quinta-feira, 13 de maio de 2010

O Regresso das CG

É só para lembrar que daqui a poucas horas regressam as Crónicas de Graça. Como já era habitual, esta produção conjunta entre o CR e estes belos Ares estará disponível às 00h01m de sexta-feira.

Pronúncia do Norte (28)

ESPINHA= =BORBULHA

A Rua dos Cafés (5)

Café Monte Carlo ( Lisboa)

Nunca tive um café certo em Lisboa mas, quando vim para cá viver, o meu primeiro poiso foi a Granfina , em Entrecampos, que nada tem a ver com a actual. Morava então no Pio XII e encontrava-me na esplanada ao princípio da tarde com amigos e amigas do Porto, depois do almoço. Por ali iniciei namoros enquanto fazíamos palavras cruzadas, construí sonhos e vivi alguns pesadelos, planeei noitadas que naquele tempo terminavam cedo.
Ao final da tarde, ou princípio da noite, ia muitas vezes ao Vavá , outro descaracterizado de que tenho saudades, principalmente pelas pessoas que por lá conheci, como o meu saudoso amigo Zé Calvário.
Ao sábado à tarde ia à Colombo ou à Versailles. Mas o café que marcou uma boa parte da minha vida em Lisboa, não foi nenhum destes. Foi o Monte Carlo, hoje desaparecido, para dar lugar à Zara, ali na Fontes Pereira de Melo, onde conheci alguns dos grandes nomes da nossa vida cultural, especialmente no campo das Letras.
O Monte Carlo era considerado por muitos “a catedral” dos cafés. Naquele imenso corredor cruzavam-se jornalistas, escritores, estudantes actores de teatro e actrizes de revista, numa autêntica Babilónia. Havia muita gente que não ia ao Monte Carlo. Vivia lá, desde a manhã até à noite. Tertuliava, lia, comia, bebericava, jogava bilhar , damas ou xadrez, pregava partidas a partir de uma cabine telefónica que lá estava instalada ( ficou célebre a "estória" de alguém a chamar o Humberto Delgado ao telefone) e até cortava o cabelo!
Só quando regressei a Portugal soube que o Monte Carlo tinha desaparecido. Senti uma revolta ainda maior do que quando vi a Colombo transformada em Mc Donalds. Só quem conheceu de perto o Monte Carlo, percebe a enorme perda que o seu desaparecimento significou na vida de Lisboa.

Sugestão do dia

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