Ou porque está calor, ou porque está frio, porque está a chover , ou a ventar, o tuga arranja sempre uma boa desculpa para se baldar.
Não há volta a dar a um povo umbiguista e preguiçoso que adora mandar umas bocas, mas detesta dar a cara. Quando é que vamos aprender a lição?

Caderneta de cromos (19)



No país das alcoviteiras e dos bisbilhoteiros, Pacheco Pereira pretendeu assumir o papel de alcoviteiro do reino. Sabendo que não escaparia ao epíteto tentou do marcar a diferença, mas saiu-lhe o tiro pela culatra.

Ao esgrimir o argumento de que a não divulgação das escutas é uma violação da democracia e que a Comissão de Inquérito ao caso PT/TVI não respeita as regras democráticas, Pacheco Pereira apenas mostrou que o seu passado estalinista ainda permanece bem vivo. Quem não concordar com as suas opiniões e não lhe satisfizer os caprichos, não é democrata.

Não tenho dúvidas de que, mais tarde ou mais cedo, as escutas serão divulgadas por um qualquer órgão de comunicação social que utilizará igualmente os argumentos da democracia para vender papel e, durante uns dias, fazer tiragens reforçadas explorando a curiosidade dos portugueses.

Nesse momento, Pacheco Pereira terá de esgrimir fortes argumentos para nos convencer que não foi ele o fornecedor da informação. É com democratas desta estirpe, que a democracia vai perdendo credibilidade mas, ciosos de protagonismo, eles não se enxergam.

Que grande sarilho!

No próximo dia 1 de Julho a Bélgica assume a presidência ( do Conselho)da União Europeia. Com um país ingovernável há três anos, os belgas foram ontem a votos e a vitória do partido flamengo que preconiza a independência da Flandres e a dissolução da Bélgica, não augura grandes mudanças no futuro. Até porque , na região francófona, os vencedores foram os socialistas,que preconizam a manutenção da união de Flandres e Valónia.
O mais provável é que o impasse se mantenha. Nada melhor do que um país em crise para presidir aos destinos da União Europeia no próximo semestre.

Sugestão do dia

Murcon