quarta-feira, 2 de junho de 2010

Dicionário de Estrangeirês (1)

Se estiver a fazer uma excursão na Rússia e de repente tiver imensa vontade de ir fazer pipi a um arvoredo, basta dizer ao guia:



Vou ao BOSHKE e volto já...

Os senhores conselheiros do 31

Os comentadores israelitas estão furiosos com o ataque e manifestam a sua indignação, pedindo mesmo a demissão de Ehud Barak. O escritor israelita (Nobel da Literatura) , Amos OZ diz que o ataque "é um desastre moral para Israel" e que o país está em vias de se tornar " O Estado pária do mundo". Com tantas críticas internas, talvez o governo de Israel esteja tentado a contratar os comentadores do 31 da Armada, que insistem em defender e legitimar o acto de barbárie. Porque é que os meninos do 31 não vão hastear bandeiras monárquicas para a Praça do Município, que é o que melhor sabem fazer?

O umbiguismo nacional (1)

Já aqui escrevi que uma das características que mais me irrita no comportamento luso é o umbiguismo. Quando criticamos alguma coisa que consideramos errada, dizemos logo “ isto só neste país!”. Esquecemos, muitas vezes, que uma situação idêntica à que criticamos cá, se passa em países mais civilizados e com melhor nível de vida do que o nosso.
O umbiguismo nacional ataca também imprensa, rádios e televisões. Não são raros os dias em que os espaços de informação televisiva em horário nobre são exclusivamente dedicados a questões nacionais e, o mais frequente, é que as notícias sobre o que se vai passando no mundo sejam remetidas para um espaço residual, antes de terminar o telejornal.
Só quando ocorrem factos muito graves (preferencialmente com mortes) é que uma notícia internacional abre um noticiário em televisão. Nessas circunstâncias- como foi o caso do impronunciável vulcão islandês- pode até acontecer que metade do noticiário seja dedicado ao acontecimento, com repórteres espalhados por vários locais a debitarem informação repetitiva que nada acrescenta ao que foi dito pelo pivô e a fazer entrevistas a passageiros impacientes ou conformados.Na imprensa passa-se o mesmo. Ao contrário do que acontece com muitos jornais por essa Europa fora, que abrem com o noticiário internacional, os nossos jornais abrem quase sempre com noticiário nacional e remetem a secção dedicada ao internacional para meio do jornal. Parece irrelevante, mas não é. Demonstra que o umbiguismo nacional chegou ao jornalismo e isso é muito mau.
Qualquer bom jornalista sabe a importância de ter uma clara visão do mundo, independentemente das matérias que trate. Seja para escrever sobre economia, política nacional,internacional ou ambiente, deve ter uma visão do mundo que lhe permita compreender, interpretar e reproduzir para os leitores uma notícia, sem a reduzir à expressão de um jornal de paróquia.
Um bom jornalista não é, obrigatoriamente, um rato de biblioteca que lê muito e gosta de publicitar a sua erudição, divulgando as suas leituras ( onde não faltarão algumas biografias) , para ganhar a admiração de quem o rodeia. Um bom jornalista é aquele que tem mundo dentro de si. Não precisa de dar três voltas à Terra para coleccionar milhas e carimbos no passaporte. Basta que perceba o mundo que o rodeia e em cada destino por onde passe, apreenda alguma coisa da realidade.
Nos jornais ( digo jornais e não imprensa) portugueses há pouco mundo. Ontem, por exemplo, das 56 páginas do caderno principal do DN, apenas três eram dedicadas a temas internacionais e a notícia do dia ( o ataque israelita) era remetida para a página 25, que parecia uma linha de montagem de agências noticiosas.
O Público dedicava três páginas ao assunto e tratava o tema nas páginas 2 a 4, ocupando quase metade do noticiário internacional de sete páginas, numa edição de 40. Isto revela muito sobre um jornal e quem o faz, mas há outros pormenores importantes.
Os jornais deviam preocupar-se em dar aos seus leitores uma visão global do que acontece no mundo, antes de se preocuparem com as tricas caseiras. No entanto, os diários ( O Público será a excepção) fazem exactamente o contrário. Dirão alguns que é uma questão de pragmatismo: os jornais noticiam aquilo que as pessoas gostam ler. Nada mais errado. O pragmatismo é inimigo do progresso. É estagnação e conformismo e o que eu quero dos jornais é informação e sabedoria.

Os jornais portugueses têm de perceber que a concorrência da Internet ameaça reduzi-los a meros reservatórios de informação. Se não apostarem na qualidade, isenção e universalidade noticiosa têm os seus dias contados .Infelizmente, os jornais estão a fazer tudo ao contrário.
As pessoas só voltarão a sentir que vale a pena investir um euro diário na compra de um jornal, quando ele lhe der informação contextualizada, notícias do que se passa no mundo ( de preferência acompanhada por análises de especialistas conceituados) e, acima de tudo, se preocupar em relatar factos em vez de emitir opiniões. Quem compra um jornal para ler as cretinices de colunistas como João César das Neves?
Não compro jornais para ler opiniões, mas sim notícias. Não compro jornais para fazer faqueiros , serviços de copos ou a caderneta de cromos do Papa, nem para coleccionar DVD’s.Quando compro jornais, quero notícias, não quero brindes. Para isso vou às feiras e mercearias do Belmiro de Azevedo ou do Jerónimo Martins.
Quero ler jornais onde os jornalistas escrevam com paixão. Não quero jornais onde os jornalistas se deixem reduzir à figura de amanuenses. Passar os dias a pesquisar na Internet, tirar um bocadinho daqui e dali, coser tudo, fazer uma notícia e no fim do mês ir buscar o salário não é jornalismo… Isso já faziam os copistas, mesmo não dispondo das novas tecnologias.
Quero jornais que façam reportagens e investigação, não quero imprensa de mexericos. Estou interessado em saber como é que vai o mundo, não me interessa saber se as mamas da Tina são de silicone, ou se o Brad Piit empalitou a Angelina Jolie. Para isso tenho as revistas cor de rosa, o barbeiro e a minha empregada.
Quero jornais com mundo dentro, não quero notícias que reproduzem conversas de alcoviteiras. Quero jornais feitos por jornalistas, não quero jornais feitos por bisbilhoteiras. Quero, enfim, jornais que façam jornalismo e deixem os jornalistas honrar a sua profissão, mas isso só será possível quando, quem manda nos jornais deixar de ver o mundo através do umbigo de alguns jornalistas.
Adenda: utilizei neste post as palavras "alcoviteira" e "bisbilhoteira". Leitora amiga e atenta protestou, com razão. Já lhe apresentei justificação na caixa de comentários mas, antes que haja outras reacções de descontentamento, lembro que nas Crónicas de Graça da última sexta-feira fui bem claro ao dizer que a bisbilhotice não tinha sexo. Entendam pois que se tratou de um lapso e não de uma determinação de género.

No creo em brujas pero...

Começaria com uma pergunta: algum dos leitores deste blog já comeu alimentos geneticamente modificados, vulgo, transgénicos ? O mais provável é que responda como a maioria das pessoas: “Não sei!”
Claro que não sabe, porque apesar de todas as normas europeias visando a segurança e saúde dos consumidores, a UE não consegue impôr a obrigatoriedade de rotulagem desses alimentos – que daqui para a frente denominarei apenas como OGM.
Mas porque razão não é dada informação clara às populações no rótulo dos produtos? A resposta está envolta em mistério ... mas há alguns factos que nos permitem deduzir as implicações que estão por detrás dessa nuvem de fumo informativa.
Facto 1- Em 1999, 170 países estiveram ( mais uma vez...) reunidos para debater as implicações do OGM na saúde humana. Contando com o apoio do Canadá, Austrália, Chile, Uruguai e Argentina ( os maiores produtores de OGM), os Estados Unidos conseguiram fazer valer a sua posição ( não inclusão nos rótulos de esclarecimento sobre a origem dos produtos, quando em causa estiverem OGM).Se quem não deve não teme, porquê esta recusa?
Facto 2 - Na mesma reunião, realizada na Colômbia, foi recusada a aprovação de uma medida que responsabilizasse as empresas produtoras de OGM, no caso de se vir a verificar que estes alimentos provocam danos ambientais ou põem em risco a saúde dos consumidores. Apenas os agricultores vítimas de danos estão, neste momento a ser ressarcidos de prejuízos provocados por sementes de OGM.
Mais de 10 anos volvidos esta medida mantém-se. É pelo menos estranho que num país tão rígido em relação às tabaqueiras e outras actividades potencialmente prejudiciais à saúde, exista tanta obstinação quanto à rotulagem dos OGM e se impeça qualquer medida preventiva que assegure a indemnização aos consumidores. Mas se continuar a ler, talvez encontre a explicação.
Facto 3- No início deste século, duas dezenas de cientistas de diversos países constataram - através de uma experiência feita com ratos- que aqueles animais apresentaram deficiências nos seus sistemas imunitários, depois de terem sido alimentados com batatas geneticamente modificadas.
Facto 4- O cientista que divulgou o estudo foi despedido do laboratório onde trabalhava.
Facto 5- Esse laboratório recebeu um donativo da Monsanto- uma das maiores empresas produtoras de OGM.
Facto 6- À boca pequena fala-se de mortes no Japão, provocadas por OGM mas, até ao momento, está por provar que isso seja verdade.
Facto 7- Embora não existindo provas irrefutáveis sobre os danos causados à saúde pelos OGM, sabe-se que existem perigos para a biodiversidade e que estas culturas altamente resistentes aos insectos, ameaçam os eco-sistemas de uma forma muito difícil ( Há quem afiance ser mesmo impossível) de controlar.
Facto 8- O milho, a batata, a soja e o algodão são os principais OGM à venda no mercado, integrando a composição de muitos outros milhares de alimentos, sem que os consumidores o saibam.
Facto 9- Os Etados Unidos são os maiores produtores mundiais de OGM, que em 2010 representarão 95% das suas exportações alimentares.
Facto 10- A União Europeia foi obrigada pela OMC a pagar pesadas multas, pelo facto de ter proibido, durante vários anos, a importação de produtos alimentares geneticamente modificados provenientes dos Estados Unidos.
Mesmo perante estes factos, os defensores dos OGM argumentam que sem o recurso à engenharia genética será impossível alimentar a população mundial, dentro de 30 ou 40 anos. Mas não dizem que também podemos encontrar OGM nos medicamentos e até no vestuário!Voltarei ao assunto.

As razões de Paulo Portas

Paulo Portas tem razão quando pede ao governo para acabar com, pelo menos, metade das empresas municipais. Com efeito, uma boa parte delas serve para pouco mais do que alimentar clientelas partidárias, sendo os seus gestores pagos a peso de ouro.
A medida aparentemente parece fácil. No entanto, mais fácil seria acabar com uma quantidade de Comissões que ninguém sabe para o que servem e cuja extinção foi proposta ainda por Manuela Ferreira Leite, quando era ministra das Finaças. O tempo tem demonstrado que afinal extinguir algumas Comissões é tarefa espinhosa, pois há interesses que as mantêm de pé.
Estou a lembrar-me de uma- cujo nome e objectivos a deontologia não me permite revelar- que foi constituída em 1996, tendo-lhe sido dado um prazo de três anos para cumprir determinada tarefa. Era uma Comissão pequena que, com o decorrer dos anos, foi engrossando, sob o pretexto de ser necessário cumprir os prazos determinados pelo governo.
O trabalho foi apresentado 11 anos depois e, após algumas discussões públicas, terá sido arrumado numa gaveta do ministério da tutela, por ser aparentemente imprestável.
Voltando à pretensão de Portas: quando ele estava no governo já sabia da inutilidade dessas empresas, mas nunca o ouvi propor a sua extinção, talvez porque tivesse medo da reacção das autarquias. Agora, estando de fora e correndo o risco de a breve prazo não servir nem de muleta para o PSD governar, é mais fácil apresentar propostas que, apesar de sensatas, encerram uma boa dose de populismo.

Sugestão do dia

Modos de olhar