terça-feira, 18 de maio de 2010

Gato escondido...


A redução dos salários dos políticos, proposta por Pedro Passos Coelho e aceite por José Sócrates é demagógica, hipócrita e tem um objectivo escondido.
É demagógica, porque enquanto se reduziram os salários, aumentaram 3,4% as despesas de funcionamento dos gabinetes em sede do Orçamento de Estado.
É hipócrita, porque essa redução pode ser compensada por outras vias, como a utilização dos cartões de crédito, as despesas de representação e outras mordomias.
Tem um objectivo escondido, que é justificar mais cortes nos salários dos trabalhadores a curto prazo.
Sócrates decidiu vergar-se reverencialmente perante Bruxelas e apoiar as reivindicações de Passos Coelho. Provavelmente não teria outro remédio, em virtude da posição alemã, pouco consentânea com o espírito europeu, mas preparem-se para o que aí vem a seguir.
Para já, segundo o Diário Económico, Bruxelas vai pedir mais restrições. Era expectável. Lá diz o povo que “quanto mais um tipo se baixa …”

Brites na Nature com Cinha e Pimpinha Jardim?

Ó meus queridos!
Estou cheia de saudades vossas, mas não tenho tido tempo para vir até aqui contar-vos as histórias que vou sabendo do nosso “jet set”.
Vou revelar-vos um segredo: fui contratada para posar para a revista “Nature” que é assim uma espécie de Playboy dos temas ambientais, porque põe os problemas da Natureza todos a nu. Convidaram-me porque, segundo eles dizem, a minha espécie está em vias de extinção. Creio que eles se enganaram, porque as cotovias não estão em vias de extinção, a moda do chapéu na nossa espécie é que já teve melhores dias. Bem, ma isso agora não interessa nada. Fiquei radiante e tenho-me fartado de viajar para ser fotografada em muitos locais.
O Sebastião é que ficou cheio de ciúmes, coitado, porque queria ser ele a estar no meu lugar. Tenho de reconhecer que ele tem razão, porque os mochos estão mais ameaçados que nós, mas a culpa é dele. Se tratasse melhor as pessoas do jet set e lesse mais revistas onde elas aparecem, em vez de se andar a perder na leitura de livros científicos que são chatos e sem interesse nenhum, também já tinha sido convidado! É que, como ouvi dizer a um jornalista amigo do Carlos, aqui há uns dias, quem não aparece, esquece!
Pronto(s) mas não é para vos falar da minha vida que aqui venho. O que pretendo é manifestar a minha indignação pelo que andam a fazer à Bruna. Não me refiro à Bruna que punha a cabeça do Agildo Ribeiro a andar à roda no Planeta dos Homens, mas sim àquela professora de Mirandela que pôs a cabeça à roda das mulheres transmontanas que correram a comprar a Playboy onde a mocinha posou nua. Não há direito que tenham posto a rapariga no arquivo. Já dizia não sei quem que o que é bom é para se ver, não é para guardar nos arquivos.!Quem decidiu enfiar com ela numa sala esconsa deve ser muito egoísta. Quer ser o único a poder olhar para ela, enquanto vê as fotografias da revista, camuflada no livro do Marcel Proust “ Em busca do tempo perdido”.
Alguém me explica a razão de tanta gente ter ficado indignada? Aposto que muitas daquelas mãezinhas, receosas que a rapariga corrompesse os seus rebentos, não faz a mínima ideia do que os filhos andam a ver na Internet!
Sabem que mais? Ainda bem que essas pessoas não se indignaram quando a minha querida Pimpinha Jardim decidiu posar em lingerie para uma revista destinada ao público masculino.
Realmente, não tinham razões nenhumas para se indignar, porque e miúda até levou a mãe com ela e posaram as duas juntas. Só vos digo que quando o Sebastião viu as fotografias, sacou-me logo a revista e quando ma devolveu vinha com um ar muito afogueado. Na altura não reparei, mas o safado tinha arrancado as páginas onde vinham as fotografias. Tive por isso de recorrer a um mail que uma amiga do Rochedo enviou, com uma crónica do Ricardo Araújo Pereira, na ”Visão”, para vos poder mostrar algumas dessas fotografias.


Espero que o Sebastião perceba, finalmente, a importância de pertencer ao jet set. Se a Pimpinha fosse filha da Bruna e posassem as duas juntas, o escândalo tinha sido maior. Ou se calhar, não, porque as fotografias foram tiradas em 2008 e em Portugal, ao contrário do que acontece noutros países, as mentalidades, em vez de se tornarem mais abertas, parece que vão regredindo à medida que o tempo passa.


Pronto(s). Espero que apreciem as fotografias, mas não façam como o Sebastião. Deixem ficar as fotos aqui que elaas não fogem. Mas também não vale sujar o ecrã com beijoquices, seus depravados!
Adeus, até um dia destes. Amanhã vou até Cannes e vou esforçar-me por mandar notícias daquele jet set cheio de glamour.


Caderneta de cromos (17)

Miguel Frasquilho

Miguel Frasquilho, vice-presidente da bancada do PSD, tem sido um dos mais ferozes críticos da política financeira do governo Sócrates, sendo as suas intervenções na AR marcadas pela acutilância dos ataques que desfere e pela aparente solidez do seu argumentário, frequentes vezes sustentado na declamação de números e relatórios.
Numa recente intervenção, comparou Jorge Lacão ao célebre ministro da Propaganda de Sadam Hussein que se recusou a admitir a derrota na guerra, memo depois de o presidente iraquiano ter sido derrubado.
Como diz o povo, “pela boca morre o peixe” e foi isso que aconteceu a Frasquilho, quando o deputado do PS, João Galamba , divulgou o relatório da Espírito Santo Research “A Economia Portuguesa- Maio 2010” assinado pelo deputado laranja. Nesse relatório, destinado a investidores estrangeiros, Frasquilho manifesta a sua confiança no crescimento económico português, impulsionado pelas reformas estruturais levadas a cabo pelo governo ( que ele tanto tem criticado na AR) e conclui que a situação económico-financeira “ não justifica preocupações dos mercados”.
Apanhado na contradição, afirmou ao DN que subscreve integralmente o relatório que assinou ( vá lá, já não é mau de todo) e não lhe parece que “ nesta altura de crise que o país atravessa devesse usar os mesmos argumentos da arena política”.Ora assim sendo, das duas uma: ou Frasquilho optou por uma mentira piedosa para não afugentar os investidores, ou está a mentir quando exibe os seus argumentos na AR. Em ambos os casos fica mal na fotografia.
Se mentiu num relatório que se presume não tenha assinado gratuitamente, ludibriando os investidores e o Espírito Santo, deveria pedir desculpa e devolver o dinheiro. Se não mentiu no relatório, então está a mentir aos portugueses, quando desfere os ataques ao governo no Parlamento e, nesse caso, devia demitir-se e devolver o dinheiro com que os portugueses contribuem para lhe garantir parte do sustento como deputado da Nação.
Lembro aos leitores que este preclaro social democrata foi secretário de Estado do Tesouro de Manuela Ferreira Leite, a mulher que defendia a “Política de Verdade” e, hoje em dia, é um apoiante entusiasta de Pedro Passos Coelho, pelo que a sua inclusão nesta Caderneta de Cromos é perfeitamente merecida. No entanto, também é justo que tenha a companhia de uns quantos cromos apoiantes de PPC que na blogosfera se esforçam por desvalorizar esta contradição de Miguel Frasquilho, chegando ao ridículo de acusar os que criticaram a célebre intervenção de Paulo Rangel no Parlamento Europeu, sobre a falta de liberdade de imprensa em Portugal, de estarem a cair em contradição. Ou seja, para alguns coelhistas a mentira só é relevante quando belisca os seus interesses.

Os cafés dos outros (3)

A Annie Hall fez uma bela viagem pelos cafés da sua vida. A não perder. Em dois deles estive há pouco tempo e sobre um ainda vou (re)escrever.

Sugestão do dia

A Nossa Candeia