terça-feira, 11 de maio de 2010

Erros e pânicos


Um corretor de Wall Street trocou um “b” por um “m” e provocou o pânico nas bolsas norte-americanas, que registaram fortes perdas. A entidade reguladora dos mercados americanos está a investigar se o engano foi acidental ou intencional.
Ao ler esta notícia, lembrei-me do que aconteceu em Dezembro com a minha mãe, que recebeu uma conta da EDP de 1700 euros, o que lhe ia provocando um ataque cardíaco.Estou ainda sem saber se a justificação da EDP, de se ter tratado de um erro acidental, é verosímil, pois a semana passada fui vítima de um erro similar e ainda não me foi apresentada qualquer justificação plausível.

(In) tolerância de ponto

Começa hoje a semana das tolerâncias de ponto, curiosamente apoiadas por quem costuma criticar o governo por dar tolerância na véspera de Natal , ou entre dois dias feriados, e criticada por quem habitualmente defende a tolerância no dia de Carnaval.Como já li argumentos ridículos de ambas as partes, prefiro não entrar nessa contenda e falar apenas da minha relação com os relógios de ponto, nos escassos períodos da minha vida em que estive sujeito ao seu controlo totalitário.
Entre mim e o relógio de ponto existiu sempre uma certa incompatibilidade. Não sei se é a sua personalidade amorfa de policial falhado, se o seu magnetismo, que irremediavelmente nos afastam. Não descarto, também, a hipótese de se tratar de um problema meu, sujeito singular dotado de personalidade difícil e belicosa, atreita a criar conflitos com tudo quanto, não passando de uma máquina, se erege a personalidade essencial na vida moderna.
Seja qual for a razão, a verdade é que nunca perdi mais do que cinco minutos a pensar sobre a utilidade de tão execrável objecto.Até ao dia em que um pressuroso chefe me pediu “Sugestões” para o funcionamento do relógio de ponto de uma revista de que eu era editor.Aceitei o repto de dar sugestões porque, é uma palavra que me enche as medidas: SUGESTÕES!É um vocábulo cheio de glamour, que me acicata a sensibilidade e me sugere coisas bonitas como a democracia, onde nós também votamos sugestionados por convicções e mais tarde descobrimos que fomos induzidos em erro, porque o nosso voto, embora ganhador, não serviu rigorosamente para nada.Aliás, há uma analogia evidente entre o relógio de ponto, o voto e algumas sugestões. Ou são inúteis ou esbarram na indiferença dos destinatários...
O relógio de ponto desconhece por completo como se faz uma revista. Ele não sabe que entrevistar uma pessoa pode significar trabalho às 10 da noite, ou às oito da manhã, ( porque a essas horas está a descansar e nem sequer lhe passa pela cabeça que os humanos não façam o mesmo...), não sabe que os acontecimentos não têm hora certa, que uma acção de formação pode ocorrer a quilómetros de distância da sua área de jurisdição, que a notícia não pica relógios de ponto, que a criatividade não lhe massaja o ego, etc.etc.etc.
Para o relógio de ponto, a única coisa verdadeiramente importante é saber que cada um dos que está sob a sua alçada, tem o dever de o acariciar de manhã e ao fim da tarde e dar-lhe satisfações quando vai almoçar. Cada vez que esta operação é feita, uma reacção magnética produz-se no seu interior o que, penso eu, funciona como uma espécie de choque eléctrico destinado a aliviar-lhe as tensões. Poderá dar-se também o caso de este acto de carícia mecânica servir apenas para estiolar as carências afectivas dos relógios de ponto. Mas para máquinas com carências afectivas eu não tenho tempo nem pachorra!
Outra coisa que me encanita, é que o relógio de ponto não dialoga comigo. Não lhe posso explicar que cheguei às 9h03 minutos, em vez das 9 regimentais, porque encontrei um amigo no metropolitano, tropecei nas escadas rolantes, ou estive a ajudar uma velhinha a atravessar a rua. Para ele tudo é indiferente, porque o pobre coitado não tem, nem sabe o que significa, trabalho por objectivos.
Os meus argumentos não convenceram, as sugestões caíram em saco roto e durante uns meses fui obrigado a “picar ponto”.Em jeito de vingança, depois da saída de cada número , ia até junto dele e entabulava uma longa conversa. Começava por lhe mostrar a revista e pedir a sua opinião, embora sabendo de antemão que não obteria resposta. Por isso, depois do período regimental à espera de uma resposta que nunca chegava, avançava para a questão seguinte:
-Estás chateado, porque houve vários dias em que não te acariciei à hora certa, e outros em que nem sequer me viste? Mas olha que o trabalho final que me exiges está aqui, diante dos teus olhos, o que significa que cumpri!
A indiferença da máquina e a sua incapacidade de resposta acabava por me desmotivar, mas sempre lhe ia dizendo que qualquer gestão moderna assenta na definição de objectivos e no seu cumprimento, e não na contabilidade das horas que cada um passa no seu gabinete.



Eu sei que ele não percebia quando lhe falava das teorias dos novos gurus das relações laborais, quando lhe explicava que eles demonstraram à saciedade que o novo conceito de produtividade assenta em patamares muito diferentes daqueles a que a gestão anacrónica de empresas de vão de escada conduziu à falência, quantas vezes depois de conflitos laborais insanáveis. Ele nunca percebeu, por mais que eu me esforçasse, que os tempos mudaram e que as relações laborais neste mundo globalizado se pautam por parâmetros muito diferentes dos de antanho. Mas se ele não percebia isto que havia eu de fazer? Meter baixa para não me chatear e ficar indiferente ao facto de a revista sair com um ou três dias de atraso? Acabámos por ser indiferentes um ao outro e cada um seguiu o seu caminho.
Há tempos encontrei-o. Comunicou-me que se tinha modernizado e agora já não aceitava que o massajassem com um cartão magnético, porque isso lhe fazia cócegas. “Além disso”- argumentou-“ havia por aí uns tipos que traziam três e quatro cartões de cada vez e depois estavam dias seguidos sem aparecer por cá. A nossa relação tornou-se muito distante e mentirosa. Por isso agora, toda a gente é obrigada a massajar-me as costas com um dedo, quatro vezes ao dia. É uma relação muito mais próxima e onde não há lugar a infidelidades”.
Queres então dizer que estás satisfeito, não é verdade?
-Sim, muito!
-E a produtividade aumentou?
-Ai isso, não me perguntes a mim, porque não faço a mínima ideia. O controlo da produtividade é da responsabilidade de outro departamento.
-Quer dizer, continuas a ser apenas um controlador de cus, não é verdade? Estás-te borrifando para a produtividade, o que te interessa é que as pessoas estejam umas tantas horas diárias alapadas numa cadeira, mesmo que passem o dia a conversar, a ler o jornal, a debitar palpites no Facebook ou a jogar no computador...
-Não diria tanto, meu amigo. Eu não sei o que eles fazem, nem me interessa. Apenas quero que me afaguem com os seus dedos e me deixem ver as suas impressões digitais.
-Bem, parece que com a visita do Papa, vais ter uma semana difícil...
-Nem imaginas, meu amigo. Lá vou eu ficar aqui no meu posto, sozinho, sem ninguém me ligar. Podes crer que é muito triste, esta coisa das tolerâncias. Para te ser sincero, é uma coisa que eu não tolero!

A Rua dos Cafés (4)

Café Velasquez ( Porto)




O Velasquez faz parte da minha história de vida. Situado numa praça com o mesmo nome, a escassos metros de minha casa, era “o meu café” durante as férias e continua a ser ainda hoje, quando vou ao Porto, local de paragem obrigatória.
Entre as muitas recordações deste café, encontram-se dois agentes da PIDE que costumavam sentar-se o mais discretamente que lhes era possível numa mesa próxima daquelas que ocupávamos, junto à tabacaria, atentos às conversas. Muitas vezes, ao pressentir a sua chegada, se estávamos a falr de política, mudávamos de conversa mas, a partir de determinada altura, decidimos gozar com eles, falando em código sobre as personagens mais mediáticas do Estado Novo.
O Velasquez foi profundamente remodelado nos anos 90 e, quando fui lá pela primeira vez, depois de regressar de Macau, encontrei-o transfigurado. Felizmente não mudou o nome para Sá Carneiro, nome que a autarquia portuense deu à praça mas que, segundo creio, continua a ser conhecida pela maioria das pessoas como Velasquez.
Alguns ( poucos) dos meus amigos daqueles tempos ainda lá param diariamente e quando estou no Porto, em dias de semana, sei exactamente as horas a que os posso encontrar por lá. Continuam a ocupar as mesmas mesas, em detrimento da esplanada, o lugar que sempre que o tempo permite escolho para ler os jornais na manhã de sábado. Sem PIDES por perto, mas com muitas recordações.

Petróleo reacende polémica sobre as Flaklands/Malvinas

A descoberta de uma jazida de petróleo nas ilhas Falkland, anunciada por uma empresa britânica, provocou uma forte reacção do governo argentino, que acusou o governo britânico de apoiar a pirataria, “confiscando recursos naturais que pertencem ao povo argentino” e ameaça aplicar sanções contra todas as companhias envolvidas na exploração de petróleo na região.
Cristina Kirchner – que conta com o apoio do Grupo do Rio- continua a reclamar a posse das Falkland, reacendendo assim a polémica entre os dois países, que culminou em 1983 com a guerra entre os dois países e determinou o fim da ditadura argentina.

Oportunidade única!

Lembram-se de vos ter falado aqui há umas semanas na caderneta de cromos dos Papas que o DN oferece aos leitores? Então é só para anunciar que se tiveram dificuldade em arranjar o "carimbado", podem vocês mesmo tirar-lhe uma fotografia e colocar na vossa caderneta, porque chega hoje a Lisboa.

Quem é vosso amigo, quem é? Se não fosse eu, como é que vocês iam adivinhar que Bento XVI vinha a Portugal?

Aviso: Nada me move contra a visita de Bento XVI a Portugal. Apenas sinto inveja da Igreja por estar imune à crise. Era mesmo preciso um microfone revestido a ouro? E seria necessário gastar 220 mil euros em cartazes de péssimo gosto para saudar o Papa? Já nem falo do custo da viagem do Falcon que foi buscar o Papamóvel a Roma, nem dos aviões e helicópteros que vão andar a passear-se pelos céus do país durante quatro dias, que nos vão custar os olhos da cara, porque se trata de um Chefe de Estado e nós sabemos quanto custam estas visitas, seja ele o Chefe da Igreja Católica ou de um país qualquer de terceira divisão. Essas mordomias os contribuintes já estão habituados a pagar com estas brincadeiras. Agora um microfone revestido a ouro é que não me sai da cabeça.

Sugestão do dia

O Tempo das Cerejas