quinta-feira, 20 de maio de 2010

Brites no Festival de cinema de Cannes

Olá !
Aqui estou eu na Croisette, esvoaçando de um lado para o outro, a ver as celebridades que por cá vão passando.
Nunca vi tanto jet set junto e ao vivo! Depois destes dias aqui em Cannes, ler as revistas não vai ser a mesma coisa. Espero aparecer em algumas, porque tirei fotografias com tudo quanto é finaço…Ainda há bocado estive quase a poisar nos braços do Javier Bardem, mas um segurança veio furioso em direcção a mim , com tanta energia, que me pisguei num bater de asas.
O Carlos está a fazer uma entrevista à Penélope Cruz. Nem imaginam como o coração dele bate desde ontem de manhã. Até parece que nunca veio a Cannes! Hoje de manhã, enquanto eu tomava o pequeno almoço, vi-o a apinocar-se. Parecia que ia para um encontro amoroso. Pôs tanto perfume, que creio que a pobre da Penélope vai fugir assustada quando ele se aproximar dela. Coitado, não se enxerga. Quanto mais velho, mais trolaró fica, mas parece que isso acontece com todos os homens e é por isso que alguns, quando as mulheres chegam aos 50 anos, a trocam por duas de 25.
Parece que há dias houve aqui um temporal tão grande, que fez “O Pesadelo em Elm Street” parecer um musical da Broadway, mas acho isto muito bonito, apesar de uma cotovia espanhola que encontrei ontem à tarde me ter dito que só vale a pena cá vir durante o Festival. Sabem o que é que a marada me disse? Que fora desta época Cannes parece a Quarteira! Deve ser parva…
Voltando ao Festival, devo dizer-vos que nos bastidores se discute mais política do que cinema. Desde um ministro italiano a tentar proibir a exibição de um filme, até à greve de fome que o realizador iraniano Jafar Panahi decidiu fazer depois de ter sido preso em Teerão, tudo é motivo de conversa . O Godard também resolveu meter a colherada. Depois de ter defendido que a Suiça devia desaparecer como País, deixou os jornalistas pendurados e não apareceu na sala de imprensa, após a exibição do seu filme “Socialism”. Mas como é que ele podia aparecer se decidiu não vir a Cannes? Mandou um fax ( ele tem 79 anos, se calhar ainda não sabe que existem e-mails e telemóveis) a dizer que “problemas do tipo grego” o impediam de estar presente porque, embora para estar em Cannes estivesse disposto a ir até à morte, não queria dar nem um passo mais para além disso. Não perde o humor este magano!
Eu consegui ver o filme escondida nas penas do chapéu de uma velhota muito pintada, mas cheia de glamour, que deve ter entrado de penetra . Gostei muito. Aqueles dois papagaios de cabeleira vermelha que entram no filme, são umas brasas, só vos digo! As pessoas riram-se muito durante o filme, mas eu não consegui perceber onde estava a graça. Até me pareceu um filme bastante triste, devo confessar, porque também entravam dois gatos e eu estive sempre à espera do momento em que eles iam filar os papagaios. Quando contei isto ao Carlos ele riu-se e disse que eu não tinha percebido nada do filme, mas eu não liguei, porque ele tem a mania que só ele é que é inteligente.
Só para terminar, quero dizer-vos que ouvi umas conversas sobre o filme do Manoel Oliveira que foi aplaudido de pé, mas quem deixou a população masculina cheia de torcicolos foi a nossa ministra da cultura. No restaurante do Majestic, ouvi dizer que este ano não passou por lá ninguém com tanto glamour como Gabriela Canavilhas. Com uma ministra assim, ninguém de perfeito juízo se atreve a propor o fim do ministério da cultura!
Agora tenho de me ir embora, porque a Internet está cara e já gastei parte dos créditos do Carlos. Espero que ele não repare, senão lá me vai ameaçar mais uma vez, de que um dia acabo no tacho. Mas quem é que gosta de carne de cotovia? Bem , vou-me pirar, porque vem ali um laverca em voo picado e eu hoje não estou para essas coisas. Passem bem, até ao meu regresso, e não estranhem se o Carlos não vos visitar nos próximos dias, porque ele anda muito entusiasmado com o jet set. Ontem garantia que tinha visto a Angelina Jolie. Só quando o vi a ler “O Monge Negro” do Tchekov é que percebi que estava com alucinações.

Martinha escreve a Pedro Passos Coelho


Olá Cualhinho do meu coração!
Não sei se me conheces, eu sou a Martinha que vem aqui às vezes e podes conhecer-me melhor se fizeres clique no meu nome ( Percebeste o trocadilho?).
Eu sou chinesa, venho daquele país que já foi comunista e não sei se ainda é, porque agora dizem que é um país e dois sistemas, coisa que eu não percebi ainda muito bem como funciona, mas para mim e para a minha mamã funcionou mal. Aquilo dos dois sistemas deve ser mais ou menos assim: os gajos do graveto que andam de Lexus ( uma espécie de BMW mas em bom) têm um porradão de casas e passam os fins de semana a jogar nos casinos de Macau devem viver no sistema bom e as tipas como eu a minha mamã e muitos milhões de chineses que andamos a pedantes, de bicicleta motorizada e tivemos de emigrar para sobreviver, ficámos com a parte má. Azares! Mas cada um é para o que nasce, como tu sabes, por isso não me vou pôr aqui a choramingar que isso é próprio dos fracos e os fracos não têm lugar no país da livre iniciativa dos teus sonhos.
O que te quero dizer é que eu e a minha mamã somos grandes admiradores tuas e sonhamos com o dia em que tu chegues ao poder, porque a continuar assim, um dia o Sócrates ainda nacionaliza a nossa loja na Lapa e lá vamos nós ter de emigrar para outro país onde a iniciativa privada seja bem acolhida e nos deixem trabalhar à vontade.
Como estava a dizer somos grandes admiradoras tuas, mas ontem tivemos um grande desgosto. Um amigo da mamã deu entrada num hospital para ser operado ao braço esquerdo e quando acordou da operação reparou naquilo que escapou ao médico: o braço esquerdo estava tal qual como quando ele tinha entrado mas o direito , que estava bom quando ele lá chegou, estava todo entrapado porque o médico se enganou e fez a operação no braço errado.
Claro que o meu amigo perguntou logo a que é que o operaram, se o braço direito estava bom, mas o médico esbugalhou os olhos, pediu desculpa pelo engano ( deve ser teu apoiante, porque tu também pediste desculpa aos militantes do PSD que te elegeram por os teres enganado) e virou as costas.
O meu amigo decidiu apresentar queixa dos médicos e divulgar o caso nos jornais. Já te estou a imaginar a dizer “e fez ele muito bem, porque o Estado tem de assumir as suas responsabilidades”.Desculpa desiludir-te, mas não é assim tão fácil. Aqueles tipos que cegaram no Hospital de Santa Maria tiveram logo os jornais e televisões à perna e receberam uma indemnização do Estado, mas o amigo da mamã não teve a mesma sorte( se é que ficar sem um olho é sorte, mas enfim…). É que ele foi operado num hospital privado e agora vai ter de esperar que a Justiça funcione rápido, para reparar o erro. Além disso, quando foi dar a notícia aos jornais, dois deles não deram importância nenhuma à situação e, quanto às televisões, não mandaram sequer um gravador de cassettes, quanto mais um repórter e um cameramen!
O amigo da mamã , que apesar de viver em Portugal é simpatizante do Partido Comunista Chinês, diz que isto acontece porque os privados se protegem uns aos outros e os interesses económicos falam mais alto. (Eu não sabia que a economia falava , mas estou sempre a aprender).
O que eu queria dizer-te, meu crido Cualhinho, é que eu e a mamã agora estamos um bocadinho mais desconfiadas e começamos a pôr em dúvida a bondade do teu sonho. Gostava muito que me respondesses mas se não fizeres, certamente é porque foste com o Pai Natal ao circo ou estás a pedir ao Miguel Frasquilho que te explique qual é realmente a opinião dele acerca da situação económica e financeira em Portugal.( Se ele te esclarecer diz alguma coisa, porqeu nós aqui em casa também gostávamos de perceber).
Olha, se puderes e te ficar em caminho, passa lá pela nossa loja na Lapa que fazemos-te um chazinho para a azia e outras maleitas que costumam afectar os políticos quando entram em campanha eleitoral. Também fazemos descontos em bandeirinhas, autocolantes e outros gadgets para campanhas e para ti, teremos uma atenção especial.
Recebe um beijo descomprometido da (ainda) tua admiradora

Com Gingko Biloba isso passa...

Gingko Biloba foi a primeira planta a brotar do solo, depois da destruição de Hiroshima. É utilizada no tratamento de várias doenças e aconselhada para travar a perda de memória
A proposta das deputadas independentes eleitas nas listas do PS, Rosário Carneiro e Teresa Venda, em relação aos feriados, carece de bom senso. Acabar com o feriado de 1 de Dezembro é querer apagar a História, mas propor a eliminação do feriado de 5 de Outubro no ano em que se comemora o centenário da República é (peço desculpa minhas senhoras) uma idiotice!
Querer deslocar o 25 de Abril e o 1º de Maio para dias úteis mais próximos do fim de semana e a Terça feira de Carnaval ( que não é feriado, mas sim uma tolerância de ponto) para a segunda feira a seguir ao Domingo Gordo revela uma falta de senso, que as senhoras deputadas não deviam desconhecer, porque já o primeiro ministro Cavaco Silva ensaiou essa ideia e deu-se mal .
Não sei se os fundamentos da proposta ( possibilidade de aumentar o salário mínimo) são credíveis, mas há uma coisa que sei muito bem: deslocar os feriados todos para dias úteis permitiria ao governo poupar dinheiro no pagamento dos subsídios de almoço aos funcionários públicos. Será esse o objectivo escamoteado pelas deputadas?
Não deixa de ser curioso que a proposta de acabar ( ou no caso do 25 de Abril minimizar) com feriados que representam datas emblemáticas da nossa História venha de deputadas de um Movimento denominado Humanismo e Democracia.
Razão tinha o Jorge Coelho quando dizia que os deputados independentes são muito imprevisíveis…

Será este o sonho dos ultra-liberais ?

Ao recorrer aos princípios da pena de Talião, George Bush não legitimou apenas Guantánamo e a tortura, fez retroceder os Estados Unidos ao tempo em que era apenas a "América". Não faltou quem aplaudisse e justificasse as medidas próprias de um bárbaro, alegando o princípio da legítima defesa.
Transposta a pena de Talião como regra a aplicar nas sociedades modernas, talvez um dia vejamos pessoas a defender que será legítima aplicação da tortura a criminosos que inflingiram sevícias às suas vítimas, sonho acalentado por muitos conservadores que vêem no liberalismo a salvação da Humanidade.
Quando o sonho dos liberais se realizar e ao Estado não restar outra função que não seja alimentar os vícios privados a vida será assim.
Regressemos então à barbárie na era das novas tecnologias e, presos os meliantes, apliquemos-lhes como pena, em vez da prisão, sevícia idêntica à que eles aplicaram às suas vítimas. Vamos todos ser muito mais felizes, não acham?

Pelo país dos blogs (52)

Gostava de ter escrito isto.
Uma análise muito lúcida sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a dsmistificação dos alarmismos da Drª Isilda.

Sugestão do dia

Exílio de Andarilho