terça-feira, 8 de junho de 2010

Na Índia também brincam à justiça


Muitos se lembrarão do desastre numa fábrica de pesticidas em Bhopal, em 1984. A fuga de gás venenoso de uma fábrica americana de produtos químicos -a Carbide- matou milhares de pessoas ( entre quatro mil estimados pelo governo indiano e 25 mil anunciados pela Amnistia Internacional) e afectou mais de 200 mil ( números governamentais) que ficaram cegas, ou sofrem de doenças renais e hepáticas irrecuperáveis. Na altura, a empresa americana garantiu que pagaria indemnizações idênticas às que paga aos cidadãos americanos.

Em vésperas do Dia Mundial do Ambiente, de 2010, um tribunal indiano proferiu finalmente a sentença, condenando sete antigos responsáveis da empresa a dois anos de prisão ( saíram sob fiança) e ao pagamento de uma multa de 2100 dólares. A Carbide - que em 1989 pagou ao governo indiano 470 milhões de dólares -foi condenada a pagar cerca de 10 mil dólares, mas o seu então presidente- o americano Warren Anderson- que estava entre os acusados não sofreu qualquer pena, pois o governo americano recusou a sua extradição.

A história não acaba aqui. O dinheiro pago pela Caribe em 1989 deveria ter sido distribuído pelas vítimas, mas muitas delas nunca viram a cor do dinheiro e, ainda hoje, se registam inúmeros casos de doenças cancerígenas, respiratórias neurológicas e de visão que afectam não só os residentes em Bhopal, naquela época, como crianças que nasceram posteriormente.

Perante a realidade da justiça num país que cresce a um ritmo vertiginoso, não nos devemos admirar que o governo português tome medidas como esta em tempo de crise.



Dicionário de Estrangeirês (5)



Todos sabem que a sonoridade do russo faz, muitas vezes, lembrar o português. Não se admire, pois, se a passar por uma rua de Moscovo lhe pareceu ouvir alguém pronunciar Sefoy Prakova.
Aturadas pesquisas efectuadas durante o último Inverno, permitiram-me concluir que a palavra significa Defunto, pelo que é natural que se encontre próximo de um cemitério e a palavra tenha saísdo da boca de uma viúva. Nesse caso olhe à sua volta, veja se a viúva é gira ( é frequente na Rússia) e aproveite para lhe apresentar os pêsames. Mas, pela sua rica saúde, não faça como estes militares.

Conversas com o Papalagui (50)

- Ontem li o teu post sobre a nova tecnologia automóvel. Esqueceste uma coisa importante...
-O quê?
- Os automóveis que andam sempre sobre carris...
-Isso não são automóveis, são comboios, Pa!
- Qual comboios, qual quê? Não me digas que aqueles automóveis que assim que entram numa auto-estrada se colam à faixa esquerda e só a abandonam quando saem, são comboios...

Use a razão. Evite as férias sem coração


Por uma vez estou ao lado de Cavaco Silva. Ele tem razão quando pede aos portugueses para passarem férias em Portugal. Não só está a defender a nossa economia, como a preservar a nossa segurança. Basta ver os últimos acontecimentos, para percebermos que o mundo está perigoso e viajar não é aconselhável. Querem exemplos? Leiam esta notícias (verídicas)

Se estava a pensar ir até ao Extremo-Oriente, desista. Veja só o que aconteceu com quatro palestinianos. Vestiram os seus fatos de mergulho, meteram-se num barco para explorar as belezas marítimas e o que lhes aconteceu? Os militares israelitas pensaram que se tratava de terroristas enfiaram-lhes meia dúzia de carregadores no lombo e lá foram os palestinianos fazer a viagem até à vida eterna, sem direito a bilhete de volta.

Se a sua ideia este ano era ir até Cancún, seguindo os conselhos de todos os seus amigos, pais de colegas dos seus filhos e até da sua empregada doméstica, o melhor é desistir da ideia. E não digo isso pelo facto de a época dos furacões este ano se anunciar como extremamente forte, o que augura a quem escolher essa zona do globo, a possibilidade de passar as férias sem sair do hotel. Nada disso. A razão que me leva a aconselhá-lo a continuar a ser -além de mim- o único português que ainda não foi a Cancún, tem explicação muito mais prosaica. É que este destino turístico, tão apreciado pelos portugueses em época de furacões, este ano parece estar a provocar problemas de coração. Pelo menos é o que se infere de uma notícia que relata a descoberta, pela polícia mexicana, dos corpos de seis turistas dentro de um poço. Característica comum a todos os cadáveres (três homens, duas mulheres e um menor): não tinham coração. Será que depois de ler esta notícia, algum português estará interessado em pagar um balúrdio para ir até Cancún e regressar de lá sem coração? Que o deixe lá ficar, porque se perdeu de amores por um(a) nativo(a) ainda vá, agora porque lhe foi roubado é capaz de ser um bocado chato, não lhe parece?

Depois de ler estas notícias pensou melhor e decidiu viajar pela Europa? Para a Rússia, foi o que disse? Nem pense nisso, caro leitor! A Europa está perigosíssima, particularmente a Rússia. Imagine que um grupo de turistas polacos ( onde se incluía o presidente da república) decidiu viajar até à Rússia para visitar as campas de uns conterrâneos mortos naquele país. Sabe o que lhes aconteceu? Tiveram um desastre de avião. Bem, isso nem foi o pior...

Um azar nunca vem só, por isso, estes turistas polacos além de morrerem, ainda foram roubados. Por quem? Pelos soldados russos que os foram socorrer e aproveitaram para lhes sacar os cartões de crédito. Rezam as crónicas que o corpo de uma das vítimas ainda estava quente quando ficou com a conta a Zeros!

Como vêem, caros leitores, a vida não está para férias no estrangeiro. Sigam os conselhos do professor Cavaco e fiquem por cá a gozar as vossas férias e o que vos restar do subsídio depois dos descontos para a crise. Se a família manifestar alguma repulsa à ideia de ficar por cá, mostre-se resignado (a), faça-lhe a vontade e rume uns dias até ao Allgarve. Além de o nome fazer lembrar destinos exóticos, também os preços, durante o Verão, são muito superiores a outros locais de férias no estrangeiro. E se pensam que vão passar umas férias chatas, dou-vos um conselho: sigam a sugestão desta amiga e divirtam-se!


"Minhas botas velhas cardadas..."

Quando a Escola não encontra melhor forma de assinalar o Centenário da República, do que vestir as criancinhas com fardas da Mocidade Portuguesa, é porque algo vai mesmo muito mal neste país. A perda de memória não é apenas sintoma de senilidade...

Esquina da memória (4)

Não tencionava falar do “chip” que o governo quer colocar nas matrículas dos automóveis. No entanto, como sonhei com isso enquanto dormia a sesta e acordei estremunhado, corri para o computador a dar-vos conta dos meus receios.
Eu acredito que aquele ar de cachorrinho indefeso de um membro do governo na Assembleia da República, quando toda a oposição atacava a ideia, seja sincero. Eu não ponho em dúvida que a intenção do governo seja a mais piedosa e que o "chip” sirva apenas para o que o governo diz ( o que, convenhamos, já não é pouco).Não deixo, porém , de manifestar os meus receios.
Em primeiro lugar, porque um dos objectivos é obter informação para o planeamento de infra-estruturas. Ora já estou a ver a cena... um tipo qualquer descobre que há muita gente a ir para uma praia escondida, por um caminho de terra batida onde só é possível chegar num 4x4 e alvitra: “Eh pá e se construíssemos ali uma estrada, para evitar que esta malta estrague os automóveis?” A ideia até parece boa e piedosa, mas eu não gostaria de a ver em prática, pois assim qualquer dia as raríssimas praias onde se pode estar mais ou menos sossegado durante o verão desaparecem. Depois, há que pensar em quem vai gerir a coisa. Num país onde o segredo de justiça é constantemente violado, sem que nunca se descubra quem foi o “bufo”, quem me garante a mim que um dia não receba uma carta de um chantagista qualquer a informar:
“ passas para cá 10 mil euros, ou digo à tua mulher que estavas a namorar com outra num pinhal esconso. Está tudo lá no chip!”
A videovigilância nos prédios, nos parques de estacionamento, nas caixas multibanco, quiçá em breve em algumas ruas, não é suficiente?As hipóteses de invasão da privacidade de cada um poderiam multiplicar-se, mas termino com esta. Que garantias me dá o governo de que se um dia o poder cair nas mãos erradas, não vai utilizar os “chips” para fins menos recomendáveis? Nenhuma. Ora isso assusta-me e – depois de tudo quanto me foi revelado durante a sesta- chega para concluir que esta história do “chip” é uma pulhice. Ou então, não durmo mais a sesta, para não ter destes pesadelos.
Adenda: Este post foi publicado em Julho de 2008, quando o governo era maioritário e a proposta foi aprovada perante os protestos de toda a oposição. Hoje em minoria, Sócrates volta a ser confrontado pela oposição, empenhada em acabar com o chip. Não há casmurrice que dure eternamente. Para bem de todos nós.

Promessas de um Coelho no País das Maravilhas (2)



Pedro Passos Coelho começa a desvendar como será o Admirável País Novo que nos promete quando for primeiro-ministro. A liberalização dos despedimentos foi a última revelação do líder social democrata que anuncia um país "melhor e mais justo". Fujam enquanto é tempo!

Sugestão do dia

Grande Joia