quarta-feira, 9 de junho de 2010

Recordações da Gripe A

No Outono escrevi que o alarmismo em torno dos perigos da gripe A, gerado por alertas da OMS, visava beneficiar a indústria farmacêutica.Agora, o British Medical Journal vem confirmar:
Recomendações da OMS sobre uso de anti-virais, foram preparadas por consultores pagos por laboratórios”.
Só quem não se lembra do escândalo provocado nos anos 60 pelos relatórios falsos sobre alimentos para bebés, visando beneficiar a Nestlé, é que se espanta com esta conclusão.

Stress? Não,obrigado!


Tive fases da minha vida em que fui workaholic, mas sempre detestei trabalhar sob stress. Mesmo quando os jornais fechavam às três, quatro ou cinco da manhã e era preciso escrever qualquer coisa de última hora para tapar o buraco de uma notícia cortada pela Censura, não tinha stress. Sentia elevadas doses de adrenalina vagabundear pelo corpo, mas era uma sensação boa.
O stress é uma “doença” dos tempos modernos. Alguém inventou que era preciso trabalhar a 200 à hora e ficar no escritório até de madrugada para ter sucesso e os yuppies "compraram" a ideia, em troca de BMW à porta, cartão de crédito com plafond generoso, férias em locais paradisíacos e uma conta bancária suficiente para satisfazer os caprichos consumistas de toda a família.
Nunca perceberam ( ou preferiram ignorar?) que o objectivo de afogar as pessoas em trabalho era impedirem –nas de pensar, por isso acharam normal passar a pedir tudo para ontem, em vez de ser para o dia seguinte. A maioria das pessoas foi atrás, seduzida pelo estauto yuppie. O problema é que o yuppie é como os espermatozóides. Todos querem lá chegar, mas a maioria fica pelo caminho, reduzido à condição de escravo dos tempos modernos, sem almejar o sucesso reprodutivo na sua conta bancária.
Fica muito bem a expressão " Preciso de isto urgente. Para ontem!" mas não encaixa com a minha maneira de ser. Quando faço uma coisa, gosto de a entender. Não gosto de "encher chouriços", só para ganhar uns cobres.
Sob stress não consigo escrever nada decente. Preciso de estar sereno e tranquilo, ter tempo para reflectir antes de escrever um artigo, fazer uma entrevista ou passar ao papel uma reportagem.
Nos últimos dez meses deixei-me ir na onda. Como “freelancer” a caminhar para o fim da vida activa, com direito a uma reforma de míngua, deixei-me emaranhar no novelo e comecei a aceitar tudo o que me pediam, para acautelar o futuro. Mas que futuro? Sei lá se o meu futuro são 30 anos ou 24 horas?
Lá diz o povo que “depressa e bem há pouco quem” e eu não pertenço a esse reduzido número de eleitos. Desgastei-me sem necessidade. E cheguei ao cúmulo de escrevier alguns posts pouco cuidados, porque confundi o CR com o meu "moleskine", onde tomo notas apressadas. Esqueci que mais de duas centenas de pessoas me lêem diariamente e que, a partir desse momento, o CR deixou de ser apenas meu, para passar a ser, principalmente, dos meus leitores.
Vou regressar ao presente que é onde se está bem porque, como diz o povo, “o futuro a Deus pertence” e os yuppies são coisa do passado. A crise que se dane!
(Li no blog onde roubei esta imagem, que até os ratinhos têm stress, mas isso certamente é culpa nossa, que andamos sempre a martirizá-los com experiências).

As tontices de Catalina


Há dias, enquanto viajava, ouvi um programa na Antena1, onde se debatia o bárbaro ataque de Israel a um navio turco que alegadamente transportava ajuda humanitária para Gaza.
As reacções de alguns ouvintes foram de uma violência verbal extrema, tendo um chegado a preconizar o desejo de que um qualquer país tivesse coragem para destruir Israel.
Li, posteriormente, reacções indignadas na blogosfera afirmando que “aquilo” era o retrato do povo português. Concordei... sob reserva. E tinha razão, como adiante se verá.
Ontem, li no “Público” que Catalina Pestana – ex-provedora da Casa Pia- afirmou numa sessão pública que se um neto dela fosse vítima de abusos sexuais, actuaria pelas próprias mãos em vez de recorrer aos tribunais.
Esta afirmação, proferida por alguém que já teve responsabilidades públicas e cuja figura foi mediatizada até à exaustão, já é de extrema gravidade. Pior ainda, porém, foi a receita que ela publicamente preconizou para resolver o problema. Pois a ex-provedora anunciou perante a assistência que a ouvia na instituição “Meninos de Oiro”, que caparia os agressores com as próprias mãos.
Quando uma senhora que foi responsável de uma instituição para crianças não se coíbe de fazer uma afirmação destas, numa outra instituição para crianças, ficamos a perceber um bocadinho melhor os bons exemplos que ela terá dado ao longo da sua vida, pelas instituições por onde passou.
Mas não resistimos a lembrar aqueles que viram nas declarações dos ouvintes aos microfones da Antena 1 o retrato do "povo português" e aproveitaram para propagandear a doutrina de Passos Coelho, peconizando a privatização da estação pública, que o "povo português" se revê nos exemplos e comportamentos das figuras públicas.

De boas intenções...


Embora os 27 ainda não tenham chegado a um consenso sobre a definição de pobreza, a União Europeia quer tirar 20 milhões de cidadãos dessa condição nos próximos dez anos. Parece-me extraordinário querer acabar com uma coisa que não se consegue definir, mas a determinação em cumprir o objectivo é garantia de sucesso.
Se seguirem as receitas da senhora Merkl, das agências financeiras e do FMI vai ser fácil atingir o objectivo. Morrem todos de fome.

Para memória futura

Gostava que me explicassem uma coisinha que a minha inteligência não me permite perceber. Então é assim: Pedro Passos Coelho estabeleceu um acordo com Sócrates para fornicar os portugueses.
No dia seguinte, mandou o seu grupo parlamentar criticar Sócrates pelas medidas tomadas, cuja aplicação consentira 24 horas antes. Isto demonstra bem o carácter de Pedro Passos Coelho e não precisa de explicações.
O que eu não percebo é outra coisa. Depois de ter feito um acordo com Sócrates, Pedro Passos Coelho começou a anunciar, diariamente, a exigir que o governo tome medidas, ameaçando veladamente com eleições antecipadas. A mais recente, foi a proposta de estabelecer um tecto máximo para as pensões e limitar a sua acumulação. Ora eu já propus essa medida aqui há mais de um ano, pelo que ( modéstia à parte...)PPC não propõe nada de inovador. Mas fico na dúvida: se PPC até está de acordo, por que razão não propôs ( ou exigiu) a Sócrates que incluísse essa medida no PEC?
O que me parece é que PPC atira para o ar com medidas do mais elementar bom senso, para angariar simpatias e votos, mas não acredita nelas e nunca as implantará. Ora, salvo melhor opinião, o que PPC está a fazer é exactamente o mesmo que Sócrates tem feito nos últimos anos: fazer promessas que nunca irá cumprir. O que significa que, mesmo que as moscas mudem...
De qualquer modo, vou começar a coleccionar as promessas de PPC para memória futura.

I've got a feelling

Eu cá não sou de intrigas, mas cheira-me que a lesão do Nani na clavícula e a tristeza de Ronaldo , que tanto intrigou os jornalistas no fim de semana, estão relacionadas com umas pelejas de ping-pong que têm acalorado o estágio de ambos.

Sugestão do dia

Biodivers(c)idade