terça-feira, 1 de junho de 2010

Dicionário de Estrangeirês


É Junho e já cheira a férias. Apesar de o subsídio para as ditas ser este ano amputado, o melhor é aproveitar, porque pelo rumo que as coisas estão a tomar, pode ser o último a que têm direito.
Acredito que a maioria dos leitores já tenha planeado as suas férias e, como vem sendo habitual todos os anos, não quero deixar de contribuir, com algumas dicas, para que as vossas férias sejam o melhor possível.
Assim, inspirado pelo belíssimo portunhol do nosso Primeiro Ministro- e contando com a colaboração de uma fiel leitora do CR que pretende manter o anonimato- a partir de amanhã publicarei aqui o Dicionário do Estangeirês, que faço votos vos ajude a fazerem-se entender em destinos com línguas mais arrevezadas com que não estareis certamente familiarizados.
A partir de amanhã, aqui terão alguns vocábulos em russo, chinês, japonês, árabe e alemão -absolutamente essenciais na comunicação de qualquer turista- que espero vos ajudem a resolver alguns problemas de comunicação com os habitantes desses países.
Depois do Dicionário do Rochedo e da Pronúncia do Norte ( ainda inacabado) o CR lança o seu terceiro dicionário que, espero, vos seja tão útil como os anteriores.

O ataque de Israel

Os factos: Israel ataca um barco turco com ajuda humanitária para Gaza em águas internacionais, violando as mais elementares regras do direito internacional.
As reacções: O Conselho de Segurança reúne e condena o ataque israelita ; o mundo inteiro condena o acto e manifesta nas ruas a sua repulsa por este ataque terrorista; Obama exige a Israel que se explique e apresente factos; vários países chamam os embaixadores israelitas.
Os tugas:Não conheço a posição do governo português, mas também não interessa para o caso. O que importa realçar é que, como sempre acontece em Portugal, as reacções seguem a lógica do pensamento futebolês. A direita expressa na bloga o seu apoio a Israel. À míngua de fundamentos, é a favor de Israel porque sim.
A esquerda critica Israel recorrendo a análises comparativas com outros factos ou apelando ao bom senso, coisa que para esta discussão não é chamada.
Depois há aqueles blogs independentes onde estamos habituados a ler posts cheios de verborreia destilando um ódio anti-comunista primário. Desses já sabemos que sempre que Castro espirra ou Chavez tem uma dor de dentes, há uma voz que se levanta indignada, mas quando a questão gira em torno de alguma borrada cometida pelos Estados Unidos, Israel ou pelos amados defensores do liberalismo, remetem-se ao silêncio hipócrita do "não me comprometas, que eu não quero expôr as minhas opiniões em público para não ficar mal visto".
Há quem goste do género. Pessoalmente, já passei a fase de acrediar que os comunistas comem criancinhas ao pequeno almoço e matam os velhos com uma injecção atrás da orelha, mas pela bloga há muito boa gente que ainda vive nesse tempo.
Penso que ninguém, por acção ou omissão, pode ficar indiferente ao atropelo israelita. De preferência pensando, para depois comentar sem ficar à espera que uma qualquer enciclopédia, pense por eles.
Finalmente temos a imprensa. Lêem-se algumas opiniões e não se acredita. Lêem-se as notícias e perguntamo-nos o que andam a fazer os jornalistas que trabalham no Internacional, além de organizar cruzadas anti-comunistas.
É tudo demasiado mau para ser verdade. O umbiguismo nacional - de que amanhã aqui falarei- não explica tudo.

Dia da Criança:rewind com dedicatória

Este post foi escrito como cartão de Boas Festas, no Natal de 2008, mas adapta-se na perfeição ao Dia da Criança que hoje se assinala. E já agora, este também...

Adenda: A republicação destes posts não se deve apenas a falta de tempo. É também um tributo aos leitores que aportaram a este Rochedo recentemente e, por isso, nunca os leram.

Pac Man: eles comem tudo

Nas entrelinhas deste post, estava a ideia de que, ao contrário do anunciado pelos profetas da Terra Prometida, a globalização nos iria trazer em vez de melhor distribuição da riqueza, o triunfo dos glutões. A tentativa de compra da Portugal Telecom pela Telesp é apenas mais uma prova disso. A tendência - acentuada nos últimos anos - aponta para que as grandes empresas absorvam as de menor dimensão, numa réplica empresarial do Pac Man. Será cada vez mais difícil a grandes empresas de pequenos países, como Portugal, escaparem ao canibalismo do mercado, onde impera a lei do mais forte.

Dia da Criança

Hoje é Dia da Criança. Há 51 anos os Direitos das Crianças foram transcritos para o papel, mas continuam por cumprir. Assim sendo, também não vejo inconveniente nenhum em recordar aqui uma crónica que escrevi e publiquei em 1998. Porque, infelizmente, continuam a existir muitas Lauras.


Aos cinco anos, Laura conheceu pela primeira vez o significado da palavra "desemprego".
Com apenas dois anos, os pais alugavam-na diariamente a uma vizinha que a utilizava como chamariz para pedir esmola junto de pessoas condoídas."Beliscava-me para eu chorar e às vezes batia-me até ficar negra, para que as pessoas sentissem pena"- explica sem grande ressentimento.
Um dia, três anos mais tarde, Laura foi devolvida aos seus progenitores por alegadamente estar excessivamente pesada e já não despertar "sentimentos de caridade".No dia em que deixou de ser "menina de aluguer", Laura foi sovada com chicote pelo pai que a acusava de comer demasiados doces que os clientes de uma pastelaria das Avenidas Novas frequentemente lhe ofereciam.Meses mais tarde, carregando com a culpa de "não servir para nada e ter sido despedida", Laura entrou para uma escola primária na zona do Lumiar. Desses tempos, recorda uma professora bondosa e de olhar sereno que constantemente a acarinhava e incitava a estudar "para ser uma grande mulher", mas o sentimento de culpa não a largava e Laura, mal terminadas as aulas, ia expiar as suas culpas vendendo "pensos rápidos" aos automobilistas que passavam na zona do Campo Grande.
Laura repartia o seu tempo entre as filas de trânsito e a escola. E assim foi crescendo, alheia ao mundo que a rodeava, emoldurado de crianças iguais a ela, brincando com "Barbies", sem direito ao sonho de um dia casar de grinalda e flor de laranjeira com o "Ken" do conto de fadas da sua imaginação.
"Menina de aluguer" nasceu... também assim cresceu!A Laura que hoje está diante de mim, sentada à mesa de um "bar americano", tem 19 anos e uma filha de apenas dois, para quem reserva os melhores momentos. No ecrã de uma televisão distante, desfilam figuras de telenovela às quais não se pode equiparar, mas que nela despertam as recordações dos tempos em que o pai e um tio a perseguiam à compita, atraídos pelo despertar de um corpo "de cobiça".
Por trás de um verde olhar mesclado de tristeza, esconde-se ainda uma esperança no futuro com que sonhou no dia em que, incapaz de suportar as disputas familiares e já apaixonada pelo Marco, a ele se entregou , em troca de promessas de "Liberdade". Foi esse o dia da partida (tinha então apenas16 anos) para um destino incerto que "quis o acaso" a conduziu ao mesmo bar onde hoje, em troca de uma garrafa de espumante, me conta a sua ainda curta vida. Vida povoada de sonhos, onde cabe ainda a força para terminar o 11º ano e arrostar com as dificuldades de uma licenciatura como assistente social "porque não quero mais ver crianças a sofrer como eu sofri".
Dos tempos repartidos entre o Campo Grande e a escola, passou a tempos divididos entre o aconchego a clientes da noite e o prazer de "viajar" na companhia dos livros que a acompanham até ao local de trabalho. "Sabe, a vida da noite não está fácil e muitas vezes, como não há clientes, aproveito o tempo para estudar ou para ler".
O patrão, caso raro, também se mostra compreensivo . Perante a força indómita de Laura e a sua "fúria de aprender", quando a noite "está mais fraca" lá a manda para casa, para os braços do seu Marco,onde desfruta de alguns momentos de ternura partilhados com Daniela, a filha de um momento de liberdade.

A "guerra" dos OGM

Há dias, no Algarve, enquanto saboreava um delicioso arroz de lingueirão, lembrei-me de uma notícia que tinha lido pouco antes no Washington Post. A Bayer foi condenada nos Estados Unidos pela terceira vez, em poucos meses, a pagar uma indemnização a produtores de arroz cujas culturas foram contaminadas pelo arroz transgénicoLL 62, comercializado pela Bayer Crop.
A empresa – que até agora já pagou três milhões de dólares em indemnizações- terá de enfrentar mais de 500 processos em que é acusada de contaminação, mas continua a defender a sua inocência, reiterando o seu empenho em provar que a biotecnologia é a única solução para matar a fome no mundo e manifestando a sua discordância com aqueles que denunciam os riscos para a saúde humana e para a biodiversidade resultantes dos produtos transgénicos (OGM).
No início de Maio a Monsanto, uma das maiores empresas mundiais de produção de OGM contaminou 82 000 hectares de terras de agricultores sul-africanos, com uma semente transgénica deficientemente fertilizada em laboratório. Consequência: a maioria dos agricultores afectados perdeu 80% das suas colheitas.
A MONSANTO disponibilizou-se para ressarcir as perdas, mas culpa o fracasso das três variedades de milho plantadas nesta quintas, em três províncias sul-africanas, com alegados “processos de sub-fertilização no laboratório” e alega que menos de 25% de três variedades de milho foram afectadas.
A activista ambiental Marian Mayet, Directora do Centro de Biosegurança em
Joanesburgo, não acredita nas alegações da Monsanto e exigiu uma investigação governamental rigorosa e uma interdição imediata sobre todos os alimentos contendo OGM's, alegando não ser admissível que se cometa o mesmo erro com três variedades de milho diferente,
Numa manifestação de solidariedade com a catástrofe do Haiti , a Monsanto acaba de demonstrar a sua “generosidade”, oferecendo aos agricultores do Haiti 475 toneladas de sementes de OGM. è o que se chama um presente envenenado...
Entretanto, a UE autorizou a comercialização de arroz e batata transgénica, perante o protesto de agricultores e associações de consumidores. Estranhamente – ou talvez não- as notícias sobre os protestos que vão ocorrendo um pouco por toda a Europa, não chegam à comunicação social portuguesa. Será apenas por distracção?
Há ainda muito por esclarecer em torno dos transgénicos, mas amanhã trarei aqui alguns factos que espero vos ajudem a perceber como o negócio da indústria alimentar promete tornar-se, a muito breve prazo, um tema de debate ainda mais aceso no seio da União Europeia.

Pelo país dos blogs (52)

A Papoila coloca aqui uma questão que me parece muito pertinente. Creio ter uma explicação para este estado anímico dos portugueses. Basta ver o azedume com que alguma blogosfera e comunicação social reage a qualquer boa notícia, para perceber que há gente que se compraz a empurrar-nos para baixo, contagiando-nos com o seu "bota abaixismo". Esta notícia não é de hoje, mas é um bom exemplo do que escrevo. Poderíamos até chegar ao final do ano a crescer 4%, porque os velhos do Restelo continuariam a defender que é um crescimento conjuntural. Talvez até tenham razão mas nós precisamos de elevar um pouco a nossa auto-estima e não de estar constantemente a auto flagelar-nos e a carpir mágoas.

Como se tudo isto não bastasse, ainda temos uma oposição que tudo faz para desacreditar o país além fronteiras. O que vale é que a partir de hoje e até Portugal ser eliminadodo mundial de futebol , só vai dar bola. Repararam no tempo que os telejornais dedicaram à "investidura" do Mourinho no Real Madrid? Foi só aperitivo...

O senhor César

Eu não quero classificar este artigo. Se o fizesse, teria de ser grosso e quero que este blog continue a ser civilizado. Não posso, porém, deixar de lamentar que haja jornais que paguem a mentes destas para escrever estes dislates, que são um atentado à inteligência de qualquer mortal. Não foi um acaso, o homem semanalmente reitera a sua tendência para a javardice.

Ansiedade

Já só faltam três meses!

Sugestão do dia

Lóbi do chá